revista bula
POR EM 11/10/2010 ÀS 05:38 PM

Nobel para um escritor liberal

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Mario Vargas LlosaA Academia Sueca não premiou Philip Roth, autor do magistral romance “O Teatro de Sabbath” (relançado pela Companhia das Letras), mas fez justiça ao conceder o Prêmio Nobel de Literatura ao maior escritor peruano de todos os tempos, Mario Vargas Llosa (pronuncia-se “Lhôssa”, com acento circunflexo na vogal “o”), de 74 anos.

 Escritor de múltiplos talentos, Llosa escreveu histórias sofisticadas, como “Conversa na Catedral”, “Os Cadernos de Dom Rigoberto”, “Tia Júlia e o Escrevinhador” (um acerto de contas com sua própria história; ele foi casado com uma tia, que, mais tarde, rebateu-o num livro de escassa repercussão), “Pantaleão e as Visitadoras”, “Quem Matou Palomino Molero?” e “A Cidade e os Cachorros”. Pegue qualquer um desses livros e poderá comprovar como o autor escreve bem, como sua prosa é fluente, ágil, enérgica. Como poucos, dialoga com precisão cirúrgica com o moderno e a tradição, indicando que esta pode ser tão moderna, ou até mais, do que alguns prosadores ditos modernos e inventivos. O autor tem sorte no Brasil, pois suas traduções, como as de Sergio Molina e José Rubens Siqueira, são perfeitas ou quase perfeitas. Escrevo “quase” porque, em tradução, perde-se alguma coisa sutil que só pode ser assimilada na própria língua. A respeito de Llosa deve ser ressaltado que se trata, acima de tudo, de um estilista poderoso — um lídimo discípulo de Flaubert e, quem sabe, Henry James (a diferença é que, às vezes, é brutal, e James não o é). Poucos escritores vivos escrevem tão bem.


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POR EM 06/10/2010 ÀS 05:23 PM

Quem ganhará o Nobel de Literatura?

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Cormac McCarthy e Ngugi wa Thiong’o

António Lobo Antunes, escritor português, certamente não vai ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Porque a Academia Sueca concedeu há pouco tempo o prêmio a José Saramago.  O brilhante peruano Mario Vargas Llosa, tido como liberal, tem poucas chances. Philip Roth é americano e isto, para os europeus, não é “positivo”. Roth, nos últimos anos, decidiu assumir o discurso da esquerda, mas, mesmo assim, parece não agradar os suecos. E, apesar de vituperado por judeus radicais, o autor de “O Complexo de Portnoy” é judeu. Como os notabilíssimos israelenses Amós Oz e David Grossman. Outros americanos citados como nobelizáveis: Thomas Pynchon, Joyce Carol Oates, John Ashbery, E. L. Doctorow, Don DeLillo e Gore Vidal. 

O britânico Ian McEwan tem os mesmos “defeitos” e “virtudes” de Llosa: é liberal (parece que é crime ser liberal no mundo contemporâneo) e escreve muito bem. Cormac McCarthy não se interessa muito por política, é aceito por todos como escritor do primeiro time, mas, com seus romances sobre a mitologia americana cercada por certo universalismo (como o tema da violência e o choque entre valores e tempos), talvez seja, como Roth, considerado americano demais. Mas está bem cotado na “bolsa de apostas”. O jornal espanhol “ABC” aposta na escolha do queniano Ngugi wa Thiong’o. Nomeia-o como favorito numa reportagem, mas põe Cormac McCarthy, autor do esplêndido romance “Meridiano de Sangue” — espécie de Shakespeare do Oeste americano —, como segunda opção.


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POR EM 04/10/2010 ÀS 10:58 AM

