revista bula
POR EM 09/03/2009 ÀS 10:52 PM

Um chifrudo inveterado

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Tem gente que nasce boi ou vaca, carregando consigo a sina do chifre esparramado nos cantos da testa e vive agruras por causa desse adereço que serve de chacota e influencia toda a trajetória de relacionamento com o sexo oposto. Fique claro que hoje em dia esse predicado não é mais exclusivo de quem lida apenas com o sexo oposto. Abidon Zofrendo, amigo de infância, nasceu e vive com esse mal atarracado no cocuruto e agora já vai para o sétimo casamento.

Os relacionamentos anteriores acabaram pregados na testa do coitado que sofria um absurdo com a exposição. Parece até que a lábia dele tem prazo de validade e, com o passar dos tempos, as mulheres com as quais se casava se desinteressavam dele e se viam compelidas a arrumar um amante ou coisa semelhante para os embates da carne. Não tinha jeito, elas pareciam impulsionadas a buscar assuntos com outros. Era peremptória essa necessidade delas, passando a impressão, aos da família, que Abidon tinha realmente nascido com a sina do corno.

Dentre mais de 50 tipos de corno catalogados por aí, a especificação de Abidon Zofrendo passava dos limites, extrapolando os compêndios e almanaques. Não se encaixava, por exemplo, nas configurações de corno Abelha, Ateu, Banana, Brincalhão, Camarada, corno Cigano, Denorex, Elétrico, Frio, corno Porco, Teimoso e por aí vai. Já foi corno Familiar, por levou chifre de parente. Foi Inflação, o chifre aumentava diariamente. Foi corno Atleta também, levava chifre e saía correndo dos outros.

Com o passar do tempo e a constância dos chifres, Abidon, a partir do segundo casamento e o consecutivo chifre, desenvolveu um sistema de detecção de chifre, que ele denominou de ‘cosca sensitiva’, que era batata, não falhava. Era só a mulher começar a pular a cerca que Abidom sentia uma cosquinha no rego toda vez que estava mijando. Era tirar o bilau pra se escorrer e vinha a cosquinha atrás. Ele segurando na frente e coçando atrás. Daí pra frente era só espreitar que pegava a mulher com a boca na botija.

Com a oitava esposa, essa de agora, ele não se casou de papel passado, apenas ajuntaram os panos de bunda e foram morar juntos, porque ele desistira de descasar pelo tanto de trabalho que dava. Com essa, no entanto, e dessa vez, a cosca apareceu de uma forma totalmente diferente e inusitada. Parecia que ia coçar, dava aquele calafriozinho tentador, esquentava o fiofó, pispiava a vontade de verter água e o comichão aparecia no rabo, mas na hora H, quando ele ia raspar os dedos no boga, a cosca parava. Pispiava o mijo, vinha a coceira no toba, mas, quando ia tomar uma atitude, ela sumia. Ele não se deu por rogado, ainda mais pelo histórico do seu currículo, desconfiou e passou a assuntar na mulher, indo atrás, esgueirando-se.

Pelos meios normais, Abidon não encontrou pista. Mas foi mexer no computador e descobriu que tinha virado corno virtual.
 

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