revista bula
POR EM 23/06/2010 ÀS 10:15 AM

Deus não existe!...

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Se Deus existe, Ele passou muito tempo na moita até que pudesse ser percebido por alguém. O universo, como existência física, é estimado em 14,5 bilhões de anos pelo calendário terreno, quando surgiu de um ovo pré-universal, numa explosão espetacular, cujos estilhaços formam os monumentais corpos celestes. Em um desses estilhaços, dos bem pequenos, é verdade, o Homo sapiens, a nossa espécie primordial, surgiu há cerca de  145 mil anos, ou seja: a nossa existência no universo ocupa o percentual infinitamente miúdo de 0,001% da existência do mundo.

Astronomicamente falando é um tempo tão ínfimo quanto aquele gasto no piscar de uma lagartixa no contexto de um ano. Em algum momento de nossa curtíssima trajetória, desenvolvemos alguns atributos que nos foram diferenciando da bicharada, tais como consciência, o raciocínio lógico, o desenvolvimento de ferramentas, a interferência conduzida no meio ambiente, a cultura e a intuição da existência do sobrenatural.  Só então Deus começou a dar as caras. Ou seja, a existência de Deus como ideia e conceito começa de fato com a evolução racional do ser humano, dentro de um processo da evolução natural das espécies. Daí não ser um disparate afirmar que a natureza criou o homem e o homem criou Deus. A existência de Deus, se fosse pão, ainda estava quentinho de derreter a manteiga. Nenhuma das linhagens que nos antecederam, como as bactérias, as formigas, as baratas, os crocodilos, os dinossauros, supõe-se, não chegaram a aventar, ou mesmo intuir a existência de Deus. Pela simples razão de que eram ou são seres irracionais. A existência der Deus teve início com a nossa espécie.


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POR EM 14/06/2010 ÀS 10:49 AM

O dia que o Brasil perdeu a Copa de 2010

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Contistas dão suas versões para o dia que abalou o futebol mundial: o fracasso do selecionado canarinho na Copa do Mundo da África

Depois que paguei a última prestação da geladeira eu pensei: agora vou fazer economia para comprar a TV de plasma, para assistir à Copa do Mundo da África do Sul. Afinal, Copa é Copa, uma emoção que só dá de quatro em quatro anos e pra quem já ta ficando assim mais pra lá do que pra cá como eu, pode até ser a última.

A geladeira na verdade eu só comprei porque eu vi o presidente Lula dizendo que quem comprasse geladeira nova tava ajudando o país sair da presepada dos homens dos States, para garantir que a tsunami lá deles chegasse aqui só a marolinha. Mas se entendi bem, eu estava ajudando também o governo economizar energia, pois segundo o presidente geladeira nova tem o canudinho bem mais fino na hora de beber energia.

E se entendi essa parte também, se a gente economiza energia, o governo não precisa cuidar logo de construir usinas novas nem reformar as velhas e sobra dinheiro pra dar uma engordada nas bolsas disso nas bolsas daquilo, essas coisas que fazem pobre rir à toa, do jeito de rico. Sem contar que com uma geladeira que gasta a metade da energia, com o mesmo desempenho, em um ano ou dois tenho a geladeira de graça, considerando o favorecimento na conta de luz.

Viu só que beleza! Em um ano ou dois, segundo a orientação do iluminado presidente Lula, eu tenho uma geladeira com um ou dois anos de uso, de grátis, e me livro daquele trambolho velho, que agora confesso, já tava produzindo gelo por fora que até levou meu primo, que é gozador e gosta de filar uma cervejinha em minha casa, a me cornetar. Ele me falou: Essa geladeira sua é marca GE? Eu disse: Não. É daquela que é das melhores de boa. Eu pensei que era GE, ele insistiu. Por que GE, eu quis saber. Porque ela tem Gelo Externo, rarará!


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POR EM 27/05/2010 ÀS 05:21 PM

A síndrome do Homo sapiens cozido

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Talvez uma das noções mais nostálgicas, pesarosas e tristes que possamos ter é admitir que um dia o nosso planeta seguirá o curso de seu destino sem a nossa presença, sem a presença do Homo sapiens e seus feitos extraordinários. Sem nossas máquinas, sem nossas catedrais, sem nossos túneis, sem nossos poemas, sem nossas paixões, sem nossas crenças, sem nossa semelhança com Deus, sem nosso orgulho de espécie, sem nossos sonhos, sem nossos descendentes reproduzindo tudo isso em maior ou menor grau, mas com pretensões de originalidade.

No entanto, o sentido de tal situação de pesar só pode ocorrer por suposição, por hipótese, por meio da antecipação operada pelo pensamento, uma vez que a situação de fato cria uma espécie de paradoxo insolúvel: Como poderemos nos entristecer por não estarmos aqui como espécie se de fato não estaremos aqui como espécie para nos entristecer?  Talvez essa noção arrefeça qualquer tanto a força dessa nostalgia e impeça que ela freie o nosso ímpeto de autodestruição. 

