revista bula
POR EM 25/10/2010 ÀS 04:50 PM

Livro sustenta que Hitler não se matou

publicado em

Ultramar Sul — A Última Operação Secreta do Terceiro ReichMais um livro discute a possibilidade de, ao “escapar” do cerco dos Aliados, notadamente soviéticos, ingleses e americanos, o líder nazista Adof Hitler e sua mulher, Eva Braun, terem se refugiado na Argentina. “Ultramar Sul — A Última Operação Secreta do Terceiro Reich” (Civilização Brasileira, 489 páginas, tradução de Sérgio Lamarão), dos pesquisadores Juan Salinas e Carlos De Nápoli, é uma obra cautelosa, ao contrário de “El Exílio de Hitler” (Ediciones Absalón, 493 páginas), do jornalista argentino Abel Basti. Este é peremptório: Hitler morou na Argentina, na região da Patagônia, ao lado de Braun. Os dados de Basti não avalizam sua conclusão. Salinas e Nápoli, ainda que admitam que Hitler, Braun, Martin Bormann, Heinrich “Gestapo” Müller podem ter morado na América do Sul (e citam que Walter Rauff radicou-se no Chile), escrevem: “Nada se sabe ao certo sobre o destino de Hitler. (...) Nada de novo se sabe sobre a identidade dos dirigentes nazistas desembarcados em costas patagônicas durante a fase final da operação. (...) Ainda que com as informações disponíveis não pareça sensato acreditar que Hitler e seus próximos tenham podido viajar naqueles U-Bootes [submarinos], ninguém sabe o quê ou quem desembarcou nas praias de Miramar ou Mar del Sur. (...) Embora a Operação Ultramar Sul tenha sido originalmente concebida para a fuga de Hitler, parece pouco factível que ele e sua mulher tenham chegado à Argentina nos U-Bootes que aportaram no país, aberta ou clandestinamente, em meados de 1945”. Mas “chegaram às costas da província de Buenos Aires ou da Patagônia pelo menos outros três submarinos, dois dos quais desembarcaram clandestinamente perto de Necochea. (...) Tudo indica que foram cerca de seis os submarinos que atravessaram o equador em sua viagem para o Sul e não menos de quatro chegaram às costas argentinas. (...) Chegaram a terra firme uns 80 camaradas, alguns dos quais pareciam ser altos dirigentes do regime deposto”. 


leia mais...
POR EM 14/10/2010 ÀS 01:48 PM

A Solidão dos Números Primos

publicado em

A Solidão dos Números PrimosMais do que um estado de isolamento, em que o sujeito experimenta sua própria companhia, a solidão é também uma espécie de liberdade truncada e inconstante, aberta às surpresas e acasos da vida, e por isso mesmo passível a tudo. Na maioria das vezes pensamos na solidão como algo triste, indesejado, uma condição humana causal de uma sociedade individualista que quer cada vez mais espaço e menos presença — até mesmo de si, por que não? Mas ela também pode ser, se encarada ou “tratada” como fase, uma saudável oportunidade de observar o mundo com um olhar distante e ainda assim muito íntimo, particular, em busca de algo que se está à procura, embora não se saiba bem o quê. Em alguns casos a solidão é escolha absoluta e consciente, e disso trata o romance do italiano Paolo Giordano, “A Solidão dos Números Primos” (Editora Rocco, 288 páginas, tradução de Y. A. Figueiredo). 

Numa extremidade do romance está Mattia Balossino, um garoto que cresce com uma secreta parcela de solidão por causa de Michela, sua irmã gêmea mentalmente doente, da qual se envergonha. Aqui seu mundo solitário é autogerado a partir desta vergonha e do distanciamento que ele mesmo provoca com os colegas e conhecidos. Convidados para a festa de um colega de sala com o qual têm pouquíssimo contato, os irmãos Balossino se separam a caminho da festa. Mattia, preocupado com o possível comportamento de Michela, (“Ela vai deixar cair todas as batatas fritas no chão.”), deixa a irmã numa praça dizendo que voltará logo. Mas quando volta, a praça está vazia e escura, como fica seu coração por muitos anos seguintes. A narração avança um ano após o desaparecimento e mostra um Mattia ainda mais introspectivo, obscuro, marcado pelas cicatrizes de uma frustrada tentativa de suicídio.


