revista bula
POR EM 22/06/2012 ÀS 11:23 AM

Paul McCartney comemora 70 anos e toca Raul

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Consta que, aos 16 anos de idade, o ainda incógnito Paul McCartney compôs “When I’m sixty four” (Quando eu estiver com sessenta e quatro). Na letra da canção, um angustiado jovem amante pergunta à namorada se ela ainda o amará na velhice, quando ele perder os cabelos, e se ela ainda precisará dele, e se o alimentará quando ele estiver com sessenta e quatro anos de idade.

O que levaria um adolescente sopitando testosterona pelos poros a escrever uma letra com uma temática tão adulta? Eu credito o fato à genialidade de Paul, que certamente foi arrebatado por uma daquelas inspirações que invadem a cachola do artista, não o deixando em paz até que o processo de criação esteja totalmente concluído. Certamente, o clima inóspito de Liverpool contribuiu para inspirar o apaixonado mancebo.

Nesta semana, Paul McCartney completou 70 anos. A data foi comemorada em família, com a presença de uns poucos amigos escolhidos a dedo. Apesar do honroso e delicado convite (recebi pelo sedex inglês o novo CD de Paul, “Kisses on the bottom”, com dedicatória e tudo o mais, além do indispensável alerta “please, confirm your presence by June 15”), eu não pude comparecer ao evento porque na mesma data tinha combinado com um maluco de assistir ao documentário “O Início, o Fim e o Meio”, a respeito do ícone do rock brasileiro, Raul Seixas, que também faz aniversário em junho.

Entretanto, gentil e cuidadoso como sempre, Paul propôs conceder mais uma entrevista exclusiva a este surpreendente veículo de comunicação, por meio do escaipe, recurso virtual jamais imaginado pelo ex-beatle nem nos idos tempos da psicodelia ou quando o PT era considerado um diferente partido de oposição.

Eu: Para quem se preocupava tanto em chegar inteiro aos 64 anos, que tal completar 70?

Paul: Coming up like a flower.

Eu: Apesar do correio andar arisco, como diria Chico Buarque, eu recebi o seu CD, ouvi e achei bom-pra-cacete, apesar daquele monte de baladas antigas. Paul McCartney ficou velho?

Paul: Life is a magical mistery tour, my dear. Don’t bother me! Today is my birthday. Please, please me!

Eu: Raul Seixas é considerado por muitos como o maior roqueiro brasileiro de todos os tempos. Você conhece a obra do Raulzito?

Paul: The “Beauty Crazy”?! Of course I know him. He mixed up rock’n’roll and baião. (Neste momento, Paul saca um violão com cordas de aço e começa a cantarolar “Let me sing, Let me sing, Let me sing my rock’n’roll, Let me sing, Let me swing, Let me sing my blues and go...”). He was great! Last year, during a show in Brazil, the audience shouted to me: “Play Raul! Play Raul!”. It was very funny, man...

Eu: O que você pensa a respeito da Conferência Rio + 20 que está ocorrendo no Brasil?

Paul: Everyone knows I am a vegetarian. I believe it’s necessary to protect the steak, the orgasm, the water, the cerrado, the amazon forest, the last honest politicians and another animals in extinction process.

Eu: Você não acredita mais nos políticos, Paul?

Paul: When I was young I usually believed in a lot of shit. Never before in the history of Brasil I supposed to see an alliance between Lula, Collor, Joseph Sarney and Paul Maluf. It’s the end of the world to me.

Eu: Você está acompanhando os desdobramentos da Operação Monte Carlo no Brasil?

Paul: Speak seriously, Vencio. I have never met Little Charles Waterfall. I have paid all of my taxes to the queen... (risos)

Eu: Apesar de alertá-lo, você se casou novamente Macca?

Paul: As Tom Jobim said: “It’s impossible to be happy alone”. I’m in love with Nancy.

Eu: Querido Paul, para terminar esta entrevista, que tal uma mensagem final aos seus fãs brasileiros?

Paul: I want you “tchu”, I want you “tcha”, I want you “tchu tcha tcha tchu tcha tcha tchu”... (gargalhadas até perdermos o fôlego)

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