revista bula
POR EM 02/01/2010 ÀS 02:55 PM

A verdade é que sou um mentiroso

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Boris CasoySom, teste, som, teste: “do alto de suas vassouras, dois lixeiros... os mais baixos na escala do trabalho”. O que é que vaza aqui? Som, teste, um, dois, teste. Experiência. Teste. Um, dois, três. Testando. É a minha inteligência posta prova? Teste. Um. Dois. Não é minha inteligência posta prova. Não é minha integridade posta a prova. Não sou gari. Não tenho tanta dignidade... Ah, se eu fosse gari era greve! Queria ver esse sujeito varrer o chão que ele pisa com essa língua de cobra. Mas por que me dói então? Por que não fico indiferente? É fim de ano. Dei meus abraços. Desejei sorte a paz pra todo mundo. Onde será que eu errei? Um. Dois... Três. Teste? Isso é um teste? Teste: não é preconceito. Não é o clichê do repúdio do intelectual burguês pelo trabalho braçal. Não é a lógica escapista: todos são maus, logo sou inocente. Não é a representação concreta do jornalista robótico. Não, senhor Boris Casoy. Não é nada disso. Repetindo: isso é um teste? Um riso. Riso. Riso gordo. Riso velho. O velho riso de todos os anos. O velho riso branco. Riso barulhento que arranca cabeças. Um riso eterno em delay estremecendo paredes. Lembrei-me do Lavinho. Que varria a praça da minha cidade quando criança. Panhava vassoura no mato. E nós, moleques, jogávamos lixo no chão e pisávamos na grama. Isso é um teste? Um. Dois. Três. Som. Alguma coisa vazou. Hora do perdão nacional. Ah, o perdão lido na tela que filma. Oh, perdão. “Perdoai Senhor, eles não sabem o que fazem...” Não sabem? Isso é um teste? “Liberdade é não ter que pedir perdão”, agir de tal modo que cada ato integre sua inteira responsabilidade. Você é capaz? Um. Dois. Três. Isso é um teste? 


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POR EM 15/12/2009 ÀS 02:37 PM

Valsa pra lua

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Tropeça: a perna arreda pra frente, induz o corpo; dedos caçando firmeza na parede, que altiva, não dá retorno; dedos ainda: rapando superfície que cospe areia: e as moedas,  de comprar cigarro alçadas pra cima, girando, elípticas no ar:

caiu; chão: não de cara, pelo menos: joelho e cimento unidos: meio de quatro e de lado: alça da bolsa destratando o pescoço; tornozelo esquerdo posto às avessas: calcanhar pra fora da sandália branca; olha a meia: rasgada até metade da coxa: compraria outra se conseguisse mais um; impossível; não tem como, pensa: as outras, estão nos quartos: nuas, felizes, bêbadas e com a carteira deles ao alcance; sim, àqueles mesmo que chegam tarde e esvaziam doses e doses: pinga? nunca! veneno próprio de agricultor quase em êxtase: distribuindo notas cifradas a qualquer sorriso sujo de batom: safadeza institucional: escambo; duas notas gordas, decote curto e cheiro de sexo fresco entre as pernas; quase feliz respirando o vigor desses coronéis em leilão de gado, vereadores, a saliva, barulhos; ruídos de garganta - ela adora. Uísque, do bom, deleita-se quando oferecem. Dona Júlia esconde um litro na portinha de madeira atrás do balcão do bar, que só a própria tem a chave, a chave dessa zona cheia de agricultores de bolso pesado na sexta-feira. 


