revista bula
POR EM 06/05/2008 ÀS 06:16 PM

Yêda Schmaltz

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Dia 10 de maio faz cinco anos que deixou esse eito de mundo e foi embora a poeta, escritora, professora e artista plástica Yêda Schmaltz. A morte de uma poeta vai além da perda. Presto uma homenagem ao talento de uma mulher que foi exemplo para mim e uma geração de poetas e pessoas que gostam e apreciam a poesia e a literatura em geral.  Yêda era a criatividade em pessoa e nos legou uma obra espetacular, recheada de esplendorosa magia e alentadora da nossa necessidade de transformar, criando, destruindo, reconstruindo, metamorfoseando nossa existência.

Yêda era também uma emérita agitadora cultural e não descansava, intuindo coisas, matutando ações, angariando espaços para a divulgação das artes de uma forma geral e ocupando espaços que pudessem contribuir para que os poetas e escritores divulgassem seus trabalhos, sempre os recebendo com sorrisos e incentivos. Pode até ser porque ela morreu que eu estou aqui contando essas loas, mas acho que não apenas. Certo que a memória dela me é muito presente e cara e me regozijo, mas aquela mulher era um turbilhão. Fique claro que turbilhão aqui é no sentido poético, sendo de livre interpretação, no entanto. Ela é uma pessoa para ser lembrada sempre e nunca morrerá enquanto sua criação literária viver em mim e naqueles que gostam de poesia.
 
Eu abri este espaço para falar da saudade e da poesia dela, da qual sou um apaixonado. Para nosso deleite, catei trechos que sintetizam um pouco do que quero dizer de uma vasta bibliografia, onde constam mais de 20 livros publicados e quase trinta participações em antologias. Quero mostrar um pouquinho da poesia dela, que é tão grande e intensa.
 
9d - (uma anarquia) do livro "Ecos"  - 1996
 
Eu amo todo dia
e toda noite
 e não durmo repetindo
te amo te amo te amo.
 
Vesti tua imagem na pele,
sou a sozinha que
mais tem companhia:
tua lembrança forte
na minha cama
e toda a noite
e todo o dia eu amo,
coisa mais perigosa,
flor desfeita, rosa
não desabrochada.
 
Eu estou desacordada
de madrugada, chorando
que te amo te amo te amo,
imaginando que estás
neste momento mesmo
amando outra pessoa
e nem lembrando que eu existo,
escrevo poesia e prosa.
Amar é isto. Uma anarquia.
Mas que dor gostosa. 

 
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