revista bula
POR EM 18/03/2008 ÀS 09:57 AM

O calendário de Júnio McAbana

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Nas andanças que fazia dentro da cachola, Júnio McAbana matutou um novo calendário, que fizesse frente aos existentes e privilegiasse as minorias, os exóticos e outros seres estrambóticos. Cismou com a mesmice desse calendário gregoriano, que para ele a única coisa interessante que trazia era o 29 de fevereiro, isso mesmo de quatro em quatro anos. Para começar, a semana seria de dez dias, sendo cinco dedicados ao trabalho e cinco ao lazer. Assim sendo, o fim de semana seria de cinco dias.

Segundo esse novo calendário, o ano seria de dez meses, cada mês com 40 dias e o primeiro ano começaria a ser contado a partir de 15 de março de 2010. No horóscopo, um mês seria dedicado a um bicho e o outro a um pé de pau ou à sua fruta. O primeiro seria o mês do Calango; o segundo, o mês da Cagaita; o terceiro, do Carrapato; o quarto, mês do Carrapicho; o quinto, mês do Piolho; o sexto; da Mama-cadela; o sétimo, mês da Sanguessuga; o oitavo, do Puçá; o nono, da Barata; e o décimo, mês do Araticum.

No calendário de Júnio McAbana, no 24 do mês Um seria comemorado o Dia do Viado, um feriado nacional, onde se realizariam as paradas gays, pela manhã, e à noite seriam rezadas missas e realizados cultos protestantes. O carnaval seria do dia 35 ao dia 40 do mês Dois. Dia 20 do mês seguinte seria comemorado o Dia da Esbórnia; dez dias depois seria o Dia do Feladaputa, com um desfile cívico de todos os árbitros e bandeirinhas de futebol e todos os demais fdps do ramo e dos outros ramos.

No Natal, dia 25 do mês Dez, seria comemorado, na verdade, o Dia de São Herodes. Em dez do mês Sete seria o Dia dos Ladrões, cinco dias depois o Dia dos Maconheiros, Cachaceiros e Drogados. No mês seguinte, no quinto dia útil da segunda dezena, seria comemorado o Dia da Corrupção, um feriado nacional da mais pudica devoção, com palanques e desfiles de todos os gêneros. O mês Nove seria dedicado todo ele aos cornos, prostitutas, tarados e pistoleiras, com a realização de um grande festival de cerveja, danças típicas, muito axé, samba, maracatu e o escambau.

O mês Três teria uma data dedicada ao Dia de São Cão, onde o ponto máximo era o megashow televisivo do conjunto “Capetas em Delírio”, o mais popular e que parava o País no horário nobre das 8 horas da noite. Outro dia também muito interessante desse mês seria o Dia de São Nunca. A festa aconteceria de tarde.

O feriado mais importante, no entanto, no Calendário de McAbana, não seria o Dia de São Cèsare Apóstolo, nem o de Santo Anhanguera Bandeirante von Rusember’Gue e muito menos o Dia de Santa Periquita do Bigode Loiro, mas, sim, o Dia dos Escalafobéticos Ululantes do Vigésimo Dia. Nesse dia, feriadíssimo de festa, tudo estaria ou seria invertido: a esquerda passava a ser direita, o certo viraria errado, o inferno seria o céu, as mulheres virariam homens ...

 

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