revista bula
POR EM 01/01/2013 ÀS 08:01 PM

De Gaulle impediu fuga de Céline para a Espanha

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O jornal espanhol “El Mundo”, publicou reportagem, “Céline quis fugir para a Espanha”, na qual se diz que, apesar do apoio do ditador Francisco Franco, o líder e general francês Charles de Gaulle impediu pessoalmente a escapada. De Gaulle disse a Franco que o asilo a Louis-Ferdinand Céline (1894-1961), escritor fascista que atacou violentamente os judeus, atrapalharia as relações diplomáticas e comerciais entre os dois países.

O texto de “El Mundo” é baseado em reportagem de ‘L’Ex­press”, que inspirou-se em extensa pesquisa da revista “Histoires Littéraires”, que teve acesso aos arquivos do Ministério do Exterior da Espanha. Em 1949, com a derrota da Alemanha e a vitória dos Aliados, aqueles que eram fascistas, como Céline, corriam risco de prisão e, mesmo, à pena de morte. O advogado do escritor, Jean-Louis Tixier, avaliando que o governo francês seria duro com o colaborador do regime nazista de Vichy, recomendou que escapasse para a Espanha, país dirigido por um político que tinha simpatia pelo nazi-fascismo. A punição seria severa. Céline, pressionado por sua mulher, Lucette, procurou as autoridades espanholas por intermédio de seu amigo Antonio Zuloaga, “antigo adido cultural da embaixada espanhola em Paris”. Franco concordou com o pleito, mas, sob pressão do então poderoso De Gaulle, recuou. “El Mundo” frisa que a história está documentada em “Le Rêve Espagnol de Céline — Documents Inédits”, apontado como “amplo estudo” de Jean-Paul Goujon, historiador e professor emérito da Universidade de Sevilla.


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POR EM 27/12/2012 ÀS 08:30 PM

A história desconhecida da mãe de Barack Obama

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Como o presidente dos Estados Unidos, o reeleito Barack Obama, está mais na moda do que nunca, vale a pena ler a biografia de sua mãe, Stanley Ann Dunham, “Uma Mulher Singular” (Record, 336 páginas, tradução de Mila Burns e Francisco Quinteiro). A antropóloga, mais do que o pai, foi a principal “formatadora” do homem Obama.

A mãe de Obama era uma contestadora, e não apenas na teoria. Tanto que uniu-se a um homem negro, africano — o que, nos Estados Unidos, é, ou era, uma pequena revolução.

O presidente democrata é um político do establishment — impérios liberais não elegem homens essencialmente de esquerda para dirigi-los —, mas, mesmo assim, é diferente do republicano Mitt Romney. Este é mais radical e um filho tardio da Guerra Fria. Muitos americanos o apoiaram acreditando que, com um presidente mais enérgico, o país poderia competir de forma mais dura, e benéfica para eles, com chineses e outros players mundiais.

Obama parece acreditar, como os alemães do pós-guerra (a Alemanha, sem guerra, domina praticamente toda a Europa, que se tornou, por assim dizer, seu espaço vital — exatamente aquilo que Adolf Hitler planejou, mas com violência), que a dominação mais consensual, por intermédio da economia, é menos desgastante.


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POR EM 24/12/2012 ÀS 11:14 AM

A poesia completa de Marcel Proust

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Marcel Proust, autor do monumento “Em Busca do Tempo Perdido”, espécie de Louvre literário, foi também poeta de algum mérito, como mostra livro

Marcel Proust, o autor de “Em Busca do Tempo Perdido”, é universalmente conhecido. Mas sua faceta de duelista e poeta é menos conhecida. Em 1896, quando lançou seu primeiro livro, “Os Prazeres e os Dias” (Nova Fronteira, 260 páginas, tradução de Fernando Py), o crítico Jean Lorrain atacou, no “Le Journal”, com acidez: “Qualquer um, hoje, se considera escritor e vem incomodar a imprensa e a opinião púbica com sua pequena glória, a golpe de jantares, influências mundanas, pequenas intrigas de ventarolas. (...) Todos os esnobes querem ser autores. (...) ‘Os Prazeres e os Dias’, do sr. Marcel Proust: melancolias graves, frouxidões elegíacas, pequenos nadas de elegância e sutileza, ternuras vãs, flertes inanes em estilo precioso e pretensioso”. Possesso, Proust desafiou-o para um duelo. Lorrain aceitou e duelaram, em Paris, sob os olhares de uma plateia animada. Nenhum acertou os tiros e ficou por isto mesmo. Lorrain despontou para o anonimato — porque aquilo que apontava como “defeito” era “virtude” (como o estilo era praticamente desconhecido, soava estranho) — e Proust refinou a qualidade de sua literatura, que já aparecia em relances no livro criticado, e nos legou uma bíblia da sociedade francesa de seu tempo, “Em Busca do Tempo Perdido”.