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POR EM 04/12/2009 ÀS 03:27 PM

Paraíso da morte: suicídio assistido ou a inebriante perspectiva do repouso

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“O desfecho não tem nada de violento, e tampouco de precipitado. O paciente escolhe a hora e estuda o plano muito antes. Mesmo os meios lentos não lhe repugnam. Uma melancolia calma e que é por vezes dolorosa caracteriza os derradeiros instantes. Analisa-se até o fim. É o caso do negociante de que nos fala Falret (Hypocondrie et suicide), que se retira para uma floresta pouco frequentada e que se deixa morrer de fome. Durante a agonia, que se estende por quase três semanas, foi sempre descrevendo o seu estado de espírito em um diário que possuímos ainda hoje. Outro asfixia-se assoprando o carvão que deve acabar por matá-lo e aponta ao mesmo tempo diversas considerações: 'Não pretendo, escreve, 'dar exemplo de coragem ou de covardia; quero simplesmente empregar os últimos instantes que tenho de vida a descrever as sensações que se têm quando se está a asfixiar, e a duração dos sofrimentos'(Brierre de Boismont, Du suicide). Outro ainda, antes de se entregar àquilo a que chama 'a inebriante perspectiva do repouso', constrói um aparelho complicado destinado a consumar seus dias sem que o sangue se espalhe pelo chão”. (Émile Durkheim, O Suicídio, 1897) 


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POR EM 23/11/2009 ÀS 09:32 PM

O olho

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O olhoexistem aqui: mais ou menos trezentas pessoas e o olho não presta; mas não se engane leitor, não é do tipo de ausência presente: poesia tagarelada nas aulas de Heidegger; é de outra lonjura que a retina manca: nem tchum pra tanta cabeça: cabelo: couro cabeludo: e por dentro alguém que nem é aquilo mesmo. pior de tudo: sou jovem demais; foge da minha jurisdição adjetivá-las de fadigadas; em primeira instância perdi as pernas; em segunda estância o controle; no supremo Ela me tomou o juízo; não; não; não, leitor! metáforas só vão embaralhar a vista: tampar o sol com a peneira, isso sim! esse comichão na nuca: carujando lembrança que nem vai: preguiça do aqui, leitor: apodrece: cavuca silêncio: ferroando no vão: em vão; ah, leitor! você não compreende essa coisa; não dá pra engolir feito aprazolam genérico e dormir; ah, se eu fosse médium: encorporava você: nesta cadeira azul pra ver o que eu não vejo; um momento leitor:


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POR EM 12/11/2009 ÀS 07:42 PM

O bezerro de ouro

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ProfanoA laicização da ética, política, ensino, direito e estado, tendo por base o racionalismo, a primeira vista, parece ter afastado o encantamento do sagrado da esfera dos notáveis. Só a primeira vista. Porque o que de fato aconteceu é que a razão tomou o lugar de Deus. As entidades como Estado, Ordem, Lei, Ciência, encarapuçam as vestes sacras feito santos de pau oco e nós, o rebanho,  cultuamos, ofertamos, ajoelhamos: sacrificamos nosso salário minguado através de impostos e toda credibilidade.

 O ateísmo, esburacado por dentro, enche-se da fé no bezerro de ouro forjado a ferro e fogo no pé da montanha. Incapazes de produzir valores absolutos por si, projetamos valores no primeiro bezerro que aparece na nossa frente ou caímos no relativismo onde a força impõe a verdade de melhor designer. Numa osmose enlouquecida nos socializamos com tudo que brilha, uma fé surda na novidade, nas perfumarias; julgando-se céticos e descrentes... “Descrente? Engano. Não há ninguém mais crédulo que eu. E esta exaltação, quase veneração, com que ouço falar de artistas que não conheço, filósofos que não sei se existiram! Ateu, Não é verdade. Tenho passado a vida a criar deuses que morrem logo, ídolos que depois derrubo – uma estrela no céu, algumas mulheres na Terra...”, palavras de Graciliano no final de “Caetés”. Somos nós ainda, caetés. 


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POR EM 09/10/2009 ÀS 02:14 PM

Fé ou razão?

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Questão complicada, leitor. Tão complicada que foi o tema dos grandes debates teológicos da Idade Média e fez muita gente virar churrasquinho. Não é de hoje que se mata em nome de Deus. O Cristianismo, depois que se tornou a religião oficial do estado romano, vestiu a roupagem do racionalismo de Platão e Aristóteles na edificação da doutrina e, com isso, precisou conciliar a fé cega dos cristãos com a lucidez da filosofia.
 
