revista bula
POR EM 27/02/2010 ÀS 10:44 PM

Lula cria PAC cubano pra financiar regime viciado em repressão

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Lula ao lado do líder cubano Fidel Castro e do presidente da ilha, Raúl Castro

Há viciados em cocaína, crack e tranquilizantes. Os chefes do regime comunista da dinastia Castro são viciados em repressão e dependem dela para manter o poder. Não há outro instrumento adequado. Quando a União Soviética acabou, sem o patrocínio financeiro dos comunistas da terra de Lênin e Stálin, Cuba quebrou e não mais saiu da UTI, junto com Fidel Castro. Daí especialistas do governo, certamente orientados pelo serviço (nada) secreto — treinado pela terrível Stasi, a polícia política da Alemanha Oriental —, aconselharam a se criar uma “frente diplomática” com narcotraficantes de um cartel da Colômbia. Cuba era usada como entreposto para a cocaína chegar aos Estados Unidos. Tudo ia muito bem, com o governo cubano obtendo dólares fartos e fáceis, até a CIA descobrir a história e os Estados Unidos alertarem oficialmente o rei Fidel e o príncipe sem-sorte Raúl Castro. Como não podiam assumir que o governo trabalhava para narcotraficantes internacionais, como parceiros bem remunerados, os governantes fizeram o que as ditaduras fazem: mandaram para o paredón todos aqueles supostamente envolvidos com o negócio de cocaína. Aliados de Fidel desde a Involução de 1959 foram julgados, por uma Justiça viciada e política, e, alguns, condenados à morte. O general Arnaldo Ochoa, veterano de várias jornadas, inclusive na África — chegou a esboçar um plano ousado para invadir o Brasil, a partir da Amazônia —, foi condenado à morte. Os Castros saíram ilesos e alegaram nada saber do que estava ocorrendo debaixo de seus olhos. Cuba é um Estado policial e, como tal, os Castros sabem de (quase) tudo que ocorre na ilha, ainda mais quando se trata de uma questão grave como o tráfico de cocaína. Não há registro de que o PT e Lula da Silva, que ainda não era presidente, tenham protestado contra o fuzilamento dos cubanos.

Ao comentar o “assassinato” do preso político Orlando Zapata Tamayo, depois de 85 dias de greve de fome, o chanceler do governo Fernando Henrique Cardoso, Luis Felipe Lampreia, disse a coisa certa à “Folha de S. Paulo”: “Eles são uma ditadura. Não adianta tentar influir, conversar. Isso é inútil”. Mas Lampreia frisou que a diplomacia brasileira deveria ter se manifestado, condenando a ação do governo cubano, que mantém presos cerca de 200 oposicionistas, segundo a Anistia Internacional. 65 são considerados “presos de consciência” pela Anistia. O ex-ministro tem razão quando diz que o governo de Lula “blinda” os amigos-ditadores. Lampreia sugeriu que os amigos iranianos de Lula estão fabricando a bomba atômica, mesmo assim Mahmoud Ahmadinejad foi recebido candidamente pelo presidente petista e seu entourage.

Orlando Zapata tinha 42 anos e, como dissidente político, não pedia muito. Só queria que o país fosse democrático. Mas exigir democracia em Cuba é o pior dos crimes. Na quinta-feira, 25, o jornal espanhol “El País” contou que a família e amigos queriam carregar o caixão com o corpo do jovem democrata, mas o governo não permitiu. O caixão teve de ser levado num carro do governo. Numa operação de guerra, mais de mil policiais cercaram Banes, fecharam as entradas do município e impediram o protesto e a solidariedade dos manifestantes. Numa crueldade ímpar, a ditadura exigiu que o enterro fosse realizado imediatamente, assim que o caixão chegou a Banes, mas a família reagiu e o governo recuou.

Corajosa, a mãe de Orlando Zapata, Reyna Luisa Tamayo, desafiou a força da ditadura: “Esta mãe não admite nenhuma mensagem de condolências de Raúl Castro, eles mataram meu filho”.