Se o prosador é sobejamente conhecido, o poeta é, por assim dizer, assunto para iniciados. A faceta lírica de Proust, nota Manuel de la Fuente (jornal “ABC”, de 4 de novembro deste ano), é pouco conhecida. “Creio que os poemas de Proust são praticamente desconhecidos na França e na Espanha”, frisa o tradutor Santiago Santerbás. No Brasil, o professor Carlos Felipe Moisés traduziu, com precisão, oito poemas de Proust incrustados em “Os Prazeres e os Dias” e publicou um ensaio esplêndido, “Proust, um poeta fin-de-siècle”. Embora não se considerasse poeta, Proust publicou dezenas de poemas, que, lançados primeiramente na França, agora saem no livro “Poesía Completa” (pela editora espanhola Cátedra, 368 páginas), com tradução de Santiago R. Santerbás. 


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POR EM 19/12/2012 ÀS 09:10 PM

Nabokov rejeitou parte da adaptação de Kubrick para Lolita

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O diretor de cinema Stanley Kubrick (1928-1999) adorava literatura. Ou, pelo menos, adaptar obras literárias para o cinema. Um de seus filmes mais conhecidos, “Laranja Mecânica”, de 1971, foi baseado no livro do escritor inglês Anthony Burgess. Este não gostou muito do filme, mas admitiu que não é dos piores. “Laranja Mecânica” permanece cult. A esquerda brasileira o adora, menos pela linguagem, e sim pela denúncia do totalitarismo estatal. É incrível: um joyciano de esquerda!

Outra grande adaptação de Kubrick — um diretor de qualidade, mas superestimado, como quase todo “cult” — é “Lolita”, de 1962. A adaptação foi feita pelo próprio autor do romance, o russo-americano (talvez um sem-lugar) Vladimir Nabokov, um grande escritor às vezes desvalorizado pelas modas. Depois de edições desleixadas da Record, com as versões de Pinheiro de Lemos, editoras de qualidade, como a Companhia das Letras e a Alfaguara, redescobriram sua prosa — na qual há uma mescla, intencional, de traços antiquados e inventivos (talvez a intenção de Nabokov tenha sido “inovar” o romance russo do século 19). O complexo romance “Fogo Pálido”, uma das histórias mais inventivas da literatura universal, ganhou tradução precisa de Jorio Dauster e Sérgio Duarte. Mas o autor das orelhas é no mínimo descuidado. Em vez de Kinbote, com “n”, como está no livro, escreve Kimbote, com “m”.


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POR EM 13/12/2012 ÀS 06:50 PM

Gente Humilde — Vida e Música de Garoto

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Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, quase esquecido pelo público, é uma espécie de músico para músicos. João Gilberto é entusiasta da arte do compositor de “Gente humilde” ligar “os acordes por meio de belas frases musicais”. O poderoso chefão da bossa nova disse: “Garoto é um camarada esperto, ele sabe fazer aqueles encadeamentos, ele acompanha de uma forma que fica mais bonita”. Em 1991, incluiu num CD a música “Sorriu para mim”, de Garoto e Luís Cláudio (pseudônimo de Cecy, sua mulher). No livro “Chega de Saudade — A História e as Histórias da Bossa Nova” (Companhia das Letras, 461 páginas), Ruy Castro escreve: “Não havia um instrumento de corda que ele [Garoto] não dominasse à primeira vista. Dizia-se que, numa única canção, Garoto era capaz de alternar violão, guitarra, violão-tenor e cavaquinho, passando de um para o outro sem perder um compasso — e esta não era uma daqueles lendas que os músicos gostam de contar, porque ele costumava fazer isto no auditório da Rádio Nacional”. Depois de chamá-lo de “superviolonista”, o jornalista e crítico acrescenta, citando a cantora Sylvinha Telles, uma das primeiras vozes da bossa nova: “Cantar com Garoto era o máximo que uma pessoa podia querer”. Na esplêndida biografia “Carmen” (Companhia das Letras, 632 páginas), sobre a cantora Carmen Miranda, Ruy Castro aumenta o encantamento: “Aos poucos jornalistas que o procuraram, Aloysio [de Oliveira] disse que o Bando da Lua também vencera na América e que Garoto impressionara os americanos, que o chamavam de ‘Mr. Marvelous Hands’”. No livro “A Canção no Tempo — 85 Anos de Músicas Brasileiras” (Editora 34), Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello comentam: “Garoto tinha uma concepção musical diferente, acima da média de seus contemporâneos, bastando esta melodia [“Duas Contas”], com seus saltos inusitados, para comprovar este ponto de vista”. Com tantas referências positivas, de críticos e historiadores da música qualificados, compreende-se a necessidade de uma biografia detalhada do músico que mesmerizou Vinicius de Morais, Tom Jobim, João Gilberto, Chico Buarque e Baden Powell. A biografia está nas livrarias: “Gente Humilde — Vida e Música de Garoto” (Edições Sesc SP, 270 páginas), de Jorge Mello. 


