revista bula
POR EM 10/03/2012 ÀS 08:30 PM

A base do governo e a TPM (tensão pró-monetária)

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Leio nos jornais que a base do governo, da extrema direita à extrema esquerda, está tensa. A base exige aprovação de verbas para projetos e emendas. Não que esses projetos e essas emendas venham trazer benefícios para o povo que os parlamentares representam. Não. Não é nada disso. 

A base do governo está tensa e a psicologia do poder já diagnosticou o quadro clínico. É preciso liberar grana, grana da grossa, para aplacar a neura que acomete as senhoras e os senhores parlamentares que estão tensos. Senão a rebordosa pode atingir o governo de cabo a rabo. Os políticos foram atacados por uma epidemia: a famosa síndrome de abstinência de recursos do erário. Doença grave, crônica e de tratamento caríssimo. Mal complexo engendrado por patologia multidisciplinar: falhas do caráter, ambição desmedida e ignorância da plebe. 

A base do governo está que nem um cônjuge desatinado: quer trair. Quer trair a todo custo e não importa com quem nem por quê. Quer trair. E não apenas trair: quer satisfazer suas fantasias monetárias. Coisas que talvez nem Freud explique. Quer prevaricar com o suado dinheiro do povo. Quer dinheiro pra campanha nas eleições que se avizinham. Quer dinheiro pra sobra de campanha. Afinal, é preciso se segurar no banquete para a orgia do poder. É preciso nutrir as empresas Offshore, as ONGs de araque. É preciso engordar as contas secretas nos paraísos fiscais. Por tudo isso e por algo mais é que a base está assim tão tensa. 

Princípios introdutórios de Filosofia garantem que o exercício da política é uma extensão dos direitos individuais, um alongamento da cidadania. Nisso reside a lógica da democracia representativa. Como seria inviável irmos todos ao congresso defender nossos interesses, então que nossos representantes lá vão para falar em nosso nome. O poder emana do povo e em nome do povo será exercido: eis o mantra da democracia. 

Para defender no grosso e no retalho os interesses de cada um de nós e nos liberar para a nossa rotina produtiva é que os políticos existem. Por isso é que a gente paga pra eles. E paga caro. Democracia não é um luxo, mas tem preço de coisa esplendorosa. Mesmo que a dita democracia seja um Fusca do Itamar Franco a gente paga preço de Ferrari Testarossa. 

Como parece impossível reverter essa situação, pois sempre vai haver parlamentar tenso e poder executivo disposto a pagar o preço da distensão, proponho uma solução reversa. Mesmo não sendo político e não representar nem minha família na reunião do condomínio, tenho andado muito tenso ultimamente. É preciso que o governo entenda minha tensão, afinal eu sou a base da base, com meu voto unitário. Estou entendendo que tensão é um produto de alto valor social. Preciso ser remunerado por isso. 

Ponha aqui uma grana na minha mão. Senão vou dar o meu rolê. No mínimo vou rasgar a roupa na rua. 

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