revista bula
POR EM 18/01/2010 ÀS 08:59 PM

Les Chansons D'amour

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Les chansons d'amourO sucesso de “Moulin Rouge!” (2001) retomou o interesse do público para os musicais. Durante toda a década passada, Hollywood desfilou incursões ao gênero, como os bem-sucedidos “Chicago” (2002), “Dreamgirls” (2006) e “Hairspray” (2007). Mas foi o francês Christophe Honoré quem conseguiu enxergar novas possibilidades estéticas e narrativas utilizando-se desse estilo, consagrado desde a época de ouro do cinema hollywoodiano. Autor — substantivo utilizado aqui com propriedades de adjetivo — de “Canções de Amor” (Les chansons d'amour, 2007), o cineasta construiu um exercício fílmico que passa longe dos muros quase sempre convencionais da grande indústria americana. 

A diferença mais notável é a utilização da música como recurso absolutamente inserido na mise-en-scène proposta desde a sequência de abertura, alternando o registro quase documental de cenários parisienses com a postura exagerada e pungente dos personagens. A parte musical não é um corpo estranho ao filme — é um instrumento narrativo com a mesma importância conferida às outras ferramentas dramáticas. Honoré consegue utilizar a música tanto para as discussõezinhas rotineiras quanto para questionamentos mais profundos acerca do amor e da vida. 


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POR EM 15/01/2010 ÀS 11:03 AM

A supremacia Holmes

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Poôster Sherlock Holmes Montagem ligeira, cenas de ação com inúmeros acontecimentos simultâneos, trilha sonora em consonância com momentos alternados de humor e tensão. Essas são as primeiras impressões transmitidas pelo cineasta Guy Ritchie em sua esperada versão para as telonas do famoso personagem Sherlock Holmes, criado por Arthur Conan Doyle em 1887. Interpretado por um desbocado Robert Downey Jr., Sherlock Holmes faz jus aos novos tempos e se aventura contra a paranoia coletiva desencadeada por uma seita de lunáticos. Sempre acompanhado do parceiro John Watson (o galã Jude Law em papel inusitado), o detetive combate vilões gananciosos com mania de dominação como se tivesse sido treinado na mesma agência de espionagem de Jason Bourne, apesar de caminhar pelas ruas da sombria e desajeitada Londres do século 19. A agilidade e as artimanhas do velho fazem inveja a qualquer Ethan Hunt e James Bond de nosso tempo. 

"Sherlock Holmes" é um filme construído em cima da importância dos detalhes e dos contrastes. A personalidade do herói principal é fascinante: ele vai do tipo mais beberrão para o investigador centrado e prestativo, de acordo com as exigências da ocasião. Atento aos mínimos detalhes (matéria-prima de seu trabalho, de acordo com o próprio), Sherlock é um preciso investigador de imagens — sem necessitar de ferramentas como zoom ou cenas congeladas. Nada escapa ao alcance de seus olhos. Exatamente por isso, Ritchie consegue obter bons resultados do uso de foco subjetivo, da câmera lenta e da repetição de imagens — recursos justificados pelo talento afinado de seu protagonista. 


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POR EM 23/12/2009 ÀS 04:04 PM

Avatar: dança com pixels

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Poster do filme AvatarCriar muitas expectativas em torno de um filme por causa da obra pregressa de seu diretor ou dos números grandiloquentes que envolvem orçamento e campanha de divulgação é sempre uma aposta incerta. "Avatar " é um caso neutro: se o resultado final não justifica todo o burburinho provocado nos meses que antecederam seu lançamento, passa longe de ser um fiasco ou uma decepção histórica. O primeiro longa dirigido por James Cameron após o sucesso duvidoso de "Titanic "(1997) cumpre seu objetivo principal: tornar-se um marco para a aplicação de efeitos digitais no cinema, ainda que propiciado por um argumento já batido e por personagens infinitamente menos carismáticos que o Exterminador ou os Aliens dos filmes anteriores do cineasta. 

