revista bula
POR EM 18/07/2009 ÀS 08:50 AM

O Bordado da Urtiga

publicado em

Gilson Cavalcante é um poeta fino, tendo o aval das letras, e muito mais do sentimento, no seu enfrentamento corrosivo com a vida e suas vivências e pendências. Mesmo sendo suspeito para falar dele, pois somos parceiros, o faço com a maior tranquilidade e nenhuma culpa, tudo em nome da poesia e suas consequências. Para mim, Gilson é um poeta com fartura, carregando em sua criação a leveza inebriante de um material radioativo e corrosivo. Concordo com o poeta Carlos Willian Leite, quando diz no prefácio do recente livro “O Bordado da Urtiga” com o qual Gilson ganhou o prêmio da Bolsa de Publicações Dr. Maximiano da Matta Teixeira 2008, da Fundação Cultural do Tocantins, que ele é um “poeta que escreve com as vísceras”. Vão aí nesse espaço alguns novelos do “Bordado”.


SOU O QUE DESCONHEÇO      

Sou o que desconheço.

Desde cedo, muito cedo

inventei de vestir os avessos

dos caminhos e suas bifurcações.
 

Sou o que desconheço, sim.

É que o avesso me vestiu a

            Alma muito cedo.

Ando rasgando endereços,

        fugindo dos laços.

Mal amanheço.

Sou, sim, repito, o que desconheço,

o avesso do espelho nos olhos teus.

Por isso, me esclareço nas noites de insônia,

quando me entrego completamente

sem os adereços da hipocrisia.


E tem mais:

podem me achar louco,

lúdico, varrido.

Mas são nessas circunstâncias

que amo as pessoas,

os bichos, a natureza.

Nunca me dou por vencido.

O resto que me sobra

é asfixia e sombra.

Deixem-me partir,

   estou atrasado.

Levo para o futuro.

a fisionomia macia dos parafusos

vou apertar meu outro lado.
 

O SORRISO AMARELO  DE NARCISO 

O espelho quebrado

suicidou-me:

imagem transfigurada

ao lado de Narciso

exageradamente cego

em seu sorriso amarelo.
 

Dou-me ao vermelho

e seus martelos.
 

AS VIRTUDES DO VÍCIO

Pecar, pecar,

pecar até arder em chamas.
 

Pecar pelo que chamas

e nunca chega.
 

Pecar ao ponto

do carbono original

que a carne nutre

no paraíso das delícias.

A ser vício da serpente

Desfruto da árvore da volúpia

cabelos, cabides,

perfume e ócio.
 

Pecar é meu divórcio.



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POR EM 27/06/2009 ÀS 06:13 PM

Uma nova doença

publicado em

Quem primeiro falou sobre Aids em Goiás, que eu me lembre, foi o escritor e dentista Carmo Bernardes, numa crônica no Diário da Manhã, no final de 1980 ou início de 1981. O nome ainda nem tinha sido chancelado e ele falava de uma doença esquisita, detectada na Europa,  que acabava com a imunidade das pessoas e estava relacionada com o fuque-fuque, a prevaricação, o rala e rola. Anotei isso porque li em primeira mão a crônica do Carmo, pois era revisor de textos, e também porque fui feito emissário de um conterrâneo de nome Lord Inário Bibelô, como a gente o conhecia lá em Saracutópolis, e que me contou sobre uma nova doença venérea que desgraçadamente propagou na região.

Na cidade estava surgindo uma legião de homens esquecidos, totalmente sem memória, e que estudos feitos na botica, que também era boteco, de Temisse Tocriste, relacionavam o Alzheimer caboclo com a fornicação com determinadas meninas do Cabaré de Ana Preta. Ficou constatado, por exemplo, que três delas, Aninha Tô Que Tô, Xandu e Margarida Bem Bem, estavam transmitindo a doença do esquecimento, muito pior que Aids, pois os homens saíam de lá totalmente perdidos e sem achar o rumo de casa.

Os que as famílias pegavam na rua, tudo bem, eram amparados e perdoados, mas muitos deles ficavam ao leo, jogados à própria sorte, que naquele caso era de muito azar.  Muitos que eram casados foram totalmente esquecidos pela esposa e eram alimentados na rua pela piedade de um ou outro parente. De forma que a legião de esquecidos cada vez aumentava mais e só não aumentou muito porque Temisse descobriu logo a doença e  confirmou que o vírus ficava incubado apenas meia hora. Era o tempo de o sujeito sair sem rumo.

Até descobrirem a causa da doença, a cidade começou a ser conhecida como Abilolândia. O prefeito mandou fechar o Cabaré de Ana Preta e expulsar as três moças contaminadas. Foram enxotadas da cidade como pesteadas. Não adiantou muito, porque outras mulheres foram também contaminadas e a doença se propagou silenciosamente. Os alto-falantes da “A Voz do Município” pediam cautela e invocavam o cuidado nas relações sexuais. A prefeitura distribuiu milhares de camisinhas de vênus, cremes vaginais antibactericidas e todas as mulheres foram convocadas a fazer exames de prevenção.

