revista bula
POR EM 28/06/2008 ÀS 07:39 PM

As fraquezas do criacionismo

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Cientistas estão sempre testando as forças e fraquezas de suas hipóteses. Esta é a natureza mesma de sua empreitada. Mas a evolução já não é mais uma hipótese. É uma teoria rigorosamente baseada em evidências abundantes


De agora em diante, por algum tempo, este espaço será dedicado a traduções [eventualmente comentadas] de textos que eu procurarei garimpar na net. Esta primeira diz respeito à incrível insistência da turma religiosa dos EUA em forçar, goela abaixo de estudantes, a teoria criacionista. É um editorial do The New York Times de sábado último. 
Link pro original.  

Quando o assunto é ciência, criacionistas tendem a lutar contra a realidade. Eles acreditam que a evolução por seleção natural é falsa e que a Terra tem apenas alguns poucos milhares de anos.
 
Acreditam também que os estudantes que aprendem uma visão criacionista da biologia – ou que aprendem a desconsiderar a visão darwinista – não estarão em desvantagem.

A comissão de educação do estado do Texas [estado da família Bush!!] está novamente considerando adotar um currículo de Ciências que ensina “forças e fraquezas” da evolução, estabelecendo um exemplo que vários outros estados podem vir a seguir. É a senha para ensinar criacionismo.

Tem a vantagem de soar mais equilibrado do que ensinar “design inteligente”, que as cortes têm banido consistentemente das aulas de ciências. Mas tem a desvantagem de ser um absurdo.

 O presidente da comissão, um dentista chamado Don McLeroy, advoga a abordagem das “forças e fraquezas”, assim como a quase maioria da comissão. O sistema acomoda o que o Dr. McLeroy chama de “dois sistemas de ciência, criacionista e naturalista”.

O problema é que um sistema de ciência criacionista não é ciência de forma alguma. Toda ciência é “naturalista”, na medida em que tenta compreender as leis da natureza e as características do universo em seus próprios termos, sem referência a um criador divino. Todo estudante que entender a realidade científica da vida precisará, mais cedo ou mais tarde, aceitar a verdade elegante da evolução, como ela própria evoluiu desde que foi postulada por Darwin. Se a visão criacionista prevalecer no Texas, os estudantes interessados em aprender como a ciência realmente funciona, e o que os cientistas realmente compreendem sobre a vida, terão primeiro que superar essa falha em sua educação.

Cientistas estão sempre testando as forças e fraquezas de suas hipóteses. Esta é a natureza mesma de sua empreitada. Mas a evolução já não é mais uma hipótese. É uma teoria rigorosamente baseada em evidências abundantes. As fraquezas que os criacionistas pretendem ensinar, como uma forma de refutar a evolução são elas próprias antiquadas, já há muito resolvidas. A fé religiosa por detrás do criacionismo tem seu lugar, em igrejas e cursos de estudos sociais. A ciência pertence às aulas de ciências.
 
[Ao leitor da Bula cuja fé religiosa é inabalável: Não se trata de questionar a existência de Deus. A evolução não é incompatível com Ele. Trata-se de refutar um delírio criado pelos homens que escreveram as bobagens do Velho Testamento.]

 
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