revista bula
POR EM 27/12/2012 ÀS 08:30 PM

A história desconhecida da mãe de Barack Obama

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Como o presidente dos Estados Unidos, o reeleito Barack Obama, está mais na moda do que nunca, vale a pena ler a biografia de sua mãe, Stanley Ann Dunham, “Uma Mulher Singular” (Record, 336 páginas, tradução de Mila Burns e Francisco Quinteiro). A antropóloga, mais do que o pai, foi a principal “formatadora” do homem Obama.

A mãe de Obama era uma contestadora, e não apenas na teoria. Tanto que uniu-se a um homem negro, africano — o que, nos Estados Unidos, é, ou era, uma pequena revolução.

O presidente democrata é um político do establishment — impérios liberais não elegem homens essencialmente de esquerda para dirigi-los —, mas, mesmo assim, é diferente do republicano Mitt Romney. Este é mais radical e um filho tardio da Guerra Fria. Muitos americanos o apoiaram acreditando que, com um presidente mais enérgico, o país poderia competir de forma mais dura, e benéfica para eles, com chineses e outros players mundiais.

Obama parece acreditar, como os alemães do pós-guerra (a Alemanha, sem guerra, domina praticamente toda a Europa, que se tornou, por assim dizer, seu espaço vital — exatamente aquilo que Adolf Hitler planejou, mas com violência), que a dominação mais consensual, por intermédio da economia, é menos desgastante.

Ao contrário do que se pensa tradicionalmente, o democrata não é pacifista. Só não é belicista como alguns republicanos. Os Estados Unidos continuarão fabricando e vendendo armas e participando de algumas guerras, agora e mais tarde, mas o perspicaz Obama sabe, com alguns homens da elite americana, que a dominação econômica agora independe de o país ser “polícia internacional”. A China é a segunda potência econômica mundial sem apresentar-se como potência política similar aos Estados Unidos. É óbvio que os Estados Unidos não querem perder a hegemonia política, mas vão tentar ampliar, de outras formas, seu raio de ação (já imenso) — via diplomacia e comércio. Obama é a aposta de uma parte dos Estados Unidos para manterem-se fortes, hegemônicos, mas de modo menos dispendioso, em termos financeiros e humanos (os americanos querem evitar mortes nas guerras).

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