Quando o vigário do lugar, Frei Genésio Frifuso, foi contaminado, a paróquia entrou em grande desespero e a Casa Paroquial foi transformada em abrigo de esquecidos. As beatas faziam procissão, rezavam novenas, tridos e rosários, pedindo aos céus o fim daquela miséria. Como último recurso da fé, juntaram todos os homens atingidos, colocaram o Frei Genésio num andor e fizeram com ele uma procissão que percorreu os sete cruzeiros da cidade, onde foram rezados e cantados todos os benditos e ladainhas, e finalizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro.

Na volta com o padre para a Casa Paroquial, uma chuva instantânea e inesperada, com trovões, relâmpagos e ranger de dentes, pegou todo mundo de surpresa e os homens atingidos pela doença venérea ficaram ensopados de água e recuperaram a memória. No entanto, todos se viram cegos do olho direito.
 


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POR EM 05/06/2009 ÀS 07:15 PM

Afagos onde afloram fêmeas

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Delvídio me tirou pra prosa agarrado no argumento de que os dias de hoje estão pródigos de mulheres formosas por todos os lados e cada vez aumentando mais. Ele tem a sua lá guardadinha em casa, gordinha, rechonchudinha, mas que dá muito bem pro gasto e anda satisfeito. Mas mais satisfeito ainda quando caminha na rua e olha o magote de beldades que se esmeram cada dia mais em mostrar e lustrar a beleza estética da feminilidade.

“É uma ruma de beleza, rapaz, que a gente vive e morre suspirando, gemendo sem sentir dor e suplicando loas nesse vale de prazer”, me disse num murmúrio de cobiça, observando que as mulheres de hoje estão se esmerando em cuidados com a silhueta, com a apresentação e a concorrência, para elas está tão acirrada, que proliferam salões de beleza, clínicas de estética e academias de ginástica, enchendo as burras de quem lida com isso e enfeitando o mundo de lindeza e boesidade. Este um neologismo que inventou para dizer que as mulheres estão cada vez mais gostosas.

Dou toda razão a Delvídio e me chamou atenção o argumento dele de que, para o deleite dos machos, está morrendo muito mais homem que mulher hoje em dia e nascendo mais mulheres do que homens. “Temos muito mais eleitoras, pode ver”.  E ele ainda enviesou o argumento dizendo que tem crescido geometricamente o número de gente do sexo masculino enfronhado em paradas gays. Via que o dito cujo não tinha nada contra isso e até incentiva quem estivesse na corda bamba, em cima do muro ou dentro do armário a botar o bloco na rua. Ele faz isso com uma ponta de sacanagem, querendo sobra de mulher por seu harém imaginário. Porque na hora do ‘vamos ver’ ele é igual bode, só gosta da farra. Na verdade,  é daqueles que comem com os olhos e lambem com a testa.

Tinha a perspicácia de juntar recortes das notícias de jornal sobre os acidentes e mortes por assassinato. Dois terços dos mortos nessas circunstâncias eram de homens e a grande maioria gente nova, deixando muita mocinha solteira e necessitada, desarvorada. O mais recente foi esse do avião da Air France e que realmente comprovou sua tese.

Além da independência financeira que as mulheres galgaram nos dias de agora, argumentava que sobrava a elas dinheiro para investir em beleza e em roupas insinuantes. “Pode ver, meu cara, hoje um dos grandes produtos de exportação brasileira é a prostituta.  Só que não há um royalty contabilizado e nem entra no cálculo da Balança Comercial”. Falava isso com uma pontinha sacanagem. E que eu aqui faço questão de tirar a pontinha e botar a sacanagem inteira. Pedia para olhar os classificados dos jornais e ver que a esmagadora maioria oferecendo sexo era de mulheres e o argumento de que a gente vive numa sociedade machista  não o abalava.

No fundo, era um encantado com mulheres e vivia tropeçando, batendo a testa em poste e abalroando o seu carro na traseira de outros,  pela insinuante distração com a beleza feminina. A fertilidade de sua imaginação era tanta e tão grande quando via as mulheres se exuberando nas ruas,  que dos seus olhos saltavam espermas, como se lágrimas fossem. 
 


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POR EM 15/05/2009 ÀS 10:14 PM

Padres deveriam cortar o “negócio”

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Dou muito acordo com as ideias no conterrâneo Zinzé Pellin Grino. Em muitas coisas nenhuma novidade há, mas quando fala de religião eu ouço com muita atenção, porque ele já foi seminarista e de lá saiu por defender uma tese que o expulsaria até do paraíso. Estou às voltas nos debates com ele em função do acontecido com o bispo Fernando Lugo, presidente do vizinho Paraguai, que se encasquetou agora como pai de três ou quatro filhos, com o perdão de Deus e da Santa Madre Igreja Católica.