A definição de fé, para além da crença vulgar, pode ser encontrada nas palavras de Paulo em carta aos Hebreus: “Fé é a garantia das coisas esperadas e a prova das que não se veem.” Mas que garantia é essa? Que coisas são essas que não vemos? Como dar crédito a crença cega? Afinal, o que é a fé?

São Tomas de Aquino, vai dizer o seguinte: “Quando se fala de prova, distingue-se fé da opinião, da suspeita e da dúvida, coisas em que falta a firme adesão do intelecto ao seu objeto. Quando se fala de coisas que não se veem, distingui-se a fé da ciência e do intelecto, nos quais alguma coisa se faz aparente. E quando se diz garantia das coisas esperadas faz-se distinção entre a virtude da fé e a fé no significado comum(vulgar), que visa à bem-aventurança.” Pode-se notar que Aquino lança a fé sorrateiramente um degrau acima da ciência, apesar de não haver contradição entre ambas, ou seja, as verdades reveladas não contradizem as verdades racionais, elas se complementam. Até aí, fora os crematórios, Concílios, um tira e põe de evangelho, tudo certo.

Num belo dia, um alemão provinciano de rotina bem medíocre entestou com uma ideia besta: “Vou colocar a razão num tribunal!” Pois é, leitor. Falta de mulher deixa o caboclo sem noção...

Mas o tal de Kant, matutou, matutou e chegou a um veredito: Senhores, a ré, razão lógico-discursa-ocidental, não pode penetrar na raiz da realidade; há um limite para o conhecimento; o homem está condenado a conhecer o finito.

Em outros termos: a realidade tal como a conhecemos é uma representação imposta pela estrutura interna da razão. Não é tarefa do homem penetrar além desse limite, no infinito, ilimitado, ou seja, em Deus. Mas não é pra arrancar os cabelos. Essa coisa sem nome que existe por trás da nossa representação, não importa para ciência. O que importa é o fenômeno, a realidade como nos aparece, como a representamos. Podemos viver muito bem assim. Mergulhar além disso é cair no Absurdo. Tentar conhecer Deus por meio da razão é como tentar colocar a água do oceano num copinho desses de beber cachaça, não dá.

Mas a coisa complica é agora. Um outro alemão, mais maluco que o Kant, mete a boca no trombone e diz: foda-se o resto! O que a gente conhece, esse limite, essa representação que é o “ô do borogodó”; o resto não importa: “o racional é real e o real é racional”.

Tudo bem que parece letra de rap, mas não é genial, hein? Pois é, esse outro alemão é o Hegel. No mundo do Hegel (não pense bobagem) tudo é racional. E assim como pra Agostinho, o mal não existe, para Hegel não existe irracional; o irracional, o absurdo, etc, é só um momento do movimento dialético do Espírito Absoluto rumo ao conhecimento de si mesmo. Trocando em miúdos: a razão é o Absoluto. Troca-se o Deus Absoluto, por uma Razão limitada e Absoluta, ou como diria um colega de faculdade: duas de vinte e cinco por quatro de dez.

E onde entra a fé nesse mundo de pura racionalidade? Isso nos veremos na semana que vem.
 


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POR EM 26/09/2009 ÀS 09:46 AM

Madalena

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O vidro da porta estremece. Silêncio. Ouve passos afobados no passeio, e batidas firmes na janela. É o agiota, tem certeza. Conhece esse jeito de chamar. Onde iria arranjar trezentos contos? A janela de aço bambeia. Sapatos picotando no cimento do alpendre. E ela bem quieta. A terceira vez nessa semana, e a semana só tem sete dias. Se o João descobrir ela se ferra. É caso daquelas brigas onde ela sabe que chora. E põe a culpa na filha, que é gastadeira, danada, desmiolada; faz contas nas lojas e depois ela tem que cobrir. Lavando roupa pra fora, faxineira e até uns salgados. Mas o dinheiro é miúdo. É luz, e mantimento e o telefone cortado. “Cê não põe freio nessa menina, tem que por freio nessa menina” – ele avisa quando vira a cara pro canto e suspira.