Stálin destruiu o poeta mas perdeu batalha histórica

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De Mandelstam Para Stálin O poeta russo Óssip Mandelstam escreveu um poema sobre Stálin, no qual chamava-o de assassino e de ter bigodes de barata, e acabou preso na Lubianka e, depois, no Gulag (campo de concentração e trabalhos forçados). “Em outubro de 1938, sem medicamentos e sem cuidados adequados, o poeta russo Óssip Mandelstam morreu em Vtoraya Rechka, paranoico e delirante”, conta a historiadora Anne Applebaum no livro “Gulag — Uma História dos Campos de Prisioneiros Soviéticos” (Ediouro, 749 páginas), digno “sucessor” do “Arquipélago Gulag”, do escritor Alexander Soljenítsyn. No conto “Licor de Cereja”, Varlam Shalamov relata os últimos dias do homem que desafiou o ditador: “Ele já não ficava de olho na ponta do pão [a mais comestível], nem chorava quando não a conseguia. Já não enfiava o pão na boca com dedos trêmulos”. O assassino intelectual de Trotski conseguiu o que planejou: destruiu física e mentalmente um dos poucos homens que, mesmo sabendo dos riscos, teve coragem de enfrentá-lo publicamente. A poesia de Mandelstam tem sido editada no Brasil e, sobretudo, em Portugal. Para conhecê-lo, é fundamental a leitura de “Contra Toda Esperança”, as memórias de sua mulher, Nadejda Iákovlevna Mandelstam. A maioria de seus poemas foi decorada por Nadejda e posteriormente, com a “morte” do stalinismo, publicada. Ela sabia literalmente todos os poemas de cor. Quem não tem acesso à obra-prima de Nadejda pode consultar o recém-lançado “De Mandelstam Para Stálin — Um Epigrama Trágico” (Record, 375 páginas, tradução de Mauro Gama; o poeta e crítico Marco Lucchesi revisou a tradução e traduziu trechos de alguns poemas), de Robert Littell.


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POR EM 28/09/2010 ÀS 01:38 PM

O operário que cruzou os braços diante de Hitler

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No destaque: August LandmessermNão é fácil resistir ao poderio de uma ditadura popular... como a nazista. Pois um trabalhador solitário, August Landmesserm, decidiu desafiar o totalitarismo do regime de Adolf Hitler. Em 1936, em Hamburgo, numa solenidade, enquanto todos saudaram o Führer, Landmesserm cruzou os braços.

A fotografia mostra todos ovacionando Hitler, com a tradicional saudação com o braço direito levantado, mas, exibindo com muita coragem sua objeção de consciência, Landmesserm permanece impassível, com os braços cruzados. O jornal espanhol “ABC” diz que se trata de uma das imagens mais famosas da história bélica. A história de Landmesserm é curiosa. Em 1931, filiou-se ao Partido Nacional-Socialista Operário Alemão, “com a esperança de encontrar um emprego” (os nazistas chegaram ao poder em 1933, e legalmente). Mesmo assim, assinala o jornal, o operário não comungava das ideias nazistas.


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POR EM 24/09/2010 ÀS 10:51 AM

A vida escandalosa da primeira-dama e cantora Carla Bruni

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Carla — Uma Vida SecretaA biografia “Carla — Uma Vida Secreta” (Editora Flammarion), da jornalista Besma Lahouri, será publicada em outubro, mas já está provocando polêmica. Os advogados do presidente francês Nicolas Sarkozy estão examinando o texto. Entre seus aliados há quem queira pedir à Justiça que impeça a circulação do livro, que contém informações bombásticas sobre a cantora Carla Bruni, mulher do líder francês.

Lahouri fala dos muitos namorados e amantes de Carla Bruni, de seus vários escândalos, das fotografias nada discretas, das drogas. Entre suas conquistass estão Eric Clapton e Mick Jagger.

A biógrafa diz não temer a pressão presidencial e, numa entrevista, atacou: “Carla é uma mulher que sempre viveu em bairros de ricos, em grandes mansões familiares, rodeada de criados. Não tem o mínimo contato com a realidade e vive em uma redoma dourada. Está muito mal informada sobre a vida do francês médio. Só lhe interessa sua imagem, que tenta controlar por todos os meios. Se diz mulher de ‘esquerda’, mas não fala nada da atualidade. Está convertendo-se em um problema político para seu marido”. A imagem comportada de Carla Bruni é, segundo Lahouri, uma construção dos marqueteiros de Sarkozy. A cantora e agora primeira-dama francesa é, segundo a jornalista, “uma devoradora de homens”. O livro, segundo o diário francês “Le Parisien”, afirma que Carla Bruni é quem seduz os homens, pois gosta de tomar a iniciativa. Apaixona-se e desapaixona-se facilmente.


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POR EM 18/09/2010 ÀS 01:15 PM

O socialista inglês George Orwell foi dedo-duro?

