revista bula
POR EM 10/11/2012 ÀS 07:35 PM

Os melhores filmes de gângsters da história

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Bons filmes de gângster primam por volúpia. Toda lista ou reunião minimamente sensata passa por uma sequência bem enredada de frases e roteiros pomposos, uma violência quase estética e uma verborragia de gestos latinos e cabelos emplastados de gel. Todos eles são misturados com macheza galanteadora e com armas de todo calibre que fazem o espectador ter vontade de adentrar na­quele mundo secreto permeado de códigos e condutas másculas.


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POR EM 19/09/2012 ÀS 08:10 PM

A ética de Don Corleone

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É plausível considerar que as duas narrativas iniciais de Francis Ford Cop­pola sobre a família Corle­one estão entre as melhores criações cinematográficas do mundo. O plano detalhe so­bre a mão do “Poderoso Pa­drinho” que afana um gato enquanto ele ouve atentamente as queixas da comunidade ítalo-americana, denotam, na mesma mesa, dois planos do enredo sofisticado do livro de Mario Puzo: o senso de justiça na terra nova e a ética brutal da máfia.

As tomadas frontais que se sucedem no mal iluminado escritório de Vito Corleone são a materialização visual dos conceitos filosóficos da teoria base de Emmanuel Kant sobre a razão prática e a liberdade. Usando a condição representativa de patriarca e núcleo da célula familiar que ele considera vital à continuidade moral e material de sua “profissão”, Vito transita – ora por um ou pelo outro – nas três interpretações do imperativo categórico.

Quando dá lições aos filhos que se desprendem dos caminhos de sua fundação normativa, Vito crê que, mantendo todos sobre seu raio de influência, eles trilharão a lei universal do poder. É assim com Santino Sonny (James Caan), uma das esperanças de Vito para restabelecer a paz entre as famílias sicilianas, e Michael Corleone (Al Pacino), o instruído oficial da Marinha que havia servido a América na guerra contra Hitler e Mussolini.


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POR EM 13/08/2012 ÀS 06:52 PM

Um Dia de Cão, de Sidney Lumet

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Um filme sobre um frustrado assalto a banco poderia se transformar em espetáculo de circo, palanque ideológico, programa policial e manchete noticiosa em todas as emissoras de TV? Pode. É o que prova “Dog Day Afternoon”, traduzido para o português como “Um Dia de Cão”, de 1975, do diretor Sidney Lumet.

A história conta o fatídico dia da vida de Sonny Wortzik, — interpretado por Al Pacino, em sua melhor forma — um ex-combatente do Vietnã que arranjou emprego e experiência como caixa bancário, é casado,  pai de dois filhos e tem comparsas completamente insanos para invadir um cofre — não tão cheio assim — de dinheiro.

O mais inusitado: Sonny resolve assaltar o complexo bancário para custear a cirurgia de mudança de sexo de seu “esposo”, o homossexual Leon. A história, no mínimo exótica, só poderia ter saído do melhor dos roteiristas: a realidade. 

A versão cinematográfica destes eventos que aconteceram no dia 22 de agosto de 1972 se passa em uma agência no bairro do nova-iorquino do Brooklin.

Para filmar o arrombo de frases e situações grotescas, o escalado é o cineasta Lumet com uma equipe altamente talentosa que vai de Al Pacino, John Cazale a Penelope Allen.


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POR EM 08/08/2012 ÀS 08:57 PM

O Falcão Maltês, de John Huston

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O cinema noir criou uma nova estética fílmica. A definição, criada a partir do idioma francês para definir o gênero do "filme preto”, retrata o submundo das grandes cidades e como os personagens complexos intercalam boas e más qualidades distribuídas ao longo de um roteiro sofisticado cheio de reviravoltas. Outra característica noir é o uso simbólico de sombras. 

O filme “O Falcão Maltês”, de John Huston —  citado por muitos como o criador do gênero noir — guarda para o final o teatro de espectros, como exemplo, um elevador que lança sombras em forma de grades de cadeia no rosto da dissimulada heroína.  

Em uma tendência completamente inovadora para o gênero, o filme é feito em cenários impecavelmente arrumados, como quartos de hotéis e escritórios, muito diferente da decadência apresentada nos noir seguintes, como “Até a Vista, Querida”, de 1944,  e “À Beira do Abismo”, de 1946. O excelente protagonista, Humphrey Bogart, evolui de um cruel vilão para o durão herói na pele de Sam Spade, um detetive particular de São Francisco contratado para solucionar um misterioso caso. Sua personagem cheira a genialidade investigativa misturada a charlatanismo. Perceba a apresentação das personagens, aqui. 