leia mais...
POR EM 10/10/2010 ÀS 03:44 PM

A ressurreição de um grande escritor

publicado em

Deus de CaimA editora Letra Selvagem, de Taubaté, por iniciativa de seu editor, Nicodemos Sena, acaba de relançar o romance “Deus de Caim”, do mato-grossensee Ricardo Guilherme Dicke, obra que foi um dos vencedores do prestigiado Prêmio Walmap (1967). Referendado por Jorge Amado, Guimarães Rosa e Antonio Olinto, integrantes do júri, que o consideraram uma revelação e um marco na literatura brasileira, o romance vem sendo objeto de redescoberta pelos ensaístas, críticos e estudantes, que atestam a grandiosidade e repudiam o injusto esquecimento a que foi relegado seu autor.
 
“Deus de Caim” surgiu num momento de transição: política, das artes, da moral, dos costumes, da linguagem. Vivíamos uma época de rápido escalonamento de valores, em direção a uma suposta modernidade em todos os sentidos. A ficção ainda vinha de uma experiência estética bastante canônica, ainda eram muito fortes os ecos do modernismo na poesia. Mas a prosa ainda caminhava para descolar-se dos modelos machadianos ou do realismo naturalismo, quando primeiro surgiu o tufão chamado “Grande Sertão: Veredas”. Uma década depois, “Deus de Caim” emerge como um furacão estético. Em Pasmoso, cidade criada pelo autor, a partir de sua habilidosa capacidade de recuperar a mitologia popular ou o inconsciente coletivo — com o uma Macondo, uma Komala ou uma Yoknapatawpha, a exemplo de García Márquez, Rulfo ou Faulkner, que espelharam as experiências de um mundo arcaico e burguês — esboçam-se os conflitos da família Amarante, de amor entre Lázaro e  Minira, interditado pelo seu irmão Jônatas, por meio de sedução e tentativa de estupro, constituem-se no ponto de partida de uma tensão que vai perpassar todo o livro e que são o núcleo central do romance.


leia mais...
POR EM 24/09/2010 ÀS 10:51 AM

A vida escandalosa da primeira-dama e cantora Carla Bruni

publicado em

Carla — Uma Vida SecretaA biografia “Carla — Uma Vida Secreta” (Editora Flammarion), da jornalista Besma Lahouri, será publicada em outubro, mas já está provocando polêmica. Os advogados do presidente francês Nicolas Sarkozy estão examinando o texto. Entre seus aliados há quem queira pedir à Justiça que impeça a circulação do livro, que contém informações bombásticas sobre a cantora Carla Bruni, mulher do líder francês.

Lahouri fala dos muitos namorados e amantes de Carla Bruni, de seus vários escândalos, das fotografias nada discretas, das drogas. Entre suas conquistass estão Eric Clapton e Mick Jagger.

A biógrafa diz não temer a pressão presidencial e, numa entrevista, atacou: “Carla é uma mulher que sempre viveu em bairros de ricos, em grandes mansões familiares, rodeada de criados. Não tem o mínimo contato com a realidade e vive em uma redoma dourada. Está muito mal informada sobre a vida do francês médio. Só lhe interessa sua imagem, que tenta controlar por todos os meios. Se diz mulher de ‘esquerda’, mas não fala nada da atualidade. Está convertendo-se em um problema político para seu marido”. A imagem comportada de Carla Bruni é, segundo Lahouri, uma construção dos marqueteiros de Sarkozy. A cantora e agora primeira-dama francesa é, segundo a jornalista, “uma devoradora de homens”. O livro, segundo o diário francês “Le Parisien”, afirma que Carla Bruni é quem seduz os homens, pois gosta de tomar a iniciativa. Apaixona-se e desapaixona-se facilmente.


leia mais...
POR EM 18/09/2010 ÀS 01:15 PM

O socialista inglês George Orwell foi dedo-duro?

