revista bula
POR EM 16/12/2010 ÀS 04:52 PM

Morre a poeta russa que cantou o amor

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 Bella Akhátovna AkhmadúlinaA poeta russa Bella Akhátovna Akhmadúlina, de 73 anos, morreu no fim de novembro deste ano, com nenhuma repercussão no Brasil, onde certamente é (se é) mais conhecida por ter sido casada com o poeta Ievguêni Ievtuschênko. Em Portugal, sua morte foi noticiada no jornal “Público”. Luís Miguel Queirós conta que o poeta Joseph Brodsky, Nobel de Literatura de 1987, “a classificara como o maior poeta vivo de língua russa”. A ensaísta Sonia I. Ketchian, pesquisadora de Harvard e autora de um livro sobre Izabella (Bella) Akhmadúlina, “diz que” ela “só tem comparação, na poesia russa do século 20, com Anna Akhmátova, Marina Tsvetáieva, Óssip Mandelstam e Boris Pasternak”.  O livro “Poesia Soviética” (Algol Editora, 654 páginas, 2007), com tradução e notas de Lauro Machado Coelho, contém várias poesias de Akhmadúlina. “A ousadia de seus versos a fez ser comparada a Anna Akhmátova e Marina Tsvetáieva — dois nomes da literatura russa pelos quais ela tem verdadeira veneração”, escreve Machado Coelho. Alguns de seus livros (nenhum publicado no Brasil): “Lições de Música” (1969), “Versos” (1975), “Vela” (1977), “Tempestade de Neve” (1977), “Sonhos com a Geórgia” (1979), “Segredo” (1983), “O Jardim” (1987), “O Escrínio e a Chave” (1994), “O Ruído do Silêncio”, “Cadeia de Pedras” (1995), “Os Meus Próprios Versos” (1995), “O Som Guia” (1995) e “Algo em Dezembro” (1996).


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POR EM 13/12/2010 ÀS 08:54 AM

Facebook é a história de um vencedor e de perdedores

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Mark ZuckerbergOs vencedores sofrem com o ressentimento dos perdedores, que, como são maioria, acabam por se tornar um imenso proletariado. Aqueles que perdem têm de pôr defeitos absurdos e suspeitos naqueles que vencem. Os vencedores se tornaram vencedores porque “roubaram” alguma ideia. Nós, que não somos gênios, no sentido de gênios criativos que se tornam poderosos em termos financeiros (como Bill Gates e Steve Jobs) ou mesmo estéticos (caso de James Joyce), sempre achamos que os que pegaram uma ideia que parecia simples, e estava dando sopa no mercado, e a transformaram numa ideia lucrativa, ou, no caso literário, esteticamente avançada, só podem ter plagiado. É o caso de Mark Zuckerberg, de 26 anos, criador do Facebook, a rede social que mais cresce em todo o mundo — no Brasil ainda perde para o Orkut, mas não por muito tempo.
 
Em Harvard, Zuckerberg era um estudante inquieto, menos dedicado às aulas do que à criação de alguma coisa, qualquer coisa que pudesse revolucionar a comunicação na internet. Desenvolveu algumas ideias, como programador excelente que é, e mexeu com os ânimos numa das melhores universidades do mundo. Um dia, convocado pelos irmãos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, mais Divya Narendra, Zuckerberg começa a desenvolver uma rede social. Ao perceber que não precisava dos três, desenvolve o Facebook sozinho, com o apoio financeiro do amigo brasileiro Eduardo Saverin, hoje com 28 anos.


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POR EM 07/12/2010 ÀS 08:03 PM

O riso de George Orwell

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Atlas segurando a Abóboda CelesteNão. Não temos ligações especiais com o além-túmulo ou, se se quiser, com Hades. O jornalista e ensaísta britânico George Orwell e o filósofo alemão Immanuel Kant feliz ou infelizmente não enviam cartas “positivas” ou “negativas” (imagine um médium psicografando a linguagem tortuosa do autor de “Crítica da Razão Pura”!). Portanto, não temos como consultá-los pelo “correio do além”. O laicato e a modéstia do pudor nos impedem de pelo menos tentar... o improvável. Mas é possível examinar algumas de suas ideias, ainda que rapidamente, expostas no romance político-filosófico “1984” (Companhia das Letras, 416 páginas, tradução de Alexandre Hubner e Heloisa Jahn), no qual a imaginação é utilizada como instrumento para entender os totalitarismos nazista e comunista. Kant não é filósofo para ser comentado de modo perfunctório, mas vamos expor, no final do Editorial, uma ou duas ideias de seu livro “À Paz Perpétua” (L&PM, 85 páginas). Não se assuste: Kant é mesmo difícil, muito complexo, mas o opúsculo, muito bem traduzido pelo filósofo Marco Zingano, professor de Filosofia da Universidade de São Paulo, é extremamente acessível e vamos citá-lo “en passant”. Orwell e Kant são convocados, como homens de espírito (no sentido, expliquemos rápido, filosófico), para nos ajudar a entender as revelações do site de vazamento de documentos secretos WikiLeaks, dirigido pelo australiano Julian Assange. No romance “1984”, o socialista George Orwell fez uma das mais agudas e corrosivas interpretações filosóficas do fenômeno totalitário.


