revista bula
POR EM 14/12/2010 ÀS 11:11 AM

Marco Antonini: o show do ano que não aconteceu

publicado em

A FARSA DA FARSA: 

Depois de revelada toda a farsa, Marco Antonini colocou um post no Twitter ontem, afirmando que seu blog foi invadido esta semana que ele não seria o autor do plágio. Entretanto, o mesmo texto, que foi recuperado pelo cache do Google, já havia sido publicado quatro meses antes, em 17 de agosto. Inclusive com alguns comentários ao final do texto (http://bit.ly/ePcYVN). 

 

Já faz algum tempo que recebo e-mails afirmando que o "cantor" Marco Antonini copiava críticas e elogios feitos para outros cantores, como se tivessem sido feitos para ele. Resolvi checar. Quando acessei o endereço marcoantonini.blogspot.com, agora deletado, havia um texto publicado com o título “Marco Antonini: o demolidor de almas, show do ano”. Numa rápida pesquisa no Google, constatei que o texto era uma cópia idêntica, com trechos acrescidos, de uma crítica sobre o cantor  londrino Seal, publicada no blog “Uma Pitada a Mais” (http://bit.ly/dIX54b)  em fevereiro de 2010, com o título  “Seal, o demolidor”. A cópia publicada pelo semi-desconhecido Marco Antonini em seu blog teria sido assinada pelo crítico de música e jornalista Tom Leão, já este bastante conhecido no meio. Quando constatei que o texto era uma cópia, entrei em contato com Tom Leão, o jornalista negou a autoria do texto e disse não conhecer Marco Antonini. Postei a história no Twitter, mas fiz um print screen antes, pois já supunha que quando fosse revelado a farsa Marco Antonini deletaria o blog. Dito e feito. Algumas horas depois Antonini apagou o blog. 

Compare a crítica original (http://bit.ly/dIX54b) e o print que fiz do blog deletado ontem (http://bit.ly/fqkmcP). As conclusões ficam por sua conta, caro leitor.


Abaixo a transcrição dos dois textos: primeiro a cópia publicada por Marco Antonini, no domingo, 12. Em seguida, o texto original publicado no blog “Uma Pitada a Mais” em fevereiro de 2010. 

A CÓPIA

domingo, 12 de dezembro de 2010
Marco Antonini O Demolidor de Almas - Show do Ano

Se tivesse que me classificar como um tipo de expctador-ouvinte, seria daqueles que implicam com um disco ou show e demoram meses para largá-lo ou esquecê-lo. E o show da vez no meu complexo cenário de espetáculos é Soul, do cantor goiano-brasileiro-mundial Marco Antonini. Já o admirava devido a sucessos antigos como Na Hora H, Além Do Horizonte (sua versão que dá de 10 a zero na dos caroneiros do Jota Quest), Eu Não presto e suas interpretações de Duran Duran, Rock 80 e a balada Kiss From a Rose: boas canções, expoentes de playlists versáteis que trouxeram ao cantor grande reconhecimento de público e crítica.

Soul é o último trabalho de Marco e traz como novidade o fato de todas as canções serem interpretações, não há nenhuma inédita a não ser seus clássicos de sua autoria. A proposta do show é pegar alguns clássicos do Soul-Alma não exatamente só a música negra e dar-lhes uma poderosa interpretação, sem alterar muito a roupagem; percebe-se que até os arranjos ainda estão muito parecidos com os originais. A diferença mesmo é o cantor. Barítono, lindo timbre, uma leve rouquidão característica e o completo domínio da técnica vocal fazem o potencial de Marco. Mas tudo isso seria insuficiente, não fosse a inteligência da interpretação – leves mudanças nas linhas vocais, muito respeito à gravação original e, ainda assim, um carimbo estilístico próprio do cantor está ali inserido aliado ao carisma e sua energia incomparável e quase inevitável, o cara não se segura, parece plugado em 220 wts.

Mais que tudo, a escolha das músicas foi corajosa por selecionar canções já consagradas por vozes como a de James Brown, Seal, Tim Maia, Lenny Kravitz, RPM, Zero e muitos outros. O titio Roberto Carlos disse achar a interpretação de Marco para Além do Horizonte superior às versões de Jota Quest, Nara Leão, Tim Maia e acredite, Erasmo Carlos. Não só digo o mesmo, como estendo essa visão para as outras canções. Além disso, um amigo meu costuma dizer, com certa razão, que cantar soul em 6 por 8* é coisa pra quem sabe.