publicado em

George Orwell Quando lançado no Brasil, em 2008, o livro “Quem Pagou a Conta — A CIA na Guerra Fria da Cultura” (Record, 556 páginas, tradução de Vera Ribeiro), de Frances Stonor Saunders, formada em Oxford, ganhou resenhas elogiosas, mas nenhum comentário crítico. O motivo é o de sempre: teorias conspiratórias de esquerda são aceitas como verdades irretorquíveis nos cadernos culturais. O jornalista e escritor inglês George Orwell, morto aos 46 anos, em 1950, é uma das “vítimas” da autora. Ao contrário de biógrafos e ensaístas, Saunders acredita na história de Isaac Deutscher de que Orwell plagiou o romance “Nós”, do russo Yevgeny Zamyatin, que, perseguido pelo stalinismo, exilou-se na França. Ex-trotskista e eterno socialista, Deutscher escreveu que faltavam ao seu adversário “senso histórico e compreensão psicológica da vida política”. Sessenta quatro anos depois da morte de Orwell, sabemos que sua crítica ao totalitarismo, de esquerda (stalinismo) e de direita (nazi-fascismo), permanece pertinente. O romance “1984”, de 1948, persiste vivo, um perceptivo mapeamento histórico e psicológico, além de resistir como literatura, de uma sociedade totalitária. O herói ou ex-herói de Deutscher, Liev Trotski, era menos perspicaz do que o autor da novela “A Revolução dos Bichos”. Se a crítica do biógrafo de Trotski não resiste a um peteleco, outra crítica é mais grave. Orwell teria sido “dedo-duro”, segundo a versão apresentada por Saunders.


leia mais...
POR EM 18/09/2010 ÀS 11:19 AM

E se Amanhã o Medo, de Ondjaki

publicado em

E se Amanhã o MedoEscritores africanos têm se destacado no mercado editorial da língua portuguesa e de outras línguas, e um deles é Ondjaki, escritor angolano premiado, finalista do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2010 e membro da União dos Escritores Angolanos. “E se Amanhã o Medo” (Língua Geral, 120 páginas), seu último livro publicado no Brasil, traz vinte breves contos que podem ser vistos como uma pequena amostra de um grande talento. 

Lançado na Coleção Ponta de Lança da editora Língua Geral (editora brasileira voltada especificamente para obras escritas em língua portuguesa de todos os países que a mantêm), o livro revela muito da técnica e estilo poéticos de Ondjaki. Divididos em duas partes, “Horas tranquilas” e “Conchas escuras”, os contos, mesmo que curtos, são de extensos significados e profundidade. Ambos os títulos, emprestados do romance “Lavoura Arcaica” de Raduan Nassar, cujo trecho é a epígrafe da obra e tem entre seus nomes da dedicatória o escritor brasileiro, aludem exatamente à atmosfera das histórias.  “Horas tranquilas” abre o livro e se estende por quase todo ele, em quinze narrativas, entre médias e pequenas, ora descritivas, ora filosóficas, ora extremamente poéticas e visuais, sinestésicas, ora mágicas e improváveis. Aqui os contos são mais explorados em seu sentido lógico, ainda que mantenham uma intensa realidade fantástica que levam o leitor para onde bem querem. Cada um tem vida própria, significado próprio e sobretudo individualidade, porque são muito diferentes um do outro. Nesta parte, o escritor angolano mostra mais diálogos, transmite a mesma sensação nauseante e perigosa diante de algo desconhecido, novo, e melhor ainda, descreve este novo, improvável e mágico, como comum, de forma simples e possível.


leia mais...
POR EM 05/09/2010 ÀS 06:10 PM

Jornalista garante que Hitler morou e morreu na Argentina

publicado em

HitlerO livro “El Exilio de Hitler” (Ediciones Absalón, 493 páginas), do jornalista argentino Abel Basti, de 54 anos, sustenta que o líder nazista e sua mulher, Eva Braun, não se mataram. “Fugiram” para Barcelona, onde passaram alguns dias, e depois foram para a Argentina, onde Hitler "morreu", nos anos 60.

