revista bula
POR EM 03/01/2013 ÀS 12:48 AM

Woody Allen, o escritor de filmes

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A sobrevida de um novelista de costumes, que usa a câmara como teclado e conta histórias baseadas na sua paixão

Um veterano que já está no lucro, o cineasta americano que um dia foi comediante e en­veredou pelos caminhos do cinema radical, tem feito sucessivas obras que geram polêmicas por motivos diversos do que acontecia no início da sua carreira. Antes, era preciso celebrar o gênio do texto enxuto, perfeito e hilário, que contradizia o humor tradicional e instaurava o riso cerebral no ambiente hiperurbano da sua Nova York. Hoje é o rodízio de cidades europeias que abraçam seu trabalho sempre impecável, mesmo que digam o quanto perdeu em criatividade. Allen está acima de enquadramentos. Precisamos abordar alguns dos seus filmes para mergulhar na sua diversidade autoral, como fazemos neste ensaio.


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POR EM 02/01/2013 ÀS 05:53 PM

Nomes só: Américo

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Mudei meu caminho hoje, para encostar no seu. Acho que foi o Chico Buarque quem usou essa imagem, e o Chico Buarque tem sempre razão. Foi isso, encostei meu caminho no seu. Saí do meu compromisso e, ao invés de pular direto para a Marginal e dali para casa, adiantei meu relógio em uma ponte e cruzei o rio. Seu território. Passei pelo lugar do seu acidente. Mais adiante, em frente à velha lanchonete, quebrei à direita ali no circo que não existe mais (como nós, como nós), entrei logo ali passando pelo restaurante e pela padaria, para cair em sua rua, a rua da redenção, com a qual se eu não dividir a salvação ou sua presença, divido ao menos o sobrenome. Ela é diferente de dia. Mais rude, menos acolhedora, sem doçura alguma (como nós, de novo, como nós). É uma rua, apenas. Caminhões de entrega, babás e cães. Rodinhas de seguranças fumando numa ou noutra esquina. Seu prédio baixinho e já era a esquina e já era o final. Quase ouvi sua sonora gargalhada, mas sei que não. E não, de leve ouvi você chamar meu nome. Nem de leve.


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POR EM 01/01/2013 ÀS 08:01 PM

De Gaulle impediu fuga de Céline para a Espanha

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O jornal espanhol “El Mundo”, publicou reportagem, “Céline quis fugir para a Espanha”, na qual se diz que, apesar do apoio do ditador Francisco Franco, o líder e general francês Charles de Gaulle impediu pessoalmente a escapada. De Gaulle disse a Franco que o asilo a Louis-Ferdinand Céline (1894-1961), escritor fascista que atacou violentamente os judeus, atrapalharia as relações diplomáticas e comerciais entre os dois países.

O texto de “El Mundo” é baseado em reportagem de ‘L’Ex­press”, que inspirou-se em extensa pesquisa da revista “Histoires Littéraires”, que teve acesso aos arquivos do Ministério do Exterior da Espanha. Em 1949, com a derrota da Alemanha e a vitória dos Aliados, aqueles que eram fascistas, como Céline, corriam risco de prisão e, mesmo, à pena de morte. O advogado do escritor, Jean-Louis Tixier, avaliando que o governo francês seria duro com o colaborador do regime nazista de Vichy, recomendou que escapasse para a Espanha, país dirigido por um político que tinha simpatia pelo nazi-fascismo. A punição seria severa. Céline, pressionado por sua mulher, Lucette, procurou as autoridades espanholas por intermédio de seu amigo Antonio Zuloaga, “antigo adido cultural da embaixada espanhola em Paris”. Franco concordou com o pleito, mas, sob pressão do então poderoso De Gaulle, recuou. “El Mundo” frisa que a história está documentada em “Le Rêve Espagnol de Céline — Documents Inédits”, apontado como “amplo estudo” de Jean-Paul Goujon, historiador e professor emérito da Universidade de Sevilla.