As qualidades que transformaram James Cameron em referência para filmes de ficção científica e ação são percebidas já nos primeiros minutos de projeção de "Avatar". A história é apresentada sem rodeios. Planos abertos mostram a grandeza do universo pensado para o filme: o mundo de Pandora é um deleite visual que servirá de palco para os conflitos entre seres humanos, e entre seres humanos e alienígenas. Cobiça, dúvidas existenciais e hostilidade permeiam o ambiente militar, que lembra os melhores momentos de "Aliens, o Resgate" (1986). Como em muitos longas do diretor, há personagens que se movimentam entre o bem e o mal e há aqueles que permanecem convictos em algum desses lados. Jake Sully (Sam Worthington) é um ex-fuzileiro naval que precisa conviver com a cadeira de rodas e com as comparações frequentes com o irmão gêmeo, uma das mentes por trás do programa Avatar. Enquanto Jake se destacava por sua força física e postura em combate, o irmão era o gênio que experimentaria a conexão com um corpo Na'vi, a espécie humanóide de Pandora. Após a morte do cientista, os acionistas do programa decidem aproveitar a compatibilidade do código genético de Jake e o remanejam para as testes com o avatar.


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POR EM 15/12/2009 ÀS 03:24 PM

500 dias reembolsados

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500 Days of SummerUm dos aspectos realmente democráticos do mundo contemporâneo é a possibilidade de compartilharmos interesses distintos. É claro que ainda há a cobrança da tia do interior (“Quando vai se casar?”) ou do amigo da faculdade que você reencontra décadas depois (“E aí, subiu na vida?”), mas é fato que podemos trilhar o caminho da segurança financeira e emocional e usufruir as vantagens de não dever nada a ninguém. “500 Dias com Ela” (“500 Days of Summer”, 2009) começa expondo as consequências dessa liberdade na vida das pessoas. As escolhas implicam em experiências e aprendizados, e nem sempre sabemos lidar com isso de uma maneira menos adversa. 

Um split screen retrata duas infâncias bastante diferentes. Enquanto o garoto Tom cresce idealizando o amor romântico e imaginando o momento em que conheceria sua alma gêmea, aquela pessoa que o completaria e o entenderia de todas as formas, Summer demonstra vocação para a independência sentimental e vontade de acumular relacionamentos sem muito compromisso. É essa dualidade que permeia todo o filme. Mesmo quando a tela não está notoriamente dividida, percebemos as sutilezas de personalidades díspares que, formando um par tão improvável, subsidiam todo o conflito que será apresentado. 


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POR EM 27/11/2009 ÀS 11:04 PM

A paranoia dos outros

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Das Leben der Anderen“A Vida dos Outros” (“Das Leben der Anderen”, 2006) é um filme erguido a partir da desconstrução de visões do mundo. Neste drama ambientado na Berlim Oriental em meados dos anos 1980, ocorre a tomada de consciência em Wiesler (Ulrich Mühe), propiciada pela observação. Assim como muitos outros filmes algo metalinguísticos – já que observação é a essência do cinema –, este de Florian Henckel von Donnersmarck se baseia na transformação provocada nas atitudes de um indivíduo que se liberta da alienação após se dedicar ao voyeurismo. 

Retrato de uma época de evidente paranoia, o filme acompanha a saga de Wiesler, agente da Stasi, polícia secreta da República Democrática Alemã (RDA). Altamente comprometido com os preceitos do Estado que representa, ele é encarregado de vigiar o escritor Georg Dreyman (Sebastian Koch), intelectual aparentemente satisfeito com os rumos tomados pelo governo comunista. O contato com Dreyman, mesmo à distância, desperta em Wiesler outra noção do contexto em que está inserido. O espião, acostumado a privar a liberdade alheia em nome de uma fé cega no regime socialista, passa a perceber que ele também não é livre, tampouco consegue impor à sua vida os verdadeiros anseios de sua personalidade. 