Dezenas de livros mais equilibrados sustentam que a polícia secreta comunista levou os restos mortais (queimados) de Hitler e Eva Braun para a União Soviética. Basti afirma, sem apresentar documentação confiável, que a informação não é verdadeira e que os nazistas, como Hitler, o chefe da Gestapo, Heinrich Müller, e Martin Bormann plantaram pistas falsas. Entrevistado pelo jornal “ABC”, da Espanha, sustenta que “existem três documentos” que comprovam que o nazista não se matou: “Do serviço secreto alemão, que dá conta de que chegou a Barcelona, procedente de um voo da Áustria; do FBI, que indica que ‘o exército dos Estados Unidos está gastando a maior parte de seus esforços para localizar Hitler na Espanha’; e um terceiro do serviço secreto inglês, que fala de um comboio de submarinos com líderes nazistas e ouro saindo rumo a Argentina, fazendo uma escala nas Ilhas Canárias”. O livro, publicado em maio deste ano (sem edição brasileira), provoca sensação na Espanha, pelas revelações “surpreendentes” e, no geral, contestadas por historiadores profissionais. Mas as informações de Basti não deixam de ser curiosas, principalmente por ser correta mas óbvia a informação de que vários nazistas escaparam para a Argentina de Juan Domingo Perón. Um jesuíta nonagenário é apresentado por Basti como uma de suas mais importantes fontes. Ele dispõe de muitas informações sobre a presença de Hitler na Espanha, segundo o jornalista. No livro, porém, não revela nada de sensacional.


leia mais...
POR EM 05/09/2010 ÀS 05:15 PM

Anotações sobre ‘2666’

publicado em

Roberto Bolaño Se me pedissem um resumo de “2666”, com suas 852 páginas, eu responderia citando Carlos Fate: “2666” é sobre “a variedade interminável de formas com que destroçamos a nós mesmos”. Ou ainda: “Um retrato do mundo industrial do Terceiro Mundo, um ‘aide-mémoire’ da situação atual do México, uma panorâmica da fronteira, uma narrativa policial de primeira magnitude, porra”. É um resumo bastante incompleto, por isso aponto abaixo alguns aspectos do livro de Roberto Bolaño — acredite no hype! — que se relacionam às falas de Fate.

Das cinco partes de que é composto, “2666” vale por três. A primeira, cerca de 160 páginas alucinantes sobre quatro acadêmicos que estudam Benno von Archimboldi, a figura-chave do romance monumental. A quarta, sobre a centena de assassinatos das mulheres em Santa Teresa, versão fictícia de Ciudad Juarez — em que pese algumas partes chatas e dispersas. E finalmente a quinta parte, que amarra algumas, não todas, pontas do livro.

Bolaño tem um poder narrativo excepcional e uma capacidade espantosa para a criação de personagens. De certo modo, é como se ele dispusesse de um orçamento infinito para ter à sua disposição os melhores atores da história do cinema, sendo que a maioria deles faz apenas pequenas participações. O autor de “2666” põe em cena uma ampla galeria de personagens para abandoná-los depois sem necessidade de explicá-los ou retomá-los. É mais ou menos como se Greta Garbo fosse contratada apenas para aparecer tomando um drinque como figurante enquanto Johnny Deep diz uma fala enigmática e desaparece para sempre. De um parágrafo para outro, o foco da narrativa muda, sem garantias de que voltará ao ponto de onde foi cortado de modo brusco.


leia mais...
POR EM 30/08/2010 ÀS 09:55 PM

A vingança de Moby Dick

publicado em

No Coração do MarPublicado em 1851, “Moby Dick”, de Herman Melville, é um clássico. O romance é produto da imaginação do escritor americano — discípulo que rivaliza com Shakespeare — e, ao mesmo tempo, baseado em fatos reais. Muitos leitores certamente avaliam que o espírito vingativo de Moby Dick, um cachalote gigantesco, é uma invenção literária de Melville. A baleia do livro parece ter sentimentos, como a capacidade de ser vingativa, de perseguir o seu perseguidor, o obcecado capitão Ahab, que parece mais selvagem do que seu oponente marítimo. A história é baseada num acontecimento real, de 1820, que, sem a cobertura da recriação poderosa da literatura, teria se tornado um rodapé na história náutica. Baleias atacam barcos de curiosos que aparentemente as agridem, talvez pela proximidade excessiva e ameaçadora. Na edição de 22 de julho do jornal espanhol “El País”, Lali Cambra relatou, na matéria “O ataque da baleia”, como um mamífero de 40 toneladas atingiu e destruiu parcialmente o barco Intrepid, na costa atlântica da Cidade do Cabo.