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POR EM 31/12/2012 ÀS 04:02 PM

As 10 fotografias brasileiras mais famosas de todos os tempos: a lista das listas

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Para se chegar ao resul­tado fiz uma compilação de exposições, reportagens, listas publicadas por sites especializados em fotografia, es­por­tes, cultura pop, política e história. O objetivo de minha pesquisa era identificar quais são as 10 fotografias brasileiras mais famosas de todos os tempos. Participaram do levantamento as publicações: “Uni­verso Online”, “Arquivo Pú­blico do Estado de São Paulo”, “Folha de S. Paulo”, “O Es­tado de S. Paulo”, revista “Placar” revista “Isto é”, revista “Veja”, “Jornal do Brasil”, “O Globo”, “World’s Famous Photos”, “Al Fotto”, “Images e Visions”.


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POR EM 31/12/2012 ÀS 03:09 PM

Bradaremos contra os hunos e seus obscuros festivais de cinema: ¡no pasarán!

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Retomo, tal como Sísifo, a minha tarefa de listar os melhores livros de 2012. Encerrei a parte anterior da lista com biografias e memórias; porém, mais que esses livros, é a leitura de cartas que verdadeiramente nos coloca no centro das vidas que nos interessam. Para os adeptos: “Toda a Saudade do Mundo”, correspondência entre Jorge Amado e Zélia Gattai; “Cyro & Drummond” (Globo), coletânea de cartas trocadas entre dois amigos de vida inteira, Carlos Drummond de Andrade e Cyro dos Anjos; e “Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda: Correspondência”, publicação conjunta da Companhia das Letras e da Edusp, que tem excelente estudo de Pedro Meira Monteiro sobre as cartas dos amigos paulistanos, ambos fundamentais para trazer ao século 20 o Brasil deitado eternamente em berço esplêndido.


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POR EM 28/12/2012 ÀS 10:53 PM

Lamentações de um crápula enquanto o dia não vem

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De vez em quando eu morro. As noites são quase todas assim: agitadas, pegajosas, mescladas com suor e desespero mesmo nos dias mais frios. Padeço dos piores pesadelos e eles se repetem. Os roteiros são parecidíssimos, cópias das cópias, mas não consigo me acostumar, muito menos, me afeiçoar a eles.

Sou duro feito diamante, mas eu sofro. Tenho cá minhas fraquezas. A morte me visita, de repente, travestida em nuances abjetas, detestáveis, escabrosas. Faca na barriga, veneno no cálice, ar injetado na veia, arame na traqueia, afogamento numa bacia sanitária, estilete na jugular, disparos nas têmporas à queima roupa, queimado vivo com querosene, linchamento com porretes.

Noite sim, noite não, eu morro. Eu e a foice, enfim, sós, para a minha mais completa miséria. Ressuscito aliviado assim que os primeiros raios de sol fincam o escuro do quarto. Sinto-me mais isolado e desolado que a cadela Baleia nos quintais de Graciliano Ramos em "Vidas Secas". Aliás, eu, assim como as folhas e os dias, estou secando a olhos vistos. Já perdi treze quilos, uns trezentos amigos e quase toda a parentalha. Se minha mãe não tivesse morrido de desgosto enquanto eu estava foragido e ocultado em Pasargada, seria a única a me adular, a oferecer o seu colo caquético para eu recostar a cabeça.


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POR EM 27/12/2012 ÀS 08:30 PM

A história desconhecida da mãe de Barack Obama

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Como o presidente dos Estados Unidos, o reeleito Barack Obama, está mais na moda do que nunca, vale a pena ler a biografia de sua mãe, Stanley Ann Dunham, “Uma Mulher Singular” (Record, 336 páginas, tradução de Mila Burns e Francisco Quinteiro). A antropóloga, mais do que o pai, foi a principal “formatadora” do homem Obama.

A mãe de Obama era uma contestadora, e não apenas na teoria. Tanto que uniu-se a um homem negro, africano — o que, nos Estados Unidos, é, ou era, uma pequena revolução.

O presidente democrata é um político do establishment — impérios liberais não elegem homens essencialmente de esquerda para dirigi-los —, mas, mesmo assim, é diferente do republicano Mitt Romney. Este é mais radical e um filho tardio da Guerra Fria. Muitos americanos o apoiaram acreditando que, com um presidente mais enérgico, o país poderia competir de forma mais dura, e benéfica para eles, com chineses e outros players mundiais.

Obama parece acreditar, como os alemães do pós-guerra (a Alemanha, sem guerra, domina praticamente toda a Europa, que se tornou, por assim dizer, seu espaço vital — exatamente aquilo que Adolf Hitler planejou, mas com violência), que a dominação mais consensual, por intermédio da economia, é menos desgastante.


