revista bula
POR EM 10/10/2011 ÀS 08:13 PM

Matrix

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(O pequeno artigo abaixo saiu em 2006 na Bula, mas estou ressuscitando-o por conta de ter visto “Matrix” numa lista de filmes mais bem avaliados do site IMDB, em que figura na vigésima primeira posição) 

Em junho de 2003 publiquei um artigo no jornal “O Popular” (Descarregando Matrix), em que aproveitava o gancho do filme para traçar um paralelo entre os arrasa-quarteirões hollywodianos e a situação geopolítica norte-americana. Resumindo, eu dizia que as estorinhas batidas desses filmes invertiam o que acontecia na prática. Nos filmes, uma minoria de lunáticos que acreditava ser capaz de vencer forças do mal incomparavelmente mais poderosas, acabava vencendo mesmo, against all odds. Na vida real, os EUA é que eram os Matrix e Darth Vader da vida. Eu ficava (e ainda fico) curioso em saber como o americano médio se comportaria se tivesse essa clarividência. 

O fato é que, como aproveitei pra descer a lenha nesse filminho de luta metido a besta, recebi tanta porrada por e-mail que quase entrei pra mesma academia de Neo, aquela em que se aprende rapidinho e sem esforço. Pois caí na besteira de descer a lenha nessa porcaria outra vez, contraindicando-o na Bula. Pelo visto, apesar de ter um ou outro admirador contido e racional, ciente das (muitas) limitações do filme, “Matrix” enseja a existência de fanáticos que competem com os de “Jornada nas Estrelas” pelo troféu de campeão de falta de noção de ridículo. Mas antes que mandem Smiths (sinceramente...) em meu encalço, eu concedo um pouco. Há duas maneiras de se “defender” “Matrix”. A mais óbvia é a de que se trata de entretenimento. Essa não tem discussão. É oito ou oitenta. Ou se gosta de filme de luta e perseguição de carro, ou não se gosta. Vou eu tentar convencer um lutador de Jiu-Jitsu que os filmes do Van Dame são lixo? Sou besta?! Da mesma forma nem tento convencer minha esposa de que Tom Hanks e Meg Ryan juntos dão cárie. Vou. Assisto. Depois me vingo (ah, me vingo...). Há gosto pra tudo nesse mundo (graças a Deus!). E gosto tem-se. Ou não.  


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POR EM 13/08/2011 ÀS 11:57 AM

Pequeno guia de museus em Nova York e Boston

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Sei bem que só a ideia de um leigo se propor a fornecer um guia de museus, particularmente de arte, ainda que pequeno, já soa pretensiosa para alguns, os, digamos, profissionais. Pois isso faz tanto sentido quanto dizer que apenas escritores podem opinar sobre livrarias. Então dá licença que eu quero passar com minhas opiniões.       

Há basicamente quatro tipos de frequentadores de museus de arte. Os turistóides, que não dão a mínima pra arte e acham até muito chato, mas fazem questão de “carimbar o passaporte”. Esses são uma praga que infesta museus de todo mundo com suas máquinas fotográficas e conversas altas, sua preferência pelo que é famoso. Há o turista curioso, que não é tão ligado assim em arte, mas gosta de sempre dar chance e acaba se surpreendendo. Há o amante da arte, estudioso diletante, que prefere mil vezes repetir uma visita a um bom museu do que fazer city tour ou coisa parecida. Finalmente, há os profissionais, entendidos aqui tanto como os artistas, quanto os críticos e/ou formados academicamente no assunto. Esse guia dirige-se para as duas categorias do meio.

Antes de falarmos dos museus de arte, algumas palavras sobre os outros. O “The American Museum of Natural History” fica na Central Park West, em frente ao Central Park, bem no rumo do “Metropolitan Museum of Art”, do outro lado do parque, na quinta avenida, o que é ideal para os turistóides, pois carimbam o passaporte duas vezes num mesmo dia, ou menos. Eu já fui mais ligado em zoologia, arqueologia, essas coisas, mas não sou mais. Meu interesse nesse tipo de museu, portanto, é do tipo “turista curioso”. Há exposições temporárias boas para crianças, como a sobre o funcionamento do cérebro, por exemplo. Desaconselho ver o filme do planetário. Não porque seja ruim, pelo contrário, é bem bacana. Mas você ouvirá o tempo todo falar em milhões e bilhões de anos, morte de planetas, enfim, sairá de lá com uma depressão ozymandíaca. No mínimo, estragará seu almoço. Uma diversão à parte é achar os pontos que aparecem no filme “Uma Noite no Museu”.