O jornal publicou duas fotografias, da Agência EFE (o nome do fotógrafo não é mencionado), impressionantes. A primeira exibe a baleia jogando-se sobre o Intrepid. A segunda mostra o barco de 10 metros destroçado. A reportagem afirma que é “inusual” baleias se jogarem em cima de barcos. Autoridades marítimas sul-africanas concluíram que a baleia pode ter sido “acossada e perseguida” por pessoas que ocupavam pelo menos dois barcos — um deles o que quase foi afundado. Paloma Werner e Ralph Mothes, proprietários do barco, contaram que, assim que avistaram a baleia, desligaram o motor. O casal observou-a por cerca de uma hora, a uma distância de 120 metros. Eles “asseguram que a baleia, sem que fizessem qualquer coisa, aproximou-se e jogou-se em cima da embarcação”. Nenhum deles se machucou.


leia mais...
POR EM 12/08/2010 ÀS 05:37 PM

Uma história cruenta da imprensa brasileira

publicado em

José Carlos Bardawil tenta demolir o mito de Midas de Mino Carta, ataca os jornalistas-assessores e aponta as razões do fracasso inicial da revista "Veja" e do fracasso total do "Jornal da República" 

O Repórter e o PoderLivro de jornalista sobre jornalismo e jornalistas invariavelmente é desinteressante. Ficamos sabendo, em geral, da parte rósea da profissão, que estimula tantos garotos a prestarem vestibular para o curso de Jornalismo. Nas obras cor-de-rosa, os jornalistas contam que falaram com as eminências de seu tempo, contam maravilhas sobre suas viagens e, para atrair mais leitores, uma pitada de sexo é inescapável. Experiências próprias e de gente famosa. Não é o ocorre com o livro “O Repórter e o Poder” (Editora Alegro, 271 páginas), as memórias de José Carlos Bardawil. Trata-se, na verdade, de uma longa entrevista, não muito bem editada (e com vários erros), feita por Luciano Suassuna (diretor de Jornalismo do portal iG). O livro não tem nada de chato e pode ser lido de uma sentada. Conta uma história, digamos, quase cruenta de parte da imprensa brasileira. Bardawil morreu ainda novo, aos 54 anos, vítima de câncer. Suas memórias têm um tom de mágoa, de ajuste de contas. Percebe-se, também, que o jornalista transforma fatos irrelevantes em fatos decisivos. Como obra de maledicências, não deixa de ser muito interessante, lembrando, quem sabe, Humberto de Campos. 

O Brasil, talvez até o mundo — para José Carlos Bardawil —, devia ser bardowilcêntrico. O jornalismo político dependia dele, ou deveria depender. Bardawil teve, em toda a sua vida de profissional, duas obsessões: ser chefe de uma redação e ser o melhor jornalista político do país. Conseguiu, na sua opinião. E aqui reside uma falha do livro: seu organizador, Luciano Suassuna, não faz sequer uma introdução ou posfácio para nuançar as opiniões do jornalista. No posfácio, escrito pelo senador e escritor José Sarney, uma informação é  corrigida, ou pelo menos se apresenta outra versão, plausível até. Sarney nega que tenha sido lobista, ao lado do ex-governador paulista Abreu Sodré, em São Paulo. “Nunca tivemos escritório nenhum”, garante Sarney. Inimigo de Vitorino Freire, Sarney passou pelo crivo de sua língua faca só lâmina. “Era a política do vale-tudo. A tal fórmula da República Velha: ‘Se teu inimigo não tem rabo de palha, ponha um de fogo’”, acrescenta Sarney. A “denúncia” foi passada a Bardawil por Petrônio Portela, uma das figuras mais interessantes (e quase nada analisadas) da República civil-militar nos governos de Geisel-Figueiredo.  


leia mais...
‹ Primeiro  < 5 6 7 8 9 10 11 12 13 >  Último ›
É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2020 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — [email protected]
wilder morais
renovatio