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POR EM 28/11/2010 ÀS 01:54 PM

Chico Buarque vale mais como escritor do que Edney Silvestre

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Quem deveria ter ido para a Academia Brasileira de Letras: o político Juscelino Kubitschek, que não sabia escrever e tinha alguns ghost-writers, ou o escritor Bernardo Élis, que, ao contrário do concorrente, escrevia seus próprios livros? Bernardo Élis, é claro, mereceu ser eleito para a ABL. Porque era o escritor de fato e de direito. Uma vitória de JK teria a ver apenas com política, com um ataque inútil à ditadura civil-militar. Se a ditadura ajudou Élis, palmas para a ditadura: fez a coisa certa.
 
O mesmo ocorre agora. Chico Buarque ou Edney Silvestre: quem deveria ter faturado o Prêmio Jabuti/Livro do Ano de Ficção? Pela lógica, por ter levado o Prêmio Jabuti de Melhor Romance (Chico ficou em segundo lugar), Edney, autor de um único romance, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, e recém-chegado ao “clube” dos escritores, deveria ter sido o premiado. Mas, comparando romance com romance, não há dúvida de que Chico Buarque é muito mais escritor e “Leite Derramado”, que levou o Jabuti de Livro do Ano de Ficção, tem mais qualidades literárias. Edney pode até ser uma promessa, mas seu livro é frágil como romance, mesmo se visto tão-somente como romance policial. Chico, que não me agrada muito como escritor (filho tardio do nouveau roman), é muito mais senhor da forma-romance do que o ótimo repórter global. Então, mesmo errando, o Jabuti premiou o melhor escritor. Houve ingerência político-editorial? É possível. Tanto que, em Portugal, Chico levou o Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2010, com o mesmo romance, “Leite Derramado”.
 
Mas quem vai faturar mesmo com a história, depois de tudo, será Edney. Apesar de trabalhar na Globo e de ter arrancado resenhas elogiosas, talvez de críticos que nem leram o livro mas quiseram agradar o simpático global, que sempre entrevista escritores e críticos literários, Edney é um prosador desconhecido, de qualidade discutível, e sua obra certamente seria ignorada. Agora, pelo barulho que fizeram, vai ser lida e o autor vai se tornar tão conhecido quanto Chico. Ele pegou uma boa carona na garupa do escritor-compositor.
 
Depois de ter declarado voto em Dilma Rousseff, não será surpresa se o governo brasileiro apresentar o nome de Chico como candidato ao Prêmio Nobel de Literatura nos próximos quatro anos.
 
Como escritor, Chico continua excelente compositor, superado, talvez, apenas por Noel Rosa. É o gênio mais refinado da música popular brasileira, acima, duas notas, de João Gilberto e Tom Jobim

Chico BuraqueQuem deveria ter ido para a Academia Brasileira de Letras: o político Juscelino Kubitschek, que não sabia escrever e tinha alguns ghost-writers, ou o escritor Bernardo Élis, que, ao contrário do concorrente, escrevia seus próprios livros? Bernardo Élis, é claro, mereceu ser eleito para a ABL. Porque era o escritor de fato e de direito. Uma vitória de JK teria a ver apenas com política, com um ataque inútil à ditadura civil-militar. Se a ditadura ajudou Élis, palmas para a ditadura: fez a coisa certa. 