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POR EM 21/07/2011 ÀS 03:40 PM

Tanglewood – a casa da Boston Symphony Orchestra durante o verão

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James LevineNo fim de semana passado alugamos um carro e viajamos até a região chamada Berkshires, a duas horas de Boston, oeste do Estado de Massachusetts. É uma região bonita e com alguns pontos turísticos interessantes, para ver uma vez, como a casa de Herman Melville, em Arrowread, ou o Museu de Norman Rockwell.             

Digo “uma vez” porque acho que vale, sim, uma visita. Não mais, porém. A casa de Melville é um  programa meio idiota (mesmo para turistas interessados em literatura), e as pinturas de Norman Rockwell quase me fazem sentir saudades de arte abstrata. Além disso, tem as cidadezinhas que parecem tiradas de filmes de época (que em outubro ficam cheias de abóboras na porta) e, se você está disposto a gastar, resorts com campos de golfe. Ah, sim, quase ia me esquecendo, há um outlet bem razoável, dá até coragem de comprar roupa de marca famosa, por conta dos preços bem mais acessíveis.             

Mas o que me fez voltar aqui foi mesmo Tanglewood, o que comprova como nossa memória é seletiva para os prazeres, eliminando convenientemente os aspectos negativos. Mais adiante explico por quê.  Tanglewood é uma espécie de parque, uma enorme área verde com um enorme teatro aberto, embora com as entradas controladas, pois os ingressos para as cadeiras dentro são mais caros do que simplesmente ficar de fora em cadeiras e tendas próprias. Durante o verão (junho, julho, agosto) a Boston Symphony Orchestra (BSO), uma das mais prestigiosas dos EUA, que já foi dirigida pelo brilhante Seiji Osawa (quando eu morei aqui, em 1994-95) e agora pelo não menos brilhante, mas infelizmente alquebrantado James Levine, muda-se de mala e cuia pra cá. Infelizmente.        


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POR EM 08/07/2011 ÀS 06:44 PM

Nova York em 5 dias

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Fiquei com inveja do roteiro de Paris do Marcelo Franco. Aqui vai o meu. Só que não será literário. Nem tão erudito. E não será Paris, a ex-capital do mundo, mas, sim, Nova York, a atual capital do mundo (nem adianta espernear).
               
Dia 1 — Quinta-feira — Chegar — Trânsito infernal. Único dia em que você não comprou ingressos antecipadamente.

(O quê? Não comprou pela internet com pelo menos três meses de antecedência? Esqueça. Ou sentará mal pagando caro, ou enfrentará fila quilométrica para comprar “barganhas”. Certa vez, uma dessas barganhas me deu torcicolo, pois tinha uma pilastra na minha frente!)
               
Mas voltando. Primeiro dia, à tarde, andar pela Times Square e deixar-se invadir pela poluição visual mais famosa do mundo (tudo aqui é “o mais do mundo”, já viu?). Desça em direção à quinta-avenida, passe pela loja da Apple, faça papel de bobo, segurando seu novo iPad2 (ou não). Se estiver com filhas, forçosamente seguirá adiante para a loja da American Girl. Ou não. Convença sua esposa a fazer isso enquanto você dá um pulo no MOMA (Museum of Modern Art). No MOMA:  Está acontecendo uma exposição de arte contemporânea africana. Pule. Ou passe rápido. Ou, sei lá, tem gosto pra tudo, demore-se.  (Não porque é africana, mas por ser tipicamente contemporânea. Espere até eu te contar  sobre Lee Ufan no Guggenheim). Vá direto à coleção permanente, onde encontrará Picasso, Dalí, Kandinsky, Miró (esse me dá grandes acessos de riso, mas, vá lá, sempre dou uma conferidinha), Balthus (“The Street” merece pelo menos 30 minutos de contemplação embevecida), Léger, Magrite, etc, e, claro, os dois ícones americanos, Andy Warhol e Pollock. Warhol é a prova maior do que o marketing é capaz de fazer com a mente humana, com a massa, o Das Man. Quanto a Pollock... sabe que estou até me acostumando?             


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POR EM 04/06/2011 ÀS 02:37 PM

Por que Woody Allen é o artista mais brilhante que já existiu (parte final)

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Woody AllenO que é o gosto? É possível gostar de algo “objetivamente”? É possível criar categorias classificatórias e/ou hierarquizantes para o gosto? Por que Machado de Assis é melhor do que Paulo Coelho? Ou Woody Allen do que Steven Spielberg? Ou João Cabral de Melo Neto do que Cora Coralina? A essa altura provavelmente algum leitor percebeu que os primeiros são minha preferência e já discordou de alguma delas. Pode estar se perguntando, estarrecido, “E desde quando Woody Allen é melhor do que Steven Spielberg?!”, por exemplo. Daí eu despejarei sobre esse incauto que ousou discordar de meu gosto que Woody é mais filosófico e Spielberg é mais entretenimento.