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POR EM 24/11/2009 ÀS 09:23 PM

Juventude Transviada

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Juventude TransviadaA sequência inicial de “Juventude Transviada” (Rebel Without a Cause, 1955) é emblemática. Jim Stark (James Dean) trata carinhosamente um boneco, acolhendo-o com cuidado paternal. Ébrio, ele protege o brinquedo da mesma forma com que gostaria de ser recebido naquele momento. Trata-se de uma nítida referência ao estado de desamparo por que passa o personagem. Ao longo do filme, o diretor Nicholas Ray constrói uma sensível história que reflete as angústias e os sentimentos vividos pelos jovens da metade do século XX.

Ambientadas numa delegacia, as cenas que se seguem à apresentação de Jim Stark são uma obra-prima à parte, e explicam o espírito do cinema clássico norte-americano. Ray exerce aqui o papel de um investigador histórico, absolutamente eficaz ao solidificar o contexto cultural que pretende captar, interpretar e devolver para o espectador. Recostados em cantos distintos do cenário, os três personagens principais são a demonstração legítima da identidade daquela geração perdida.

Filhos da paranóia surgida com a Guerra Fria, criados por pais distantes que tentam compensar a ausência com presentes e mimos, Jim Stark, Judy (Natalie Wood) e Plato (Sal Mineo) fazem parte de uma juventude relegada pelo mundo dos adultos, e que acaba recorrendo à aceitação coletiva e se fechando em grupos de interesses e afinidades em comum. Na delegacia, Jim imita uma sirene, pelo simples prazer de incomodar os que ignoram seu inconformismo. Judy se sente preterida pelo pai, que reprova seu comportamento extravagante e suas companhias mais próximas. O garoto Plato, por sua vez, desconta em atitudes violentas e ressentimentos agressivos a frustração pelo abandono dos pais. Os três querem fugir de casa e perambular por aí, sem rumo e sem prestar conta das coisas. Eles não precisam de sanduíches de pasta de amendoim ou de bicicletas novas. Querem apenas um pouco de compreensão. No fundo, são indefesos e carentes.    


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POR EM 17/11/2009 ÀS 10:51 AM

Desejo e Reparação: o martírio embelezado

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AtonementA culpa pode ser o sentimento mais intenso de toda uma vida. Cultivar indefinidamente o remorso não só impede o contato com outras sensações, como provoca um comportamento soturno e introspectivo. Entre a parte ofendida e o agressor, cria-se um vício incurável: pelo menos uma dose diária de rancor e mágoa. Esse poderia ser o prefácio de "Desejo e Reparação" (Atonement, 2007), filme de Joe Wright. Briony Tallis resumiria assim sua história. 

O calor típico de um verão inglês no entre-guerras é o ponto de partida. Com extrema eficácia, o diretor Wright nos apresenta seus personagens centrais e traça o perfil da menina cujas escolhas resultarão no afastamento e no surgimento da culpa. Briony (vivida por Saoirse Ronan, Romola Garai e Vanessa Redgrave em três fases distintas) é uma garota com gestos absolutamente adultos, demonstrando uma convicção que a qualifica como alguém incapaz de admitir estar errada. Ela acredita ter o controle sobre as pessoas ao redor do mesmo modo como decide o destino dos personagens das peças teatrais que escreve. É uma observadora que adora ter a atenção para si. Briony é, perigosamente, uma voyeur precipitada. Tira conclusões a partir de ângulos limitados (a janela fechada e distante; a luz fraca da lanterna passeando na escuridão).

 Esse comportamento é a gênese do prejuízo que será causado pela menina. Uma denúncia feita apressadamente e com uma convicção notadamente infantil é a origem do ressentimento entre Briony e sua irmã, Cecilia Tallis (Keira Knightley). Entediada na mansão localizada no interior da Inglaterra, Cecilia vive um forte conflito amoroso ao se apaixonar pelo criado da família, Robbie (James McAvoy). Contudo, a discrepância social e econômica não será o grande desafio para a consolidação do relacionamento dos dois. Briony aponta Robbie como o culpado pelo abuso sexual praticado contra uma prima e aumenta ainda mais os impedimentos que distanciam o casal. 


