revista bula
POR EM 22/12/2012 ÀS 01:32 PM

E se Deus jogasse a toalha?

publicado em

E se o louco for você, e não o resto do mundo? E se as pessoas não tivessem mais medo dos malucos? E se ninguém jamais teve coragem de lhe contar toda a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade? E se os seus medos forem adotivos? E se a verdade o libertasse, como previsto nos textos sagrados, o que você faria com ela: escreveria um livro, plantaria bananeiras no meio da rua, teria um filho com uma prostituta?

E se Papai Noel ficasse gagá e esquecesse os presentes? E se os presentes à festa se rebelassem contra o bom velhinho, internando-o num hospício? E se o passado ficasse solenemente enterrado no passado e parasse de interferir tanto no presente? E se a memória não judiasse mais da gente? E se você tivesse chegado lá segundos antes? E se tivesse chegado segundos depois? E se a morte fosse comemorada como um gol de placa?

E se os lactentes exigissem leite desnatado tipo A, enriquecido com ômega 3, diretamente das tetas maternas? E se os filhos da mãe parassem de roubar o erário, sobraria mais recurso para o leitinho das crianças? E se houvesse vagas suficientes nos presídios para tantos delinquentes? E se alguém criasse uma CPI numa pizzaria, as investigações acabariam em quê: num prato de salada ou numa pilha de processos?


leia mais...
POR EM 21/12/2012 ÀS 02:22 PM

103 dicas de antiajuda para o ano de 2013

publicado em

Se você está lendo esta lista, você é um sobrevivente aguerrido. Já passou pela batalha dos espermas, pela mortalidade infantil, pela verminose juvenil, pela burrice adolescente, pelo analfabetismo obstinado. Por fim triunfou com bravura sobre a profecia maia de que o mundo iria pipocar no dia 21 de dezembro último. O fato de ser um bravo sobrevivente já lhe dá motivos de sobra para viver o ano de 2013 com todo vigor. Para ajudar no seu entusiasmo pela vida, aí vão algumas dicas, organizadas por área, para você arrepiar no ano novo.


leia mais...
POR EM 20/12/2012 ÀS 08:17 PM

Eu sou a mãe de Adam Lanza

publicado em

Liz Long

Três dias antes de Adam Lanza, de 20 anos, matar sua mãe, depois abrir fogo contra uma classe cheia de alunos da primeira série de Connecticut, meu filho de 13 anos, Michael (não é o nome verdadeiro dele), perdeu o ônibus porque ele estava usando calças da cor errada.

“Eu posso ir com essa calça”, ele disse, com o tom de voz cada vez mais beligerante, e o buraco negro do centro das pupilas de seus olhos engolindo a íris azul.

“Ela é azul marinho”, eu respondi. “A sua escola permite apenas calças pretas ou caqui.”

“Eles me disseram que eu posso usar esta”, ele insistiu. “Você é uma puta burra. Eu posso usar a calça que eu quiser. Estamos na América. Eu tenho direitos!”

“Você não pode usar a calça que você quiser”, eu disse, em tom afável e racional. “E definitivamente você não pode me chamar de puta idiota. Você está de castigo sem eletrônicos pelo resto do dia. Agora entre no carro, e eu te levo para a escola.”

Eu vivo com um filho que tem problemas mentais. Amo meu filho. Mas ele me apavora. Algumas semana atrás, Michael pegou um faca e ameaçou me matar e depois a si mesmo porque eu pedi que ele devolvesse na biblioteca os livros que já estavam atrasados. Os irmãos de 7 e 9 anos sabiam qual era o plano de emergência — correram para o carro e se trancaram antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa. Eu consegui tirar a faca de Michael, e depois metodicamente recolhi todos os objetos cortantes da casa e os coloquei dentro de uma sacola gigante que agora anda sempre comigo. Depois de tudo isso, ele seguiu gritando, me insultando e ameaçando me matar e me machucar.


leia mais...
POR EM 19/12/2012 ÀS 09:28 PM

John Ford e o renascimento de uma nação

publicado em

Trata-se da América clássica, dos founders fathers, que se partiu na Guerra da Sec­essão e que em dois filmes de John Ford é recosturada por meio de princípios como a tolerância, a justiça, a paz e a coragem. Praticamente um é refilmagem do outro. Ambos têm como protagonista o judge priest (personagem do escritor Irving S. Cobb) disputando uma eleição em Kentuky, terra de linchadores e de intolerância racial. O primeiro é de 1935 e tem como título o próprio juiz, “Judge Priest”, e o segundo de 1953, com título tirado de uma canção do Sul, “O Sol Brilha” (The Sun Shines Bright).