Direi que seus diálogos são inteligentes e recheados de referências eruditas que nos instigam (li Ernest Becker e Marshall McLuhan por causa dele, fui procurar saber qual das sinfonias de Mozart era a 47 por causa dele, fui apresentado a Cole Porter por ele, degustei melhor a natureza morta de Cézanne empurrado por ele), seu humor cáustico, seu realismo que beira o cinismo, sua absoluta não-concessão a padrões comerciais, suas obsessões neuróticas, suas neuroses obsessivas. Seu trânsito fácil por comédias e dramas, por vezes entremeando-os para fazer obras-primas, como “Crimes e Pecados”, é merecedor do elogio platônico no final do “Banquete” (“aquele que com arte é poeta trágico é também poeta cômico”). Sua trilha sonora é sempre de muito bom gosto. Sua fotografia é impecável.


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POR EM 06/05/2011 ÀS 11:47 AM

O que eram as coisas brancas?

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"Essas peças de louça são uma companhia de repertório, representando papéis em cada sonho. Não, não foi assim que começou. Ele disse que as peças de louça representavam um papel em cada pintura. O artista mostrava slides de naturezas mortas que havia pintado ao longo de trinta anos. Alguém na pequena e atenta platéia disse, “Essa não é a xícara do quadro de alguns anos atrás?”. Sim, era, o artista respondeu, e a tigela e a jarra e a taça também. Quem era a mulher nua encostada na mesa em que estavam dispostas as peças de louça? O artista não disse, e ninguém na pequena e atenta platéia perguntou.
           
Eu estava contente de olhar aqueles objetos que prenderam a atenção de um homem talentoso por tantos anos. Havia chegado à palestra a caminho de outro lugar, um compromisso com um médico a quem minha médica havia encaminhado.  Dois dias antes, ela me contava o nome desse outro médico e seu endereço e, eu preciso dizer, parei de ouvir, embora — ou porque — fosse importante. Então, em vez de ir ao consultório do radiologista, acabei parando numa igreja onde havia um anúncio da palestra do artista, numa placa na parte de fora: “Encontrando o mistério na claridade”. Não costumava ser o contrário do que a maioria das pessoas procurava? Pensei comigo, vou aprender algo! A louça era branca, não esmaltada, e pintada de forma realista. As peças tinham sombras de diferentes tamanhos, dependendo do ângulo da luz em cada quadro.  Às vezes as peças estavam enfileiradas, tocando umas as outras, outras vezes havia espaços entre elas. Seriam esses espaços parte do mistério que o artista tinha em mente? Será que ele queria que fôssemos literais e pensássemos: ausência? Ele disse que a mente quer fazer sentido de algo, a mente quer saber o que algo significa. Ok, disse o artista, aqui está o que eu pintei em setembro. Na tela, um tampo de mesa familiar — familiar por anos de suas naturezas mortas — e as duas mais altas peças de louça, o jarro e o vaso, estavam faltando; nada havia em seu lugar."


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POR EM 01/05/2011 ÀS 02:00 PM

Por que Woody Allen é o artista mais brilhante que já existiu (parte 2)

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Antes de seguir adiante, vale dizer algumas poucas palavras acerca da discussão sobre ser o cinema uma forma de arte. Poucas, pois argumentar demais nesse terreno é jogar precioso latim fora. Afinal, quem diz não ser arte o cinema é um de dois tipos de pessoa. Ou não acredita de fato no que diz e só o faz pelo prazer da provocação. Ou realmente acredita, e aí será o caso de alguém que, por não gostar da cor azul, afirma que azul não é cor. Nas duas situações é inútil argumentar.

Há, entretanto, uma ponderação pertinente que o inimigo faz. Merece resposta. Diz respeito à autoria. Filmes têm vários “autores”, quem seria o artista? O autor do livro que deu origem à adaptação? Do roteiro? O diretor? O editor? O fotógrafo? O autor da trilha sonora?

A resposta fornecerá minha primeira peça de defesa quanto a ser Woody o mais brilhante artista que já existiu. Pois ele é praticamente isso tudo. Seus filmes são todos originais, nenhum é adaptação. Quer dizer, há as adaptações, mas de peças dele mesmo (“Play it again, Sam”, “Don't drink the water”, “Shadows and Fog”). E a partir de “Take the Money and run” (1969), ele é sempre o diretor (exceto de “Play it again, Sam”, 1972), e, como diretor, é absoluto maestro, guiando seu fotógrafo, seu editor e escolhendo ele mesmo todas as músicas (jazz tipo big band, Bach, Schubert, Mozart e algumas óperas são recorrentes).