Nisso, Zinzé Pellin tem toda razão, mesmo porque padre, arcebispo, bispo e papa são obrigados, pelas leis Régias do catolicismo, a se manterem celibatários, no jamais fuque-fuque. Casam-se, sim, com Jesus, com a Igreja. Ou seja, não podem se casar do jeito mais normal e comum e, consequentemente, porque a igreja também não permite filho fora do casamento, não podem procriar, ter filhos, furunfar.  “Se não podem com os prazeres da carne, qual a utilidade do bilau?”, defende Zinzé, no que eu com ele concordo, quase plenamente.

Ele defende a tese de que o sujeito para ser padre devia se desfazer desse instrumento libidinoso, a piroca. “Na cerimônia de ordenação – ele diz – o padre deveria se submeter a uma cirurgia de extirpação, para não correr risco algum de prevaricar no futuro. Deixaria só uma pontinha, para o serviço do mijo e se tornaria um eunuco”. Para ele, não teria esse negócio de se arrepender depois. Teve vocação, quis ser padre e celibatário, tchan ... corta a coisa e pronto, vai viver assim pro resto da vida, sem direito a arrependimento.

Argumenta que hoje em dia sua tese tem muito cabimento, porque o Vaticano e o mundo, principalmente, ficariam livres das inúmeras denúncias de pedófilos, adultérios e cornos, que alastram no seio da igreja dos padres, maculando, desfazendo casamentos e desencaminhando famílias. Segundo ele, era para botar ordem na coisa: padre deveria usar batina o tempo todo. “Como acreditar na seriedade de um sujeito que faz o casamento, conclama o casal a se comprometer na fidelidade conjugal e, não demora,  vai prevaricar com as casadas?” Na sua opinião, essa proibição faz mais é aflorar o desejo recolhido, a tara recôndita.

Ele fala com cátedra, porque é fiel, viveu e convive com a igreja Católica, é um dos pares e também porque foi justamente a libidinagem que o catapultou do sacerdócio. E ainda por gostar demais da “periquita’  e por não concordar com a descaracterização desse preceito religioso por inúmeros colegas de seminário. Ele já previa que aquilo boa coisa não daria.  E acha ainda que a igreja Católica proíbe o uso de camisinha também e justamente porque acredita na fidelidade e no juramento celibatário dos padres. “Se o padre não pode encapar a mangueira, acaba uma hora dessa fazendo um filho mesmo”,  e por isso esse mundão de meu Deus está cheio de filho de padre. Ele mesmo conhece uma meia dúzia.
 


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POR EM 06/04/2009 ÀS 05:46 PM

Sou um matador perigoso, confesso!

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Esta história vai me prejudicar muito e pode até mesmo me levar para a cadeia, mas não agüento mais: sou um assassino confesso, matador de aluguel e também deliberado. Descobri isso aleatoriamente e mais: mato pessoas, enquanto defendo animais. Fiquei uma noite sem dormir pensando no tanto de gente que já matei nessa vida, muitas sem querer e outras querendo realmente. Descobri que acabei me tornando uma pessoa muito má, um sujeito em quem não se pode confiar. A qualquer hora a polícia me leva e a justiça me condena através de um júri popular daqueles de sete a zero, sem direito a recorrer, com penas de mais de 200 anos.

Descobri outro dia, quando matei Edivaldo Pelica e o ressuscitei. Na verdade, minha memória está matando muito mais que eu e por causa dela certamente vão me levar às raias dos tribunais. Confesso que matei deliberadamente a rapariga que me passou uma gonorreia quando eu ainda era de menor e ela uma experiente senhora com seus 65 anos bem xumbregados.

Concordo em ser condenado pelos assassinatos que cometi com a intenção de matar de verdade. É que gente ruim eu mato deletando de minha vida, como se ela não existisse mais. Acho sinceramente que também já fui assassinado por algumas pessoas que por razões, e ponha razões nisso, óbvias não se deram e nem se dão comigo. Matei uma vizinha que não quis nada comigo e ainda veio gozar na minha cara, para muita gente ver e pilheriar.

Matei Dezim de Nenana com um tiro na testa, aquele feladaputa, que não podia me ver e corria atrás querendo me bater, só porque eu não era do top dele, no meu jeito franzino. Não sei onde ele está, se ainda vive, mas se viver para mim está morto e bem enterrado. Eu tenho isso comigo: alguém que não vou com a cara eu mato logo duma paetada só,  no primeiro encontro.