O mesmo ocorre agora. Chico Buarque ou Edney Silvestre: quem deveria ter faturado o Prêmio Jabuti/Livro do Ano de Ficção? Pela lógica, por ter levado o Prêmio Jabuti de Melhor Romance (Chico ficou em segundo lugar), Edney, autor de um único romance, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, e recém-chegado ao “clube” dos escritores, deveria ter sido o premiado. Mas, comparando romance com romance, não há dúvida de que Chico Buarque é muito mais escritor e “Leite Derramado”, que levou o Jabuti de Livro do Ano de Ficção, tem mais qualidades literárias. Edney pode até ser uma promessa, mas seu livro é frágil como romance, mesmo se visto tão-somente como romance policial. Chico, que não me agrada muito como escritor (filho tardio do nouveau roman), é muito mais senhor da forma-romance do que o ótimo repórter global. Então, mesmo errando, o Jabuti premiou o melhor escritor. Houve ingerência político-editorial? É possível. Tanto que, em Portugal, Chico levou o Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2010, com o mesmo romance, “Leite Derramado”. Mas quem vai faturar mesmo com a história, depois de tudo, será Edney. Apesar de trabalhar na Globo e de ter arrancado resenhas elogiosas, talvez de críticos que nem leram o livro mas quiseram agradar o simpático global, que sempre entrevista escritores e críticos literários, Edney é um prosador desconhecido, de qualidade discutível, e sua obra certamente seria ignorada. Agora, pelo barulho que fizeram, vai ser lida e o autor vai se tornar tão conhecido quanto Chico. Ele pegou uma boa carona na garupa do escritor-compositor. 


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POR EM 25/11/2010 ÀS 02:31 PM

Licença poética prejudicou jornalismo de Ryszard Kapuscinski?

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O jornalista, escritor e poeta polonês Ryszard Kapuscinski (1932-2007) (foto), que chegou a ser cotado para ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, é autor de livros esplêndidos, como “O Imperador” (sobre Hailé Selassié I, da Etiópia), “Minhas Viagens Com Heródoto”, “O Império” (a edição brasileira é “Imperium”), “Ébano — Minha Vida na África”, “Mais Um Dia de Vida — Angola 1975” e “A Guerra do Futebol” (o escritor Gabriel García Márquez apontava Kapuscinski como principal repórter do século 20. O elogio é meio suspeito, porque o jornalista, como o escritor, era entusiasta do socialismo cubano). Antes de tudo, era repórter, mas escrevia como escritor, dotado de primorosa formação intelectual e, mesmo, capacidade de imaginação. Se fosse americano, seria adepto do Novo Jornalismo ou jornalismo literário. Agora está em discussão na Europa, não apenas na Polônia, se era fiel aos fatos ou se chegava a inventá-los ou distorcê-los — adaptando a realidade à sua interpretação. A história de sua vida e de sua obra é esmiuçada no livro “Kapuscinski Non Fiction” (640 páginas), do jornalista polonês Artur Domoslawski, de 43 anos. O escritor Truman Capote dizia que escrevia romances de não-ficção. O título da biografia segue a regra do autor de “A Sangue Frio”: “Kapuscinski — Não-Ficção” (o título é irônico: sugere que o texto não é ficcional, ao contrário de algumas “investigações” do biografado). Noutras palavras, parte do trabalho de Kapuscinski é, a um só tempo, jornalismo e ficção. Isto o diminui? Desde que se saiba que a ficção está a serviço da iluminação dos fatos não há problema algum. Jornalismo, ao fazer um recorte breve da realidade, é, de algum modo, ficção. Mesmo textos mais alentados, nos quais o repórter apresenta detalhes que enriquecem a vida, tornando-a mais ampla, beiram à ficção. Se os textos jornalísticos deixassem mais espaço para a dúvida, sugerindo que, no momento da apuração da reportagem, não é possível obter informações precisas e que ainda há muito mais por apurar, certamente estariam mais próximos da realidade — que, por conta de sua complexidade, é mais nebulosa do que pensamos.


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POR EM 23/11/2010 ÀS 01:39 PM

Jorge Semprún 'delatou' Marguerite Duras

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Jorge SemprúnA biografia “Lealdade e Traição — Jorge Semprún” (sem tradução no Brasil), da alemã Franziska Augstein, é a sensação na Espanha. Porque envolve um de seus maiores escritores vivos, o ícone Jorge Semprún, de 87 anos. Nuria Azancot, do jornal “El Mundo”, diz que a obra desnuda o autor de “Autobiografia de Federico Sánchez” e “O Morto Certo”. Apesar da admiração pela literatura e pelo homem, Augstein não deixa de relatar os fatos, alguns desagradáveis para o escritor.
 
