revista bula
POR EM 08/12/2008 ÀS 02:53 PM

A Vida Louca de Porfírio Rubirosa

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A Vida Louca de Porfírio Rubirosa: O Último Playboy (Editora Record, tradução de Adriana Lisboa, que confunde "guitarra" com "violão"), de Shawn Levy, cita dois playboys brasileiros.

Na página 90, Levy conta que Flor de Oro, filha do ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana, foi casada com "um barão brasileiro da mineração", depois de se separar do escroque Rubi.

Na página 146, ao listar playboys famosos, Levy escreve: "Francisco Pignatari [1916-1977], um milionário brasileiro da mineração, flertou com uma ex-rainha do Irã e algumas atrizes famosas e se casou com uma princesa [Ira de Furstenberg] — e tudo isso apesar de ser conhecido como Baby. (...) Jorge [Jorginho, como nós, brasileiros, íntimos de todo mundo, o chamamos] Guinle, também do Brasil, herdou uma fortuna do ramo dos hotéis e dilapidou-a — se isso se pode chamar de dilapidar — andando atrás de mulheres como Jayne Mansfield e Janet Leigh e Hedy Lamarr e Verônica Lake e Anita Ekberg". A lista nem se compara à de Rubirosa (lista mínima, acrescente-se): Flor de Oro, Danielle Darrieux, Doris Duke (bilionária), Barbara Hutton (a bilionária ex de Cary Grant), Gene Tierney, Dolores Del Rio, Veronica Lake, Amália Rodrigues (sim, a cantora de fados), condessa Nicola-Gambi, rainha Alexandra (da Iugoslávia), Marianne O`Brian, Zsa Zsa Gabor (a Rubi de saias), Eartha Kitt, Rita Hayworth, Ava Gardner, imperatriz Soraia (do Irã), Katherine Dunham.

Em Los Angeles, Rubi decidiu entrar para o cinema e foi orientado nada mais nada menos do que por Michael Tchekhov, sobrinho do contista e dramaturgo russo Anton Tchekhov.

Por que Rubi, um playboy malandríssimo ("Trabalhar? É impossível para mim trabalhar. Simplesmente não tenho tempo."), seduziu tantas mulheres, ricas, remediadas, pobres, bonitas, simpáticas e feias? Primeiro, devido ao charme, confirmado pela investigação criteriosa de Levy. Segundo, seu priapismo era proverbial. Terceiro, o gigantismo de seu pênis atraía as mulheres. Truman Capote “viu” 28 centímetros. Doris Duke, ex-mulher de Rubi, citada pelo sobrinho Pony Duke, falava em "15 centímetros de circunferência... bem parecido com a extremidade de um taco de beisebol". Chegaram a publicar em jornal: "Parece Yul Brynner de gola rulê preta". Algumas mulheres ficavam machucadas depois dos "exercícios" de amor.

Eufrásia está na moda

Quem leu a biografia Joaquim Nabuco, de Angela Alonso, conheceu um pouco da magnífica história da investidora Eufrásia Teixeira Leite. Nascida em Vassouras, em 1850, morou em Paris e morreu, no Rio de Janeiro, aos 80 anos. Riquíssima, foi uma das paixões de Quincas o Belo, como era conhecido o charmoso político e playboy intelectual. Conta-se que, interessado no dinheiro da milionária e também apaixonado, Nabuco quis se casar. Eufrásia queria-o como amante, mas não como marido. Continuaram amigos e amantes.

O livro de Alonso é generoso ao relatar a história de Eufrásia, mas não é detalhado. Quem quiser conhecê-la um pouco mais, inclusive a história de que torrou seu dinheiro com filantropia, deve consultar a reportagem "Os órfãos de Eufrásia", de Marcos Sá Corrêa, publicada pela revista Piauí.

 A batalha de Creta

A Editora Record lança Creta — Batalha e Resistência na Segunda Guerra Mundial 1941/ 1945, mais uma obra-prima de Antony Beevor. Leio, na contracapa, as loas (sei que, provavelmente, justas — dada a qualidade do historiador britânico) ao autor.O Financial Times escreveu: "Este livro lúcido está destinado a tornar-se obra de referência sobre o assunto".

Adquiri um exemplar e, por enquanto, folheei. Verifico que Beevor, mais uma vez, mostra-se aquele infatigável e sensível contador de histórias. É um dos poucos historiadores que unem bem o ofício de contador de histórias e analista privilegiado das guerras. É isento? Não. Os piores historiadores são os que se dizem isentos, porque não o são. Como ser isento, para ficar em dois exemplos, em relação às monstruosidades de Hitler e Stálin? O que não se pode permitir é que a mente, turvada pelo passional, obscureça o entendimento dos fatos. Objetividade é quase uma ficção, mas não é ficção inteiramente. Portanto, é bem-vinda.
 

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