Tem muita gente também que às vezes eu nem queria matar, mas elas vão se esvaindo na memória e de um tiro acabam morrendo. Apesar de viver matando essas pessoas sem querer, acontece também de elas ressuscitarem de repente, quando, por obra do destino e ou do acaso, aparecem sorrateiras depois de 20, 30 anos. Aí a desgraceira é completa, pois a memória não atina e eu me pego de saia justa sem saber o nome e de onde a conheci. A visagem, essa livuzia,  me pega no constrangimento.

Matei bem matada a ex-namorada que me fez de corno. Pelo tempo que passou ela já não deve ter nem ossos mais. Já se acabaram até os da minha testa. Não sei quantas mortes carrego nas costas e será difícil à justiça prová-las todas. Por isso, acho que me safo, mesmo sendo assassino confesso. Peço perdão aos familiares e amigos de quem eu já matei e mato. Não sou feliz por isso. Sofro. Não sei se com vocês é assim, mas comigo acontece de eu matar pessoas que nem conheci. Minha memória se faz de esquecida, mas é a maior culpada. Não me ajudará em nada num tribunal.
 


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POR EM 23/03/2009 ÀS 08:55 PM

Em se plantando, até morto dá

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Eu vi, vejo e conto com a maior alegria o que vem se passando em Saracutópolis há oito anos, desde que deram por morto Seo Eustógio Garguela, o mais idoso do lugar, com seus 150 anos, confirmados em papéis do Império, com a pecha, a mecha e a sugesta de ser afilhado de Dom Pedro II. Deu-se que um dos bisnetos, porque filhos e netos não tinha mais, o Secundino Garguela Filho, cismou de enterrar o velho em pé, no quintal de casa,  com braços e mãos pra fora, com a desculpa de que ele, como fabricante de sabão, desenvolvia experiências que poderiam resultar em enormes ganhos científicos para a humanidade.

Todos os dias regava os braços de Seo Eustógio , até que no prazo de três meses começaram a brotar ramificações exóticas e muito interessantes e com cerca de um ano apareceram frutos conhecidos no cerrado como cagaitas. Seo Eustógio Garguela virara, na verdade, um esplendoroso pé de cagaita. Um ano após, depois de algumas experiências genéticas com as cagaitas eustogianas, Secundino conseguiu produzir o primeiro ser humano totalmente de laboratório, que ele considerou como tio,  denominando-o de Eustógio II e pegando-o pra criar.

Dois anos depois da morte de Seo Eustógio, todo morto de Saracutópolis ganhava sepultura na vertical, com braços e mãos à vista, à espera de frutos, que mais à frente seriam novos entes das famílias. Secundino montou uma empresa, contratou gente  e, mesmo em tempos de crise, seu  negócio era o que mais crescia e dava dinheiro. A prefeitura teve de fazer campanha publicitária, porque algumas pessoas anunciavam que se suicidariam para renascer.

Adriana Sinsa, o único homossexual do lugar, quis saber de Secundino se ele era capaz de fazer nascer uma flor das mãozinhas dele depois que falecesse e, do seu corpinho, um homem bonito assim que nem o Luciano, irmão de Zezé de Camargo. Ela ou ele, não sei, já queria deixar contratado e com tudo pago, mas Secundino não aceitou, valendo-se das inconsistências da pesquisa.

Secundino montou logo um pomar de mortos, que passou a dar uma infinidade de frutas, algumas até exóticas para a região, como pêssego, figo, tâmara, nectarina, ameixa, curuba, kino, granadila e pitaia. E o povo que nascia delas era em tudo muito geneticamente diferente dos nossos e dos das famílias do morto. Os pretos davam os frutos mais gostosos. No entanto, na transmutação saíam pessoas totalmente brancas. Índios davam japoneses; brancos nasciam pretos; morenos se transmutavam em chineses. E a mistura ia se consolidando.

De repente, tudo voltava ao normal. Tempos depois, no lugar de homem nascia mulher e vice-versa. Até o dia em que o prefeito morreu e do pé do prefeito morto nasceram abacaxis e pepinos. Na transmutação, o pepino, ao invés de gente, produziu um corvo, e do abacaxi nasceu uma serpente cascavel violentíssima. Desse dia em diante, pouca gente quis ser enterrada em pé e o negócio de Secundino degringolou.


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POR EM 09/03/2009 ÀS 10:52 PM

Um chifrudo inveterado

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Tem gente que nasce boi ou vaca, carregando consigo a sina do chifre esparramado nos cantos da testa e vive agruras por causa desse adereço que serve de chacota e influencia toda a trajetória de relacionamento com o sexo oposto. Fique claro que hoje em dia esse predicado não é mais exclusivo de quem lida apenas com o sexo oposto. Abidon Zofrendo, amigo de infância, nasceu e vive com esse mal atarracado no cocuruto e agora já vai para o sétimo casamento.