Entrevistado por “El Mundo”, Semprún não ataca a biografia, mas mostra-se desconfortável com o resultado da pesquisa. Diz que não é fácil ler um livro sobre si, para o qual colaborou como principal fonte, mas no qual não se sente inteiramente reconhecido. Como vem contando sua vida, em memórias e romances (que são memórias, quase sempre ou sempre), o autor afirma que os relatos de Augstein não combinam com o que vem escrevendo. Conta que foi entrevistado durante três anos, mas, como o resultado saiu “aborrecido” e “pretensioso”, a jornalista alemã decidiu usar o material como base para uma biografia. Isto foi positivo, pois o que seria apenas a versão de Semprún deu origem, depois de uma longa pesquisa, na qual pôde confrontar versões, em um livro nuançado, polêmico e, naturalmente, mais verdadeiro. Um dos pontos controversos apurados por Augstein não agradou Semprún. Em 1951, integrante do Partido Comunista Francês (Semprún é espanhol, mas às vezes é citado como escritor francês), o escritor teria denunciado, por “desviacionismo” (desvio político, certamente à direita), a escritora francesa Marguerite Duras e seu marido, Robert Antelme, e Dionys Mascolo (“amante de Duras e pai de seu filho”). Duras, Antelme e Mascolo sustentaram que foram “delatados” por Semprún. Laure Adler pesquisou o assunto, que permanecia adormecido havia décadas, e confirmou a denúncia.


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POR EM 16/11/2010 ÀS 06:05 PM

O espião alemão que detonou a revolução de Prestes

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Johnny — A Vida do Espião Que Delatou a Rebelião Comunista de 1935”Apoiados pela União Soviética de Josif Stálin, os comunistas brasileiros tentaram derrubar o presidente Getúlio Vargas em 1935 mas foram fragorosamente derrotados. Entretanto, ao contrário do que podem depreender alguns leitores, a Intentona Comunista fracassou não porque foi delatada, e sim porque era de um irrealismo abissal. Era uma formiguinha maluca brigando contra um astuto exército de elefantes. A traição serviu apenas, quem sabe, para antecipar e, assim, debelar a rebelião mais cedo. A história está devidamente anotada em livros de qualidade, como “A Rebelião Vermelha” (Record, 217 páginas, 1986), do brasilianista Stanley Hilton, “Camaradas — Nos Arquivos de Moscou: A História Secreta da Revolução Brasileira de 1935” (Companhia das Letras, 416 páginas, 1993), de William Waack, “Olga” (Companhia das Letras, 259 páginas, 1984), de Fernando Morais, “Revolucionários de 1935: Sonhos e Realidade” (Companhia das Letras, 432 páginas, 1992), de Marly de Almeida Gomes Vianna, e “Uma das Coisas Esquecidas — Getúlio Vargas e Controle Social no Brasil/1930-1945” (Companhia das Letras, 341 páginas, 2001), do brasilianista R. S. Rose. Agora, 75 anos depois, sai um livro excepcional sobre um personagem misterioso, comentado apenas episodicamente nos livros citados. “Johnny — A Vida do Espião Que Delatou a Rebelião Comunista de 1935” (Record, 600 páginas), de R. S. Rose e Gordon D. Scott, é uma obra do balacobaco sobre o alemão Johann Heinrich Amadeus de Graaf, mais conhecido como Johnny. Rigorosamente documentada, a obra é vazada no estilo de romance policial.


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POR EM 09/11/2010 ÀS 01:33 PM

A inteligência de Lobato versus a patrulha do PC

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Monteiro LobatoNa minha infância, nada deleitava-me tanto quanto jogar futebol, durante o dia, e ler, durante a noite, iluminado pela luz tênue e bruxuleante da lamparina, que guardava, contra as orientações de minha mãe, a professora normalista Zinha Fagundes, debaixo da cama. De manhã, muitas vezes meus cabelos estavam sapecados, como se dizia, e cheirando querosene. Lia qualquer coisa: literatura, fotonovela (algumas traduzidas pelo poeta concretista Décio Pignatari), livros de faroeste (Marcial Lafuente Estefânia era um espetáculo), livretos de cordel (deliciava-me com as artimanhas de Cancão de Fogo e Pedro Malazartes), revistas (como “Placar”, “Demolidor”, “Tio Patinhas”, “Homem-Aranha”. Como o lutador Anderson Silva, tenho a coleção do “Homem-Aranha”, incompleta, pois deixei de ampliá-la). Mesmo pequeno, andava quilômetros à caça de livros. Ruins ou bons, lia com sofreguidão e, como havia poucas obras, lia-as repetidas vezes. Curiosamente, havia um grande intercâmbio de livros entre garotos e adultos. Porque livros, no interior, eram escassos, sobretudo histórias de boa qualidade.