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POR EM 09/10/2009 ÀS 02:15 PM

Febre de juventude

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Universitários fritos têm muito a dizer. “Apenas o Fim”, roteiro e direção de Matheus Souza, comprova a aptidão dos jovens para a inventividade e a capacidade de encontrar soluções simples. Primeiro filme do estudante de 20 anos, feito com a ajuda de amigos do curso de cinema da PUC-Rio, o longa se estrutura basicamente no diálogo entre dois namorados em vias de separação. Ela vai abandonar a vida no Rio de Janeiro e partir para algum lugar secreto. Ele teve de abrir mão de uma prova da faculdade para desfrutar a última hora com sua garota. O cenário é um só: o câmpus da universidade. 

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POR EM 26/09/2009 ÀS 09:46 AM

Dê balões à sua imaginação

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Animação convoca espectador à reflexão sobre o ato de seguir em frente

“Up – Altas Aventuras”, novo Disney/Pixar, começa com uma interessante premissa metalinguística: o cinema povoa o imaginário infantil e cria ídolos para toda a vida. No entanto, o que se descobrirá, no decorrer do belo filme, é que muitas vezes o que a telona mostra é resultado de maquiagem e truques de edição, capazes de disfarçar a insanidade dos tais heróis.

A animação é sobre a superação de um passado ainda muito presente pela força das memórias afetivas. Carl Fredricksen, numa dublagem inesquecível de Chico Anysio na versão brasileira, é um velhinho rabugento e simultaneamente simpático, que perde o grande amor de sua vida, Ellie. O casal viveu décadas de felicidade sustentada por um pacto feito ainda na infância: partir em busca de um paraíso perdido na América do Sul. Viúvo, Carl mora em uma singela casa de campo encravada em meio ao caos de uma grande metrópole. A imagem de sua pequena residência incrustada no coração de uma cidade em expansão é também o retrato dos velhos tempos que insistem em ficar. E não só o passado: o sonho também persiste.

A partir daí, a animação mostrará a aceitação, gradual, de sua nova realidade. Ele não só não poderá mais viver suas aventuras ao lado de Ellie, como terá que escolher entre ficar preso aos objetos e sentimentos das décadas anteriores ou aproveitar a oportunidade de partir em busca de novas conquistas. Entenda, “Up – Altas Aventuras” não pretende dizer ao espectador que é preciso desconsiderar sua história de vida, mas é uma mensagem bem direta àqueles que parecem não ter vontade de seguir em frente, de escrever novas páginas de seus livros de aventuras.

Em sua saga na incrível casa voadora levada por balões multicoloridos, Carl encontrará a companhia de personagens impagáveis como só a Disney/Pixar sabe criar. E cada um terá seu papel nas mudanças vivenciadas pelo velhinho. Russell, o pequeno escoteiro que por acidente embarca na nave-residência, irá preencher a lacuna deixada pela impossibilidade de Carl e Ellie terem filhos. É aí que o filme comove na abordagem sobre a terceira idade. Nunca é tarde demais para desenvolver outras relações, ganhar novos amigos e se aventurar pelas cachoeiras perdidas da América do Sul. Diante de todas essas lições, o espectador dá um desconto para a inverossimilhança que predomina durante toda a projeção, para se deixar levar por essa belíssima fábula sobre a superação e a redescoberta de si mesmo.

Os outros personagens também provocam acessos de risos e gargalhadas na plateia. Um enorme pássaro colorido e um cãozinho falante, dissidente de um exército de caninos obesos e malvados, irão completar a trupe de desbravadores, que terá pela frente grandes desafios. O maior deles é outro enfrentamento ao passado de Carl, relacionado à ideia que deu início ao texto. Fredricksen irá se decepcionar quando descobrir que o herói de sua infância é, na verdade, um psicopata histérico que escraviza cachorros e é obcecado em capturar o pássaro exótico.

