revista bula
POR EM 15/05/2009 ÀS 10:14 PM

Padres deveriam cortar o “negócio”

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Dou muito acordo com as ideias no conterrâneo Zinzé Pellin Grino. Em muitas coisas nenhuma novidade há, mas quando fala de religião eu ouço com muita atenção, porque ele já foi seminarista e de lá saiu por defender uma tese que o expulsaria até do paraíso. Estou às voltas nos debates com ele em função do acontecido com o bispo Fernando Lugo, presidente do vizinho Paraguai, que se encasquetou agora como pai de três ou quatro filhos, com o perdão de Deus e da Santa Madre Igreja Católica.

Nisso, Zinzé Pellin tem toda razão, mesmo porque padre, arcebispo, bispo e papa são obrigados, pelas leis Régias do catolicismo, a se manterem celibatários, no jamais fuque-fuque. Casam-se, sim, com Jesus, com a Igreja. Ou seja, não podem se casar do jeito mais normal e comum e, consequentemente, porque a igreja também não permite filho fora do casamento, não podem procriar, ter filhos, furunfar.  “Se não podem com os prazeres da carne, qual a utilidade do bilau?”, defende Zinzé, no que eu com ele concordo, quase plenamente.

Ele defende a tese de que o sujeito para ser padre devia se desfazer desse instrumento libidinoso, a piroca. “Na cerimônia de ordenação – ele diz – o padre deveria se submeter a uma cirurgia de extirpação, para não correr risco algum de prevaricar no futuro. Deixaria só uma pontinha, para o serviço do mijo e se tornaria um eunuco”. Para ele, não teria esse negócio de se arrepender depois. Teve vocação, quis ser padre e celibatário, tchan ... corta a coisa e pronto, vai viver assim pro resto da vida, sem direito a arrependimento.

Argumenta que hoje em dia sua tese tem muito cabimento, porque o Vaticano e o mundo, principalmente, ficariam livres das inúmeras denúncias de pedófilos, adultérios e cornos, que alastram no seio da igreja dos padres, maculando, desfazendo casamentos e desencaminhando famílias. Segundo ele, era para botar ordem na coisa: padre deveria usar batina o tempo todo. “Como acreditar na seriedade de um sujeito que faz o casamento, conclama o casal a se comprometer na fidelidade conjugal e, não demora,  vai prevaricar com as casadas?” Na sua opinião, essa proibição faz mais é aflorar o desejo recolhido, a tara recôndita.

Ele fala com cátedra, porque é fiel, viveu e convive com a igreja Católica, é um dos pares e também porque foi justamente a libidinagem que o catapultou do sacerdócio. E ainda por gostar demais da “periquita’  e por não concordar com a descaracterização desse preceito religioso por inúmeros colegas de seminário. Ele já previa que aquilo boa coisa não daria.  E acha ainda que a igreja Católica proíbe o uso de camisinha também e justamente porque acredita na fidelidade e no juramento celibatário dos padres. “Se o padre não pode encapar a mangueira, acaba uma hora dessa fazendo um filho mesmo”,  e por isso esse mundão de meu Deus está cheio de filho de padre. Ele mesmo conhece uma meia dúzia.
 

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