revista bula
POR EM 02/01/2013 ÀS 05:53 PM

Nomes só: Américo

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Mudei meu caminho hoje, para encostar no seu. Acho que foi o Chico Buarque quem usou essa imagem, e o Chico Buarque tem sempre razão. Foi isso, encostei meu caminho no seu. Saí do meu compromisso e, ao invés de pular direto para a Marginal e dali para casa, adiantei meu relógio em uma ponte e cruzei o rio. Seu território. Passei pelo lugar do seu acidente. Mais adiante, em frente à velha lanchonete, quebrei à direita ali no circo que não existe mais (como nós, como nós), entrei logo ali passando pelo restaurante e pela padaria, para cair em sua rua, a rua da redenção, com a qual se eu não dividir a salvação ou sua presença, divido ao menos o sobrenome. Ela é diferente de dia. Mais rude, menos acolhedora, sem doçura alguma (como nós, de novo, como nós). É uma rua, apenas. Caminhões de entrega, babás e cães. Rodinhas de seguranças fumando numa ou noutra esquina. Seu prédio baixinho e já era a esquina e já era o final. Quase ouvi sua sonora gargalhada, mas sei que não. E não, de leve ouvi você chamar meu nome. Nem de leve.

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