Barulho na porta. Antes isso que a loja, ela pensa. O homem da loja é encrenqueiro. E falador. Um fofoqueiro. Coisa mais feia do mundo é homem fofoqueiro. Seu Carlos? Não. De jeito nenhum. Agiota que dá com a língua nos dentes perde dinheiro. Seu Carlos é muito discreto. Sabe fazer negócio. Sempre que precisa pode contar com ele. Quantas vezes? Muitas, muitas vezes... Cada sufoco!... E ela sabe que vai precisar de novo. Cedo ou tarde. As contas sempre aumentam, ela sabe muito bem. O dinheiro do João só encurta. A menina depois de moça dá muito gasto.

— Madalena! — grita a voz lá fora.

Agora não tem dúvida. E fica quieta espiando a sombra de pernas esgueirando—se debaixo da porta. Vai ter que atender, não tem jeito.

Abre a porta.

— D. Madalena. Tudo bem?
— É o senhor, Seu Carlos, vamo chega, uai!
— Já tem dias que venho aqui, mas não encontro a senhora...
— Pois é, Seu Carlos... É essas faxinas que faço pra fora, né? Senta, Seu Carlos. Aceita um café?

Ele senta e aceita o café. E quando ela deixa a sala, com seu vestido branco de florzinha amarela, ele espia as batatas das pernas parrudas que ela depilou hoje pela manhã.

— O café, Seu Carlos – na xícara de porcelana que ganhou da avó no casamento.

Ela senta e cruza as pernas.

— Cafezinho da senhora é uma beleza, D. Madalena... A Joana não acerta na mão, sabe?
— Sei, Seu Carlos...
— Quase não tomo café. Não dá nem gosto... Mas esse café da senhora, é uma beleza!
— Ai, obrigada... Desde pequena que eu faço. Acabei pegando o jeito, né?... O senhor aceita um pão-de-queijo?
— Não, muito obrigado. Vou ficar só no cafezinho mesmo.

Ficam em silêncio. E ela imagina uma desculpa bem boa pra dar. Pensa em falar que não recebeu um dinheiro que tinha pra receber. Que a filha ficou doente e foi obrigada a gastar o dinheiro que tinha separado pra ele.

— A situação tá feia, né, D. Madalena? — ele diz repousando a xícara no colo.
— É essa crise Seu Carlos... Todo mundo anda apertado — e baixa os olhos.
— Nunca vi crise assim, D. Madalena. E se não fosse por isso, eu não viria aqui falar com a senhora.
— E se já não bastasse a crise, ainda acontece cada coisa com a gente, né?... Minha filha ficou doente esses dias, e remédio anda tão caro...
— Anda mesmo, mas doença não pode esperar. Em primeiro lugar a saúde, D. Madalena.
— Ah, sim... A saúde em primeiro lugar.
— Mas o quê que ela teve?

Ela hesita.

— Como que é mesmo... Um nome complicado... Tem hora que eu me esqueço...
— Mas é grave?
— Se tratar no começo, o doutor disse que não... Mas remédio anda tão caro, Seu Carlos... Tava com o dinheiro do senhor aqui separadinho, mas a menina adoeceu e eu tive que gastar. Tenho dinheiro pra receber por conta de faxina, mas o povo atrasa, sabe?
— Sei como é essas coisas, D. Madalena. Mas a menina tá melhor?
— Mais ou menos...
— Esses trem de saúde são muito complicado mesmo... A Joana, minha esposa, também tá doente.

Teve internada, fez um monte de exame e eu não paguei o hospital até hoje, D. Madalena. Estão me mandando cobrança em cima de cobrança... E eu não sei o que eu faço. Porque do jeito que a Joana tá, periga deu ter que internar ela de novo, aí não sei como é que vou fazer...

