revista bula
POR EM 22/07/2008 ÀS 01:39 PM

O requinte dolorido de Darcy França Denófrio

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Darcy Fran­ça De­nó­frio, em­bo­ra se­ja uma in­te­lec­tu­al re­quin­ta­da, é tão dis­cre­ta quan­to An­to­nio Can­di­do. Seu tra­ba­lho de re­cu­pe­ra­ção da po­e­sia go­i­a­na re­sul­ta de um es­for­ço ain­da não de­vi­da­men­te re­co­nhe­ci­do fo­ra dos cír­cu­los aca­dê­mi­cos. Sua li­da de for­mi­gu­i­nha, de­ta­lhis­ta e pers­pi­caz, mos­tra que a me­lhor crí­ti­ca fei­ta em Go­i­ás mo­ra mes­mo na aca­de­mia, em­bo­ra Darcy es­te­ja apo­sen­ta­da da Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral de Go­i­ás. Tra­ta-se de crí­ti­ca mes­mo, apu­ra­da e pon­de­ra­da, não do re­tar­da­tá­rio achin­ca­lhe-tra­ves­ti­do de crí­ti­ca que se vê em certo “jornalismo”.

A crí­ti­ca Darcy às ve­zes es­con­de a po­e­ta, em­bo­ra se­ja pos­sí­vel ve­ri­fi­car na lim­pi­dez de seus tex­tos crí­ti­cos a com­pre­en­são e a su­ti­le­za dos po­e­tas. Aque­les que que­rem co­nhe­cer a re­fi­na­da po­e­sia de Darcy, sua me­ti­cu­lo­sa po­e­sia, aque­la nas qua­is as pa­la­vras dan­çam ine­bri­a­das pe­la mú­si­ca dos mes­tres, têm on­de bus­cá-la. A
Câ­no­ne Edi­to­ri­al
 

 

(que faz um tra­ba­lho de com­pe­tên­cia ím­par) lan­ça, pa­ra nos­so de­lei­te, Po­e­mas de Dor & Ter­nu­ra.

Tran­scre­vo dois po­e­mas de Darcy pa­ra que o lei­tor pos­sa ve­ri­fi­car par­te de seu ta­len­to.

“Os des­ter­ra­dos” (pa­ra Ve­ra): “O tem­po foi pas­san­do,/a ter­nu­ra se per­den­do./Abriu-se um fos­so/e pa­re­ceu ine­vi­tá­vel./Era che­ga­da a ho­ra./Olhei o seu ros­to-enig­ma/e não era o de an­ti­ga­men­te/per­di­do em al­gum lu­gar./E amei aque­le ros­to dis­tan­te/a pri­mei­ra fa­ce, ex­tra­vi­a­da,/não a es­fin­ge ali pre­sen­te./Vo­cê tam­bém bus­ca­va/a mi­nha fa­ce per­di­da na vi­a­gem./Era um fos­so tão ter­rí­vel,/sem pon­te le­va­di­ça/so­bre a fe­ri­da que de nós es­cor­ria/e nos­sos opos­tos ca­mi­nhos./E nós dois ali di­vi­di­dos, nos aman­do,/não a nós mes­mos ali pre­sen­tes,/mas aos des­ter­ra­dos de nós mes­mos/se­pa­ra­dos por um fos­so/ir­re­me­dia­vel­men­te.”

“Dí­vi­da” (pa­ra uma ami­ga e seu es­pó­lio): “Por­que nin­guém foi ao fun­do/de mi­nha al­ma so­li­tá­ria/vi­si­tar-lhe o úl­ti­mo se­gre­do;/por­que me ba­te­ram à por­ta/sem de fa­to de­se­jar en­trar;/por­que be­be­ram o vi­nho/que eu fa­bri­ca­va e ser­via/sem, de fa­to, co­mi­go par­ti­lhar;/e, ain­da, por­que me en­ga­na­ram/quan­do mais que­ria acre­di­tar,/a vi­da me de­ve al­gu­ma coi­sa:/não es­sa ma­té­ria de pre­en­cher/va­zio de vís­ce­ras ou la­bi­rin­to in­te­ri­or/— mas a pró­pria vi­da.”

 
Ma­cha­do na ca­be­ça de Bor­ges

A Edi­to­ra Ar­qui­pé­la­go lan­ça Ma­cha­do e Bor­ges (280 pá­gi­nas, 37 pi­las), de Lu­ís Au­gus­to Fis­cher, crí­ti­co li­te­rá­rio ga­ú­cho. O li­vro con­tém seis en­sai­os. Não li, mas en­trou pa­ra mi­nha pe­ne­lo­pi­a­na lis­ta, pois Fis­cher é crí­ti­co li­te­rá­rio do pri­mei­rís­si­mo ti­me.


