revista bula
POR EM 27/02/2008 ÀS 08:58 AM

Deformidades

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Goiânia, vira e mexe, sempre tem se destacado como notícia nacional. No passado, foi o Césio; há pouco, a febre amarela, que levou a população ao desespero, todos em busca da vacina, inclusive eu, que, um mês após receber a dose, contraí dengue, passei maus bocados, pelo menos estava tranqüilo com relação à febre amarela, caso contrário, teria enlouquecido, porquanto alguns sintomas são muito parecidos.

Passado o surto da febre, um caso inusitado aconteceu:  um casal que se dizia “fugindo das FARC” chamou a atenção da mídia nacional, o casal relatou que havia percorrido - a pé - milhares de quilômetros, da Colômbia ao Brasil, passando pela Venezuela, pela Amazônia, até chegar a Goiânia, depois de ter perdido um filho para aquela organização terrorista. Mais tarde, veio-se a descobrir, após a morte da esposa (que morrera de malária) a verdade: o casal fugia não das FARC, mas da pobreza do seu país. Procuravam melhores condições de vida. Mas como mentira tem pernas curtas, o rapaz será deportado, ficando apenas a imagem de um casal sonhador, abrigado no Hospital de Doenças Tropicais, guarnecido pela força policial goiana.

Mas as más notícias não param por aí, principalmente quando envolve o erário, como aconteceu recentemente, o desvio de mais de 900 mil reais dos cofres do Ibama, supostamente desviados por uma funcionária que cuidava das finanças - segundo declarações do Procurador da República em Goiás - e que teria gastado boa parte desse montante numa clínica de estética. Tudo muito bem maquiado, bem urdido, um atentado à flora e à fauna brasileiras. E haja beleza! Quase um milhão de reais, dividido entre filhos e outras laranjas, laranjas da terra, que agora, depois de despencarem do talo, amargarão por longos anos.

Agressão à fauna, à flora, desvio de conduta, tudo tem marcado o nosso País e, claro nossa grande Goiânia, como a trágica história de uma senhora, de 48 anos, que teve o útero retirado, após ser confundida com uma outra paciente. Segundo relato da própria vítima, ela fora internada para fazer uma reconstituição do períneo, mas começou a achar tudo muito estranho:  “Eu senti que algo estava repuxando, perguntei ao médico o que ele estava fazendo e ele respondeu: estou retirando o seu útero.” O mais grave de tudo isso, a mulher que teve o útero retirado fazia tratamento para engravidar, estava na  fila de espera do Hospital das Clínicas, para se submeter a inseminação artificial. Trágico, não?

Mas as notícias não param, às vezes trágicas, como o caso da retirada do útero da senhora acima; às vezes hilária, como a história do padre de uma paróquia em Goiânia que proibiu às mulheres, principalmente nas cerimônias matrimoniais, de comparecerem à igreja trajando vestidos decotados, costas nuas, para evitar, segundo o pároco, um mal estar entre os fieis. Pois, segundo ele, as beldades não se vestem decentemente, não usam sutiã, deixando os seios eriçados, à mostra. O padre deve ter lá suas razões, talvez seja preferível proibir a se autoflagelar, principalmente quando se tem uma visão tão apurada.  Às mulheres, uma saída: mudar de igreja ou de vestido.
 

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