revista bula
POR EM 16/09/2012 ÀS 07:05 PM

Brasil precisa editar obra-prima de Vasily Grossman

publicado em

Está passando da hora de editar no Brasil o livro “Vida e Destino”, do escritor ucraniano Vasily Grossman. Traduzo um trecho: “Entre milhões de casas russas não há nem haverá nunca duas exatamente iguais. Tudo o que vive é irrepetível. É inconcebível que dois seres humanos e duas roseiras sejam idênticos... A vida se extingue onde existe empenho para apagar as diferenças e as particularidades por intermédio da violência.” Grossman teria sido o primeiro a reportar a existência dos campos de extermínio nazistas. Stálin, adepto das teorias conspiratórias, proibiu o livro e confiscou os originais. Não satisfeito, recolheu até as fitas da máquina de escrever do escritor-jornalista.

Stálin, político astuto e atento, percebeu logo o potencial subversivo da obra. Ao falar dos campos de concentração dos alemães, Grossman estava, indiretamente, questionando o Gulag soviético. A conexão, feita por Stálin e seus pares comunistas, não estava de todo errada. O livro não faz apologia do anticomunismo, mas critica a ideia de que é possível construir uma sociedade de iguais, e à força — um dos postulados do stalinismo. O livro do autor russo-ucraniano é um libelo a favor do homem, da liberdade. Direta ou indiretamente, portanto, contra o comunismo. Grossman morreu em 1964, no ostracismo, e não pôde ver seu livro publicado, como Mikhail Bulkágov e seu romance “O Mestre e Margarida”. 


leia mais...
POR EM 10/09/2012 ÀS 09:43 PM

Sai biografia de Tocqueville

publicado em

O francês Alexis de Tocqueville era um intelectual notável. Dois de seus livros se tornaram clássicos, “O Antigo Regime e a Revolução” e “A Democracia na América”. Embora seja muito estudado noutros países, no Brasil não havia nenhuma biografia. Sai agora uma obra imperdível: “Alexis de Tocqueville” (Record, 714 páginas, tradução de Mauro Pinheiro), de Hugh Brogan.

Tocqueville escreveu de forma brilhante, como cronista e analista político privilegiado do antigo regime e da Revolução Francesa de 1789. Intelectual refinado, investigava, explicava e escrevia muito bem. A sobrevivência de seus textos se deve, em larga medida, à qualidade de sua prosa e à sua capacidade de observação direta (não apenas mediada por outros textos). Magistrado francês, foi para os Estados Unidos com o objetivo de estudar seu sistema “judiciário-carcerário”. O resultado foi “A Democracia Americana”, um poderoso estudo sobre a sociedade dos Estados Unidos que extrapolou, de longe, os objetivos iniciais de sua pesquisa.
 
As ideias de Tocqueville sobre os Estados Unidos influenciaram a filósofa alemã Hannah Arendt. Pode-se dizer que a intelectual judia atualizou o trabalho de pensador do francês.

leia mais...
POR EM 26/08/2012 ÀS 06:20 PM

Repórter do Times exclui Elis Regina e Noel Rosa da música brasileira

publicado em
 Larry RohterO repórter do “New York Times” Larry Roh­ter não é um in­térprete do Brasil que tenha o porte e o refinamento intelectual de Gil­berto Freyre (“Casa Grande & Sen­zala”), Sérgio Buarque de Holanda (“Raízes do Brasil”), ou, para citar um brasilianista, Thomas Skidmore (“Preto no Branco — Raça e Na­cionalidade no Pensa­mento Bra­sileiro”). Deve ser citado também o grande antropólogo belga Claude Lévi-Strauss, autor de “Tristes Tró­picos”, um livro que permanece gra­ças à sua prosa  viva e perceptiva, assim como ocorre com a sociologia “romanceada” do pernambucano Gilberto Freyre. Mesmo assim, no livro “Brasil em Alta — A His­tória de um País Transformado” (Geração Editorial, 391 páginas, tradução de Paulo Schmidt e Wladir Dupont), Rohter tenta fazer um balanço da história do Brasil, com várias angulações, de Pedro Álvares Cabral, até um pouco antes, ao citar os índios, aos dias da presidente Dilma Rousseff. Há, em quase todos os capítulos, o tom do conselheiro, daquele que, de fora, parece entender tudo e, por isso, sabe quais caminhos devem ser trilhados. Con­centro-me no ensaio “Cri­atividade, cultura e ‘canibalismo’”, de 40 páginas. Curiosamente, apesar de omissões, é o texto mais interessável do livro. De cara, fica-se sabendo que Chiquinha Gonzaga, Noel Rosa, Mário Reis, Ataulpho Alves, Cartola, Jacob do Bandolim, Bidu Sayão, Guiomar Novaes, Elizeth Cardoso, Elis Regina e Dorival Caymmi não existem e, por isso, não são citados por Rohter. Se a história brasileira começa em 1500, ou antes, com os índios, como explicita Rohter, a música patropi começa na década de 1950, com a bossa nova. Por que, num livro que busca as raízes políticas do país, esquecer algumas de suas raízes culturais?

