revista bula
POR EM 30/01/2012 ÀS 09:45 PM

De leitores e leituras

publicado em

Já me declarei avesso à contingência de preestabelecer e repassar “programa de leitura” a cada ano que se inicia. Até me pergunto em que, a fundo, isso possa interessar e ser útil a algum leitor, leigo que seja ou letrado em matéria literária. Alguma concreta curiosidade ou real interesse quanto a isso? Quem, realmente, quer saber o que estamos lendo, ou se interessa pelo que vamos ler? E para quê quer saber? Servirá, porventura, a algum parâmetro ou nobre propósito? Constituirá, aqui e agora ou algures, alguma espécie de farol, sinal indicativo, vetor valorativo, substancial roteiro de leitura? 

Faço as perguntas, mas não dou respostas. Deem-nas, a nós, que recorremos a vós, hipotéticos leitores, doutores em letras ou meros curiosos, senão amantes verdadeiros da arte literária, que deixa de ser arte quanto equivocada e desastrosa, por conta de limitações autorais ou de parco talento. De mãos dadas a vaidade e a chatice de professar-se também escritor (“Eu também escrevo”), o diletantismo sem futuro, pífia e patética obra dos equivocados, iludidos na senda pedregosa da literatura. Deles há com insistentes pedidos de prefácio para obras chinfrins, ingênuas porquanto imaturas, quando não alienadas. E se, por isso mesmo, você até se condoer deles, se sentirá mal por algo que não vale a pena. Literatura não é por aí.   


leia mais...
POR EM 24/09/2011 ÀS 11:07 AM

Dá-lhes, Joyce!

publicado em

...E também lúdico, minha gente. Fruir o lúdico joyceano. É o mínimo que “Finnegans Wake” espera de nossa parca inteligência. Fruir (vide mestre Aurélio) é “estar na posse de”. Se você não toma posse do texto, nada possui ou extrai dele; deixa, então, que o texto lhe possua. Esteja possuído, e já se dê por satisfeito. “Tirar de uma coisa todo o proveito, todas as vantagens possíveis, e, sobretudo, perceber os frutos e rendimentos dela”, prossegue mestre Aurélio, arremetando que fruir é desfrutar. Desfrute, ó falso leitor — “hypocrite lecteur”, diria Baudelaire. 

Ousaria eu até dizer que, “a priori”, não se trata tanto de entender o quebra-cabeça, mas de fruir e deixar-se fluir com o “riocorrente” de Joyce. Girar com esta obra circular e infinita, feito o fluxo de um oito; vertiginosa e contorcida tal uma montanha-russa num parque de diversões. Trata-se, entre outras e tantas peripécias, de uma liberta e libertina linguagem, libertinagem linguística. É mesmo um labiríntico desafio, quebrando tabus, tradicionais convenções de narrativa. O peralta irlandês nos armou uma direitinho. Até (se bem me lembro), desafiando a sapiência crítica, deu prazo de trezentos anos para que “Finnegans Wake” seja entendido. Se bem que, vamos e venhamos, a coisa não seja bem assim. Talvez Joyce não seja para qualquer um. Eh, não se encrespem, estou brincando, dentro do espírito de que “Finnegans Wake” é, por acréscimo, uma folia, um brinquedo linguístico (literatura é, também, um brinquedo). Livro lúdico, lírico, telúrico, mítico, ôntico, poliédrico, polissêmico, polifônico, é um florilégio literário, e um sortilégio, no sentido de sedução e fascínio por artifícios do intelecto, no reino febril da criação com ideias e palavras. Um jorro de figurações e fulgurações, cristais e vidrilhos, fantasias, filigranas, epifanias, mitologias, história, lendas, ficções e realidades múltiplas. Um artefato mental de Joyce, estilhaçando o trivial da literatura. 


leia mais...
POR EM 17/01/2011 ÀS 03:49 PM

Do que não escapam os poetas

publicado em

Sumário de IncertezasPor certo que se encontra poesia nos poemas do livro de estreia de Lauro Marques, um “Sumário de incertezas” (Rio de Janeiro, Confraria do Vento, 2010) e do que, inserto, subjaz num minério de certeza: poesia ela mesma. Inserida uma linguagem algo derrisória, do cotidiano carcomido, da decomposição dos dias no tempo de todas as coisas. Do que não escapam os poetas, do que não se isenta o eu-lírico. As perdas do ser ao que se lhe dá e o que se lhe há de advir e nem carece advinhar: de certas incertezas, o certo devir: um respiro de vida ainda, a morrer, a vida, por estar viva. As palavras como símbolos ou larvas semoventes de constatações e dissolução nas entrelinhas do branco abissal que a tudo perpassa, a sensação da inutilidade de tudo, o imperioso nada que paira sobre tudo que se move, o pesponto de tudo num ponto fixo da inércia. Ou isso ou nada disso ou também isso. Canhestras elucubrações em torno do texto de Lauro Marques. Um jogo de linguagem. Um diálogo. Contíguo, análogo. Semiologia do ser. Ou fosse de um palimpsesto o pretexto para outro texto, feito casca de árvore seca, ou escama de peixe. 