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POR EM 27/03/2011 ÀS 11:30 AM

Por que Woody Allen é o artista mais brilhante que já existiu

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Woody Allen, por Dominic Philibert O mundo está dividido em duas categorias. De um lado, Ciência & Tecnologia, do outro, Artes & Humanidades. Não adianta procurar a referência, quem disse isso fui eu mesmo. E mais: toda vez que leio que o homem moderno é intolerante, que o mundo de hoje, mais violento, que as pessoas de uns tempos pra cá têm preguiça de pensar, me doem as cáries. Tudo merda de touro. O homem sempre foi intolerante, o mundo sempre foi igualmente violento, e as pessoas, em geral, morrem de preguiça de pensar. Nem todas, claro. Como regra, as que não têm preguiça, fazem Artes & Humanidades. As intelectualmente limitadas, Ciência & Tecnologia.

O que não significa que Artes & Humanidades sejam melhores. Muito pelo contrário. São piores. Não servem pra nada. Absolutamente nada. Quer ver? Imagine o mundo sem Monet, Beethoven, Nietzsche, Shakespeare, Woody Allen. Conseguiu? Fácil. Agora imagine o mundo sem computador, telefone, água limpa e encanada, marca-passo, stent, lente intraocular, pasta de dente, avião, navio... Sim, eu sei que o mundo já viveu sem isso. Mas agora que tem, não vive sem. O mesmo não pode ser dito a respeito dos citados acima. Digo isso porque não gosto de Monet, Beethoven, Nietzsche e Woody Allen? Justamente o contrário. Sou perdidamente apaixonado por essas e outras figuras semelhantes. Mas prefiro perdê-las do que tudo aquilo que os intelectualmente preguiçosos me proporcionaram.


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POR EM 25/02/2011 ÀS 04:02 PM

As hienas vão ao teatro

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Eduardo SterblitchAdvertência: O desabafo abaixo é inapropriado para menores de idade e para aqueles que não estão dispostos a terem desabafos estragando seu dia.
          
"Porra, obrigado pra caralho! Não, sério, obrigado pra caralho! Obrigado pra caralho mesmo!...Não, sério, obrigado pra caralho... Pra caralho!" Imagino que você, leitor, está morrendo de rir, não? Não? Ufa, então você não fazia parte da plateia de submentais que lotou o Teatro Rio Vermelho, no Centro de Convenções de Goiânia, na última sexta-feira, pra assistir à peça “Minhas sinceras desculpas”, com Eduardo Sterblitch. Multiplique as frases entre aspas acima por 20 e terá a introdução da peça. Cada vez que ele dizia um palavrão, a plateia caía na gargalhada. E assim foi durante todo o espetáculo. Ou, pelo menos, enquanto eu estava lá pra assistir. Saímos, eu e minha esposa, antes de acabar. Não por causa dos palavrões. Mas por causa da reação infantil a eles.
           
Foge por completo à minha compreensão o motivo da graça. Éramos, na plateia, todos adultos, maiores de idade, portanto já ouvimos palavrões aos montes (e já os dissemos aos montes também). Além do mais, o conteúdo não tinha nada de engraçado. Tratava-se de um desabafo do ator. Que, por sinal, curtiu com a cara da plateia o tempo todo. E o bando de bobos alegres se borrando de rir e, ainda, tentando interagir com o ator. O ponto alto foi quando Sterblitch se referiu a nós como “riquinhos nojentos” que se recusam a dar esmola pra mendigo porque ele gasta com bebida. “Deixa ele beber, porra!”. E tome risada.


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POR EM 07/02/2011 ÀS 02:19 PM

Será que a universidade te faz mais inteligente?

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Esse debate saiu na sessão ‘Room for debate’, do "New York Times". Traduzi a introdução integralmente, mas as posições de cada debatedor eu resumi. No final está minha própria opinião, a quem interessar possa. Quem quiser conferir se eu fiz besteira, eis o link pro original.

Primeiro foi a notícia de que estudantes universitários norte-americanos estudam bem menos do que costumavam estudar.  Agora sabemos, pelo livro recém-publicado “Academicamente à deriva”, que 45% dos graduandos dos EUA aprendem muito pouco em seus primeiros dois anos de universidade.

O estudo, realizado por dois sociólogos, Richard Arum, Da Universidade de Nova York, e Josipa Roksa, da Universidade da Virginia, também constatou que metade dos estudantes pesquisados não se inscreviam em cursos que requeressem 20 páginas de texto escrito no semestre anterior (ao da pesquisa), e que 1/3 não se inscrevia em cursos que requeressem 40 páginas de leitura por semana. Essa pesquisa foi recebida com algumas críticas. Mas a grande questão é: Será que as universidades, em seu esforço de aumentar o número de alunos formados, e estes, felizes, emburreceu seus currículos? Se sim, quem se deve condenar? O que devem fazer os pais e os pagadores de impostos federais?


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