Fiquei apavorado com a campanha difamatória contra John Ford por parte dos pseudo politicamente corretos na rede, que o acusam de tirano, invejoso e racista. É próprio da mediocridade tentar destruir o gênio, que a desmoraliza. Felizmente alguns ensaístas consideram “O Sol Brilha” mais uma obra-prima do grande cineasta. Confirmei vendo o drama de uma jovem adotada e alvo do desprezo social recuperando sua identidade e sua honra graças à ação enérgica do juiz e de todos que o admiram e seguem seus passos. Em “Judge Priest”, o foco está mais no pai da moça adotada, um herói do sul que ficou livre depois de lutar na guerra e consegue escapar de uma acusação de agressão numa briga de bar.


leia mais...
POR EM 19/12/2012 ÀS 09:10 PM

Nabokov rejeitou parte da adaptação de Kubrick para Lolita

publicado em

O diretor de cinema Stanley Kubrick (1928-1999) adorava literatura. Ou, pelo menos, adaptar obras literárias para o cinema. Um de seus filmes mais conhecidos, “Laranja Mecânica”, de 1971, foi baseado no livro do escritor inglês Anthony Burgess. Este não gostou muito do filme, mas admitiu que não é dos piores. “Laranja Mecânica” permanece cult. A esquerda brasileira o adora, menos pela linguagem, e sim pela denúncia do totalitarismo estatal. É incrível: um joyciano de esquerda!

Outra grande adaptação de Kubrick — um diretor de qualidade, mas superestimado, como quase todo “cult” — é “Lolita”, de 1962. A adaptação foi feita pelo próprio autor do romance, o russo-americano (talvez um sem-lugar) Vladimir Nabokov, um grande escritor às vezes desvalorizado pelas modas. Depois de edições desleixadas da Record, com as versões de Pinheiro de Lemos, editoras de qualidade, como a Companhia das Letras e a Alfaguara, redescobriram sua prosa — na qual há uma mescla, intencional, de traços antiquados e inventivos (talvez a intenção de Nabokov tenha sido “inovar” o romance russo do século 19). O complexo romance “Fogo Pálido”, uma das histórias mais inventivas da literatura universal, ganhou tradução precisa de Jorio Dauster e Sérgio Duarte. Mas o autor das orelhas é no mínimo descuidado. Em vez de Kinbote, com “n”, como está no livro, escreve Kimbote, com “m”.


leia mais...
POR EM 17/12/2012 ÀS 03:00 PM

21 coisas para fazer antes do fim do mundo

publicado em

Segundo os intérpretes do Calendário Maia, o próximo 21 de dezembro será o dia fatal. A Terra e o nosso sistema estelar vão sofrer uma convulsão medonha e a chama da vida será apagada da face do planeta. Diante da perspectiva de que estamos vivendo os últimos instantes da saga humana, aí vão 21 sugestões do que fazer nestes instantes que nos separam do morticínio geral:


1 — Rezar ladainhas até desidratar a alma, para que ela flutue livremente para o céu;

2 — Fugir para a Chapada dos Viadeiros e morrer uns segundos depois dos outros;

3 — Jogar na cara do chefe tudo o que você sempre teve vontade, mas lhe faltou coragem;

4 — Dar um murro na cara do chefe;

5 — Dar um chaveco definitivo naquele amor platônico, fugir para um lugar discreto e viver os últimos instantes no maior rala-e-rola;

6 — Ler um livro de auto-ajuda e morrer com dignidade...


leia mais...
POR EM 16/12/2012 ÀS 07:43 PM

Os 10 livros literários mais vendidos da história

publicado em

Para se chegar ao resultado consultei reportagens, entidades editoriais, empresas de pesquisas de mercado e publicações especializadas em livros. O objetivo era identificar, baseado nessas informações, quais são os 10 livros literários mais vendidos no mundo em todos os tempos. Participaram do levantamento as publicações: “Global Times”, “Telegraph”, “New York Times”, “HowStuffWorks”, “Financial Times”; as entidades editoriais International Publishers Association (IPA), International Booksellers Federation (IBF) e International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA); e as empresas de auditagem e pesquisas de mercado Nielsen e a GfK. Embora não exista concordância sobre os números exatos do mercado de livros ao longo dos séculos, os levantamentos das publicações, instituições e empresas mencionadas, parecem ser o que mais se aproximam do consenso editorial.


leia mais...
POR EM 15/12/2012 ÀS 08:04 PM

Se a praça é do povo e o céu é do condor, os cadernos de cultura são dos cinéfilos

publicado em

Para Bárbara Gigonzac e Heyne Leyser, ávidas leitoras.