Senão que de tudo isso o certo das incertezas. Complexo contexto. O que é um verso senão o avesso às avessas do concreto? Será o ser, em canto de desencanto, um concerto sem conserto? Entenda-se e durma-se com um barulho desses, de versos e controvérsias. Se jogue e jogue-se com os signos. “Sumário de incertezas” catapulta-se em dois saltos: por primeiro, a “Balada para um morto”, epigrafada por Jorge Luis Borges (“Devemos entrar na morte como quem entra numa festa”) e Álvaro de Campos (“Quero ir para a morte como para uma festa ao crepúsculo”). O primo livro do semiólogo poeta Lauro Marques é quase um opúsculo, 64 páginas e um canto de lusco-fusco. E o segundo salto, no que tem de elástico, tem de minimalístico, sumariando incertezas minúsculas, todavia coesas na dimensão do que, provisório, é presa do derrisório. Uma parte em que o que vale a pena é a arte, e se não é arte, pena e peca pelo paradoxo do seu oposto. Na arte de um verso, o suporte de alguma vida. Ainda. 


leia mais...
POR EM 19/11/2010 ÀS 07:44 PM

Na margem esquerda do rio, longe dos holofotes

publicado em

Dilma Rousseff Agora que as águas turvas e turbulentas de um pleito passaram debaixo da ponte, esperamos que os abomináveis atos de corrupção dentro dos poderes constituídos (atos que não são de hoje nem de ontem, mas de anteontem e de sempre, lá atrás) não ocorram nos escalões de dona Dilma. Nela, doravante, de uma forma ou de outra, depositam-se esperanças brasileiras, metade delas nada entusiasmada com o estado de coisas da República, tampouco com vocação para libélulas deslumbradas diante das estrelas do Cruzeiro do Sul.  

Eu vinha dizendo não ter nada, a fundo, contra Dilma candidata, que trazia e, eleita, traz história e bagagem de dolorosa luta. Indignado andei foi com o andar da carruagem presidencial em face de atos corruptos e partidários, quando o que se tinha a fazer não era pegar desvios ou vir com rodeios, mas, sim, jogar duro com os culpados, doesse a quem doesse, quando já se previa e doía (ainda dói) em nós brasileiros uma atmosfera de impunidade. Punir não é só afastar do cargo, com jeitinho, e dar tempo ao tempo para a poeira baixar, e com ela o esquecimento (ou inércia) do povo. Punir é realmente fazer justiça. Alguns que deveriam estar presos, estão livres, transitando pelos bastidores e, sorrateiros, voltando à vida pública e sorrindo cinicamente. 


leia mais...
POR EM 12/11/2010 ÀS 07:05 PM

O mar e os lobos do mar

publicado em

De sol e nuvens, um céu de ouro e sangue, o arrebol do entardecer. Os pios melancólicos, de solitárias gaivotas, sobrevondo as carcaças dos barcos. Parecem dizer que o tempo a tudo trespassa, e tudo se esgota. Parecem gritos de alerta, que o dia cessa e se aproxima a hora escura. Parecem avisar que ali vêm as sombras a cobrir o mundo e fechar as portas. Parecem deduzir que vão cerrar-se as cortinas dos quartos, que vem a noite por cima estender-se e cobrir a nudez dos corpos. Parecem gritar que a hora é essa, que a vida é só essa, não há outra. Parece que a vida vai sair pela porta dos fundos, o coração a saltar pela boca. Gritam as gaivotas, e serão outras ao amanhecer, com o mar a derramar-se de peixes mortos. Na manhã do mar profundo, com as mortes do mundo. 

Rostos na penumbra 

Curtidos pelo sol e o sal, escondidos na penumbra de âmbar dos copos de rum, os velhos estão lá, nos fundos tristonhos do BARco. Olhando o vazio através da névoa que lhes turva o olhar, deles há que lacrimejam e não se pejam de chorar. Estão lá, os lobos do mar, como se esquecidos. À margem da vida de  aventuras e de outrora, arrebóis de auroras, azuis os olhos do céu. Cinzento, agora, o tempo que se foi, envolto em véus. A desoras, à luz do lampião — mais ao fundo e mais sombrio, onde finda o estabelecimento —, apenas um encontra-se lá, com o copo vazio de seus dias, seu vidro de solidão. Soturno pescador, memória e melancolia, noturno seria o seu cantar — não fosse a sonolência do silêncio —, até um novo dia raiar e, redivivo, do oblívio, o homem se erguer. 


