revista bula
POR EM 15/07/2008 ÀS 04:15 PM

A fome de Malthus

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Há três dias o reverendo Thomas Malthus não se alimentava. E pouco dormia. Precisava fazer a revisão final de seu livro. Não queria um só erro tipográfico. Nada de gralhas.
 
Morto de cansaço, sono e fome, adormeceu sobre o impresso. E teve um sonho horrível. Acordava, faminto, e gritava pela criada. Preparasse urgentemente um farto almoço. A criada, porém, não pareceu ouvi-lo. Irritado, Thomas correu à cozinha. E encontrou o corpo estendido no chão. Fedia. Talvez tivesse morrido de preguiça.
 
Cada vez mais esfomeado, o economista vasculhou toda a casa à cata de alimento. Nem um só grão de arroz. Desalentado, Thomas resolveu sair de casa. Iria a um restaurante. Porém teve um grande susto ao abrir a porta. Dezenas de cadáveres estirados ao longo da rua. E moribundos retorcendo-se de dor.
 
Que peste seria aquela?
 
O reverendo aproximou-se de um homem que lambia o chão. Dissesse apenas o nome da peste. E o semimorto disse: fome. Não havia mais alimentos em Londres. Feito um doido, Thomas corria as ruas. Só cadáveres e moribundos. E notícias alarmantes. Em toda Inglaterra não havia mais um único bife. Tudo podre. Como os homens, também ao animais morriam. Nem insetos restavam. Todos haviam sido devorados.
 
Súbito o economista avistou um belo e enorme rato. Urgia pegá-lo. Daria um suculento bife.

Malthus preparava-se para o bote fatal. Pegaria o bicho pelo rabo. E saltou. O rato, no entanto, não se deixou capturar e fugiu. Não correu muito, porém. À sua frente apareceu um gato encantador, de belos olhos verdes.
 
A princípio, o economista se desesperou. Seu bife ia virar banquete de gato. Depois se alegrou. Rato no almoço, gato na janta. E armou-se para o duplo ataque.
 
No último ato do sonho, o gato se transformava em Napoleão Bonaparte. E o rato num lord qualquer. Os franceses haviam, finalmente, invadido a Inglaterra. Thomas acordou aos gritos, suado, apavorado. A criada lia sua teoria da crise mundial de alimentos. E ria.

 
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