His­to­ri­a­dor in­glês revela vezo poético do ditador Stá­lin


O in­glês
Si­mon Se­bag Mon­te­fio­re brin­da os lei­to­res com ou­tro ex­ce­len­te es­tu­do, mui­to mais do que uma bi­o­gra­fia — O Jo­vem Stá­lin (Com­pa­nhia das Le­tras, 528 pá­gi­nas, e tra­du­ção precisa de Pe­dro Maia So­a­res).

Se­bag con­ta que Iós­sif (Jo­sé) Vis­sa­rió­no­vitch Dju­gachví­li, o Stá­lin (o no­me só pas­sou ser uti­li­za­do por ele em 1912), lei­tor com­pul­si­vo, foi gran­de­men­te in­flu­en­cia­do pe­la pro­sa dos es­cri­to­res fran­ces­es Vic­tor Hu­go e Émi­le Zo­la. A li­te­ra­tu­ra e a vi­da miserável na Ge­ór­gia o trans­for­ma­ram num re­vo­lu­ci­o­ná­rio du­ro, in­fle­xí­vel e cru­el. Des­de o iní­cio, e não ape­nas de­pois de che­gar ao po­der, em 1924, era ex­tre­ma­men­te vi­o­len­to com ad­ver­sá­rios e ali­a­dos que caí­am em des­gra­ça. Fi­lho úni­co, Stá­lin foi cri­a­do por uma mãe pos­ses­si­va, Eka­te­ri­na “Keké” Ge­ladzde, que fez o im­pos­sí­vel pa­ra que es­tu­das­se. Stá­lin foi edu­ca­do por pa­dres. Vis­sa­ri­on “Bes­só” Dju­gachví­li, que não ti­nha cer­te­za de ser pai de Stá­lin — Mon­te­fio­re apos­ta que o sa­pa­tei­ro era pai do gran­de lí­der, mas dei­xa a dú­vi­da —, aban­do­nou a fa­mí­lia. Pe­lo me­nos qua­tro ho­mens eram ti­dos co­mo pai de Stá­lin — um de­les pa­dre.

Stá­lin co­me­çou sua vi­da de re­vo­lu­ci­o­ná­rio co­mo as­sal­tan­te de ban­cos, pa­ra ser­vir à lu­ta de Vla­dí­mir Lê­nin. Um dos as­sal­tos, em 1907, ren­deu um va­lor (3,4 mi­lhões de dó­la­res) pa­re­ci­do com o as­sal­to ao co­fre de Ad­he­mar de Bar­ros, no Rio de Ja­nei­ro, na dé­ca­da de 1960.

Uma das des­co­ber­tas de Mon­te­fio­re é a po­e­sia de Stá­lin, que não con­si­de­ra ru­im. Ele foi pri­mei­ro re­co­nhe­ci­do co­mo po­e­ta, na Ge­ór­gia na­tal, do que co­mo re­vo­lu­ci­o­ná­rio. Seu ape­li­do, an­tes de Ko­ba e Stá­lin, era Sos­só. Ele as­si­na os po­e­mas co­mo Sos­se­ló. “Fo­ram am­pla­men­te li­dos e se tor­na­ram um clás­si­co me­nor ge­or­gia­no, apa­re­cen­do em an­to­lo­gia da me­lhor po­e­sia do pa­ís an­tes que al­guém ti­ves­se ou­vi­do fa­lar de ‘Stá­lin’”", diz o his­to­ri­a­dor. “Ma­nhã” foi o pri­mei­ro po­e­ma de Stá­lin. “Su­as ima­gens ro­mân­ti­cas são se­cun­dá­rias, mas sua be­le­za es­tá na de­li­ca­de­za e na pu­re­za de rit­mo e lin­gua­gem”, diz Mon­te­rio­re, que não é, vê-se, crí­ti­co li­te­rá­rio. “Na Rús­sia, a po­e­sia é re­al­men­te va­lo­ri­za­da; aqui, ma­tam por ela”, dis­se Ós­sip Mán­tels­tam, mor­to no gu­lag do “po­e­ta” Stá­lin.

Tran­scre­vo a se­guir al­guns dos po­e­mas. Eles fo­ram tra­du­zi­dos do rus­so pa­ra o in­glês pe­lo pro­fes­sor Do­nald Rayfi­eld, me­nos um dos po­e­mas, sem tí­tu­lo, que foi tra­du­zi­do pe­lo po­e­ta bra­si­lei­ro Nel­son As­cher (o exímio tra­du­tor de Púchkin). As tra­du­ções pa­ra o por­tu­guês são de
Pe­dro Maia So­a­res
.