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George Orwell Quando lançado no Brasil, em 2008, o livro “Quem Pagou a Conta — A CIA na Guerra Fria da Cultura” (Record, 556 páginas, tradução de Vera Ribeiro), de Frances Stonor Saunders, formada em Oxford, ganhou resenhas elogiosas, mas nenhum comentário crítico. O motivo é o de sempre: teorias conspiratórias de esquerda são aceitas como verdades irretorquíveis nos cadernos culturais. O jornalista e escritor inglês George Orwell, morto aos 46 anos, em 1950, é uma das “vítimas” da autora. Ao contrário de biógrafos e ensaístas, Saunders acredita na história de Isaac Deutscher de que Orwell plagiou o romance “Nós”, do russo Yevgeny Zamyatin, que, perseguido pelo stalinismo, exilou-se na França. Ex-trotskista e eterno socialista, Deutscher escreveu que faltavam ao seu adversário “senso histórico e compreensão psicológica da vida política”. Sessenta quatro anos depois da morte de Orwell, sabemos que sua crítica ao totalitarismo, de esquerda (stalinismo) e de direita (nazi-fascismo), permanece pertinente. O romance “1984”, de 1948, persiste vivo, um perceptivo mapeamento histórico e psicológico, além de resistir como literatura, de uma sociedade totalitária. O herói ou ex-herói de Deutscher, Liev Trotski, era menos perspicaz do que o autor da novela “A Revolução dos Bichos”. Se a crítica do biógrafo de Trotski não resiste a um peteleco, outra crítica é mais grave. Orwell teria sido “dedo-duro”, segundo a versão apresentada por Saunders.


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POR EM 12/09/2010 ÀS 06:42 PM

Arnaldo Jabor como cronista é uma piada

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Arnaldo JaborAs pessoas parecem não entender mais o que é artigo e o que é crônica. O artigo é, em geral, uma tentativa direta de intervenção na realidade. Assim, é francamente datado, e raros sobrevivem à corrosão do tempo. A crônica é um olhar, supostamente mais suave, sobre a realidade, e não tem o objetivo de mudá-la. Por vezes, a crônica sobrevive, porque se toma a realidade como tema, um fato do dia anterior, trata-a não raro com as tintas da literatura e, deste modo, pode acabar se tornando eterna. João do Rio, Rubem Braga e Paulo Mendes Campos deixaram crônicas impagáveis, verdadeiras peças literárias. Alguns delas, lidas quarenta ou cinquenta anos depois, permanecem viçosas como o bebê que nasceu ontem.

Um dos equívocos dos jornalistas é tratar Arnaldo Jabor como cronista. Considerado como cronista, Jabor é muito ruim, quase aloprado, um chato monotemático. Visto como articulista, é dos melhores, tanto pela coragem de se posicionar, como pela qualidade de sua argumentação. Mas seus textos são datadíssimos e possivelmente morrerão com o governo Lula e o PT, os quais o polemista ataca com fúria, e, quase sempre, com razão. Pelo que leio na imprensa anti-lulista e anti-petista, o PT quer ficar 30 anos no poder, ou talvez eternamente, como se fosse o PRI da América do Sul. Mas o PRI, como o socialismo soviético, também ruiu. O PT poderá ficar muito tempo no poder, talvez 16 ou 20 anos, mas, um dia, cairá.


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POR EM 05/09/2010 ÀS 06:10 PM

Jornalista garante que Hitler morou e morreu na Argentina

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HitlerO livro “El Exilio de Hitler” (Ediciones Absalón, 493 páginas), do jornalista argentino Abel Basti, de 54 anos, sustenta que o líder nazista e sua mulher, Eva Braun, não se mataram. “Fugiram” para Barcelona, onde passaram alguns dias, e depois foram para a Argentina, onde Hitler "morreu", nos anos 60.

Dezenas de livros mais equilibrados sustentam que a polícia secreta comunista levou os restos mortais (queimados) de Hitler e Eva Braun para a União Soviética. Basti afirma, sem apresentar documentação confiável, que a informação não é verdadeira e que os nazistas, como Hitler, o chefe da Gestapo, Heinrich Müller, e Martin Bormann plantaram pistas falsas. Entrevistado pelo jornal “ABC”, da Espanha, sustenta que “existem três documentos” que comprovam que o nazista não se matou: “Do serviço secreto alemão, que dá conta de que chegou a Barcelona, procedente de um voo da Áustria; do FBI, que indica que ‘o exército dos Estados Unidos está gastando a maior parte de seus esforços para localizar Hitler na Espanha’; e um terceiro do serviço secreto inglês, que fala de um comboio de submarinos com líderes nazistas e ouro saindo rumo a Argentina, fazendo uma escala nas Ilhas Canárias”. O livro, publicado em maio deste ano (sem edição brasileira), provoca sensação na Espanha, pelas revelações “surpreendentes” e, no geral, contestadas por historiadores profissionais. Mas as informações de Basti não deixam de ser curiosas, principalmente por ser correta mas óbvia a informação de que vários nazistas escaparam para a Argentina de Juan Domingo Perón. Um jesuíta nonagenário é apresentado por Basti como uma de suas mais importantes fontes. Ele dispõe de muitas informações sobre a presença de Hitler na Espanha, segundo o jornalista. No livro, porém, não revela nada de sensacional.