leia mais...
POR EM 19/08/2012 ÀS 05:05 PM

Lista dos escritores mais ricos do mundo não tem escritores

publicado em

James PattersonA “Forbes” publicou  a lista dos escritores mais ricos do mundo. Não há nenhuma surpresa: não há escritores de verdade na relação da revista. (Escritores de verdade são aqueles que cobiçam a eternidade, como Homero, Dante, Shakespeare, Cervantes, Laurence Sterne, Stendhal, Balzac, Flaubert, Nathaniel Hawthorne, Herman Melville, Machado de Assis, Eça de Queirós, Henry James, D. H. Lawrence,  James Joyce, Scott Fitzgerald, Faulkner, Thomas Mann, Graciliano Ramos, Carlo Emilio Gadda, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Lobo Antunes, entre muitos outros.) Os homens de letras citados pela “Forbes” são circunstanciais — surgem, ficam algum tempo na lista dos mais vendidos e, cinquenta anos depois (estou sendo generoso, aviso logo), ninguém mais sabe quem são eles. A literatura de mercado, para vender rapidamente, é assim mesmo. Sempre foi assim. Na época do francês Flaubert havia, é claro, muitos escritores populares — alguns faziam até mais sucesso do que ele, às vezes tido como obsceno, devido ao ruidoso processo provocado pelo romance “Madame Bovary”.

Hoje, assim como há indústrias de sabonete e cerveja, há azeitadas fábricas de autores e livros. Equipes talentosas, com um pé no jornalismo e na literatura de altíssima fofoca, escrevem livros, às vezes imensos, e fazem publicidade maciça. Vendem como água em dias quentes. James Patterson, se comparado a Proust e Joyce, deve ser tratado como analfabeto funcional. John Grisham, Ken Follett e Stephen King pertencem a um honroso quinto time da literatura mundial. Mesmo assim, não são grande coisa.


leia mais...
POR EM 13/08/2012 ÀS 06:26 PM

Gore Vidal deu certo como Edward Gibbon e errado como Fitzgerald

publicado em

Àquele que tem pretensões literárias, que pretende apresentar-se como herdeiro de Stendhal e Flau­bert, ou Melville e Henry Ja­mes, na­da é mais ruinoso do que fazer mais sucesso como “historiador” do que como escritor. Gore Vidal era uma espécie de Edward Gibbon a­mericano. A temática homossexual transformou pelo menos dois de seus livros, “A Cidade e o Pilar” e  “My­ra Breckinridge”, em sucesso editorial, mas, nesse campo, perdeu, para outros autores, como James Baldwin e mesmo Edmund White (as memórias deste, “City Boy — Minha Vida em Nova York”, são divertidas, sem a “assepsia” de Vidal ao narrar a própria homossexualidade. Vidal é sempre malicioso ao dissecar a vida alheia, como a homossexualidade de Tennessee Williams e a suposta bissexualidade de Bob Kennedy, que teria partilhado um “soldado” com Rudolf Nureyev). Mas o sucesso absoluto de Vidal advém mais de sua literatura histórica e, para seu desconforto, de sua crítica literária corrosiva e, às vezes, precisa. “Cri­ação”, sobre a Grécia, “Ju­li­ano”, sobre Roma, e “Lincoln” são livros extraordinários, como registro histórico, uma história das mentalidades, mas, em termos literários, tão tradicionais como a prosa de Balzac, com a diferença de que, no francês, a história “é” literatura. Vidal é apontado como tendo ódio pelos Estados Unidos. Talvez seja mais adequado dizer que tinha ódio mais pelo que avaliava como “mitologia americana” — a democracia com dois partidos de perfis similares parecia-lhe um regime de partido único, portanto, totalitário  (o que é falso) — e por alguns políticos. Seus sete livros sobre a história americana, começando com “Lin­coln” e chegando até Franklin D. Roosevelt, com “A Era Dou­rada”, antes passando pela construção do Império e por sua meca cinematográfica, Hollywood, são, no geral, exemplares. E revelam mais paixão do que ódio pelo país. 


leia mais...
POR EM 09/08/2012 ÀS 07:16 PM

Meio século sem William Faulkner

publicado em

O autor de “O Som e a Fúria” visitou São Paulo, em 1954, bebeu muito e, segundo a lenda, teria perguntado o que estava fazendo em Chicago

