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POR EM 19/08/2012 ÀS 05:05 PM

Lista dos escritores mais ricos do mundo não tem escritores

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James PattersonA “Forbes” publicou  a lista dos escritores mais ricos do mundo. Não há nenhuma surpresa: não há escritores de verdade na relação da revista. (Escritores de verdade são aqueles que cobiçam a eternidade, como Homero, Dante, Shakespeare, Cervantes, Laurence Sterne, Stendhal, Balzac, Flaubert, Nathaniel Hawthorne, Herman Melville, Machado de Assis, Eça de Queirós, Henry James, D. H. Lawrence,  James Joyce, Scott Fitzgerald, Faulkner, Thomas Mann, Graciliano Ramos, Carlo Emilio Gadda, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Lobo Antunes, entre muitos outros.) Os homens de letras citados pela “Forbes” são circunstanciais — surgem, ficam algum tempo na lista dos mais vendidos e, cinquenta anos depois (estou sendo generoso, aviso logo), ninguém mais sabe quem são eles. A literatura de mercado, para vender rapidamente, é assim mesmo. Sempre foi assim. Na época do francês Flaubert havia, é claro, muitos escritores populares — alguns faziam até mais sucesso do que ele, às vezes tido como obsceno, devido ao ruidoso processo provocado pelo romance “Madame Bovary”.

Hoje, assim como há indústrias de sabonete e cerveja, há azeitadas fábricas de autores e livros. Equipes talentosas, com um pé no jornalismo e na literatura de altíssima fofoca, escrevem livros, às vezes imensos, e fazem publicidade maciça. Vendem como água em dias quentes. James Patterson, se comparado a Proust e Joyce, deve ser tratado como analfabeto funcional. John Grisham, Ken Follett e Stephen King pertencem a um honroso quinto time da literatura mundial. Mesmo assim, não são grande coisa.

Li e reli a notícia, mas não entendi. Diz um texto, publicado no UOL, que Patterson, um gênio de Wall Street ou da lâmpada, lançou 14 novos títulos em 2011. Leia de nova e repita em voz alta: 14 livros num ano! Inacreditável: deve ser erro do UOL. Bons escritores, como os prolíficos Philip Roth e (o falecido) John Updike, lançam, no máximo, um livro por ano. E olhe lá.

Patterson, de quem pouco ouvi falar (garotos das livrarias são obrigados a usar camisetas com publicidade de seus livros), faturou 94 milhões de reais em 2011, segundo a “Forbes”. E não é que nem consigo disfarçar que estou começando a achar que estou com inveja do talento do “escritor” para ganhar dinheiro. George R. R. Martin, que escreveu a saga “As Crônicas de Gelo e Fogo” — que estou deixando para ler quando tiver 96 anos, porque este tipo de literatura melhora quando se tem Alzheimer —, faturou modestos 15 milhões de dólares no ano passado.

Descubro, lendo o texto que afanei da internet, que J. K. Rowling, autora de uma série debiloide, “Harry Potter”, vai publicar um livro adulto. Para que, nosso Deus?! Se havia infantilizado os adultos, com a série sobre um bruxo estúpido e sem nuance — porque as crianças, acredito, fugiram da bobajada —, por que Rowling volta, agora com prosa “madura”, talvez podre, para, como se dizia nos tempos de antanho, iludir os leitores de que estão comprando literatura de qualidade porque, afinal, todos estão lendo?

As mulheres estão fincando bem espertas. Na lista dos mais ricos, várias mulheres aparecem. A terceira mais rica, superando Grisham, é Janet Evanovich, que, meio envergonhado, deve dizer que não conheço, aliás, nem sabia o nome, algo pomposo.

Veja abaixo a lista dos quinze autores mais ricos e quanto eles ganharam no ano passado.

1. James Patterson: 94 milhões de dólares

2. Stephen King: 39 milhões de dólares

3. Janet Evanovich: 33 milhões de dólares

4. John Grisham: 26 milhões de dólares

5. Jeff Kinney, 25 milhões de dólares

6. Bill O'Reilly: 24 milhões de dólares

7. Nora Roberts: 23 milhões de dólares 

8. Danielle Steel: 23 milhões de dólares 

9. Suzanne Collins: 20 milhões de dólares 

10. Dean Koontz: 19 milhões de dólares 

11. JK Rowling: 17 milhões de dólares

12. George RR Martin: 15 milhões de dólares

13. Stephenie Meyer: 14 milhões de dólares

14. Ken Follett: 14 milhões de dólares

15. Rick Riordan: 13 milhões de dólares

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