Essas reflexões me levam ao conceito de intérprete demolidor: aquele cantor que acaba com todas as outras interpretações já feitas para a música. Claro que, nesse caso, isso ainda seria um exagero, tendo em vista o nível dos intérpretes homenageados por Marco nesse show. Mas os demolidores existem. Elis Regina e Milton Nascimento, por exemplo, costumam dar interpretações que, se não podem ser definitivas, são extremamente difíceis de serem superadas – ignorando, claro, o alto grau de subjetividade desse tipo de julgamento. Não sei se Marco chegará a esse patamar com tanta autoridade, mas, sem dúvidas, é um dos grandes intérpretes da atualidade e é uma delícia de se ver e ouvir. Quem não compareceu ao pequeno Pau Brasil em Anápolis na sexta feira 13, perdeu a "sorte" da ótima chance de ver como se faz um show sem firulas, apelações ou devaneios de estrelas. Tudo era muito simples e requintado, os músicos em alta sintonia com Marco, demonstraram afinação e prazer pelo que fazem.

O que só entristece é que no Brasil especialmente em Goiás onde assisti ao show e com mérito o clasifico como show do ano, confirmei mais uma vez que em terras goianas, seus artistas não são valorizados nem pela mídia e nem pelo público. Uma pena, estão perdendo o que de melhor possuem.

Tom Leão WorldPress
Tocadoleão.com
Folha de São paulo
G1
Terra
Uol

Postado por marco antonini às 17:35 

 
O ORIGINAL

Seal, o demolidor
(publicada no blog “Uma Pitada a Mais” (http://bit.ly/dIX54b em fevereiro de 2010)

Se tivesse que me classificar como um tipo de ouvinte, seria daqueles que implicam com um disco e demoram meses para largá-lo. E o álbum da vez no meu player é Soul, lançado em 2008 pelo cantor londrino Seal. Já o admirava devido a sucessos antigos como Crazy, Violet, Killer e a balada Kiss From a Rose: boas canções, expoentes de playlists versáteis que trouxeram ao britânico grande reconhecimento de público e crítica.

Soul é o último trabalho de Seal e traz como novidade o fato de todas as canções serem regravações, não há nenhuma inédita ou de sua autoria. A proposta do disco é pegar alguns clássicos do Soul e dar-lhes uma poderosa interpretação, sem alterar muito a roupagem; percebe-se que até os arranjos ainda estão muito parecidos com os originais. A diferença mesmo é o cantor. Barítono, lindo timbre, uma leve rouquidão característica e o completo domínio da técnica vocal fazem o potencial de Seal. Mas tudo isso seria insuficiente, não fosse a inteligência da interpretação – leves mudanças nas linhas vocais, muito respeito à gravação original e, ainda assim, um carimbo estilístico próprio do cantor está ali inserido.

Mais que tudo, a escolha das músicas foi corajosa por selecionar canções já consagradas por vozes como a de James Brown, John Lennon, Al Green e muitos outros. O titio Ronnie Von disse achar a interpretação de Seal para Stand by me (penúltima faixa) superior às versões de Lennon e de Ben E. King. Não só digo o mesmo, como estendo essa visão para as outras canções. Além disso, um amigo meu costuma dizer, com certa razão, que cantar soul em 6 por 8* é coisa pra quem sabe.

Essas reflexões me levam ao conceito de intérprete demolidor: aquele cantor que acaba com todas as outras interpretações já feitas para a música. Claro que, nesse caso, isso ainda seria um exagero, tendo em vista o nível dos intérpretes homenageados por Seal nesse disco. Mas os demolidores existem. Elis Regina e Milton Nascimento, por exemplo, costumam dar interpretações que, se não podem ser definitivas, são extremamente difíceis de serem superadas – ignorando, claro, o alto grau de subjetividade desse tipo de julgamento. Não sei se Seal chegará a esse patamar com tanta autoridade, mas, sem dúvidas, é um dos grandes intérpretes da atualidade e Soul é uma delícia de se ouvir.

* 6 por 8 é uma fórmula de compasso musical. No soul, é empregada, geralmente, em canções que tem por característica um andamento mais lento e arrastado. A música do vídeo acima é um exemplo.

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