Quando disse acima que Orlando Zapata foi “assassinado” pelo regime comunista quis dizer isto mesmo. Rigorosamente, morreu por causa da greve de fome, mas deixou de se alimentar em sinal de protesto contra a condenação brutal. Foi condenado a três e, depois, a 25 anos de prisão, sem que tenha cometido nenhum crime contra o país ou contra outro ser humano. Orlando Zapata e outros “foram condenados sem o devido processo em sentenças sumárias”, diz o sociólogo cubano Haroldo Dilla, professor-visitante da Universidade de Porto Rico. Os julgamentos cubanos são semelhantes aos julgamentos do stalinismo na década de 1930. Os chefões da família Castro funcionam como promotores de justiça, juízes e carrascos. Não são muito diferentes de Stálin. Segundo estatísticas conservadoras, mataram cerca de 15 mil cubanos e exilaram milhões (não é à toa que Bill Clinton teria dito, em tom irônico, que Miami era o maior bairro de Cuba. A “piada” é mais ou menos assim. Fidel pediu Guantánamo de volta e Clinton teria dito: “Devolva Miami primeiro”). Criaram campos de concentração para dissidentes e para homossexuais (“Antes Que Anoiteça”, as memórias do escritor Reynaldo Arenas, são impressionantes). Dissidentes e seus filhos praticamente não têm acesso a boas escolas e a hospitais de alguma qualidade e recebem pouca comida e os menores salários. Para ser reitor de uma universidade, como a de Havana, é preciso ser filiado ao Partido Comunista Cubano. Há informações, não comprovadas, de que o avião de Camilo Cienfuegos, um dos herois da Involução de 1959, teria sido derrubado a mando de Fidel. Ele seria “liberal” demais e não estaria aprovando execuções sumárias autorizadas por Fidel e Che Guevara. O próprio Guevara teria sido mandado para o Congo e, em seguida, para a Bolívia, para morrer, porque estaria se tornando incômodo ao poder solitário de Fidel.

Ao lado de Lula, que não parecia constrangido, Raúl Castro atacou os Estados Unidos, que seriam “culpados” pela morte do “mercenário” Orlando Zapata. Raúl só não explicou como algum “mercenário” podia viver numa pobreza lamentável e, depois, optou por morrer de fome. A lógica do encanecido comunista é ilógica. A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Virginia Staab, deu uma informação que, embora publicada, não mereceu destaque na mídia brasileira: “Os Estados Unidos são os principais fornecedores de alimento a Cuba”. Cadê o embargo? Staab poderia ter ampliado: o país de Barack Obama também é um dos fornecedores de medicamentos para o povo cubano. Cadê o embargo?

Há outro aspecto cômico nas palavras de Raúl Castro, que está cada vez mais parecido com os ditadores da prosa de Gabriel García Márquez (o mais talentoso escritor-canalha político vivo) e Alejo Carpentier. É caricatura de si. Leia o inacreditável: “Aqui [Cuba] não temos uma máxima liberdade de expressão”. Ora, a verdade é outra: não há em Cuba a mínima liberdade de expressão. Raúl foi além: “Desde que um tal de Gutenberg inventou a imprensa, só se publica o que quer o dono da imprensa”. O ditador não sabe mesmo como funciona a democracia, onde, apesar do poderio do dono, há variáveis-tensas do jogo democrático. Yoani Sánchez, do blog Generación Y, foi espancada recentemente e, agora, não pôde assinar o livro de condolências a Orlando Zapata.

Apesar de tudo o que se disse acima, o governo Lula arrancou U$ 453 milhões do contribuinte brasileiro, por intermédio do BNDES, para um regime que tortura e mata seus democratas. O dinheiro está sendo utilizado na ampliação do porto de Mariel. A reforma custará 800 milhões de dólares. Como Cuba não tem capital, o restante deve vir da Venezuela e outros aliados... condoídos da ditadura.

“Os amigos podem matar” — é o recado de Lula para a dinastia Castro? É a ética James Bond de parte da esquerda brasileira.

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