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POR EM 26/12/2012 ÀS 10:29 PM

Drummond, Quintana, Cabral: diversidade no cânone

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O Drummond erótico do livro “O Amor Natural”, o Quintana malvado, longe do farisaísmo a que foi condenado na era da internet, o Cabral lírico de “A Escola das Facas”, desafiando a secura dos seus epígonos: estranhas porções da diversidade literária, opostas à percepção consagrada nas obras de grandes poetas.


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POR EM 24/12/2012 ÀS 01:09 PM

Existem realmente nenúfares, samovares e caravançarais?

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Para Laryssa Nogueira, com esperança de que os livros de viagem me (nos) consolem pelas viagens que não fizemos.

Continuo a minha famigerada — não no sentido rosiano — lista de melhores livros de 2012. Relendo o que escrevi na primeira parte, percebo que maltratei os exauridos leitores: mais de 5 mil páginas sobre a Segunda Guerra, calhamaços como “Ulysses” e os vários volumes de “A Comédia Humana”. Bem, é preciso um refrigério, até porque dezembro, e não abril, é o mais cruel dos meses, e portanto deve-se dar rédeas à imaginação para que se possa superá-lo incólume. O negócio é o seguinte: o camarada se cansa do ramerrão das vistas da planície da prosa em excesso e resolve espairecer. Apóio a estratégia, ou, como diz um amigo, adiro ao plano. Assim, como a Companhia das Letras publicou coletâneas de Rainer Maria Rilke, Adonis e Elizabeth Bishop, recomendo esses poetas para quem quiser tomar novos ares nos píncaros da poesia (ando lendo poesia goiana, daí o uso de “píncaros”), pois não é possível viver como um Esteves sem metafísica. Àquele que não gosta de poesia, apenas digo: precisas mudar de vida.


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POR EM 24/12/2012 ÀS 11:14 AM

A poesia completa de Marcel Proust

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Marcel Proust, autor do monumento “Em Busca do Tempo Perdido”, espécie de Louvre literário, foi também poeta de algum mérito, como mostra livro

Marcel Proust, o autor de “Em Busca do Tempo Perdido”, é universalmente conhecido. Mas sua faceta de duelista e poeta é menos conhecida. Em 1896, quando lançou seu primeiro livro, “Os Prazeres e os Dias” (Nova Fronteira, 260 páginas, tradução de Fernando Py), o crítico Jean Lorrain atacou, no “Le Journal”, com acidez: “Qualquer um, hoje, se considera escritor e vem incomodar a imprensa e a opinião púbica com sua pequena glória, a golpe de jantares, influências mundanas, pequenas intrigas de ventarolas. (...) Todos os esnobes querem ser autores. (...) ‘Os Prazeres e os Dias’, do sr. Marcel Proust: melancolias graves, frouxidões elegíacas, pequenos nadas de elegância e sutileza, ternuras vãs, flertes inanes em estilo precioso e pretensioso”. Possesso, Proust desafiou-o para um duelo. Lorrain aceitou e duelaram, em Paris, sob os olhares de uma plateia animada. Nenhum acertou os tiros e ficou por isto mesmo. Lorrain despontou para o anonimato — porque aquilo que apontava como “defeito” era “virtude” (como o estilo era praticamente desconhecido, soava estranho) — e Proust refinou a qualidade de sua literatura, que já aparecia em relances no livro criticado, e nos legou uma bíblia da sociedade francesa de seu tempo, “Em Busca do Tempo Perdido”.

Se o prosador é sobejamente conhecido, o poeta é, por assim dizer, assunto para iniciados. A faceta lírica de Proust, nota Manuel de la Fuente (jornal “ABC”, de 4 de novembro deste ano), é pouco conhecida. “Creio que os poemas de Proust são praticamente desconhecidos na França e na Espanha”, frisa o tradutor Santiago Santerbás. No Brasil, o professor Carlos Felipe Moisés traduziu, com precisão, oito poemas de Proust incrustados em “Os Prazeres e os Dias” e publicou um ensaio esplêndido, “Proust, um poeta fin-de-siècle”. Embora não se considerasse poeta, Proust publicou dezenas de poemas, que, lançados primeiramente na França, agora saem no livro “Poesía Completa” (pela editora espanhola Cátedra, 368 páginas), com tradução de Santiago R. Santerbás. 


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