Do alto das minhas pilhas de livros, trinta e nove anos de leituras atrasadas me contemplam. Os montes inexplorados — meus himalaias particulares — me fitam e eu, planejando viver mais oitenta e cinco invernos, peço calma a eles e paciência aos deuses para com este humilde pecador.

Meu motor de explosão necessita de livros como carburante, o que me levou a juntá-los desde criança. Lá pelos meus 10 ou 12 anos, confrontado com a dura realidade do mundo cruel, tragicamente deixei de lado um futuro como desbravador do Velho Oeste ou astronauta e passei a me dedicar a uma das poucas atividades em que tenho tido sucesso, a acumulação indiscriminada de livros (isso depois de brevemente também ter considerado tornar-me poeta tuberculoso para viver cercado de belas mulheres sempre dispostas a atender aos meus desejos de moribundo, pois que compungidas com a minha situação de artista incompreendido e privado de leituras por ter colocado os livros no prego). Aos 20 anos, a coisa já era patológica (escreveu Paul Nizan: “Eu tinha vinte anos. Não me venham dizer que é a mais bela idade da vida”). Por ter 20 anos, porém, em algum momento os livros disputaram espaço com os líquidos olhos verdes de Patrícia, mas o excesso de leituras desordenadas me deixara ciente de que eles viriam, causariam os estragos costumeiros e inescapáveis dos líquidos olhos verdes e iriam embora — portanto, a ordem natural das coisas seguiu o seu curso próprio: os olhos verdes se esfumaram, os livros permanecerem e depois houve outras Patrícias. De qualquer modo, tudo ficou ainda mais fácil quando me convenci de que, naquela trágica idade de 20 anos, já tinha os 39 que só alcancei efetivamente neste ano (e agora, supostamente com 39, sei que tenho na verdade 54 anos).


leia mais...
POR EM 14/12/2012 ÀS 08:50 PM

Desapontamentos previstos para 2013

publicado em

Ravi Shankar foi apresentado ao Ocidente, de maneira definitiva, pelo cantor e compositor britânico George Harrison nos anos 60, época em que os Beatles eram mais conhecidos no mundo que Jesus Cristo (Quem de vocês se sentir incomodado com a comparação que reclame com Yoko Ono, viúva de John Lennon, o responsável pela analogia que provocou uma das maiores quebradeiras de discos de vinil em praça pública que se tem notícia. Se alguém quiser me esconjurar, prossiga. Não persigo céus mesmo...).

Renomado músico indiano, foi Ravi quem ensinou (e influenciou) George a tocar a cítara, instrumento de cordas com som exótico que foi introduzido nos arranjos de algumas canções do quarteto fabuloso naqueles loucos e benditos anos 60. A recente morte de Ravi Shankar, aos 92 anos, pouquíssimo tem a ver com a temática desta crônica, a não ser para ilustrar o quanto a vida nos premia com desapontamentos tão ininteligíveis e pouco aceitáveis quanto a morte.

Muitos haverão de dizer que a morte é primordial para o expurgo da humanidade, que o povo tem que morrer mesmo, a fim de que mais e mais gente nasça para continuarmos a nossa ignóbil missão neste planeta rumo ao desconhecido. 


leia mais...
POR EM 14/12/2012 ÀS 08:19 PM

Borges e Neruda: o gênio além da ideologia

publicado em

De perto somos todos normais: de esquerda, de direita, de centro, alienados. De longe, quando a persona é vista em sua inteireza, que só pode ser expressada pelo talento de cada um, o bicho pega. Jorge Luis Borges e Pablo Neruda causam desconforto quando se fala neles. Um porque apoiou a ditadura argentina, outro porque foi ministro do governo de Salvador Allende. Essa maldição que persegue o gênio nos afasta da essência de suas obras. Neste ensaio, alguns pontos focais do trabalho inumerável de dois mestres da literatura universal. Um exercício de ver com os olhos livres e deixar de lado o que é datado e perecível, mesmo que o talento se expresse às vezes sob a ótica contaminada por convicções ideológicas. 


leia mais...
 < 1 2 3 4 5 6 7 8 >  Último ›
É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2017 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — seutexto@uol.com.br
wilder morais
renovatio