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POR EM 11/11/2010 ÀS 12:53 PM

Questionário Proust: Luiz Marcondes

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Luiz Marcondes

Luiz Marcondes, por ele mesmo

Nasci no início da década de 70 numa quinta-feira chuvosa. Dizem, eu não me lembro de nada. Eram tempos muito loucos! Depois cresci e tal, aquele roteiro normal mesmo, sabe? Fui até pra escola. Matei aula em alguns dos melhores colégios de São Paulo, fui expulso de outros tantos. Eu falava demais, escrevia demais e tirava notas boas demais pra um moleque que zoava tanto e só andava em “más companhias”. Uma verdadeira anomalia.

Sobre escrever demais, uma história bem curiosa aconteceu comigo aos 10 anos de idade: a professora de Português chamou minha mãe pra reclamar que minhas redações eram muito longas e eu ia acabar com o caderno em poucas semanas. Não lhe passou rela cabeça que eu poderia me tornar um escritor. Pensando bem, nem pela minha. Diminui minha produção, constrangido.

Bem mais tarde, resolvi fazer faculdade de Publicidade porque uma amiga disse que eu “era criativo”. Eu era idiota, isso sim. Mas enfim, passei no vestibular e fiz ESPM, que, diziam na época, era uma das melhores instituições de ensino dessa cátedra e coisa e tal e tudo mais, mas, sei lá, nem sei se a faculdade era boa, porque eu tava sempre xavecando meninas (as moças de lá eram realmente muito lindas), aprendendo a tocar violão ou às vezes, lamentavelmente, bêbado. No fim, posso dizer que minha experiência acadêmica foi mesmo um total fracasso: não aprendi  a jogar truco!

Daí o tempo passou e blá blá blá, arrumei vários trampos chatos, cantei em bandas de rock sem futuro (e agora, sem passado, ninguém mais nem lembra delas) e me apaixonei inúmeras vezes por um sem-número de mulheres sensacionais, ou nem tanto.  Nesse quesito erótico-afetivo-passional, aliás, não tenho do que me queixar, minha vida tem sido bem movimentada, "emoção pra valer" e isso alimenta e escrita e vice-versa, num círculo delicioso, que de vicioso não tem nada, ou se tem, nem ligo!

Já idoso, aos 36 anos, ou seja, no ano passado, e de saco cheio de tudo (eu enjoo rápido das coisas), resolvi que era hora de mostrar ao mundo que eu ara um puta gênio e lançar um livro. É claro que foi uma decisão completamente idiota. Quem quer mostrar isso ao mundo funda a Microsoft ou inventa o iPad, mas só compreendi isso bem depois.

Enfim, lancei a obra, chamada de “A Fase Azul”, pela editora Multifoco. O livro tá aí (“the book is on the table”, como diria minha professora de inglês) e eu também. Tô aí, escrevendo pra revista “ResultsON”, traduzindo pra “Billboard” e até emplacando de vez em quando um ou outro artigo na revista “Playboy”. Tô feliz, mas sempre insatisfeito. Não descanso enquanto não for reconhecido pelo meu verdadeiro talento, o RAP ERUDITO, invenção minha!


Onde começa sua genealogia?

Nos livros de Monteiro Lobato.
 
Quem é o maior chato (vivo) da literatura brasileira?
Ih, são tantos. Prefiro focar nos legais. Rubem Fonseca é legal.
 
António Lobo Antunes ou José Saramago?
Ambos meio verborrágicos demais pro meu gosto, curto concisão e porradas bem dadas, ao estilo do Fonseca.
 
O que prefere: Marcelo Mirisola ou o Cinema Nacional?
Cinema Nacional

Fernando Collor ou José Sarney?
Credo! Câncer ou câncer?
 
Que autor brasileiro não vale as árvores gastas no livro?
Hahaha! Mas é questionário pra provocar briga? Sei lá, só me ocupo do que me faz bem.
 
Que autor brasileiro pode ser comparado a Machado de Assis?
Eu daqui a 30 anos. Aguarde.

Estranharia ver o Paulo Coelho ganhar o próximo Nobel?
Não acompanho o Nobel, não sei os critérios, mas sei que um dos meus autores preferidos, Borges, nunca recebeu. Eu só li um livro do Coelho, “O Alquimista”, com 15 anos e gostei. Depois li mais velho e achei péssimo. Não li mais nada dele, mas todos nós nos tornamos meio babacas quando criticamos algo sem ler, é um caminho meio perigoso.
 