Ma­nhã

O bo­tão de ro­sa flo­res­ce­ra
E es­ten­de­ra-se pa­ra to­car a vi­o­le­ta
O lí­rio es­ta­va acor­dan­do
E in­cli­na­va sua ca­be­ça na bri­sa

No al­to das nu­vens, a co­to­via
Can­ta­va um hi­no gor­je­an­te
En­quan­to o ale­gre rou­xi­nol
Com voz su­a­ve di­zia:

"En­che-te de flo­res, ó ter­ra ama­da
Re­ju­bi­la-te pa­ís dos Ivé­ri­a­nos
E tu, ó ge­or­gia­no, ao es­tu­dar Traz ale­gria pa­ra tua ter­ra na­tal."

À Lua

Mo­ve in­can­sá­vel
Não in­cli­na tua ca­be­ça
Dis­per­sa a né­voa das nu­vens
A Pro­vi­dên­cia do Se­nhor é gran­de.

Sor­ri gen­til pa­ra a ter­ra
Es­ten­di­da abai­xo de ti;
Can­ta à ge­lei­ra um aca­lan­to
Que des­ce su­a­ve dos céus.

Tem cer­te­za que de­pois de
Der­ru­ba­do ao chão, um ho­mem opri­mi­do
Lu­ta de no­vo pa­ra su­bir a mon­ta­nha pu­ra,
Quan­do exal­ta­do pe­la es­pe­ran­ça.

En­tão, ado­rá­vel lua, co­mo an­tes,
Bri­lha atra­vés das nu­vens;
Na abó­ba­da ce­les­te, su­a­ve­men­te,
Faz teus rai­os brin­ca­rem.

Mas eu abri­rei mi­nha ves­te
E mos­tra­rei meu pei­to à lua,
De bra­ços aber­tos, re­ve­ren­ci­a­rei
Aque­la que ilu­mi­na a ter­ra!

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Quan­do a lua cheia lu­mi­no­sa
Cru­za flu­tu­an­do a abó­ba­da ce­les­te
E sua luz, bri­lhan­do in­ten­sa­men­te,
Põe-se a brin­car no anil do ho­ri­zon­te;

Quan­do su­a­ve­men­te o rou­xi­nol
Co­me­ça no ar seu gor­jeio si­bi­lan­te
Quan­do o an­seio da flau­ta de pã
Pla­na aci­ma do pi­co da mon­ta­nha;

Quan­do, con­ti­da, a fon­te da mon­ta­nha
Tor­na-se tor­ren­ci­al e inun­da o ca­mi­nho,
E a flo­res­ta, acor­da­da pe­la bri­sa,
Co­me­ça, far­fa­lhan­do, a se agi­tar;

Quan­do o ho­mem ex­pul­so por seu ini­mi­go
Vol­ta a tor­nar-se dig­no de seu pa­ís opri­mi­do
E o en­fer­mo pri­va­do de luz
Vol­ta a ver o sol e a lua;

Opri­mi­do tam­bém, ve­jo, en­tão, a bru­ma da tris­te­za
Se dis­si­par, des­fa­zer-se e lo­go su­mir;
E a es­pe­ran­ça da vi­da boa
Faz meu co­ra­ção se abrir!

E, ar­re­ba­ta­do por uma es­pe­ran­ça as­sim,
Sin­to jú­bi­lo n´al­ma e meu co­ra­ção ba­ter em paz;
Mas se­rá au­tên­ti­ca tal es­pe­ran­ça
Que me foi man­da­da nes­tes tem­pos?

(Tra­du­ção de Nel­son As­cher)


Ve­lho Ni­nika

Nos­so Ni­nika fi­cou ve­lho,
Seus om­bros de he­rói lhe fal­ta­ram...
Co­mo es­se tris­te ca­be­lo gri­sa­lho
Que­brou uma von­ta­de fer­ro?

Ó mãe! Mui­tas ve­zes,
Bran­din­do sua foi­ce "hi­e­na",
De pei­to nu, no fim do tri­gal,
Ele de­ve ser sol­ta­do um ru­gi­do sú­bi­to.

Ele de­ve ter em­pi­lha­do mon­ta­nhas
De fei­xes la­do a la­do, e so­bre seu
Ros­to go­ver­na­do pe­lo su­or go­te­jan­te
Fo­to e fu­ma­ça de­vem ter jor­ra­do.

Mas ago­ra, cei­fa­do pe­la ida­de,
Ele não mo­ve mais os jo­e­lhos.
Dei­ta­do, so­nha ou fa­la do pas­sa­do
Aos fi­lhos de seus fi­lhos.

De tem­po em tem­po, cap­ta o som
Da can­to­ria nos tri­gais pró­xi­mos
E seu co­ra­ção que ou­tro­ra era du­ro,
Co­me­ça a ba­ter com pra­zer.

Ele se ar­ras­ta pa­ra fo­ra, trê­mu­lo,
E dá al­guns pas­sos com seu ca­ja­do.
E, quan­do con­se­gue ver os ra­pa­zes,
Sol­ta um sor­ri­so de alí­vio.
 