William Faulkner

William Faulkner morreu em julho de 1962. Ele tinha 64 anos e, em termos literários, parecia tão esgotado quanto Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway. Em 1954, esteve no Brasil, quase sempre bêbado. Certo dia, segundo uma das versões, teria perguntado: “O que estou fazendo em Chicago?” A história de sua visita ao Brasil, quatro anos depois de ter recebido o Nobel de Literatura, é contada, de modo romanceado, no livro “Dias de Faulkner (Imprensa Oficial, 124 páginas), de Antônio Dutra. Ao ser apresentado à escritora Lygia Fagundes Telles, apontada como “contista”, teria dito: “Se os seus contos forem tão bonitos quanto os seus olhos, a senhora certamente é uma grande escritora”. A autora do belo romance “As Meninas” disse que levou o criador de “Enquanto Agonizo” para ver cobras no Ins­tituto Butantã. “Segurava as cobras e gritava: ‘Sou um fazendeiro, um fazendeiro’. Ele chegou meio fora de órbita a São Paulo. Queria ver cobras e o Cruzeiro do Sul. Um dia, pegou-me pelo braço e apontou para o céu, querendo ver as estrelas. Ficou doido com essa história de Cruzeiro do Sul. E estava sempre com o cabelo molhado. Creio que se molhava para ficar desperto, devido ao excesso de álcool. Não era um homem bonito. Era baixo, mas tinha um rosto muito forte”, contou Lygia à “Folha de S. Paulo”. Queria mas não conseguiu visitar uma fazenda de café e Mato Grosso.


leia mais...
POR EM 29/07/2012 ÀS 05:43 PM

William Faulkner e o cinema

publicado em

A literatura de James Joyce, William Faulkner (falecido há 50 anos), Gui­marães Rosa e Carlo Emilio Gadda é refratária ao cinema — dada a dificuldade em transpor para a imagem, e num tempo curto, cerca de 120 minutos, a linguagem complexa de suas escritas. Os diretores de cinema brasileiros certamente saíram-se melhor do que os adaptadores americanos. Faulkner no cinema geralmente deixa de ser Faulkner. Mas o próprio escritor encantou-se, por dinheiro ou vaidade, pelo meio cinema durante algum tempo. Os livros “A Cidade das Redes — Hollywood nos Anos 40” (Companhia das Letras, 477 páginas, tradução de Ângela Melim), de Otto Friedrich, e “Os Escritores — As Históricas Entrevistas da Paris Review” (Companhia das Letras, 327 páginas, tradução de Alberto Alexandre Martins e Beth Vieira) contam as “andanças” do autor do romance “O Som e a Fúria” e “Enquanto Agonizo” pela meca do cinema americano. Algumas, hilariantes. Na segunda obra, trata-se da entrevista do autor a Jean Stein Vanden Heuvel, da “Paris Review”.

Na “cidade do cinema”, disse Faulkner, produtores, diretores e atores “não adoram o dinheiro, adoram a morte”. Friedrich diz que o escritor detestava Hollywood, superando o ódio de Raymond Chan­dler. O escritor foi para Hollywood “porque quase ninguém comprava seus livros, nem mesmo ‘O Som e a Fúria’ (1929) e ‘Luz em Agosto” (1932). Seus quatro primeiros romances venderam uma média de 2 mil exemplares e, na época em que tentou um best seller, ‘Santuário’ (1931), seu editor foi à falência”. Por isso, assegura Frie­drich, seguiu “para Hollywood, em 1932, e assinou com a MGM um contrato de 500 dólares por semana, por ele considerado principesco”. Jean Stein pergunta: “Um escritor se compromete escrevendo para o cinema?” Resposta de Faulkner: “Sempre, porque um filme é por natureza uma colaboração, e qualquer colaboração é compromisso, porque é isso o que essa palavra significa: dar e tomar”.


leia mais...
POR EM 25/07/2012 ÀS 09:12 PM

Gabriel García Márquez dissecado

publicado em

O ensaísta Enrique Krauze diz que obra do escritor colombiano falsifica a história de sua família, louva o ditador-tutor Fidel Castro e contribui para legitimar o regime comunista de Cuba