Quais os cinco melhores livros já escritos?
“Admirável Mundo Novo”, “1984”, “Ficções”, “As Viagens de Gulliver”  e “A Coleira do Cão”. 

Quais são os cinco melhores filmes já feitos?
“Apocalypse Now”, “Vertigo”, “A Era do Rádio”, “Annie Hall” e “O Império Contra-Ataca”. 
 
Para que serve o Twitter?
Pra pegar mulher, é óbvio.
 
Quem é o maior chato, entre os perfis conhecidos, do Twitter Brasileiro?
Eu quando bebo muito café. Ops! Não sou conhecido. OK, o @ibere de mau humor, então. 

Quem levaria para uma ilha deserta: @cardoso ou @ibere?
O @ibere
 
Por quanto venderia sua conta no Twitter?
Não há dinheiro que pague algo que é feito com amor, meu amigo. Não vendo. 

Se ocorresse uma hecatombe no mundo, e você incumbido de salvar cinco perfis do Twitter, quais salvaria?
Salvaria o @ibere o @carlosemilio ... Ih, rapaz, agora vou conquistar muitas inimizades, hein? O @EdsonAran a @biagranja e... o do @50Cent porque ele ensina você a ser um vencedor.

Quem quando calado, é um poeta?
Pedro Bial me irrita um pouco, quando sem querer o assisto. Ele.

Qual o pior caderno cultural entre os publicados pelos jornais brasileiros?
Todos são ruins. Todos.

Abba, Menudo, Kenny G ou banda Banda Calypso?
Porra, Menudo tem uma música que eu gosto, chama-se “ If you´re not here”.  É bem legal. 

Gostar de música sertaneja tem cura?
Ah, nem ligo pra isso. Só não me force a ouvir junto.
 
Quem é o Sancho Pança da nação?
Todos nós somos um pouco, mas um pouco quixotescos. Nossa delirante empreitada é continuar vivendo, pagando as contas e até amando — NO BRASIL!
 
Quais  personagens históricos você despreza?
Hummmmm.... Não desprezo, mas acho o Kennedy meio mauricinho. Hahaha!
 
Lula lembra algum personagem literário?
Deve lembrar, tem que buscar nos grandes satiristas, Rabelais, Molière, Voltaire... Esses observadores de costumes e tempos ridículos (só citei franceses, que coisa! Mas o Jonathan Swift, do Gulliver, também é dos bons, e era inglês).
 
Qual herói já teve vontade de matar?
O Super-homem!
 
Que defeito é imperdoável?
Falta de caráter, é claro.
 
Mentir é necessário?
Claro que é.
 
Qual a sua ideia de felicidade perfeita?
Música. Imerso nela. 

Se você fosse um animal, qual gostaria de ser?
Porra, cara. Difícil essa, hein? Acho homo sapiens um bicho bem louco, não ia querer ser outro, não.

Quem você gostaria de ser, se não fosse você mesmo?
Eu mesmo rico? Não sei. Tô bem, mas quero melhorar a parte espiritual, principalmente o tríceps! Haha!
 
Como você gostaria de morrer?
Ah, de um jeito que não me aborreça muito, né? Nem que dê trabalho pras outras pessoas limparem — cair do vigésimo andar é uma baita indelicadeza.
 
Se o céu existir e caso vá para ele, quem gostaria de encontrar por lá na chegada?
Meus pais, meu irmão, meus avós... Meu amigo Marcelo, que faleceu num acidente de carro em 97.
 
Com quantos — Chico Buarque — se escreve um romance?
Um só. Ele pode.

Qual a distância que separa o gênio do tolo?
Olha, não sei. Só sei que tô bem mais próximo do tolo, infelizmente. Tenho momentos de brilho ocasional, mas de gênio não tenho nada. Então, não sei. 
 
Qual epigrafe lhe acompanha?
Sem epígrafe. Uma da coisas que me proponho a fazer é quebrar esse modelo "tradicional" de escritor ultra-intelectualizado e que tem resposta pra tudo, mesmo porque, não tenho resposta pra nada! Faço questão de ser espontâneo, debochado, real. Aqui não tem "torre de marfim" nem vai ter nunca, nem que eu fique famoso ou milionário (difícil, hein?). É com a naturalidade do Twitter que pretendo escrever cada vez mais, creio que esse é o caminho pra mim. Enfim, tem epígrafe de vez em quando, mas agora não me ocorreu nenhuma!

O que vem depois da fase azul?
Um mar de rosas. Muita mulher. 
 

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