revista bula
POR EM 23/04/2009 ÀS 05:53 PM

Uma lista de faroestes subestimados

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John Ford também tem seus faroestes subestimados: “Sangue de Heróis”, “Caravana de Bravos”, “O Céu Mandou Alguém”, “Crepúsculo de uma Raça”. “No Tempo das Diligências” não é subestimado claro, porque é a matriz de muitos filmes de faroeste, mas não é citado na lista de Ademir Luiz.

Provocado pelo médico e escritor Eberth Vencio, o historiador e crítico Ademir Luiz elaborou uma lista dos melhores filmes de faroeste e provocou polêmicas. Esqueceu de citar “Shane” (“Os Brutos Também Amam”), como notou (com acerto) Irapuan Costa Junior. Há também outros excelentes diretores que são subestimados, não por Ademir, mas pelos críticos que só percebem os chamados “clássicos dos clássicos”.

Entre os subestimados podem ser citados: Henry King (“Jesse James”, “O Matador”), Fritz Lang (“A Volta de Frank James”, “O Diabo Feito Mulher”), Joseph L. Mankiewicz (“Ninho de Cobras”. “Cada homem traz em si um pouco de Mal”, acreditava Mankiewicz), Delmer Daves (“A Árvore dos Enforcados”, “Flechas de Fogo”), Raoul Walsh (“Sua Única Saída”. O crítico Gomes de Mattos diz que o filme “introduz a psicanálise no western”), William Wellman (“Consciências Mortas”), Howard Hawks (“Rio Vermelho”, “Onde Começa o Inferno”), King Vidor (“Duelo ao Sol”. “Apresentou o sexo em doses tão elevadas que foi logo impugnado pela censura.” Talvez seja o faroeste mais sensual da história do cinema, com Jennifer Jones e Gregory Peck como protagonistas de um romance tórrido e destrutivo), Howard Hughes (“O Proscrito”), “Anthony Mann” (“Almas em Fúria”, “O Caminho do Diabo”, “Winchester 73”, “O Preço de um Homem”, “O Homem do Oeste”), Budd Boetticher (“O Resgate do Bandoleiro”, “Entardecer Sangrento”, “Fibra de Herói”, “O Homem Que Luta Só”, “Cavalgada Trágica”, “Sete Homens Sem Destino”. Este, elogiado por André Bazin), John Sturges (“Sem Lei e Sem Alma”, a mesma história de “Paixão dos Fortes”, de John Ford), André De Toth (“Terra do Inferno”, “Quadrilha Maldita”), Arthur Penn (“Um de Nós Morrerá”), Marlon Brando (“A Face Oculta”. Como diretor, Brando quase faliu o estúdio e quase enlouqueceu os produtores), Gordon Douglas (“Ouro Que o Destino Carrega”, “Rio Conchos”. Este, sem dúvida, um belíssimo faroeste), Sam Peckinpah (“Meu Ódio Será Tua Herança”, “Pistoleiros ao Entardecer” e “Juramento de Vingança”).

John Ford também tem seus faroestes subestimados: “Sangue de Heróis”, “Legião Invencível” e “Rio Bravo” (trata-se da “trilogia militar” ou “trilogia da Cavalaria”), “Caravana de Bravos” (“O western mais puro e mais simples que já fiz”, disse Ford), “O Céu Mandou Alguém”, “Crepúsculo de uma Raça”. “No Tempo das Diligências” não é subestimado claro, porque é a matriz de muitos filmes de faroeste, mas não é citado na lista de Ademir Luiz.

O livro “Publique-se a Lenda: A História do Western” (Editora Rocco), do crítico e professor da PUC A. C. Gomes de Mattos, contém ótimas sínteses sobre os melhores faroestes. O título tem a ver com o dito mais famoso do filme “O Homem Que Matou o Facínora”, de John Ford: “No Oeste, quando a realidade se converte em lenda, publicamos a lenda”.

O crítico Herondes Cezar tem uma coleção interessante sobre filmes de faroeste da época do cinema mudo (parecia mais teatro do que cinema). O professor e crítico Lisandro Nogueira tem cópia de um ensaio magistral de Davi Arrigucci, um dos mais qualificados críticos literários do país, sobre “O Homem Que Matou o Facínora”, de John Ford. Arrigucci continua estudando a obra de Ford. Parece que analisando-a em comparação com textos de Jorge Luis Borges e Guimarães Rosa.
 

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