revista bula
POR EM 15/08/2012 ÀS 09:32 PM

O Chalé da Memória, de Tony Judt

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Geralmente, a maturidade intelectual de­mora a ser alcançada e só chega após uma longa jornada de estudos e experiências pessoais, onde, não raro, pontuam o engajamento e a de­silusão. Tony Judt, historiador in­glês conhecido pelos seus estudos sobre a Europa do pós-guerra, vivia o auge da sua forma mental, após décadas de atividade intelectual incessante, quando recebeu o diagnóstico fatal de uma enfermidade neurológica mo­tora conhecida como doença de Lou Gehrig. Começava um lento calvário pessoal de perda paulatina dos movimentos físicos até o momento final, quando até mes­mo respirar torna-se im­possível sem a ajuda de aparelhos. Longe de entregar-se ao de­ses­pero, Judt dedicou-se ao trabalho de ditar seus últimos trabalhos: uma a­nálise dos desafios do tempo presente (“O Mal Ronda a Terra”), uma reflexão sobre a história recente (“Pen­­­­­­sando o Século XX”) e um be­lo tex­to memorialístico, publicado no Bra­sil pela editora Objetiva com o título de “O Chalé da Memória”.

Num mundo marcado pela fragmentação moral e pela falência das grandes narrativas ideológicas não podemos descartar o apelo à própria memória e à reflexão histórica como guias. Assim como aprendemos dolorosamente na nossa existência pessoal, com erros e desenganos, também as sociedades precisam aprender com sua trajetória coletiva. Consciente destas afirmações, Judt nos entregou um texto co­rajoso no qual o testemunho das suas experiências e das lições que extraiu de sua caminhada são incorporadas na sua maneira de encarar o ofício de historiador.


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POR EM 15/08/2012 ÀS 08:47 PM

Toda a obra de Bach, Beethoven e Vivaldi para ouvir on-line ou download

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O site Classical Music, especializado em compositores clássicos, disponibilizou toda a obra de Johann Sebastian Ba­ch, Ludwig van Beethoven e Antonio Vivaldi para audição on-line. As peças são conduzidas por maestros e instrumentistas consagrados.

As obras também estão disponíveis para download gratuito, que são limitados ao número de oito por dia. Entretanto, com uma contribuição de 40 reais, todo o conteúdo do site, cerca de 30 mil horas de música, ficará disponível para downloads ilimitados.

Além de Bach, Beethoven e Vivaldi, outros 4 mil compositores também poder ser ouvidos ou baixados, embora suas obras estejam disponibilizadas em número menor. No site também é possível criar playlists com os compositores preferidos.


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POR EM 13/08/2012 ÀS 06:52 PM

Um Dia de Cão, de Sidney Lumet

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Um filme sobre um frustrado assalto a banco poderia se transformar em espetáculo de circo, palanque ideológico, programa policial e manchete noticiosa em todas as emissoras de TV? Pode. É o que prova “Dog Day Afternoon”, traduzido para o português como “Um Dia de Cão”, de 1975, do diretor Sidney Lumet.

A história conta o fatídico dia da vida de Sonny Wortzik, — interpretado por Al Pacino, em sua melhor forma — um ex-combatente do Vietnã que arranjou emprego e experiência como caixa bancário, é casado,  pai de dois filhos e tem comparsas completamente insanos para invadir um cofre — não tão cheio assim — de dinheiro.

O mais inusitado: Sonny resolve assaltar o complexo bancário para custear a cirurgia de mudança de sexo de seu “esposo”, o homossexual Leon. A história, no mínimo exótica, só poderia ter saído do melhor dos roteiristas: a realidade. 

A versão cinematográfica destes eventos que aconteceram no dia 22 de agosto de 1972 se passa em uma agência no bairro do nova-iorquino do Brooklin.

Para filmar o arrombo de frases e situações grotescas, o escalado é o cineasta Lumet com uma equipe altamente talentosa que vai de Al Pacino, John Cazale a Penelope Allen.