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POR EM 22/11/2012 ÀS 09:02 PM

Salman Rushdie escreve carta para Deus

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Caro Deus,

Se Você existe, e se é como O descrevem — onisciente, onipresente e, acima de tudo, onipotente —, com certeza não irá tremer em seu assento celestial ao ser confrontado por um simples livro [“Os Versos Satânicos”] e seu escrevinhador, não é? Os grandes filósofos muçulmanos com frequência discordam em relação à Sua relação precisa com os homens e os atos humanos.

Ibn Sina (Avicena) argumentava que Você, por estar muito acima do mundo, limitava-se a tomar conhecimento dele em termos muito gerais e abstratos. Ghazali discordava. Qualquer Deus “aceitável ao islã” conheceria em minúcias tudo o que acontecesse sobre a superfície da terra e teria uma opinião a respeito.


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POR EM 25/10/2012 ÀS 07:32 PM

Bakhtin Desmas­carado — História de um Men­tiroso, de uma Fraude, de um Delírio Coletivo

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Há um livro explosivo na praça, que ainda estou lendo, im­pressionado: “Bakhtin Desmas­carado — História de um Men­tiroso, de uma Fraude, de um Delírio Coletivo” (Parábola, 509 páginas, tradução de Marcos Marcionilo), de Jean-Paul Bron­ckart e Cristian Bota.

O livro tem um tom de cruzada e de guerrilha contra Mikhail M. Bakhtin e defesa radical de Valentín N. Volóshinov e Pavel Niko­laievitch Medvedev. Bron­ckart e Bota discutem aqueles que ficaram conhecidos como “textos disputados”. Publicados como “de” Volóshinov e Medvedev, seriam “de” Bakhtin.

Bronckart e Bota dizem que, ao se aproximar de Vo­lóshinov e Medvedev, Bakh­tin mudou a linha de seus estudos. Assim, embora apontados co­mo “discípulos” de Bakhtin, este é que teria se inspirado nas ideias dos estudiosos.

Numa desmitificação brutal, Bronckart e Bota afirmam que Bakhtin era “plagiário” A principal obra de Medvedev, “O Método Formal nos Estudos Literários — Introdução Crítica a uma Poética Sociológica” (Contexto, 272 páginas, tradução de Sheila Vieira de Camargo Grillo e Ekaterina Volkova Américo), tem sido apresentada, por alguns críticos, como “de” Bakhtin. Na verdade, sustentam Bronckart e Bota, é mesmo de Medvedev. Os “aliados” de Bakh­tin chegaram a caluniar Med­vedev, apresentando-o como “carreirista”, “cínico” e “mulherengo”, com o objetivo de “diminui-lo”.