Os relacionamentos anteriores acabaram pregados na testa do coitado que sofria um absurdo com a exposição. Parece até que a lábia dele tem prazo de validade e, com o passar dos tempos, as mulheres com as quais se casava se desinteressavam dele e se viam compelidas a arrumar um amante ou coisa semelhante para os embates da carne. Não tinha jeito, elas pareciam impulsionadas a buscar assuntos com outros. Era peremptória essa necessidade delas, passando a impressão, aos da família, que Abidon tinha realmente nascido com a sina do corno.

Dentre mais de 50 tipos de corno catalogados por aí, a especificação de Abidon Zofrendo passava dos limites, extrapolando os compêndios e almanaques. Não se encaixava, por exemplo, nas configurações de corno Abelha, Ateu, Banana, Brincalhão, Camarada, corno Cigano, Denorex, Elétrico, Frio, corno Porco, Teimoso e por aí vai. Já foi corno Familiar, por levou chifre de parente. Foi Inflação, o chifre aumentava diariamente. Foi corno Atleta também, levava chifre e saía correndo dos outros.

Com o passar do tempo e a constância dos chifres, Abidon, a partir do segundo casamento e o consecutivo chifre, desenvolveu um sistema de detecção de chifre, que ele denominou de ‘cosca sensitiva’, que era batata, não falhava. Era só a mulher começar a pular a cerca que Abidom sentia uma cosquinha no rego toda vez que estava mijando. Era tirar o bilau pra se escorrer e vinha a cosquinha atrás. Ele segurando na frente e coçando atrás. Daí pra frente era só espreitar que pegava a mulher com a boca na botija.

Com a oitava esposa, essa de agora, ele não se casou de papel passado, apenas ajuntaram os panos de bunda e foram morar juntos, porque ele desistira de descasar pelo tanto de trabalho que dava. Com essa, no entanto, e dessa vez, a cosca apareceu de uma forma totalmente diferente e inusitada. Parecia que ia coçar, dava aquele calafriozinho tentador, esquentava o fiofó, pispiava a vontade de verter água e o comichão aparecia no rabo, mas na hora H, quando ele ia raspar os dedos no boga, a cosca parava. Pispiava o mijo, vinha a coceira no toba, mas, quando ia tomar uma atitude, ela sumia. Ele não se deu por rogado, ainda mais pelo histórico do seu currículo, desconfiou e passou a assuntar na mulher, indo atrás, esgueirando-se.

Pelos meios normais, Abidon não encontrou pista. Mas foi mexer no computador e descobriu que tinha virado corno virtual.
 


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POR EM 16/02/2009 ÀS 06:15 PM

Encruzilhada para um valentão

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A cidade passou a viver um grande tormento  quando Absalão subiu de menino a homem, criando terra no pé do milho e um desaforo danado no desregrado da valentia. Passou a usar revólver e se valia também de seu corpanzil de quase dois metros, uns braços e um peitoral de fazerem inveja ao mister mundo. Quem convivia com ele notou logo a diferença, mesmo se não quisesse,  porque fechou a cara pra todo mundo e até em dois colegas de infância deu sopapos de arrepiar.

Também não gostava de criança e mesmo menino não o abeirava, porque até a carranca do cabra fazia medo. Não procurava encrenca, ela que o procurava. Os dois polícias que zanzavam por lá, coitados, quase não davam conta de si: Su Pereba, filho de Maricota Chocha e Carritel de Sora, filho de Assunta Pau Fresco. Ainda mais, Absalão botava banca e pagava pinga pros meganhas, que era disso que eles mais gostavam.

Arruaceiros dos bons, Absalão não encontrava ninguém que o enfrentasse, mesmo procurando. Um ou outro chegante mais afoito parava logo com o pé-dosuvidos sibilando e zunindo, que uma mãozada dele era parente próxima de uma mão-de-pilão. Era um Sansão de força, um Hércules na lida e um Golias no tamanho. Pense num bicho bruto? Pode dobrar e vai encontrar certinha a medida dele.

Absalão tinha uma irmã moça, a Ericléia, bonita que só a porra, mas que estava fadada a ficar pra titia, porque não aparecia macho ali que ao menos pensasse em relar nela. Ninguém sabia o que poderia acontecer, qual seria a reação dele, mesmo porque ela ainda não arranjara namorado. Não sabiam, mas não arriscavam. Conhecendo a brutalidade do irmão, bem capaz que o namorado fosse viver catando cavaco. A brutalidade era tanta que Absalão mantinha em casa, bem à vista de quem passasse na rua, uma galeria com troféus em couros de onças, sucuris, porcos-espinho, jacarés e antas, que ele pegou à unha.

Não demora, dois meninos dos mais encapetados dali, brincando num monturo, certa feita, espreitaram Absalão em panos de medo, em palpos de aranha, em pulos de seriema e em gritinhos de ai, ui. Passada a tormenta, se certificaram que o valentão tinha medo de barata e o estrupício que presenciaram foi por causa de um inseto desses que topou com ele naquele ermo de lixo.

