revista bula
POR EM 25/08/2011 ÀS 07:51 PM

A lista da Forbes e minha mãe

publicado em

Saiu a lista Anual da “Forbes” das mulheres mais poderosas do mundo.  Não pergunte a mim nem ao editor de tal lista qual o critério para se chegar a estes nomes e a esta classificação. O negócio é muito crazy. O Samba do Crioulo Doido é uma lição de serenidade e bom senso diante dos critérios para a formação da lista. Ela mistura Beyoncé com Hillary Clinton , Lady Gaga com Dilma Rousseff, Gisele Bündchen com Ângela Merkel e assim vai.  É nonsense puro.

Em que a Hillary Clinton poderia interferir no mundo e a Beyoncé pudesse competir com ela?  A cantora popozuda pode com seus requebros fechar uma rua, parar uma cidade e até um país, dependendo do seu esforço de mídia e de qual país esteja se referindo. A dona Hillary com seus conselhos pode convencer Obama embargar um país, ou detonar outro. Pode até convencê-lo a soltar uma gigabomba atônica  e esfarelar o planeta. Mas aí já é tanto poder cujo exercício não convém. Numa explosão dessa não escapa ninguém. Nem a dona Hillary e seu Obama. Situação comparável àquela quando a dona Hillary era primeira dama e seu marido tinha o estranho hábito de fumar charuto nas vias de regra de Monica Lewinsky. Ela tinha o poder de detonar seu marido, só que ela mesma iria de roldão. É muito poder para não ser exercido.

Em que aspectos Lady Gaga poderia competir com Dilma Rousseff. À presidenta Dilma não ficaria nada bem sair por aí rebolando e cantando “Bad Romance”. Nem poderia a Lady Gaga ficar brincando de bem-me-quer, mal-me-quer com uma flor ministerial de 38 pétalas.

E Gisele Bündchen com Angela Merkel? Em que o jurado da “Forbes” poderia achar termos de comparação? Não esperem vocês que a chanceler alemã teria temperamento e jeito para subir numa passarela e desfilar seu corpítio em passos de ganso caolho. Nem que a Gisele pudesse entrar num congresso na União Europeia e falar grosso para que o bloco libere uma grana preta para a Grécia, sob o argumento de que se a Grécia cair provocará um efeito dominó na zona do Euro, com respingos no mundo todo e tal.      

Diante de comparações tão disparatadas resolvi incluir minha mãe na lista da “Forbes”. Vocês devem estar pensando que eu pirei. É que vocês nunca viram minha mãe com um chicote na mão pisando no pescoço de um moleque malcriado. Uma única seção é capaz de consertar o adolescente mais torto que houver. Outro aspecto que minha mãe é imbatível. Ela já vai quase pros 80 anos. Mas ninguém como ela é capaz de entrar numa pocilga esfaquear um porco gordo e destrinchá-lo em pouco mais de uma hora. Eu gostaria de ver a D. Hillary, a D. Angela, a D. Dilma, a Beyoncé, a Gisele matar um porco e destrinchar num tempo tão rápido quanto minha mãe.

No entanto eu acho que a única que poderia competir como minha mãe seria a  Lady Gaga. Ela parece ter uma disposição danada, dessas que serve até para esfaquear porco na pocilga. Principalmente se ele souber que do porco pode-se retirar uns bifes maneiros para fazer um modelito esperto e arrasar no próximo show.

É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2020 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — seutexto@uol.com.br
wilder morais
renovatio