 
 
Anos do cólera

Para enfrentar os tempos fraudulentos e sombrios da Era Lula, o Medici operário, recomendo a leitura do esplêndido ensaio Da Estupidez, do austríaco
Robert Musil.

Musil é mais conhecido por seu romance clássico O Homem Sem Qualidades, que li na edição portuguesa, muito superior à brasileira (campeã em erros).

"Penso que é mais importante escrever um livro que governar um império. E também mais difícil", afirmou Musil. Lógico que está falando dos grandes livros.

 

 

Os solitários de Coetzee

SILVIANO SANTIAGO

Se fosse concedido à literatura brasileira o direito de existência no mundo letrado ocidental, a melhor crítica do Diário de Um Ano Ruim, de
J. M. Coetzee, teria salientado o parentesco com o papel do romance machadiano em seu tempo. À semelhança de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), o último romance do premiado autor sul-africano, hoje naturalizado australiano, questiona a organização tradicional do livro de ficção. Cada página do Diário de Um Ano Ruim está dividida, primeiro, em dois blocos paralelos e, a partir da página 33 até o final, em três blocos.

Cada um dos blocos é semi-autônomo, embora os três, conjuntamente, não se apresentem desprovidos de afinidades óbvias ou sutis, a serem desenvolvidas pela imaginação e a habilidade do leitor. Cada página e todo o livro são compostos como "unidade tripartida", para retomar a idéia trabalhada em escultura por Max Bill.

Na parte superior das páginas, em seqüência, temos 51 curtos ensaios filosófico-literários, na maioria das vezes de teor político. Eles versam sobre as pequenas e as graves questões universais que, durante o período que vai de setembro de 2005 a maio de 2006, esquentaram as mentes cidadãs e a mídia impressa e eletrônica. Dos filósofos Thomas Hobbes e Machiavel, que discorrem sobre o Estado moderno, o autor passa ao filme Sete samurais, de Kurosawa, e à anarquia, ao terrorismo e ao apartheid. Detém na vergonha nacional, obra consciente do presidente Bush e elogia o destemor de
Harold Pinter
na crítica à invasão do Iraque. Não se esquiva diante de questões superdelicadas, como as que cercam os aborígines australianos, ou a pedofilia (tema este recorrente em seus melhores romances, como O mestre de Petersburgo). Em tiradas e raciocínio que beiram o politicamente incorreto, as reflexões traduzem as idéias-de-cabeceira (se me permitem a expressão) do romancista experiente e premiado, já tomado pelos anos. O envelhecimento do autor, ou o novo empreendimento ficcional, é visto como "um esvaziamento da mente para assumir tarefas mais importantes".

A parte superior das páginas e do romance se apresenta como respostas do escritor à encomenda feita a ele – e a mais cinco outros escritores – por editora alemã, interessada em publicar livro a ser intitulado Opiniões fortes. Como se informa: "Seis escritores eminentes [estariam] se pronunciando sobre o que está errado no mundo de hoje". Na reflexão sobre Harold Pinter, detentor do Nobel, esclarece o autor: "E chega um momento em que o ultraje e a vergonha são tão grandes que todo calculismo, toda prudência, são superados e a pessoa precisa agir, isto é, falar".

Abaixo dos curtos ensaios e em pequenos blocos paralelos, encontra-se a trama propriamente romanesca do Diário de Um Ano Ruim. Está escrita na primeira pessoa. No bloco do meio de cada página, o próprio autor fala do encontro inesperado com Anya, bela vizinha de condomínio. No momento, ela vive com Alan, um consultor na bolsa de valores de Sidney. Está armado o trio amoroso. O encontro casual com Anya despertou no escritor paixão incontrolável. Para tê-la ao lado, oferece-lhe a função de digitadora do livro que escreve para a Alemanha. O segundo segmento do romance se afirma pela fricção entre as idéias fortes do velho e a leitura do manuscrito pela jovem. Lê-se no segundo bloco: "O que começou a mudar desde que eu entrei na órbita de Anya não são tanto minhas opiniões em si, mas minha opinião sobre minhas opiniões".

Sempre na mesma página, o terceiro bloco, o de baixo, é escrito do ponto de vista de Anya e irá traduzindo o dia a dia do jovem casal, que foi sendo tomado pela presença insidiosa, embora escrupulosa, do velho escritor. Menos escrupuloso é Alan, que invade o disco rígido do computador. Pelas trapaças do companheiro, Anya e o leitor ficam sabendo que o velho é milionário e pouco experiente em termos de aplicação financeira. As amarras sentimentais do casal se desfazem pelas fraudes imaginadas e perpetradas pelo consultor na bolsa de valores, sem que Anya opte sentimentalmente pelo escritor. Ao final do romance, o leitor está diante de três seres solitários. 
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