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POR EM 08/10/2012 ÀS 08:07 PM

Mendigos enjaulados na China são mais obscenos do que nudez da arte

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Fabiano Mai­sonnave, correspondente da “Folha de S. Paulo” em Pequim, publicou uma reportagem, “Cidade chinesa enjaula mendigos na rua”, indicando que os “adeptos” de Mao Tsé-tung, o comunista que matou cerca de 70 milhões de pessoas, perverteram os princípios humanistas. A decisão de enjaular as pessoas foi da Prefeitura de Xinjian. Um funcionário público, que se identificou como Wan, disse candidamente: “Tivemos de considerar ambos os lados: o dos peregrinos [que vão ao tempo Xanshou, que tem 1.700 anos) e o dos mendigos. Há alguns mendigos falsos que apenas querem arrancar dinheiro dos peregrinos”. Teoricamente, o governo estaria protegendo mendigos e peregrinos. No microblog Weibo, os chineses criticaram duramente a prefeitura, o que prova que, apesar da censura e da pressão política, a sociedade chinesa mantém-se ligeiramente crítica.


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POR EM 30/09/2012 ÀS 07:28 PM

Japoneses praticaram canibalismo na Segunda Guerra Mundial

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Antony Beevor lançou na Eu­ropa o que está sendo consi­derado um de seus mais im­portantes livros, “A Segunda Guerra Mun­dial”, com 1200 páginas. O filósofo John Gray escreveu, no “New Statesman”: “Esta é a narração mais completa e objetiva sobre o curso da guerra. E a mais comovedoramente humana que já se es­creveu”. O historiador Max Has­tings disse, no “Sunday Ti­mes”: “Ninguém sabe melhor que Beevor como traduzir a dura matéria da história militar em um drama humano vivo, co­movedor e impactante”.

Pesquisador infatigável, e não um mero consultor da bibliografia, Beevor descobriu que militares japoneses usavam prisioneiros de guerra como “gado”. Segundo resenha de Guillermo Altares, do “El País”, “eles eram mantidos com vida só para serem assassinados, um a um, com o objetivo de serem devorados”. Era “uma estratégia militar sistemática e organizada”. Não era um ato isolado. Entre as vítimas estavam papuenses, australianos e norte-americanos.

Os Aliados, embora informados da história, optaram pelo silêncio, para não chocar as fa­mílias dos militares mortos. Al­tares relata que, para Beevor, a Segunda Guerra Mundial “não começa com a invasão da Polônia, e sim um mês antes e em outra parte do mundo, em agosto de 1939, no rio Khalkin-Gol. Aquela batalha, na qual o Exército Vermelho derrotou os japoneses na Manchúria, demonstrou que Zukhov era um dos grandes generais soviéticos e significou uma grande lição para Tóquio, que abandonou a intenção de abrir uma segunda frente na Sibéria. Se Stálin tivesse que proteger sua retaguarda no Extremo Oriente, o conflito talvez tivesse sido muito diferente”.


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POR EM 18/09/2012 ÀS 04:58 PM

Goleiros — Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1, de Paulo Guilherme

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É consensual que o maior goleiro da história do futebol brasileiro é Gil­mar dos Santos Ne­ves. Com Pelé fazendo os gols e Gilmar impedindo os gols dos adversários, o Santos ganhou títulos nacionais e internacionais, tornando-se um dos primeiros times galácticos. Na seleção era a mesma coisa: o Brasil tornou-se bicampeão com Gilmar e Pelé. Ele foi “eleito pela revista francesa ‘Paris Match’ o melhor goleiro da história do futebol mundial”, diz o jornalista Paulo Guilherme, autor do excelente livro “Goleiros — Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1” (Alameda, 285 páginas). Sim, superou o soviético Liev Yashin, o Aranha Negra. Como era um gênio das traves, autor de pontes admiradas em todo o mundo, Gilmar era apontado como quase insubstituível. Porém, como estava “velho” e quase sempre machucado, a seleção de 1970 precisava de um “grande” goleiro. Havia Félix, que se consagrara no Fluminense, mas tinha 32 anos e “apenas” 1,76m. “Velho” e, para os padrões mesmo nacionais, “baixo”. Félix morreu há duas semanas, aos 74 anos.

Ao assumir como técnico da seleção, João Saldanha bancou Félix. Nas eliminatórias, em seis jogos, o goleiro sofreu apenas dois gols. Mas o mesmo Saldanha o afastou quando a seleção perdeu para o Atlético Mineiro por 2 a 1, alegando que não era robusto o suficiente para enfrentar os fortes atacantes europeus. Ado, alto e com pinta de galã, “ga­nhou” a vaga. Entretanto, com Zagallo no comando técnico, como substituto de Saldanha, Félix foi reintegrado à equipe e se tornou titular. Zagallo ficou com sua experiência. Ado tinha 24 anos e Leão, quase 21.


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