— Complicado demais...
— Muito complicado.
— Acontece que eu não tenho mesmo... Não tenho de onde tirar.
— Seu marido não tem?
— Meu marido nem sabe do nosso negócio, Seu Carlos... Ele me vigia muito nos gastos, já expliquei isso pro senhor...
— Sim, eu lembro...
— Pra mim pedir dinheiro pra ele, tenho que falar pra quê que é... E ele não me passa o dinheiro, ele mesmo vai lá e paga... O João é muito sistemático... E se ele souber que eu devo o senhor. Nossa senhora...
— Eu compreendo... Mas acontece que eu preciso desse dinheiro, D. Madalena — diz meio sem graça.
— Eu entendo o senhor, mas se não fosse essa doença da minha filha... Aceita mais um café?

Ele aceita. E quando ela levanta, ele vê a calcinha branca aparecer no meio das cochas sem que ela perceba
.
— Cafezinho bom...
— Mas como eu tava falando... Se não fosse a doença da minha filha...
— E eu ainda tenho passado por outros problemas, D. Madalena...
— Que problemas, Seu Carlos?
— Ah, a Joana não anda muito bem comigo... Ainda mais com a doença agora...
— E que doença ela tem?
— Não anda bem da cabeça... Tem a conta do hospital.... E esses médicos de cabeça são muito caros, e tudo à vista, a senhora sabe... Tratamento demorado... Mas com isso a gente até que se vira, pula de um lado pro outro e acaba dando um jeito de pagar... Mas essas coisas de marido e mulher é muito difícil... Já tem bem tempo que a gente não faz nada, a senhora entende?
— Entendo...
— Eu fico muito sozinho...

Silêncio. E ele baixa a cabeça. Ela olha nos sapatos dele. Sapatos bem novos. E depois nas mãos sem calo.

— A gente tem umas fases meio difíceis mesmo, Seu Carlos... A vida é dura.
— É, a vida é dura...

Ele olha no pé dela, no chinelo havaiana balançando. No joelho redondo e lembra dela menina. E conta uns casos de antigamente, de fulano e ciclano, de quem casou com quem e separou de quem: isso dura uns vinte minutos.

— Quando a gente é novo tudo é mais simples, né?
— É sim, Seu Carlos... Ah, mas é porque era a gente que dava problema... Agora é a gente que resolve. Eu não tive problema de saúde não, mas era bem danada — e sorri.
— Não era não, D. Madalena... Era uma moça bem direita.
— Ah, mas minha mãe ficava no pé... Eu tinha era medo... Ela só queria meu bem, né?
— A gente até deu umas namoradas naquele tempo, a senhora se lembra?

Ela ri. E mexe o corpo no sofá.

— Foi mesmo, Seu Carlos. Eu bem que lembro... Eu era bem rapariga. Não sabia das coisas.
— Ah, a senhora sempre foi muito bonita, D. Madalena.

Ela se inclina um pouco pra trás. Mexe no cabelo preso. E olha pra ele.

— Ando tão descuidada...
— Mas continua bonita... Com todo respeito.

Ela olha nas roupas bem novas do homem. E no rosto dele bem conservado pra quarenta e poucos anos.

— O senhor acha?
— Sim, continua bonita como naquele tempo.
— Seu Carlos, Seu Carlos...
— O quê, D. Madalena?
— O senhor, falando essas coisas...
— Mas é a verdade, com todo respeito.
— Sei... 
— Aliás, não me esqueço daquele dia...
— Eu era muito nova... E tinha medo das coisas...
— Ainda tem medo?
— Seu Carlos, Seu Carlos... O senhor não vai conseguir... — sorri.
— Conseguir o quê, D. Madalena?
— Isso que o senhor está pensando... Não sou dessas... Tenho marido, tenho filha...
— Eu também tenho esposa...

Ficam em silêncio. Meio sem graça.  

— Se o João descobre... — ela sussurra.

 


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