revista bula
POR EM 21/10/2011 ÀS 12:13 PM

Livro diz que Lee Oswald não matou John Kennedy

publicado em

O livro “A Maldição de Edgar” (Record, 396 páginas), de Marc Dugain, apresenta a versão de que o presidente americano John Kennedy foi assassinado por um complô que envolveu a CIA, exilados anticastristas e a Máfia. “Lee Harvey Oswald, preso e executado em Dallas, nunca matou Kennedy. Nunca participou ativamente de sua eliminação física. Esse cara estava sendo preparado como cobertura há longos meses”, escreve Dugain, baseado em supostos documentos deixados por Clyde Tolson, o segundo homem do FBI e amante de J. Edgar Hoover (o escritor Truman Capote a dupla de “Johnny and Clyde”). O FBI sabia que havia uma conspirata para matar Kennedy, mas nada fez, porque Hoover, além de considerar o presidente degenerado e fraco, não o tolerava porque tentou retirá-lo do comando da polícia federal norte-americana. Dugain afirma que o objetivo maior era reduzir a força de Bob Kennedy, o secretário (ministro) de Justiça de John, depois, em 1968, também assassinado.

Dugain, seguindo a exposição de Tolson, diz que, quando voltou da União Soviética, Lee Oswald estava careca e, surpreendentemente, parecia menor. O escritor frisa que a União Soviética não tinha interesse em matar Kennedy, que, sempre que pressionado, atendia os líderes soviéticos. Relata que a CIA mantinha um programa de hipnose e que o trabalho de limpeza do crime contra Kennedy foi feito pela agência de espionagem. A Máfia não saberia fazer esse trabalho, avalia o Tolson de Dugain.

O livro conta, muito bem, a história de Hoover, o homem que mandou no FBI durante 48 anos, controlando, de algum modo, oito presidentes da República e 18 secretários (ministros) de Justiça. “O sr. Hoover é o diretor eterno do FBI”, disse o presidente Lyndon Johnson. Hoover ficou tanto tempo no poder porque mantinha dossiês explosivos sobre a maioria dos políticos norte-americanos, com informações sobre escândalos financeiros e sexuais. O campeão de escândalos sexuais, narrados exaustivamente, era John Kennedy, que manteve relações com centenas de mulheres, como Marilyn Monroe — que teria sido assassinada por um complô armado pelos Kennedys —, a suposta espiã nazistas Inga Arvad e Judith Campbell Exner, que também se relacionava com o mafioso Sam Giancana e com o cantor Frank Sinatra. O livro desce a detalhes: Kennedy, apesar de priápico, tinha ejaculação precoce.

O livro mais insinua do que esclarece que o crime organizado mantinha certo controle de Hoover porque o fotografara beijando Clyde Tolson num hotel. Beijando e, aparentemente, transando. Voz da moralidade, do puritanismo norte-americano, Hoover não queria se tornar motivo de escândalo, o que o levaria a perder a direção do FBI, sua razão de viver.

Clyde Tolson diz que Richard Nixon só mandou invadir o edifício Watergate, em busca de informações sobre o Partido Democrata, depois da morte de Hoover, quando concluiu, de vez, a montagem de um grupo de espionagem política, com ex-integrantes da CIA e técnicos sem muita experiência. Com a morte de Hoover, em 1972, aos 78 anos, Mark Felt, o Garganta Profunda, ficou como o segundo homem do FBI, abaixo apenas do diretor Patrick Gray, este, indicado por Nixon. Felt, informando o jornalista Bob Woodward, do “Washington Post”, contribuiu para a renúncia de Nixon, em 1974. De algum modo, Felt vingou Hoover, de quem era próximo.

Como o “romance” é a voz do FBI, nota-se o evidente mau humor de Clyde Tolson com a CIA, vista como celerada, e políticos como John e Bob Kennedy (que Hoover odiava). O livro poderia ter o título de “Vingança Contra a CIA” e, com subtítulo, “As Estripulias Sexuais de John Kennedy”.

Se questionado a respeito do excesso de teorias conspiratórias, ao autor sempre resta o argumento de que o livro é um romance. Ao mesmo tempo, citando nomes e apresentando fatos reais — alguns mais bem explorados em outros livros, como “O Lado Negro de Camelot” (L&PM), de Seymour Hersh —, Dugain não pode dizer que a obra é “apenas” um romance. Porque, se usa a imaginação, é mais para revigorar a realidade do que para criar uma realidade paralela, digamos, literária.

Leonardo DiCaprio é Hoover no cinema. Hoover era feio e gorducho — totalmente o contrário do bonito ator de Hollywood.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2020 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — [email protected]
wilder morais
renovatio