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POR EM 23/07/2012 ÀS 11:20 PM

Hemingway com Ava Gardner

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Ernest Hemingway é o escritor americano que melhor conceitualizou a “geração perdida” definida por Gertrude Stein. Isto porque, Hemingway descreve com extrema precisão homens que saíram das guerras e conflitos bélicos do século 20 para se embrenharem nas trevas do padecimento físico e psicológico. 

Para celebrar um tratado minúsculo em tamanho, mas grande em abrangência literária, o bom diretor Robert Siodmak fez “The Killers”, em 1946,  um filme fantástico ao estilo “noir”. Os primeiros dez minutos reproduzem quase literalmente o conto homônimo de Hemingway, escrito em 1927. 

Dois assassinos invadem uma vila adormecida no interior dos Estados Unidos para matar o recluso imigrante sueco Swede (Burt Lancaster). Estranhamente, no conto e no filme, o protagonista não esboça resistência e abraça sua morte sem pestanejar. 

O espectador fica na iminência cruel de imaginar a razão, pouco natural, para que Swede abandone o desejo de viver. Ao ser anunciado que, em poucos minutos, receberia oito tiros de revólver, ele apenas responde ao colega que trabalha com ele como frentista: “Não vou fugir. Estou cansado de me esconder”. 


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POR EM 19/07/2012 ÀS 10:01 PM

Psicose, de Alfred Hitchcock: um remake sem remendo

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A indústria do cinema recicla clássicos do passado desde a década de 1920. Em regra, o original sempre supera a cópia. Mas, há exceção. E são boas exceções. Nas remontagens maiores que a própria obra de inspiração há lembranças como a famosa versão de "Ben-Hur", de 1959, que levou a histórica marca de 11 Oscars. Ele foi erguido a partir de uma versão de 1925, de Fred Niblo, que é quase desconhecia e igualmente decepcionante.

Há menções favoráveis a “Os Infiltrados”, o responsável pelo único Oscar de Martin Scorsese. O americano refaz a leitura de “Conflitos Internos”, filme feito em Hong Kong em 2002. Na película de Scorsese, a história do policial que se disfarça de bandido e o bandido que vai para dentro do departamento se passa na Nova Iorque contemporânea.

Há, porém, vertentes completamente dispares, como “Scarface, a vergonha de uma nação”, de Howard Hawks, de 1932, e a da década de 1980, versão frenética de Brian de Palma. Enquanto o primeiro — que inclusive conta como co-roteirista o famoso magnata do petróleo e da aviação, Howard Hughes — é assentado na superação pessoal e na perversão como pano de fundo do roteiro, o segundo trata do drama moral de um homem suburbano que sobe na carreira e que é tragado por ela. Enquanto o original de Hawks dá aulas de cinema, roteiro e fotografia, na versão de Brian de Palma não há nada de sutileza no que se refere à violência. No primeiro filme, cenas como o fuzilamento de adversários da máfia são mostrados apenas sob os espectros caindo no chão ou simbolicamente, quando o protagonista, baleado, tem sua sombra projetada na sarjeta como uma grande cruz. No remake, a sutileza dá espaço, literalmente, a uma luta com motosserras.


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POR EM 15/07/2012 ÀS 03:28 PM

Todos os homens contra o presidente

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Alan J. Pakula fez o melhor filme sobre investigação jornalística de todos os tempos. O é porque retrata, com precisão visceral, a apuração dos jornais sobre um fato irrelevante, espremido de fontes de tendenciosas e preenchido por ilações que gestam suposições. Estas, claro, para atender a determinado fim, a maioria das vezes, com intenção política.

São eventos que acontecem, cotidianamente, em todas as redações sérias do Planeta, desde os jornais de bairro ao “The New York Times”. No caso do Watergate, a repercussão se transformou em mantra do jornalismo contemporâneo, pois culminou na renúncia de um dos homens mais importantes do mundo.

O merecidamente premiado roteiro de Wiliam Goldman — baseado no próprio livro dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein — é a matéria prima na história que lacrou a carreira política de Nixon.

