revista bula
POR EM 10/11/2008 ÀS 03:36 PM

Viva os negões!

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Acho que este 2008 deve ser dedicado aos negões, aí incluídas as neguinhas, porque essa nossa língua provoca. É uma disgrama. Cocei o dedo para falar desse assunto, até que os fatos me provocaram e o preconceito não me atrai. Que não venham com ignorância! Muita gente vai ficar chateada comigo, mas não me furto em dizer que senti uma pontinha de alegria com a vitória do negão Lewis Hamilton no campeonato mundial de Fórmula Um. O negão inglês está correndo muito e não deveria ser injustiçado pelo segundo ano consecutivo.

Deixo o patriotismo de lado, apesar de achar o Felipe Massa um sujeito bom e com grandes simpatia e empatia.

O Hamilton merecia, e a Ferrari ajudou, mas não sou muito ligado nesse troço de corrida. Gosto da largada, da chegada e das batidas. Sou sádico, quem nem a maioria, mesmo que ela não admita, mas falo a verdade. Os negões estão mandando ver e eu estou adorando, rindo na cara dos que disfarçam e dos que admitem o preconceito. A coisa está melhorando. Acho que os negões, neguinhos, negonas e neguinhas dão um tempero especial para a cultura do mundo. O Brasil só é o Brasil legal, alegre, gostoso, risonho e animado por causa dos negões e da mistura. Não há coisa melhor do que uma mistura para fazer  o caldo mais gostoso. Eu vivo misturando e vivo para misturar. Sem mistura não dá.

Agora vem o negão lá dos states, o Barack Hussein Obama. Ganhou uma disputa ferrenha para a presidência dos Estados Unidos, país onde há 40 anos negro era considerado mercadoria e espécie de categoria inferior. Americanos do Norte têm lá suas feladaputagens, mas desta vez eles obraram tão bem, que até eu passei a vê-los com olhos melhores e torcer para que o trabalho do negão Obama dê certo.  Por isso estou concluindo que 2008 é o ano dos negões e estou adorando essa coisa. Como diz meu filho Virgílio, tá ficando sinistro. Sinistro agora é sinônimo de coisa boa. O mundo tá dimudado. A coisa tá ficando preta, melhorando,  para nossa alegria e satisfação. Por isso, dou um viva aos negões. E meu pé africano se regozija. Viva o Gari Negro Jobs!

Os negões melhoraram o Brasil. Nem imagino nosso país sem eles. Acho, no entanto, que seria um país muito insosso. Concordo com o negão Lázaro Ramos, conterrâneo, quando diz que os negros foram vendidos em um mercado branco. E  esse mercado branco, capitalista e ganancioso, é que está levando o mundo à bancarrota.

Com os insumos da ganância, eles fabricaram essa crise que o mundo está vivendo, mas já combinaram de diminuir os juros, ou seja, diminuir os ganhos e a sanha gananciosa por mais dinheiro, para tentar amenizar o estrago.

Depois, aí é outra história, se sobrar alguém. Esta crise tem um lado interessante e um trágico: o interessante é que os ricos ficarão um pouco menos ricos, porque já ganharam muito e se dispõem a deixar de ganhar um pouco mais em função do equilíbrio e da estabilidade capitalista; o trágico é que muito pobre vai acabar perdendo o emprego.

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