Gabriel García MárquezO nobelizado Gabriel García Márquez é uma espécie de Louis-Ferdinand Céline da esquerda. Mas há duas diferenças. Primeiro, o autor de “A Incrível e Triste História da Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada” não fez campanha para liquidar indivíduos ou povos. Segundo, se García Márquez usa subterfúgios para apoiar ditadores, escondendo-se atrás de textos e declarações às vezes ambíguos, Céline era preciso na sua crítica e combate aos judeus. Não sabia fingir. A anuência de Gabo com o regime serial killer de Fidel Castro e do escravo mental deste, Raul Castro, é conhecida. Quando escritores cubanos eram (e são) perseguidos pelo regime comunista, García Márquez silenciava, ao menos publicamente, como no caso do poeta Heberto Padilla. O autor colombiano diz que, em particular, “defendeu” algumas vítimas do regime. Quais, não esclarece, mas é possível que esteja dizendo a verdade. No campo estrito da literatura, não há dúvida que, se não é inventivo como James Joyce, Faul­kner, Guimarães Rosa e mesmo Julio Cortázar, e se não tem uma visão mais abrangente da sociedade, como Mario Vargas Llosa, é um excelente escritor tradicional, um Jorge Amado talvez um pouco mais raffiné ou imaginativo, um fabulista ao estilo de La Fontaine ou, quem sabe, Andersen. “Cem Anos de Solidão” e “O Amor nos Tempos do Cólera” são grandes romances, como “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann, ainda que de escopo diferente — mais naif e menos intelectual — do livro do alemão. São clássicos que se tornaram uma espécie de imaginário coletivo. Vargas Llosa, filho de Flaubert que leu Faulkner, constrói sua obra literária com tanto refinamento que, às vezes, o leitor percebe as pilastras sólidas da arquitetura. García Márquez pratica uma literatura, digamos assim, mais “natural”, “espontânea”. Na verdade, um certo desleixo é apenas aparente, assim como a naturalidade. 


leia mais...
POR EM 22/07/2012 ÀS 07:23 PM

“Tigres no Espe­lho”, de George Steiner

publicado em

“Tigres no Espe­lho” (Globo, 419 páginas, tradução de Denise Bottmann) contém ensaios de George Steiner para a revista americana “New Yorker”. Steiner é o Antonio Candido — mais importante crítico literário brasileiro — do mundo globalizado. Crítico literário com formação filosófica sólida, o parisiense-americano, de 83 anos, é conhecido pelo rigor, passível de ser verificado em “Gramáticas da Cri­ação” (muito superior ao livro aqui comentado), “Antigones” e “Depois de Babel”. Os textos de “Tigres no Espelho” às vezes roça o ensaio, mas são no geral resenhas espichadas, nas quais o autor tenta não perder a profundidade, apesar do texto relativamente curto. Fica-se com a impressão de que extraiu-se o sumo (ou a suma) de uma obra, de um autor, quando, na verdade, os “retratos”, se não apáticos, são incompletos. Ao final dos textos, perguntamos: “E aí?” Talvez seja isto mesmo: é possível que, como o espaço não era adequado — apenas alguns textos são mais amplos —, Steiner pretendeu expor ideias centrais, não raro originais, mas sem estender-se. A crítica e prosadora Susan Sontag, citada a introdução, escrita por Robert Boyers, disse, em 1980: “Ele [Steiner] pensa que existem grandes obras de arte que são claramente superiores a todas as demais em suas várias formas, que existe uma coisa chamada profunda seriedade. E as obras criadas com profunda seriedade têm, a seu ver, um direito à nossa atenção e à nossa lealdade que supera qualitativa e quantitativamente qualquer outro direito reivindicado por qualquer outra forma de arte ou de entretenimento”. Steiner e Harold Bloom, possivelmente o crítico literário mais famoso da Terra, têm em comum a paixão pela literatura, não pela crítica literária.


leia mais...
POR EM 01/07/2012 ÀS 06:15 PM

Tradutor tortura o Lênin de Robert Service

publicado em

Paulo Francis dizia que os filmes do Cinema Novo eram uma “merda”, mas os diretores eram “geniais”. Algo equivalente pode-se dizer do livro “Lenin — A Biografia Definitiva” (Difel, 630 páginas), do historiador inglês Robert Service.

O livro de Service é excelente, mas a tradução, assinada por Eduardo Francisco Alves, é lamentável. Apesar do descuido do tradutor, o historiador mostra, com fartura de informações e análises, as razões do fracasso do socialismo na Rússia. As razões começam com Lênin (“o profeta do amoralismo marxista”), e não com Stálin, pois aquele, e não este, foi o fundador do Estado totalitário.

Engana-se, porém, quem pensa que Lênin era igual a Stálin. Lênin, mostra Service, defendia um Estado repressor, autorizou ataques aos socialistas revolucionários (que o tradutor chama de “revolucionários socialistas”, porque, ao traduzir do inglês, não percebeu que, em português, precisava, em nome da precisão histórica, mudar a disposição das palavras), manipulava todo mundo e jogava pesadíssimo. Mas Lênin, crítico duro de alguns bolcheviques, procurava preservar seus aliados e/ou quase-aliados (pelo menos alguns deles) — e, como revela Service, a Revolução Russa de 1917 talvez não tivesse ocorrido sem sua intensa capacidade de articulação e intervenção política.


leia mais...
 < 1 2 3 4 5 6 >  Último ›
É permitida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia dos editores, desde que citada a fonte.
© Copyright 2018 — Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural — seutexto@uol.com.br
wilder morais
renovatio