leia mais...
POR EM 12/10/2010 ÀS 03:04 PM

Toma vergonha na cara, eleitor!

publicado em

Há algum tempo já não morro de amores por ideologias políticas, nem por siglas partidárias de gregos ou gregórios. Aos quase setenta anos de vida, quase todo esse tempo acompanhei políticos e testemunhei-lhes os atos execráveis, decepcionantes. Ando cético com políticos, e se há uma coisa que não tolero por conta de quem quer que seja e que esteja no poder, é corrupção grassando grossa, até dentro do próprio poder, e governo dando uma de cínico pra cima do povo, como se lidando com idiotas — o que, aliás, anda sobrando por aí, desgraçadamente.
         
Imperam o cinismo e a hipocrisia neste país, uns e outros se ajudando, se protegendo e, assim, vigorando a vergonhosa impunidade. Em certos casos, até a venda, que já é um trapo sobre os olhos da “cega” justiça, deveria ser retirada. Uma justiça às vezes cega por conveniências, a mando de quem manda mais. (E os médicos hipócritas, o que fizeram com o Juramento de Hipócrates, de compromisso com a vida?). Mas nem por isso deixo de votar, então tento acertar votando em pessoas que me pareçam íntegras e dignas. “Acertar” é o termo, já que transformaram tudo num jogo, então ainda arrisco uma “fezinha” na loteria da ética com a coisa pública, da justiça social e da boa política, limpa, transparente, confiável. Já vi muita coisa desabonadora de políticos, e aqui a minha descrença quanto a esquerda e direita. De ambos os lados, se o diabo não é tão feio quanto se pinta, é feio assim mesmo, de um lado e de outro. Regra geral, a cara de um e o focinho de outro, salvo as raras exceções da regra, pois, se a humanidade perdeu a qualidade, ainda existem pessoas especiais. Não há nada mais sujo e podre e malcheiroso do que a história do homem, grandezas à parte.         


leia mais...
POR EM 03/08/2010 ÀS 10:13 AM

A casa em reformas

publicado em

O sofrimento que nos traz a construção ou reforma de uma casa, haja vista quanta gente sofrida e calejada no assunto. Os pedreiros de hoje, os tidos e havidos como bons, eles “se acham”, nós é que não os achamos facilmente, quando precisamos deles. E custam os olhos da cara. Pensam que o pobre dono da casa — quando é o caso de um pobre — está montado no dinheiro, daí enfiam a faca, sem piedade. A mão-de-obra, por vezes, é exorbitante, e não que desvalorizemos o pesado trabalho deles, mas por conta do exagero no valor que nos cobram, sem falar no que ainda gastamos com materiais de construção.

Por certo que um pouco nos reformamos com a casa, como um reflexo dela, por sua vez refletida em nós. Um no outro espelhados. É bom de se ouvir quando alguém diz que a casa está “um brinco”, ou que as panelas brilham como espelho. Imagine-se o sorriso do alumínio. E confira-se a felicidade então estampada no rosto luminoso da dona de casa. Sim, bem pode que a felicidade, de forma simples, habite uma casa com os seus brincos. A casa se ilumina, bem assim o rosto de sua dona.

Coloquei toda a minha aposentadoria numa reforma geral — de há muito adiada por falta de recursos — e algumas ampliações em minha casa. Minha abnegada Maria no comando de tudo e até dando uma de arquiteta — tem o seu tino, a menina! —, e o dinheiro ó, e o dinheiro ó, e o dinheiro ó, só voando feito passarinho, coitado de mim, que me acoito nas entrelinhas e só entendo de letras, as literárias, e não letras de câmbio.


leia mais...
POR EM 28/05/2010 ÀS 06:56 PM

Onde mora o perigo

publicado em

Nascidos para ComprarA norte-americana Juliet B. Schor, professora de Sociologia na Faculdade de Boston e também formada em Economia, publicou “Nascidos para Comprar – Uma leitura essencial para orientarmos nossas crianças na era do consumismo”, com enfoque na questão da publicidade, do consumismo e seus efeitos sobre as crianças e os jovens. Com o selo da Editora Gente (São Paulo), a edição brasileira da obra, traduzida por Eloisa Helena de Souza Cabral, amplia sua pertinência com a apresentação de Claudio de Moura Castro, autor especialista em educação e colunista da revista “Veja”, e prefácio de Mara Luquet, autora e comentarista da rádio CBN (Central Brasileira de Notícias). 