Urdiram pegá-lo na encruzilhada. Juntaram mais de cem baratas, das mais robustas às mais intanguidas,  colocaram em duas caixas de sapato e esperaram Absalão na porta do Mercado Municipal, local muito freqüentado. Dez horas da manhã e aparece ele com sua empáfia e descortesia, para desespero de muita gente que vai se espalhando como formigas atacadas. Os meninos, armados com caixas de sapato, começam a xingá-lo com impropérios impróprios e os publicáveis vão na conta de "Você é um valentão de bosta", "Seu rosca de cu de porca, vem pegar a gente se for homem". Absalão se resumiu num bicho bruto, avermelhou-se, brandiu grunhidos e xingamentos, e o povo, entre aturdido e surpreso com a atitude dos meninos, se preparou para assistir ao embate. "Vou dar nossêis é de fivela de currião", disse enquanto desamarrava a calça e corria na direção dos meninos. Eles abriram às pressas as caixas e jogaram as baratas no rumo do valentão. Absalão estancou, amareleceu, esverdeou, deu sapituca, esbarrou nas pernas, saiu gritando os ais e uis mais esquisitos e caía aqui e acolá perdendo as calças no meio da rua. Foi a maior desmoralização presenciada ali. Absalão ficou leso do juízo e passou a esmolar na rua, numa penúria dos diabos.


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POR EM 26/01/2009 ÀS 08:56 PM

Na hora de nossa morte, amém!

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Após conturbada reunião zentranscendental, Isadora, num acesso de surpreendente, que chegou a ser confundido com lucidez, enfiou um espeto no ventre, ao tempo que se desatava em risos frenéticos, admirando os jorros vermelhos. Antes de morrer, produziu alguns garranchos com o sangue. Por ocasião do suicídio de Cândido Martírio, seu marido, soube-se então que era o nome do filho que ambos desejaram. Não escapou viv’alma naquela família pioneira no destemor suicida. O lugar foi tomado por um tempo de uma exuberante agonia, dando muito trabalho a todos, especialmente aos coveiros e fabricantes de caixões.

O enterro dela teve acompanhamento da banda de música, assim como os suicídios seguintes, até que os conterrâneos de Suisse Da Mata D’Ouro ficaram impossibilitados da cerimônia, porque vários músicos da banda resolveram também se matar. Um tocou a noite toda, tentando uma instrumental asfixia, mas como as mortes eram de sangue enfiou uma tesoura no peito ao som da fúnebre sinfonia Vermelha Celeste. O segundo foi encontrado com um punhal no umbigo. O terceiro, tocador de tuba, amarrou o instrumento no pescoço, cortou os pulsos para colorir a água do Rio das Mortes, onde se jogou.

O tempo dos suicídios tomou conta de tudo e de todos no lugar, até a poesia morria de se matar. O primeiro poeta morreu três meses após o suicídio de Isadora, assim que publicou sua obra-prima intitulada Suicidou-se. Esse poema seria recitado, futuramente, na celebração da missa de sétimo dia do suicídio do prefeito, Mortiniano Funebrino. Funebrino sofreu um colapso administrativo, cortou os órgãos genitais e os jogou no vaso sanitário.

O vice-prefeito vibrou sem demonstrar. Arrumou enterro chique e condoeu-se, apesar de já ter se tornado adversário dos que adotavam aquela prática considerada por ele e seus correligionários como “a politicamente correta e nobre atitude fúnebre”.

A administração do vice-prefeito entrou em colapso pela constância das mortes e pela impossibilidade de contorná-las. Suicidar-se era um ato de bravura para a maioria da população, um nobre gesto que amenizava tudo. Pensou-se na determinação dos destinos celestes, depois do suicídio do vigário da Paróquia. A comunidade cristã passou então a acreditar nos desígnios da natureza.

O vice-prefeito, dissimulando, marcou então uma reunião urgente no salão paroquial para o dia seguinte. Na reunião, como em todas elas, cansado de ouvir potoca, o homossexual Didô Cara de Asa da Silva armou-se com uma navalha e começou a se cortar todo, tirando, inclusive, o “pingulim”. Os presentes aplaudiram, até que Mortídio Putrefacto se lembrou, e foi repreendido, da necessidade dos socorros e o levou para o Hospital das Fraquezas. O paciente foi submetido a uma proctocirurgia incisiva, para que, segundo o diagnóstico médico, pudesse morrer satisfeito.


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POR EM 01/12/2008 ÀS 05:58 PM

O que é que a banana tem?

