revista bula
POR EM 13/12/2012 ÀS 06:50 PM

Gente Humilde — Vida e Música de Garoto

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Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, quase esquecido pelo público, é uma espécie de músico para músicos. João Gilberto é entusiasta da arte do compositor de “Gente humilde” ligar “os acordes por meio de belas frases musicais”. O poderoso chefão da bossa nova disse: “Garoto é um camarada esperto, ele sabe fazer aqueles encadeamentos, ele acompanha de uma forma que fica mais bonita”. Em 1991, incluiu num CD a música “Sorriu para mim”, de Garoto e Luís Cláudio (pseudônimo de Cecy, sua mulher). No livro “Chega de Saudade — A História e as Histórias da Bossa Nova” (Companhia das Letras, 461 páginas), Ruy Castro escreve: “Não havia um instrumento de corda que ele [Garoto] não dominasse à primeira vista. Dizia-se que, numa única canção, Garoto era capaz de alternar violão, guitarra, violão-tenor e cavaquinho, passando de um para o outro sem perder um compasso — e esta não era uma daqueles lendas que os músicos gostam de contar, porque ele costumava fazer isto no auditório da Rádio Nacional”. Depois de chamá-lo de “superviolonista”, o jornalista e crítico acrescenta, citando a cantora Sylvinha Telles, uma das primeiras vozes da bossa nova: “Cantar com Garoto era o máximo que uma pessoa podia querer”. Na esplêndida biografia “Carmen” (Companhia das Letras, 632 páginas), sobre a cantora Carmen Miranda, Ruy Castro aumenta o encantamento: “Aos poucos jornalistas que o procuraram, Aloysio [de Oliveira] disse que o Bando da Lua também vencera na América e que Garoto impressionara os americanos, que o chamavam de ‘Mr. Marvelous Hands’”. No livro “A Canção no Tempo — 85 Anos de Músicas Brasileiras” (Editora 34), Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello comentam: “Garoto tinha uma concepção musical diferente, acima da média de seus contemporâneos, bastando esta melodia [“Duas Contas”], com seus saltos inusitados, para comprovar este ponto de vista”. Com tantas referências positivas, de críticos e historiadores da música qualificados, compreende-se a necessidade de uma biografia detalhada do músico que mesmerizou Vinicius de Morais, Tom Jobim, João Gilberto, Chico Buarque e Baden Powell. A biografia está nas livrarias: “Gente Humilde — Vida e Música de Garoto” (Edições Sesc SP, 270 páginas), de Jorge Mello. 


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POR EM 11/12/2012 ÀS 05:11 PM

Michelet: um poeta inventa a história

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O truque narrativo de Jules Michelet no seu clássico “História da Re­volução Francesa — Da Que­da da Bastilha à Festa da Fe­deração” ainda pode ser encontrado hoje no cinema americano: o herói só radicaliza depois que sofre a brutalidade dos inimigos, depois que se decepciona, quando sua boa fé vira do avesso e se transforma em arma de guerra. Trata-se de uma visão romântica e ao mesmo tempo moderna da história, uma ciência hoje em crise de identidade, abordada neste livro com a oratória poética do mito. Lendo sua obra com olhos livres e com o apoio de Lucien Febvre e Jacques Ran­cière, pode-se identificar os elementos principais deste livro, sua gênese e atualidade. Vamos seguir o conselho de Ma­rio Quintana, que respondeu à pergunta de uma professora “O que é preciso ler para entender Shakespeare?” assim: “Leia Shakespeare”.

A razão vence a loucura

O povo foi convocado pela aristocracia para as eleições de 1789. O objetivo era servir de massa de manobra no jogo político da corte. Michelet destaca a inocência do povo, que atende ao chamado votando maciçamente, de maneira correta, nos eleitores certos, esperando deles a solução para os problemas gerais. O texto tece essa inocência para imantar o povo — que ao agir atrai para si a razão. O povo jejuava — com a crise — e aguardava pacientemente, pois tinha esperança nos Estados Gerais.


