revista bula
POR EM 05/06/2009 ÀS 07:15 PM

Afagos onde afloram fêmeas

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Delvídio me tirou pra prosa agarrado no argumento de que os dias de hoje estão pródigos de mulheres formosas por todos os lados e cada vez aumentando mais. Ele tem a sua lá guardadinha em casa, gordinha, rechonchudinha, mas que dá muito bem pro gasto e anda satisfeito. Mas mais satisfeito ainda quando caminha na rua e olha o magote de beldades que se esmeram cada dia mais em mostrar e lustrar a beleza estética da feminilidade.

“É uma ruma de beleza, rapaz, que a gente vive e morre suspirando, gemendo sem sentir dor e suplicando loas nesse vale de prazer”, me disse num murmúrio de cobiça, observando que as mulheres de hoje estão se esmerando em cuidados com a silhueta, com a apresentação e a concorrência, para elas está tão acirrada, que proliferam salões de beleza, clínicas de estética e academias de ginástica, enchendo as burras de quem lida com isso e enfeitando o mundo de lindeza e boesidade. Este um neologismo que inventou para dizer que as mulheres estão cada vez mais gostosas.

Dou toda razão a Delvídio e me chamou atenção o argumento dele de que, para o deleite dos machos, está morrendo muito mais homem que mulher hoje em dia e nascendo mais mulheres do que homens. “Temos muito mais eleitoras, pode ver”.  E ele ainda enviesou o argumento dizendo que tem crescido geometricamente o número de gente do sexo masculino enfronhado em paradas gays. Via que o dito cujo não tinha nada contra isso e até incentiva quem estivesse na corda bamba, em cima do muro ou dentro do armário a botar o bloco na rua. Ele faz isso com uma ponta de sacanagem, querendo sobra de mulher por seu harém imaginário. Porque na hora do ‘vamos ver’ ele é igual bode, só gosta da farra. Na verdade,  é daqueles que comem com os olhos e lambem com a testa.

Tinha a perspicácia de juntar recortes das notícias de jornal sobre os acidentes e mortes por assassinato. Dois terços dos mortos nessas circunstâncias eram de homens e a grande maioria gente nova, deixando muita mocinha solteira e necessitada, desarvorada. O mais recente foi esse do avião da Air France e que realmente comprovou sua tese.

Além da independência financeira que as mulheres galgaram nos dias de agora, argumentava que sobrava a elas dinheiro para investir em beleza e em roupas insinuantes. “Pode ver, meu cara, hoje um dos grandes produtos de exportação brasileira é a prostituta.  Só que não há um royalty contabilizado e nem entra no cálculo da Balança Comercial”. Falava isso com uma pontinha sacanagem. E que eu aqui faço questão de tirar a pontinha e botar a sacanagem inteira. Pedia para olhar os classificados dos jornais e ver que a esmagadora maioria oferecendo sexo era de mulheres e o argumento de que a gente vive numa sociedade machista  não o abalava.

No fundo, era um encantado com mulheres e vivia tropeçando, batendo a testa em poste e abalroando o seu carro na traseira de outros,  pela insinuante distração com a beleza feminina. A fertilidade de sua imaginação era tanta e tão grande quando via as mulheres se exuberando nas ruas,  que dos seus olhos saltavam espermas, como se lágrimas fossem. 
 

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