A obra de Juliet Schor realiza análise de como a propaganda e o marketing infantil da atualidade influenciam as crianças, utilizando estratégicas nem sempre transparentes para convencê-las de que os produtos são necessários à sua sobrevivência social. Ao chamar atenção para os efeitos negativos da publicidade sobre crianças e adolescentes, a autora aponta que a propaganda vende não só o produto, mas também a imagem que as crianças fazem de si mesmas e de como se sentem ao consumi-lo. O livro é de leitura sugestiva a quem se preocupe com a construção de uma sociedade que venha a ser fruto da saúde mental e emocional e do poder de consumo das crianças atuais. “Nascidos para Comprar” (344 páginas, R$ 59,90) denuncia o prolongamento de um marketing competente e agressivo para a infância e a juventude norte-americana — vale para o mundo todo —, ao mesmo tempo em que disseca a lógica da propaganda, buscando conclusões a partir de duas pesquisas primárias: uma investigação qualitativa sobre anúncios e comerciais para crianças e uma avaliação do impacto da cultura do consumo nas crianças, com reflexos em sentimentos como depressão, auto-estima, ansiedade e qualidade da relação com os pais.


leia mais...
POR EM 12/02/2010 ÀS 01:43 PM

O arroto e a flatulência no aquecimento global (Final)

publicado em

Com as denúncias sobre a grande fraude, haverá mesmo, nessa pendenga do aquecimento, algo de podre para além do reino da Dinamarca, só que num sentido oposto ao que se pensa ou antes se pensava? Para o leigo, perdido na Torre de Babel, a coisa vai ficando meio confusa, brumosa, como se fosse uma cortina de fumaça — intencional, alguma “jogada” para confundir a opinião pública? —, e vai daí que ele fica por aqui feito um capiau —  sem conotação pejorativa, mas no sentido de gente simples — cujo rio secou; o capiau agora sem a vara de pescar, pois já não há peixe nenhum. Tem água em que não se fisga sequer um girino, embrião de sapo, quanto mais um lambarizinho. Eu mesmo, que lambari logro pescar aqui com estas elucubrações sobre flatulência e aquecimento global? Se muito do que se diz de importante para a humanidade entra por um ouvido e sai pelo outro, fica-se o dito por não-dito; e por onde será, então, que ele se enfia? Deixe-me ver se advinho...

Enquasnto isso, reflita-se sobre as palavras de Adolfo Pérez Esquivel, ativista político e Nobel da Paz argentino, que defende a tipificação dos crimes ambientais como ofensas contra a humanidade, e que estes sejam julgados na Corte de Haia. “Todos os que, de alguma forma, ameaçam a vida dos bilhões de habitantes da terra, precisam ser punidos”, ressalta Esquivel. Tipificação dos crimes? Se, por outro lado, aqui no Brasil, tipificarem a corrupção como crime hediondo, conforme se propõe para este ano, já estará de bom tamanho, penhoradamente agradeceremos, pois certamente teremos um país mais arejado para respirar, menos poluído pelo rombos ou roubos praticados pelos descarados políticos, com alguma ajuda da incompreensível e absurda justiça brasileira.


leia mais...
POR EM 08/02/2010 ÀS 05:24 PM

O arroto e a flatulência no aquecimento global

publicado em

Que negócio é esse — vinha-me perguntando — de sempre responsabilizar apenas ao boi pela emissão de gás metano (CH4), via arroto e flatulência — pois é, o peido —, no seu processo de ruminação? Humana curiosidade. De passagem, dando-se asas à imaginação desocupada, e posto que o gás metano é um tremendo explosivo, vislumbre-se uma flatulência global, coletiva e simultânea, e aí no meio alguém que, inadvertidamente, acenda um isqueiro para o seu cigarro. Bummm! Lá se vai a humanidade, com o estrondo de uma explosão nuclear, com o impacto e o gigantesco cogumelo da bomba atômica detonada no deserto de bélicas experiências. A bomba cômica que seria — o grande peido —, não fosse trágica. Eleve-se isso ao quadrado e teremos a bomba cósmica. 

Dirão que essa idéia flatulenta aqui soa como coisa de gente desocupada, que não se leva a sério, nem por isso virem dizer que temos titica na cabeça, embora concordes em que a mente desocupada é oficina do diabo, contudo sabendo que muitas mentes “seriamente” ocupadas se ocupam do próprio diabo, pois então se ocupam do mal. Se os homens realmente se levassem a sério, o mundo não seria o que é. Mas imagine-se a cena, só para se ter uma idéia da coisa: a flatulência coletiva, momentaneamente concentrada, um palito de fósforo e a espetacular explosão que se segue — similar ao big-bang de cósmica nebulosa —, e ali o fuliginoso e sulfuroso cogumelo da humana fedentina. Donde se deduz que o homem — esse boneco inflado, cheio de poses —, é mesmo um saco de ossos e tripas. Uma coisa cheia de vento, ou de gases, como queiram. 


leia mais...
 1 2 3 4 5 >  Último ›
É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2019 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — seutexto@uol.com.br
wilder morais
renovatio