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POR EM 10/12/2012 ÀS 10:40 PM

Somewhere, de Sophia Cop­pola

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“Somewhere” (“Um Lugar Qualquer”), o premiado filme de Sophia Cop­pola, é sobre os bastidores da vida de um ator célebre (Stephen Dorff, no papel exemplar do paspalho que parece ser), dividido entre festanças, entrevistas, premiações, viagens e eventos variados. A matéria-prima de um cinema de espetáculo, que por motivos misteriosos atrai multidões. Não há dúvida que é uma representação do pai ausente de Sophia, o gênio Francis Ford Coppola, que carregava os filhos pelos hotéis afora enquanto fazia obras-primas. Não tinha tempo para a família, mas até hoje paga o tributo, já que precisa render-se à sua vocação de italiano, apesar de ser essencialmente um americano (aquele tipo que expulsa os filhos de casa mal saem da puberdade). Ele é a presença constante dos filmes da filha, que já nos deu grandes obras como “Lost in Translation”.

Para onde leva esse cinema que dá voltas sobre si mesmo? Para o vazio ou para gestos pretensamente libertadores (por que, em vez de abandonar sua Ferrari no deserto depois de fechar a conta no hotel de luxo, o bobalhão não me dá as chaves do carro e do apartamento enquanto ele torra no solaço? Ora, porque tudo não passa de ficção da pior qualidade). Trata-se de uma denúncia ou de uma entrega? Acho que as duas coisas. Sophia já tinha escrito um conto de fadas da menina que era filha de pais separados ricos e a deixavam vivendo com um mordomo num hotel (“A Vida sem Zoe”, episódio dirigido pelo pai na obra coletiva de “New York Stories”). “Lost in Translation” também se passa num hotel. Ou seja, ela não sai do reduto onde foi criada.


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POR EM 09/12/2012 ÀS 04:18 PM

Os melhores finais de livros (2ª parte)

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Dando sequência a série de melhores finais, perguntei colaboradores, leitores e seguidores do Twitter e Facebook quais os melhores finais de livros, excetuando aqueles que apareceram no primeiro levantamento. Os livros relacionados na primeira parte foram: “Nada de Novo no Front”, de Erich Maria Remarque; “On The Road”, de Jack Kerouc; “À Espera dos Bárbaros”, de J. M. Coetzee; “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez; “1984”, de George Orwell; “Notas do Subsolo”, de Fiódor Dostoiévski; “O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald; e “O Estrangeiro”, de Albert Camus. Cada participante poderia indicar até três finais, de autores brasileiros ou estrangeiros de todas as épocas. Abaixo, os trechos selecionados baseados no número de sugestões recebidas.


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POR EM 08/12/2012 ÀS 09:16 PM

Contos russos, nossos contemporâneos

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O que há em comum entre o país narrado pelos grandes autores russos do século 19 e início do 20 e o Brasil? Muita coisa, como a tirania, a servidão, a miséria, o povo ao relento. Falta apenas o talento, fonte de gênios da literatura, que souberam transformar a nação reportada num cenário inesquecível do drama humano. Neste ensaio, abordamos contos de Tolstói, Górki e Turguêniev, entre os mais conhecidos, e outros nomes mais ocultos, como Kuprin, Sologue, Búnin, Andreiév, Garshin, Ko­rolenko e Tchirikon. Eles expressam com lucidez e impiedade o que há de mais valioso num país diante do seu destino: a população que luta pela sobrevivência e sonha para se manter à tona.


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POR EM 07/12/2012 ÀS 09:08 PM

Pedidos indecorosos ao Papai Noel antes que o mundo se acabe

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Agora é definitivo: de acordo com especialistas em finais de mundo (olhem que a minha paciência também se aproxima de um fim), a vida no planeta azul vai mesmo expirar no próximo dia 21 de dezembro, às vésperas do natal. Entre os homens e o meteoro, eu prefiro o segundo, a pedra fumegante que, em menos de um segundo, haverá de nos redimir de nós mesmos, incinerando mazelas como se fossem mendigos do Planalto Central.

Entendam: o intento maior da flama é o trucidamento impiedoso de toda humanidade, a despeito de mensalões, de cachoeiras e de todo cinismo que compõe a lama na qual patinamos desde que paramos de andar sobre as quatro patas, para deambularmos a esmo, em busca de comida, de procriar, de perpetuar a espécie e toda a ignorância que insiste em habitar nos cromossomos. Somos, em suma, uma causa perdida.