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POR EM 30/08/2010 ÀS 09:55 PM

A vingança de Moby Dick

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No Coração do MarPublicado em 1851, “Moby Dick”, de Herman Melville, é um clássico. O romance é produto da imaginação do escritor americano — discípulo que rivaliza com Shakespeare — e, ao mesmo tempo, baseado em fatos reais. Muitos leitores certamente avaliam que o espírito vingativo de Moby Dick, um cachalote gigantesco, é uma invenção literária de Melville. A baleia do livro parece ter sentimentos, como a capacidade de ser vingativa, de perseguir o seu perseguidor, o obcecado capitão Ahab, que parece mais selvagem do que seu oponente marítimo. A história é baseada num acontecimento real, de 1820, que, sem a cobertura da recriação poderosa da literatura, teria se tornado um rodapé na história náutica. Baleias atacam barcos de curiosos que aparentemente as agridem, talvez pela proximidade excessiva e ameaçadora. Na edição de 22 de julho do jornal espanhol “El País”, Lali Cambra relatou, na matéria “O ataque da baleia”, como um mamífero de 40 toneladas atingiu e destruiu parcialmente o barco Intrepid, na costa atlântica da Cidade do Cabo.

O jornal publicou duas fotografias, da Agência EFE (o nome do fotógrafo não é mencionado), impressionantes. A primeira exibe a baleia jogando-se sobre o Intrepid. A segunda mostra o barco de 10 metros destroçado. A reportagem afirma que é “inusual” baleias se jogarem em cima de barcos. Autoridades marítimas sul-africanas concluíram que a baleia pode ter sido “acossada e perseguida” por pessoas que ocupavam pelo menos dois barcos — um deles o que quase foi afundado. Paloma Werner e Ralph Mothes, proprietários do barco, contaram que, assim que avistaram a baleia, desligaram o motor. O casal observou-a por cerca de uma hora, a uma distância de 120 metros. Eles “asseguram que a baleia, sem que fizessem qualquer coisa, aproximou-se e jogou-se em cima da embarcação”. Nenhum deles se machucou.


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POR EM 22/08/2010 ÀS 12:09 PM

Hitler não foi herói na primeira guerra

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Adolf HitlerSerá lançado na Inglaterra, em setembro, o livro “A Primeira Guerra de Hitler”, do historiador Thomas Weber, da Universidade de Aberdeen (Escócia). Weber sustenta que mais de 70% de seu livro é baseado em fontes ainda não utilizadas por outros pesquisadores. Parte de suas revelações foi retirada dos arquivos do 16º Regimento de Reserva da Infantaria Bávara (RIR 16). Os arquivos não haviam sido catalogados nem utilizados pelos especialistas.

Weber diz que os historiadores compraram a tese, elaborada pelos nazistas, que reescreveram depoimentos, de que Hitler esteve na “vanguarda” da Primeira Guerra Mundial, como soldado e, depois, cabo. Como “estafeta”, o militar austríaco, a serviço do exército alemão, levava mensagens àqueles que estavam no front. É a tese tradicional. O historiador contesta e afirma que Hitler era mesmo portador de mensagens, mas para militares que atuavam na retaguarda. Segundo reportagem do jornal espanhol “ABC”, “Adolf Hitler não foi um herói na Primeira Guerra Mundial”, com material da agência EFE, o pesquisador encontrou dados que indicam que o “mensageiro estava sempre a mais de cinco quilômetros da linha de frente” da batalha. Em 1918, Hitler ganhou a cruz de ferro, proposta pelo tenente judeu Hugo Gutmann. A reportagem do jornal, mera transcrição de um texto de agência, não cita “Hitler”, do inglês Ian Kershaw, embora a alentada biografia tenha sido publicada na Espanha em dois volumes.


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