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POR EM 13/08/2012 ÀS 06:26 PM

Gore Vidal deu certo como Edward Gibbon e errado como Fitzgerald

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Àquele que tem pretensões literárias, que pretende apresentar-se como herdeiro de Stendhal e Flau­bert, ou Melville e Henry Ja­mes, na­da é mais ruinoso do que fazer mais sucesso como “historiador” do que como escritor. Gore Vidal era uma espécie de Edward Gibbon a­mericano. A temática homossexual transformou pelo menos dois de seus livros, “A Cidade e o Pilar” e  “My­ra Breckinridge”, em sucesso editorial, mas, nesse campo, perdeu, para outros autores, como James Baldwin e mesmo Edmund White (as memórias deste, “City Boy — Minha Vida em Nova York”, são divertidas, sem a “assepsia” de Vidal ao narrar a própria homossexualidade. Vidal é sempre malicioso ao dissecar a vida alheia, como a homossexualidade de Tennessee Williams e a suposta bissexualidade de Bob Kennedy, que teria partilhado um “soldado” com Rudolf Nureyev). Mas o sucesso absoluto de Vidal advém mais de sua literatura histórica e, para seu desconforto, de sua crítica literária corrosiva e, às vezes, precisa. “Cri­ação”, sobre a Grécia, “Ju­li­ano”, sobre Roma, e “Lincoln” são livros extraordinários, como registro histórico, uma história das mentalidades, mas, em termos literários, tão tradicionais como a prosa de Balzac, com a diferença de que, no francês, a história “é” literatura. Vidal é apontado como tendo ódio pelos Estados Unidos. Talvez seja mais adequado dizer que tinha ódio mais pelo que avaliava como “mitologia americana” — a democracia com dois partidos de perfis similares parecia-lhe um regime de partido único, portanto, totalitário  (o que é falso) — e por alguns políticos. Seus sete livros sobre a história americana, começando com “Lin­coln” e chegando até Franklin D. Roosevelt, com “A Era Dou­rada”, antes passando pela construção do Império e por sua meca cinematográfica, Hollywood, são, no geral, exemplares. E revelam mais paixão do que ódio pelo país. 


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POR EM 10/08/2012 ÀS 08:31 PM

Vá ver se eu tô na esquina. Mas tome cuidado

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Por um instante, o jovem teve um desejo sincero de dar cabo do vil ali mesmo, no meio da rua, alvejá-lo na cabeça (teve tempo de se lembrar da famosa foto do vietcong sendo fuzilado a meio palmo em Saigon, 1968), descarregar um 38, crivar aquele corpo deseducado com balas e, por último, chutar a sua cabeça assim que tombasse no asfalto.

Notem: em brigas corporais, quando alguém deseja ferir definitivamente outro alguém, quando alguém que está possuído de ódio (seria o capeta, irmã?!) por outro alguém (aquilo a que denominamos, singelamente, da boca para fora, como “ódio mortal”), sempre visa a atingir a cabeça. Coisa de principiante, convenhamos. Cabeças são estruturas nobres, porém protegidas por arcabouço ósseo da maior dureza. Corações, não. Corações são órgãos moles, literalmente. Para matar mesmo há que se acertar em cheio o coração (lembro-me perfeitamente de meu pai detalhar este fato enquanto sangrávamos um porco com um canivete às vésperas do natal).

Mas o rapaz não possuía armas de fogo. Nem faca. Nem punhal. Nem um cabo de machado feito com guatambu (sabiam que muitos carregam dentro dos carros porretes de madeira para trucidar inimigos no trânsito?). Aliás, àquela altura da vida, além do pobre e escandaloso leitão de sua meninice, o máximo que conseguira matar foi uma aula de trigonometria, ao pular o muro da escola. Urinou nas pernas de tanto apanhar do pai com lasca de pneu de caminhão.


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POR EM 09/08/2012 ÀS 07:16 PM

Meio século sem William Faulkner

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O autor de “O Som e a Fúria” visitou São Paulo, em 1954, bebeu muito e, segundo a lenda, teria perguntado o que estava fazendo em Chicago

William Faulkner

William Faulkner morreu em julho de 1962. Ele tinha 64 anos e, em termos literários, parecia tão esgotado quanto Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway. Em 1954, esteve no Brasil, quase sempre bêbado. Certo dia, segundo uma das versões, teria perguntado: “O que estou fazendo em Chicago?” A história de sua visita ao Brasil, quatro anos depois de ter recebido o Nobel de Literatura, é contada, de modo romanceado, no livro “Dias de Faulkner (Imprensa Oficial, 124 páginas), de Antônio Dutra. Ao ser apresentado à escritora Lygia Fagundes Telles, apontada como “contista”, teria dito: “Se os seus contos forem tão bonitos quanto os seus olhos, a senhora certamente é uma grande escritora”. A autora do belo romance “As Meninas” disse que levou o criador de “Enquanto Agonizo” para ver cobras no Ins­tituto Butantã. “Segurava as cobras e gritava: ‘Sou um fazendeiro, um fazendeiro’. Ele chegou meio fora de órbita a São Paulo. Queria ver cobras e o Cruzeiro do Sul. Um dia, pegou-me pelo braço e apontou para o céu, querendo ver as estrelas. Ficou doido com essa história de Cruzeiro do Sul. E estava sempre com o cabelo molhado. Creio que se molhava para ficar desperto, devido ao excesso de álcool. Não era um homem bonito. Era baixo, mas tinha um rosto muito forte”, contou Lygia à “Folha de S. Paulo”. Queria mas não conseguiu visitar uma fazenda de café e Mato Grosso.