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O desejo de Míster Fortes era ser todinho uma bananeira. Todos ali ficavam encabulados com isso e não se satisfaziam apenas com o dito de que "toda livuzia tinha sua mania". A cidade comportaria tranquilamente esse tresvariamento, se Míster Fortes não fosse à TV anunciar seu desejo inusitado. Os pais de família se preocupavam, não sabiam ao certo, com essa mania anunciada, se continuaria ou não o regime atualmente cultivado por todos, que dizia ser a virgindade essencial e fundamental para um bom casamento. Ainda mais  que começavam, subversivamente e à sorrelfa, é claro, por uns  insuspeitos "comunas bananistas", as discussões para a retirada, do Código Servil da Banana, do artigo que defendia o marido caso ele constatasse, até dois meses após o casamento, que sua mulher "já era", conforme  designava literalmente o artigo 3º , parágrafo II, do Código, o que para os mais gaiatos significava dizer que ela "estava embananada".

Era costume entre os homens lavar a honra não com chifres pontiagudos e escarnecedores, mas com a água limpa de dois rios, para refrescar a cabeça e lustrar a pontas. O corno perdia prestígio e era motivo para chacotas. Só era socialmente reconsiderado após arrancar a bananeira nupcial dela  e  enterrar no lugar os bagos de um boi curraleiro, bem chifrudo, ainda virgem.

As mulheres, como a de Míster Fortes,  Danda Fraca Fortes,  tinham de manter indubitável fidelidade à sua bananeira, sob pena de ficarem presas durante o período menstrual na Cadeia Pública dos  Dias Vermelhos, tendo de assistir, religiosa e bananeiramente, todos os dias, durante cinco horas, às pregações dos pastores bananas da Igreja do Evangelho Sextangular. A essa fidelidade denominavam de "sina bananeira" e todos já nasciam com ela, era como um pecado original. Só que aos homens a pena pelo desfrute com a carne proibida era branda. Assim mesmo, até aquele momento, praticamente não se ouviu falar de punição ao do sexo masculino, a não ser quando, por um distúrbio qualquer, aparecia algum legalista babaca querendo consertar o que não tinha mais jeito.

Para cada filho que nascia, os pais eram obrigados a plantar uma bananeira, em solenidade com banda de música e tudo mais. Também os noivos, antes das núpcias, plantavam cada qual sua bananeira. Tido com intelectual do mais alto gabarito e conhecimento, Míster Fortes era respeitadíssimo pelos representantes políticos do sistema. Acreditavam ser o único capaz de desenvolver a "Tese Bananeira", que no fundo defendia a continuidade de todos os conceitos e preconceitos, como quando reafirmava o poeta dizendo em um dos intertítulos: "Cada macaco na sua bananeira/ Chô chuá..."

Míster Fortes não era subversivo. Já o provara a milhares e melhores. Tinha idéias. "Mas idéias todos temos", filosofava. O maior complicador da situação social era o de que ele nunca explicitava com clareza sua tese bananeira e daí sobrevinham as dúvidas, deixando embananada a elite constituída. Ficava num "chove não molha" de entediar qualquer vivente. Como era intelectual, e consequentemente autoridade, quando aludia a algum ponto da tese em público, necessário e até imprescindível se tornava o aplauso, mesmo se ninguém quisesse ou até se discordasse e o achasse o maior embromador do lugar.

Os grupos feministas ameaçaram uma reação, indo para a televisão. Sem encontrar respaldo, não souberam esclarecer um ponto de vista contrário e que convencesse. Por via de inexperiência e ingenuidade, uma delas, que antes havia rasgado e queimado o sutiã em praça pública e fugido por causa da lei e da repercussão, no meio do programa ameaçou com a possível invasão de todas as plantações de bananas da região. Orientação assaz insubordinada e muito mais embananada, rebatida veementemente pelas colegas ali presentes, dando clara demonstração de insegurança. Foi motivo de orgia para os homens.

O rebate intempestivo intrigou Míster Fortes, que passou a escrever com mais autoridade ainda sua "Tese Bananeira", tendo para ele o mesmo significado de  "Memórias", pela intimidade com o assunto e também porque a considerava da máxima importância aos estudos das gerações futuras, para fortalecer as tradições e para deleite próprio.

Danda implicou com o tópico onde afirmava que as mulheres  podiam, teoricamente, ter os mesmos direitos do homem, caso conseguissem atingir com facilidade o orgasmo bipolar trifásico, "uma coisa de louco", que aos homens era comum, em função justamente da liberalidade inerente ao macho e de uma maior afinidade com a libido bananeira.

Quando adolescentes, os meninos eram iniciados na vida sexual usando os troncos das bananeiras. Aos 15 anos, em uma cerimônia denominada "estrujeição", os iniciados iam, à tardinha, com uns amigos mais velhos, os iniciadores, ao Largo da Onanibanana, do outro lado do rio, onde havia caules em abundância da Musa paradisíaca e a dança de muitas bundas das lavadeiras que sovavam roupas encardidas e, de pernas abertas e saias levantadas, deixavam à mostra o alimento da libidinagem adolescente. Furavam uma cavidade a contento e enfiavam o prazer. Regozijavam-se com os olhos, o pensamento e o doce pecado contra a castidade e a favor dos mistérios gozosos.

