revista bula
POR EM 13/07/2012 ÀS 08:39 PM

Quando eu morrer depositem as minhas cinzas no cinzeiro de um Camaro amarelo

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“Quando eu passava por você na minha CG, você nem olhava / Aí veio a herança do meu véio / E resolveu os meus problemas, minha situação / Do dia pra noite fiquei rico / Tô na grife, tô bonito, tô andando igual patrão / Agora eu fiquei doce igual caramelo / Tô tirando onda de Camaro amarelo / Agora você quer, né? / Agora você vem, né? / Só que agora vou escolher / Tá sobrando mulher” (Munhoz e Mariano)

Não. Claro que não. Vocês bem o sabem e de nada adianta eu mentir. Minha história está mais para Kombi bege avariada com motor retificado, que Camaro amarelo. Um dia ainda lhes conto a respeito de uma odisseia, uma viagem de férias com profundas restrições orçamentárias que fiz com meus pais e irmãos, de Goiânia a Salvador, dentro de uma Kombi velha, percorrendo cerca de 600 quilômetros de estrada de terra entre as cidades de Barreiras e Alvorada do Norte.

Era muita poeira, calor, farofa de frango fria e medo do combustível acabar e se morrer de sede naquele sertão desértico. A Kombi  eu juro  além de automóvel, foi hotel da família por uma semana. O carro jamais parava, senão para o abastecimento. Urinava-se dentro da lata de Leite Ninho e o conteúdo era despejado pela janela. Pura verdade. Conto mais outro dia.

Porque o tema desta crônica não é férias, carro, motor, horse power e pistão. Vou escrever um pouquinho sobre música, o poder transformador da boa música. Dia 13 de julho comemora-se o Dia Mundial do Rock. A data escolhida remonta ao mega concerto Live Aid, organizado pelo músico irlandês Bob Geldof em 1985. O evento reuniu vários ícones da cena pop-roqueira daquela época, como Paul McCartney, Phil Collins, Fred Mercury e Eric Clapton. O principal objetivo do encontrão de bambambãs era angariar fundos para os famintos da Etiópia.

Andei pesquisando e, ao que consta, o rock and roll surgiu em meados dos anos 40, nos Estados Unidos, mas o primeiro roqueiro a verdadeiramente abalar as estruturas sociais da época foi mesmo Elvis Presley, o cantor branco com um atrevido rebolado de negro, por volta de 1954. Pouco antes do Rei do Rock arrebentar a boca do balão, Budd Holly e Jerry Lee Lewis já agitavam a moçada, embora sem o mesmo carisma de Elvis.

Portanto, se considerarmos 1954 como o marco zero do rock, estaremos soprando 58 velinhas em tributo ao mesmo. No último dia 12, a banda formalizada The Rolling Stones completou 50 anos de doideira na estrada. Mick Jagger e seus parceiros comemoraram a data com o lançamento de uma exposição de fotos da banda em Londres. A compilação das fotos dará origem a um livro luxuoso a ser lançado ainda este ano.

Enfim, o clima da semana é plenamente propício às homenagens dos aficionados, dentre os quais me incluo. Não vou deixar o meu cabelo crescer, até porque, no meu caso, seria uma infrutífera perda de tempo. Também não vou depilar a genitália em pleno palco. Muito menos, arrancar com os dentes a cabeça de um morcego. Nem cantar pelado. Nem jogar titica na plateia. Nem me masturbar atrás da caixa de som. Nem gritar ao microfone “vocês não entendem nada, vocês não entendem nada”. Nem espatifar guitarras. Nem meter fogo nos destroços da guitarra.

Não. Eu simplesmente escalarei as 20 Minhas Melhores Canções de Rock de Todos os Tempos. Que Billboard que nada! A lista é absolutamente pessoal, portanto, sujeita a reparos pelos demais amantes deste estilo musical que há décadas provoca o status quo e desafia os adultos bem comportados.

Uma vez que gosto não se discute  embora possa ser espinafrado  eu prefiro continuar pilotando as minhas Kombis beges do que Camaros amarelos, desde que a companhia seja agradável e esteja tocando música de gente com atitude, pré-requisito indispensável a um roqueiro que se preze.

Nem precisa ser um clássico do rock and roll. Agora, por favor, não me venham com sertanejos universitários. Prefiro pular o muro e fugir desta escola. Seguem abaixo as minhas preferidas...

1 — Blue suede shoes (Carl Perkins)

2 — (I can’t get no) Satisfaction - The Rolling Stones

3 — Start me up (The Rolling Stones)

4 — Hound dog (Elvis Presley)

5 —  Light my fire (The Doors)

6 — Foxy lady (Jimi Hendrix)

7 — Revolution (The Beatles)

8 — I’m down (The Beatles)

9 — Helter skelter (The Beatles)

10 — Twist and shout (The Beatles)

11 — Al Capone (Raul Seixas)

12 — Dias de lute (Ira!)

13 — Até quando esperar (Plebe Rude)

14 — Stairway to heaven (Led Zepellin)

15 — Jailbreak (AC/DC)

16 — Still loving you (Scorpions)

17 — Confortably numb (Pink Floyd)

18 — Wish you were here (Pink Floyd)

19 — Night time is the right time (Ray Charles)

20 — Cocaine (Eric Clapton)

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