Tendo em vista que agora é pra valer, listei neste prolixo texto (pro lixo com ele, puritanos!) os meus últimos pedidos ao Papai Noel, que irão, posso lhes assegurar, além das modernosas televisões de tela plana e dos smart-phones. Papai Noel, seja esperto! Ao apagar das luzes, rogo ao caquético velhinho que se apresse, pois o tempo urge, a vaca muge e as vedetes do Moulin Rouge, depois do provável cataclismo, perderão todo o charme ao ponto de não aplacarem a libido da plateia.


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POR EM 06/12/2012 ÀS 07:47 PM

Jorge Aragão, o dono do anel

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Faz semanas que eu não paro de pensar nisso. Não entrarei no mérito da qualidade musical, ou da questão de chamarem "de raiz" algo que não chega nem a caule do Samba. Mas o fato é que a música em questão é daquelas que todo mundo canta junto quando toca.

Mas uma dúvida me assola. Quando o barraco desabou, e o barco se perdeu porque o Jorge achou uma anel que tinha gravado "Só você e eu", a dor veio por ela ter deixado o anel que ele deu ou, ele achou um anel dado por outro cara? Contrariando o senso comum, eu acho que o "Eu" do anel não era o Jorge.

Pensem comigo: seria bastante mais desabador de barraco achar um anel gravado, que não tenha sido ele quem deu para a garota.

Numa leitura inicial a letra indica que ele foi traído, e que que o anel era um presente dele, que foi deixado para trás. Mas, vamos pensar um pouco amiguinhos.

É um homem que está sofrendo muito. Mas que está cantando para desabafar. Não é uma conversa com a moça que está acontecendo, visto que ele diz de cara que não quer falar, que vai telefonar quando puder porque ainda está sentindo muita dor. Quem nem shows tem feito, visto que a saudade não deixa, mas que assim que conseguir vai cantar sobre a dor de amor e coisa e tal.


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POR EM 05/12/2012 ÀS 10:17 PM

20 romances em 140 caracteres

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Escritores, jornalistas, blogueiros foram convidados a escreverem um romance em até 140 caracteres, excetuando o título. Os romances estão em ordem alfabética por autor. Com a palavra os leitores


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POR EM 04/12/2012 ÀS 08:45 PM

Os 10 maiores poemas brasileiros de todos os tempos

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Pedimos a 50 convidados — escritores, críticos, professores, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de autores brasileiros em todos os tempos. Cada participante poderia indicar entre um e dez poemas. Nenhum autor poderia ser citado mais de uma vez. 40 poemas foram indicados, mas, destes, apenas 24 tiveram mais de três citações. São eles: “A Máquina do Mundo”, “Procura da Poesia”, “Áporo” e “Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade; “O Cão Sem Plumas”, “Tecendo a Manhã” e “Uma Faca Só Lâmina”, de João Cabral de Melo Neto; “Invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima; “O Inferno de Wall Street”, de Sousândrade; “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga; “Cobra Norato”, de Raul Bopp; “O Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles; “Vozes d'África”, de Castro Alves; “Vou-me Embora pra Pasárgada” e “O Cacto”, de Manuel Bandeira; “Poema Sujo” e “Uma Fotografia Aérea”, de Ferreira Gullar; “Via Láctea” e “De Volta do Baile”, de Olavo Bilac; “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias; “As Cismas do Destino” e “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos; “As Pombas”, de Raimundo Correia; “Soneto da Fi­delidade”, de Vinícius de Moraes.


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POR EM 03/12/2012 ÀS 07:22 PM

Os 15 melhores poemas de Paulo Leminski

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Fotografia: Juvenal PereiraPedimos a 15 convidados — escritores, críticos, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de Paulo Leminski. Cada participante poderia indicar entre um e 15 poemas.

Escritor, crítico literário e tradutor, Paulo Leminski foi um dos mais expressivos poetas de sua geração. Influenciado pelos dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos deixou uma obra vasta que, passados 25 anos de sua morte, continua exercendo forte influência nas novas gerações de poetas brasileiros. Seu livro “Metamorfose” foi o ganhador do Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Entre suas traduções estão obras de James Joyce, John Fante, Samuel Beckett e Yukio Mishima. Na música teve poemas gravados por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Guilherme Arantes; e parcerias com Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik e Wally Salomão.

Paulo Leminski morreu no dia 7 de junho de 1989, em consequência de uma cirrose hepática que o acompanhou por vários anos.

Os poemas citados pelos participantes convidados fazem parte do livro “Melhores Poemas de Paulo Leminski”, organização de Fred Góes, editora Global. 


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