revista bula
POR EM 05/12/2012 ÀS 10:17 PM

20 romances em 140 caracteres

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Escritores, jornalistas, blogueiros foram convidados a escreverem um romance em até 140 caracteres, excetuando o título. Os romances estão em ordem alfabética por autor. Com a palavra os leitores



Sam Spade —
 
Ademir Luiz

O velho policial aposentou-se, após uma carreira sem glamour. Decidiu virar Sam Spade e escreveu um romance que chamou de autobiografia.



Um Século em 90 Minutos  — Carlos Willian Leite
 
28 dias depois de testemunharem a queda, os heróis do povo foram saudados pelo imperador japonês.



Troca de Segredos — Clara Averbuck

eu lhe conto todos os meus; o sr. faz o cadeado; eu engulo a chave; e ninguém nunca mais fica sabendo. nem eu.

 

A Cigarra de Wall Street e as Formigas — Denise Rossi

A cigarra chegou na fábrica e demitiu mais de 400 formigas. Um passo em falso na bolsa de valores e estava falida. Teve uma parada cardíaca.

 

(L)Ego — Eddiemasses

Confundiu Ego com Lego e agora encaixava pedacinhos de sua consciência em múltiplas combinações de personalidade.



Perda Irreparável — Edival Lourenço

Tanto a dizer, de sonhos a compartilhar. Mas de repente você se foi, qual aragem das manhãs. Antes que eu formulasse os termos do discurso.



Zoltan, o Supremo — Edson Aran

Depois de perder o terceiro emprego e a segunda mulher, ele finalmente acionou a máquina pandimensional e virou Zoltan, o Supremo. #SciFi

 

Maria Esteve Aqui — Fal Azevedo

Explicação na página 2, a trepada da página 33, o conflito da página 87, o salto para o nada da página 101. Sem capítulo de redenção. Fim.



Passatempo — Fred Navarro

Jovem, anteviu num sonho o próprio fim, grandioso, heroico. Viveu como um prisioneiro, a esperar esse dia. Morreu esperando.



Vida Sem Vírgulas
— Graça Taguti

A vida hoje aboliu vírgulas nos livros e no cotidiano. Amores se esvaem pois falta oxigênio nas declarações. Todos falam sem parar. E morrem.



Mergulho 
— Jean Boechat

Despediu-se e entregou-se ao amor, com apenas só um pouco de culpa não declarada, mas bem sentida.



Kartón Chrónou 
— Marco Antonio Barbosa

Eles se encontram no começo do expediente. "E hoje?", perguntou Prometeu. "Morro acima. Mande um abraço para a águia!", respondeu Sísifo.



#eSobra — Marcos Caiado

O Amor do Poeta (começo, meio e fim), cabe inteiro num tuíte: qwertyuiop asdfghjkl zxcvbnm .,?! — É a pena uma questão de encaixe.



Automóvel — marina w.

Ele olhou pra mim e falou: Estou encantado por você. Vieram os beijos, palavras soltas, taquicardia, segredos. Seria finalmente o amor? Não.

 

Manual de Fome Anthony Garotinho para Greves de Bolso — Mauricio Savarese

Só use se tiver uma causa nobre. Não pense em comida. Pereça diante da imprensa. Não pense em comida. Pensou, não é? Então comece de novo.

 

A Busca? — Milly Lacombe

Vai em busca do pai, é abusado, mata, foge, escapa da busca original, apaixona-se, tem filho, retoma fuga, é morto p/ policial, q era o pai.

 

Chantagem — Nei Duclós

Só tenho um poema, disse o menino. Serve, disse o contrabandista. Agora te manda.



Amor, Toccata e Fuga — Nelson Moraes

Minha vida com Giselle era uma partitura. Muito mimimi, ela falando de si e eu ouvindo de dó. No fim, nem eu estava lá, nem ela era meu sol.

 

Livre-se — Rosana Hermann

Minha vida é um livro livre, livrado, aberto. Minha vida é um libreto liberto. Viverei escrevendo até morrer. Aí, da vida, me livrarei.

 

 

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