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POR EM 08/08/2012 ÀS 08:57 PM

O Falcão Maltês, de John Huston

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O cinema noir criou uma nova estética fílmica. A definição, criada a partir do idioma francês para definir o gênero do "filme preto”, retrata o submundo das grandes cidades e como os personagens complexos intercalam boas e más qualidades distribuídas ao longo de um roteiro sofisticado cheio de reviravoltas. Outra característica noir é o uso simbólico de sombras. 

O filme “O Falcão Maltês”, de John Huston —  citado por muitos como o criador do gênero noir — guarda para o final o teatro de espectros, como exemplo, um elevador que lança sombras em forma de grades de cadeia no rosto da dissimulada heroína.  

Em uma tendência completamente inovadora para o gênero, o filme é feito em cenários impecavelmente arrumados, como quartos de hotéis e escritórios, muito diferente da decadência apresentada nos noir seguintes, como “Até a Vista, Querida”, de 1944,  e “À Beira do Abismo”, de 1946. O excelente protagonista, Humphrey Bogart, evolui de um cruel vilão para o durão herói na pele de Sam Spade, um detetive particular de São Francisco contratado para solucionar um misterioso caso. Sua personagem cheira a genialidade investigativa misturada a charlatanismo. Perceba a apresentação das personagens, aqui. 


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POR EM 06/08/2012 ÀS 07:54 PM

Os 10 melhores álbuns de rock da história — A lista das listas

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Para se chegar ao resultado fiz uma compilação de listas publicadas por sites, jornais, revistas e suplementos culturais especializados em música. O objetivo da pesquisa era identificar, baseado nestas listas, quais eram os 10 mais importantes discos de rock de todos os tempos. Participaram do levantamento o canal de música VH1, os jornais “The Guardian” e “The Telegraph”, os sites “NPR Music”, “All­Music”, “Aol Music”  e “Amazon”, e as revistas “Slate” e “Rolling Stones”. 

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POR EM 05/08/2012 ÀS 09:12 PM

50 perfis para seguir no Instagram

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Entre os meses de maio e julho, pedimos a 80 convidados — colaboradores, leitores e seguidores — que fizessem uma lista de perfis relevantes para seguir no Instagram. O Instagram é um aplicativo para smartphones, lançado em outubro de 2010, que permite aos usuários tirar fotografias, manipulá-las com uma grande variedade de filtros e efeitos e, depois, compartilhá-las no próprio próprio aplicativo ou em grandes redes sociais como Twitter e Facebook. O Instagram também permite seguir amigos, visualizar e comentar suas imagens. Estima-se que mais de 1 bilhão de fotografias já foram compartilhadas por 50 milhões de usuários. A partir da indicação dos convidados foi elaborada uma nova lista sintetizando a opinião dos participantes.


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POR EM 04/08/2012 ÀS 07:20 PM

O Cavaleiro das Trevas Ressurge

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Com “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, Christopher Nolan encerra o tríptico iniciado em 2005 com “Batman Begins”, se­guido de “O Cavaleiro das Trevas”, em 2008. A saga do personagem criado por Bob Kane, do trauma dos anos de infância à apoteose final, cavalgando vitorioso em direção ao pôr do sol, está completa e, talvez, conclusa. O tratamento mais maduro, em oposição ao estilo fabulista de Tim Burton e ao andrógino-cafona de Joel Schumacher, outros dois diretores da “franquia”, está diretamente ligado à forma como trabalha o diretor. O resultado é um filme que herdou dos clássicos (“Lawrence da Arábia”, “A Batalha de Argel”, para citar dois) a qualidade mesmerizante que só o cinema tem.

Longe do confete de Hollywood, em silêncio, com o mesmo diretor de fotografia (o genial Wally Pfister) e o mesmo montador (Lee Smith), a esposa como produtora e o irmão como co-roteirista, Nolan não replica nenhum artifício visual ou narrativo que tenhamos visto em quaisquer outros longas de super-heróis, a começar pelo 3D, o qual recusa com veemência, preferindo o formato Imax, em gloriosos 70 milímetros. Pouco do que está na tela é gerado por computador: o Batman no alto da ponte, vigiando a cidade, é um homem real, a caráter, no alto da maldita ponte.


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