revista bula
POR EM 02/03/2008 ÀS 01:36 PM

Espírito do tempo

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Esta semana assisti, perplexo, a um filme proibidíssimo no Brasil e em várias outras partes do mundo chamado Zeitgeist um termo que em alemão significa espírito do tempo.

É perturbador, desconcertante, um atentado terrorista contra a mentira. Costura uma impressionante relação entre o Cristianismo, o 11 de setembro e os grandes bancos internacionais. Nitroglicerina pura. E, para deixar os banqueiros ainda mais indignados, é de graça. Zeitgeist não tem fins lucrativos e está na internet. Desde junho de 2007, já foi visto mais de 10 milhões de vezes (só na sua versão em inglês) e já é o filme on-line mais assistido da história.

É um daqueles filmes que eles não querem que você veja. Mas atenção: é um filme para ser visto apenas por aqueles que querem pensar e questionar as verdades estabelecidas — portanto, não é para qualquer um. Gente comum, bem comportada e acomodada vai detestar.

A capacidade de nos agitar o pensamento e duvidar das certezas a que somos levados a acreditar e das verdades absolutas que a sociedade nos impõe, são provavelmente as maiores virtudes de filmes/documentários deste gênero.

Para assistir a Zeitgeist é preciso estar desarmado e esquecer tudo o que você sabe sobre os mitos religiosos do cristianismo, por exemplo, e aprender sobre suas conexões com a astronomia e as crenças pagãs de onde os mitos cristãos foram plagiados. É duro de admitir e, por sua lógica incontestável, descobrimos que estamos sendo enganados desde a época do imperador Constantino da Roma antiga.

Passe por essa primeira parte e tente agüentar o tranco porque o que vai ver em seguida vai mexer ainda mais com seus neurônios e suas convicções. Há semelhanças assombrosas como esta frase que você vai acreditar ser do Bush: “Existe um diabo que apoquenta todo homem, mulher e criança nesta grande nação. Precisamos dar passos para salvaguardar as nossas famílias e proteger nossa terra!”

É do Adolf Hitler quando apresentou a GESTAPO aos alemães. A frase do Bush é a mesma coisa: “O nosso inimigo é uma rede radical terrorista e os governos que os apóiam”.

Ao ver o filme se aprende também que o poder financeiro que controla o planeta através de umas poucas instituições americanas não quer que o resto do mundo pense muito. E é por isso que o mundo se tornou tão cheio de entretenimento: raves, álcool, drogas, parques de diversão e, principalmente a televisão. Nela estão os circos, os carnavais, os contadores de histórias que não ensinam, mas distraem, cantores, domadores, jogadores de futebol, etc... Claro que as massas acreditam nas ilusões da caixa mágica. Ela é que é a realidade, não sua vida.

As pessoas do mundo inteiro passaram a agir conforme os ensinamentos da caixa, fazem tudo o que a TV diz pra fazer: vestem-se conforme vêem lá, compram o que dizem pra ser comprado...pensam conforme a TV sugere. 

Não interessa que as massas tenham pensamentos críticos e sejam bem informadas, caminhamos para aquilo que os poderosos estão armando há 60 anos: um só governo mundial que controla o planeta. Já se fala até na nova moeda para esse governo, o amero. Um banco, um exército, um centro de poder. Ao ver o filme se aprende que religião, patriotismo, raça, classe social e todas as outras formas de identificação separatista imposta aos homens têm servido para criar uma população controlada.

Dividir para conquistar —  é o velho lema.

O medo da grande força é um só: que as pessoas descubram sua verdadeira relação com a natureza e a verdadeira dimensão de seu EU.

E tudo é feito pra que isso não aconteça, como o leitor vai comprovar vendo o filme. As outras partes dele são ainda mais apavorantes.

Para vê-lo de graça só há um caminho: www.google.com  , clique o nome do filme lá e veja em partes, cada uma tem mais ou menos 10 minutos. Ou tente vê-lo no www.youtube.com.

O leitor não vai conseguir evitar o choque com o que vai saber pelo filme, mas mesmo chocado deve agradecer o privilégio de fazer parte de uma minoria no mundo que não vai mais morrer tão ignorante e, pior, com a boca cheia de formiga.

 

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