Em um dos parágrafos que se conseguiu sugar da tese, Míster Fortes dizia que a função bananeira, implícita hoje em dia principalmente nos relacionamentos sexuais, estava intimamente ligada à psiquê, determinando, assim, o comportamento social. Ele inseriu também o que não se cansava de afirmar: "Todos somos parte gente, parte bananeira" e que o instinto, acentuadamente o sexual, selava fraternal ligação à nossa parte bananeira. Um detalhe  que chamava atenção dizia que os órgãos sexuais masculino e feminino eram feitos à semelhança de bananas, frutas das bananeiras. O masculino com uma protuberância e, o feminino, com cavidade interna, como uma casca sem  banana.

Quando anunciou pela televisão seu desejo de ser todinho uma bananeira,  Fortes não deixou  bem clara ao público essa questão, porque estava na fase inicial da formulação da tese. Por isso, também, as indagações e polêmicas levantadas pelas feministas e por diversos pais de família. Estes, achando que o Governo devia censurar programas assim, que serviam apenas para provocar insegurança e ferir a moral da Tradicional Família Bananeira.

Preocupado com o desenvolvimento de seu bananal, Míster Fortes tratou de adubar a plantação que tinha na chácara. Por ironia agrícola, as bananeiras passaram a produzir umas frutas esquisitas, mais tarde reconhecidas como laranjas-da-terra.

Ficou assustadíssimo quando percebeu a estranha ocorrência. Imaginou que, pelo envolvimento com a questão, pudesse estar ocorrendo algo de errado com sua sexualidade. No entanto, nada percebia de anormal e, para assegurar-se da condição de macho, passou a utilizar  novos conceitos na tese, o  que, na certa, embananou mais o meio de campo. Talvez até conseguisse reafirmar a macheza, mas sua vida em casa e na sociedade decerto não seria a mesma dali em diante. Quem sabe aquilo tudo ocorria para colocar em questão a sexualidade advinda da bananeira, conforme expunha a tese na linha seguida por ele até ali, como que prenunciando a necessidade de mudanças? Abarrotou-se de dúvidas.

Abilolado e sem encontrar explicação plausível, saiu perambulando em busca de um pouco de paz e de alívio para, pelo menos, desanuviar a cachola.

- Ave, ou estou tresvariado ou o mundo está virado -, disse para si.

Intrigou-se. Sim, todas as pessoas estavam de cabeça para baixo, plantando bananeira.

Míster Fortes sempre achou que a loucura aparecia como um processo e não tão de repente. Ouviu na rua, sem querer, dois amigos cochichando sobre ele, dizendo que os frutos da bananeira seriam o prenúncio desse processo, uma de suas etapas iniciais.

"Não, não e não", inquietou-se. Precisava descobrir, com urgência, o que acontecia para que tudo fosse tão exótico.

Quando criança, ouvira do avô paterno que algo semelhante ocorrera com o bisavô Epitáfio Fortes, que teve sobressaltos horríveis e um final muito, mas muito triste. Chegou a perpetrar a formação de um exército bananicida, tirado única e exclusivamente de sua imaginação, para  arrasar as plantações locais. Por não lograr êxito na idéia estapafúrdia, já que a população saiu armada em defesa, comeu inúmeras dúzias de bananas e suicidou-se por empanzinamento.

Aos poucos e com muito exercício mental, Míster Fortes percebeu que nada era assim tão esdrúxulo e passou a conviver naturalmente com as pessoas de cabeça para baixo e as bananeiras que davam laranjas-da-terra, como ocorria agora com todas as que foram plantadas em sua chácara. Na tese, chegou à conclusão de que a inferioridade feminina, tão apregoada pela sociedade, reinava paralelamente ligada à questão bananeira. Essa situação fazia os ricos cada vez mais ricos e os pobres muito mais pobres, conforme comprovou mais tarde quando reuniu em praça pública todas as mulheres do Cabaré Martinica em um colóquio libidinoso e amoral, para mostrar à sociedade, na prática, o que tentava explicar em tese.

Foi um horror! As autoridades o prenderam e o condenaram a ficar dependurado de cabeça para baixo no meio da rua. Aos poucos recobrou a lucidez e se desculpou pelo que lhe contaram que havia feito. Quando o retiraram do castigo, que homem ali tinha certos direitos, novamente virou um "zetelo" e foi aquele "buzufu" com as mulheres na praça. O homem se desvirou numa "indroma", para desespero de todos. Por isso, foi condenado a viver plantando bananeira e não falou com mais ninguém, o que nos impediu de saber o que de específico, exótico e recôndito a banana tem.


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