“Up – Altas Aventuras” é, como toda animação dos estúdios de Walt Disney, um convite, a crianças e adultos, para a reflexão sobre a vida e nossas decisões. As promessas antigas parecem não fazer o mesmo sentido diante de uma sequência incrível de novos acontecimentos, ainda que se conserve o apelo afetivo às experiências já vividas. Pode-se dizer que o filme é, nesse quesito, um forte discurso em prol da valorização dos idosos. Mesmo que faça sacadas engraçadas em torno de elementos como a dentadura ou o andador, a animação é sempre sobre escrever o próximo capítulo, superar-se constantemente no minuto seguinte. Tudo isso marcado pela delicadeza ao tratar de temas como as relações familiares, a separação e a morte. Não se assuste se casas voadoras erguidas por balões de gás hélio atravessando o céu da cidade passarem a ser coisa comum daqui pra frente.

 


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POR EM 19/09/2009 ÀS 08:52 AM

Sem notícias de uma guerra particular

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“Entre os Muros da Escola” não aponta soluções e se distancia de outros filmes ambientados em salas de aula

A escola é o retrato de uma juventude à deriva, sem orgulho ou anseios. É assim que “Entre os Muros da Escola” (“Entre Les Murs”, 2008) apresenta seu objeto de estudo. O costumeiro embate entre professores e alunos toma proporções que nenhuma teoria conseguiu prever. Os estudantes se enxergam auto-suficientes. Os professores estão preocupados com o aumento do preço do cafezinho. Nesse cenário sem perspectivas, alguns personagens travam uma verdadeira guerra particular pela manutenção da educação como valor primordial da sociedade.

François Marin (François Bégaudeau, autor do livro que inspira o filme) é o protagonista do longa francês, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2008. Ele é daqueles professores que insistem na educação, mesmo encontrando pela frente uma problemática classe composta pela escória da população francesa: imigrantes chineses e árabes, negros e pobres. Alunos difíceis não são novidade no cinema. Filmes como “Sociedade dos Poetas Mortos” (Peter Weir, 1989) ou “Mentes Perigosas” (John N. Smith, 1995) mostraram seus professores como agentes transformadores capazes de contornar a apatia ou a rebeldia dos estudantes. O aspecto documental de “Entre os Muros da Escola” não permite soluções assim tão romanceadas.

O filme de Laurent Cantet questiona o compromisso dos professores com a missão de educar. E joga muitas dúvidas aí. Quanto um professor consegue suportar, diante da impossibilidade de cumprir plenamente sua proposta pedagógica? Até que ponto ele pode comprometer sua estabilidade emocional em prol da tentativa de educar uma classe visivelmente desestimulada? Desabafos de docentes na hora do intervalo confirmam o nível de tensão em relação ao fracasso e à frustração. A cena é dividida: professores que já desistiram de modificar esse ambiente e professores que persistem no diálogo e no ideal de formação de cidadãos capazes de enfrentar o mundo exterior.

O preço do cafezinho se mistura ao debate sobre a punição dos mal comportados, e o champanhe acompanha a conversa sobre a deportação da família de um dos alunos. Constata-se que manter uma certa distância dos problemas dos estudantes pode significar a preservação da sanidade mental dos professores. É uma guerra marcada pela pressão ora camuflada ora escancarada, e pela cordialidade no momento de ignorar ou disfarçar algumas situações delicadas.

Longe de caminhar para um desfecho forçado, “Entre os muros da escola” parece não tomar partido. Também registra o lado dos alunos, permeando de incertezas a verdadeira origem do problema. São crianças provavelmente acostumadas ao silêncio da família, ao descaso dos adultos no corre-corre cotidiano, à falta de respostas para as dúvidas da juventude. Elas ainda não sabem que podem ser ouvidas, que precisam extravasar suas solidões. Os professores são vistos com desconfiança: “Você só está interessado nisso porque é o seu trabalho”.

Consolida-se então um ciclo problemático. Somente os alunos sensibilizados a tempo conseguirão romper com a viciosa condenação à pobreza intelectual e social. Estamos diante de uma guerra pouco noticiada, que só explode na mídia e na boca do povo quando resulta em outro tipo de massacre.
 


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