Fiz o primário na Escola Dona Gercina Borges Teixeira, em Porangatu, na região Norte de Goiás. Sua biblioteca era pequena e só as professoras podiam tomar livros emprestados. Assim, fazia o possível para agradar minha mãe, ajudando-a em alguma coisa, com o objetivo de conseguir alguns livros. Li as histórias de Rapunzel, do Lobo Mau e Chapeuzinho Vermelho, dos Três Porquinhos, de Cinderela, da Gata Borralheira, do Rei Arthur (pelo qual tinha uma admiração mágica), Peter Pan (achava as histórias encantadoras), “As Aventuras de Huckleberry Finn” (o primeiro livro que me fez gargalhar, talvez porque a personagem tinha a ver comigo e com os garotos de minha geração), “Mowgli, o Menino Lobo” (não sabia que era uma história de Rudyard Kipling).


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POR EM 25/10/2010 ÀS 04:50 PM

Livro sustenta que Hitler não se matou

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Ultramar Sul — A Última Operação Secreta do Terceiro ReichMais um livro discute a possibilidade de, ao “escapar” do cerco dos Aliados, notadamente soviéticos, ingleses e americanos, o líder nazista Adof Hitler e sua mulher, Eva Braun, terem se refugiado na Argentina. “Ultramar Sul — A Última Operação Secreta do Terceiro Reich” (Civilização Brasileira, 489 páginas, tradução de Sérgio Lamarão), dos pesquisadores Juan Salinas e Carlos De Nápoli, é uma obra cautelosa, ao contrário de “El Exílio de Hitler” (Ediciones Absalón, 493 páginas), do jornalista argentino Abel Basti. Este é peremptório: Hitler morou na Argentina, na região da Patagônia, ao lado de Braun. Os dados de Basti não avalizam sua conclusão. Salinas e Nápoli, ainda que admitam que Hitler, Braun, Martin Bormann, Heinrich “Gestapo” Müller podem ter morado na América do Sul (e citam que Walter Rauff radicou-se no Chile), escrevem: “Nada se sabe ao certo sobre o destino de Hitler. (...) Nada de novo se sabe sobre a identidade dos dirigentes nazistas desembarcados em costas patagônicas durante a fase final da operação. (...) Ainda que com as informações disponíveis não pareça sensato acreditar que Hitler e seus próximos tenham podido viajar naqueles U-Bootes [submarinos], ninguém sabe o quê ou quem desembarcou nas praias de Miramar ou Mar del Sur. (...) Embora a Operação Ultramar Sul tenha sido originalmente concebida para a fuga de Hitler, parece pouco factível que ele e sua mulher tenham chegado à Argentina nos U-Bootes que aportaram no país, aberta ou clandestinamente, em meados de 1945”. Mas “chegaram às costas da província de Buenos Aires ou da Patagônia pelo menos outros três submarinos, dois dos quais desembarcaram clandestinamente perto de Necochea. (...) Tudo indica que foram cerca de seis os submarinos que atravessaram o equador em sua viagem para o Sul e não menos de quatro chegaram às costas argentinas. (...) Chegaram a terra firme uns 80 camaradas, alguns dos quais pareciam ser altos dirigentes do regime deposto”. 


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POR EM 13/10/2010 ÀS 12:46 PM

Demissão de Maria Rita Kehl foi justa

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Maria Rita Kehl Maria Rita Kehl foi contratada pelo “Estadão” para escrever sobre psicanálise. Por conta própria, escrevia sobre política, advogando posições contrárias às do jornal. Foi demitida. Ela está errada; o jornal, certo. O artigo que provocou a demissão de miss Kehl é de uma pobreza haitiana e prova, mais uma vez, que a autora entende quase nada de política e economia. Deveria continuar escrevendo sobre psicanálise. 
 
Como estamos num momento eleitoral, jornalistas e psicólogos falam em censura — esquecendo que “O Estado de S. Paulo” é uma empresa privada, não é uma repartição pública. A esquerda, como de hábito, tenta transformar uma demissão comum numa demissão política.
 
Mulher inteligente, das mais articuladas, autora de livros bem-pensados, Kehl sabe que pisou na bola e não deveria aceitar a campanha pró-Dilma que estão fazendo ao usar seu bom nome. Miss Kehl não é tão ingênua assim, nem é tão independente quanto seus novos apoiadores fazem crer. O senador petista Eduardo Suplicy, conhecido como Senhor Mogadon e Mister Ridículo, pediu ao “Estadão” que reconsidere a demissão de miss Kehl. Supla sênior enviou carta a Ruy Mesquita, sem saber, certamente, que o encanecido jornalista não é mais o mandachuva da redação.

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