revista bula
POR EM 27/04/2012 ÀS 11:12 AM

40 sugestões de nomes infames para duplas sertanejas fadadas ao fracasso

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É como diriam São Francisco de Assis, Bruna Surfistinha e Os Anões do Orçamento (num país de escândalos diuturnos, será que alguém ainda se lembra deste bando de engravatados?): “É dando que se recebe”. Mesmo não sendo santo, ex-prostituta ou deputado corrupto, proporcionarei aos leitores desta crônica, sem qualquer ônus ou favorecimento financeiro, e com o espírito absolutamente franciscano, dicas incríveis de pseudônimos para duplas de cantores (?!) sertanejos (?!).

Abandonado à própria sorte, ceifado de qualquer nesga inspiratória relevante e inteligente, a mim ocorreu redigir um texto de linhagem conspiratória e, quem sabe, até mesmo risível (se não, desprezível). Eu pretendia bolar, concatenar, gastar tempo, cumprir obrigações legais e satisfações morais junto ao editor, garantindo um texto, arrancando sangue da pedra.

Então, num rompante de apelação, enumerei codinomes implausíveis para duplas de cantores sertanejos com gel nos cabelos, criaturas anônimas interessadíssimas no estrelato a qualquer custo, na riqueza e na respeitabilidade que a fama proporciona, ainda que a suposta celebridade seja uma besta quadrada, um redondíssimo zero à esquerda do ponto de vista cultural-intelectual. É claro: para que o sucesso venha a rodo neste prostituído universo da música comercial, fundamental será que se evite, sobretudo, acatar a lista abaixo. Ela é poço de cinismo e sarcasmo.

No mesmo instante em que parlamentares do Congresso Nacional chafurdam na lamacenta CPMI do Cachoeira, o cantor brasileiro Michel Teló — este sim, “orgulho do país” — surpreende mais uma vez, ao alcançar o topo da Billboard com o hit latino “Ai, se eu te pego”. O sucesso de Teló é tão estrondoso que, eu desconfio, já-já a Polícia Federal, instituição sempre afeita aos nomes criativos em sua campanas, ensejará uma “Operação Ai, Se Eu Te Pego”, no encalço de criminosos do colarinho branco, políticos safardanas e outros colaboradores para o cancro social.

Mas, vamos à lista. Anote aí. Se preferir — como diriam os Irmãos Coen — queime depois de ler.
 

Teló e Toleima.

Esfirra e Canibal.

Crime e Castigo.

Osama e Obama.

Fifa e Ambévi.

Antes Só e Mal Acompanhando.

Sarcasmo e Sarkozy.

Mal Amada e Ponto G.

Papai e Mamãe.

Oral e A Nau.

Foi Bom Pra Você e Luminária do Teto.

Seu Guarda e Cafezinho.

Milionário e Receita Federal.

Boca Suja e Ficha Limpa.

Mão Molhada e Cachoeira.

Cachaça e Cacheta.

Prostíbulo e Plenário.

Filho e Daputa.

Deputado e Cepeí.

Gangster e Padrinho.

Grampo e Biguebróder.

Caixa 2 e Vela Preta.

Prometeu e Propina.

Tomalá e Dacá.

Delta e Danos.

O Bêbado e O Chantagista.

Dólar e Cueca.

P.A.C. e Mensalão.

Lula e Laringe.

Collor e Sapo Barbudo.

Éfe-agá-cê e Be-agá-cê.

Matusalém e Zezé Sarnei.

Capeta e Bigode.

Miserável e Maranhão.

Sandis e Leréia.

Lobby e A Matilha.

Plano Perfeito e Plano Piloto.

Sertão e Lei Seca.

Cabeça de Bagre e Anencéfalo.

Pecado e Citotec.
 

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