Mesmo assim, o filme de Pakula é tão simbólico, bonito e cheio de sentimentos, de todos os matizes, que a maior experiência profissional das vidas de Bob Woodward (Robert Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman) passa como um anexo para quem assiste a história eletrizante por 138 minutos interruptos.


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POR EM 12/07/2012 ÀS 07:04 PM

John Ford: o maior

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O diretor John Ford já foi descrito como o maior cineasta dos Estados Unidos. Além das inúmeras e de incontestáveis premiações em dezenas de conceituados festivais internacionais, o homem que se descrevia como “sou um fazedor de faroestes”, possui uma carreira extremamente diversificada e cheia de elementos que remetem ao modo primário de fazer cinema no Ocidente.

Os temas delimitados por Ford, bem como a forma de retratar personagens, roteiros e não sobrecarregar em movimentos de câmera pautaram todo o modo fílmico do meio-oeste dos Estados Unidos e, por muitos anos, algumas das principais obras cinematográficas da Europa.

Por colaborar tanto para escrever a “cartilha dos filmes”, os colegas norte-americanos sempre o consideraram o melhor de uma geração. Além de quatro Oscar como diretor — “O Delator”, “Como Era Verde o Meu Vale”, “Depois do Vendaval” e “Vinhas da Ira”, Ford ensinou a muitos que ficavam atrás das câmeras a fazerem o menor “barulho visual” possível.

O resultado eram filmes montados com planos secos, objetivos e diretos, uma característica que prevaleceu por décadas no subconsciente daqueles que sentavam na cadeira de diretor. O paradigma visual criado por Ford só foi rompido mais de quatro décadas depois, com o início da Nouvelle Vague e do “cinema de autor”, em especial, o criado na França no início da década de 1960.


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POR EM 11/07/2012 ÀS 09:18 PM

Stephen King sem terror

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A leitura estética e literária de Stephen King é louvável e já recebeu muitíssimas adaptações frente às câmeras de Hollywood. Mas, por uma brincadeira do destino, o mago das peças e histórias de horror recebeu suas melhores versões no cinema nas narrativas que não fazem alusão direta a assassinos, cemitérios fantasmas, bebês demoníacos ou seres metafísicos.

É verdade que há clássicos do terror moderno que saíram da caneta de King como, por exemplo, “O Iluminado”, eternizado pelo perfeccionismo latente de Stanley Kubrick; a também boa história em “Carrie, a Estranha”, um dos maiores sucessos de De Palma e que rendeu a indicação ao Oscar para a atriz Sissy Spacek — a protagonista que da vida à Carrie, a menina menosprezada do colégio com exóticos poderes paranormais; e, ainda, “Louca Obsessão”, uma bem elaborada trama de King sobre um ator famoso que, depois de sofrer um acidente de carro, é cuidado por uma fã maléfica e psicótica. Entretanto, mesmo os filmes sendo bons, as melhores adaptações das obras de Stephen King estão no gênero drama, como “Conta Comigo” e, principalmente,  “Um Sonho de Liberdade”. Lançado em 1994, — que tem o nome original de The Shawshank Redemption — é uma versão do conto escrito por Stephen King, em 1982, chamado Rita Hayworth and the Shawshank Redemption.


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POR EM 28/06/2012 ÀS 07:27 PM

O mais bonito dos clássicos

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“Casablanca” é indicado pela respeitada reunião de críticos de cinema do “American Film Institute” como o terceiro melhor filme norte-americano de todos os tempos. Não é por acaso. É uma obra fantástica do primeiro ao último dos 102 minutos. Um daqueles colossos que é preciso assistir com o bloco de notas à mão para pinçar as frases de efeito e citações retumbantes do roteiro feito por Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch.

Com a medalha de bronze dos críticos “no peito”– superado na lista da AFI apenas por “Cidadão Kane” e “Poderoso Chefão” — “Casablanca” é também o mais querido do público na fictícia categoria “ganhadores do Oscar de melhor filme”. Talvez por conter o mais estarrecedor triângulo amoroso do Ocidente, é um filme feito há 70 anos que continua atual como um folhetim trovadoresco. 

Os vértices do triângulo isósceles são o americano Rick (Humphrey Bogart), o tcheco Victor Laszlo (Paul Henreid) e a judia sueca — com caráter duvidoso — Isla Lund, interpretada no talento e na beleza inegável de Ingrid Bergman. A versão original é do pré-guerra, mas se transformou num certeiro rascunho com o desenrolar do conflito que mudou conceitos e fronteiras no século XX. 


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