Autodestruição que, aliás, muitas vezes se nos apresenta sob o título alvissareiro e pseudamente amável de progresso, divisas externas, desenvolvimento econômico, capacidade de pagamento, crescimento real, PIB, superávit primário e quejandos. Uma cristalização dessa ideia pode estar nos versos de Fernando Pessoa: Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é. E assim, nós a sociedade de consumo e da informação sem reflexão, a dita sociedade contemporânea ou pós-moderna da qual fazemos parte, liga o foda-se na potência máxima e doidamente antecipa o oco çinixtro.


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POR EM 18/05/2010 ÀS 05:49 PM

A riqueza do mundo e a herança dos otários

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Adam SmithO Homo sapiens, este bípede implume, mamífero por condição e pretensioso de nascença, é um animal encantador, que se diferencia de toda bicharada pelo o uso da razão e pelo porte da moralidade. E é ao mesmo tempo um tanto çinixtro, exatamente  por ser moral e dotado de raciocínio e se negar a usar essas faculdades  praticamente exclusivas para se resguardar como espécie, neste momento da história em que toda a fauna humana passeia perigosamente numa frágil e movediça passarela sobre os horrores de um abismo.

Poderíamos dizer que a moral é uma invenção platônica, engendrada a partir das ideias de Sócrates (469-399 a.C.). Do ponto de vista formal, esta atribuição não é de toda descabida, mas, do ponto de vista intuitivo, algumas noções de moral, ainda que de forma rudimentar, sempre estiveram entranhadas na consciência do homem, desde tempos neanderthais.

Para a moralidade platônica nada pode fazer mal a uma pessoa de bem. Alguém que aja com senso de ética, justiça e equidade sempre estará resguardada dos solavancos do mundo. Essa noção foi migrada inteira, sem supressões nem retoques, para o arcabouço do cristianismo, onde foi totalmente absorvida. Quem é bom sempre terá a seu dispor um caminho ladrilhado de pétalas de rosas e um horizonte azul onde abrigar seus sonhos, sempre realizando de forma crescente. Paz na terra aos homens de boa vontade, diz o aforismo deôntico. A contrário senso, quem é mau pagará o preço de sua maldade, do jeito de quem cospe pra cima.


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POR EM 05/05/2010 ÀS 06:16 PM

O Bigue-bangue e o mundo provisório

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Há pouco tempo narrei em crônica um fato inusitado: Eu estava em minha seção de trabalho e a secretária me avisou que havia alguém que queria falar comigo e não quis adiantar o assunto. A secretária entronizou o moço. À primeira vista, não parecia alguém ligado a livros, como as pessoas que costumam me procurar. Alto e esquelético, pele crespa, cabelos maltratados, com jeito de quem tenha crescido com alto déficit calórico e exercesse alguma atividade ao sol, na poeira. Talvez fosse tratador num confinamento de bois.

Convidei-o a sentar-se. Parecia espantado, olhando ao redor com ansiedade. Mas curiosamente me solicita que fechasse a porta. Queria me dizer algo em segredo. Confesso que fiquei cismado, mas o atendi. Mais à vontade, começou a falar muito rápido, como quem tivesse comido molho de quiabo.

Queria me vender um livro que tinha escrito e segundo ele era muito importante para a humanidade. Mas não queria publicar no próprio nome por lhe faltar temperamento para ser famoso e o livro era garantia de ganhar o Prêmio Nobel. Não de Literatura. Mas de Física. Eu quis saber o que havia de tão importante nesse livro e ele afirmou que revelava a origem do universo. Não só do universo, mas até a origem de Deus. Até hoje a ciência consegue ir só até o Bigue-bangue, ele disse. Mas eu, não. Meu livro vai até milhões de anos antes do Bigue-bangue.


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POR EM 19/04/2010 ÀS 09:25 AM

Saberes (nada) elementares

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Você nem vai notar. Quem está chegando agora não dispõe de elementos comparativos para saber se a casa está desarrumada ou se é assim mesmo a arrumação.  Mas eu venho de mais longe e posso lhe afirmar com segurança: o mundo anda muito mudado. É bem verdade, insisto: o mundo está revirado para as pessoas mais velhas, que vêm de um tempo de costumes diferentes, de objetos diferentes, de modos de se realizar diferentes. Muita coisa melhorou. Não nego. Em compensação... Bem... com o tempo, você há de convir, o modelo que está em vigor é perverso com a gente.
           
O deus que manda hoje em dia é o Senhor Mercado, e todos os demais deuses se curvaram a ele e viraram marionetes em suas mãos. O magno ensinamento desse deus é que viver a vida consiste única e exclusivamente em atender aos desejos, custe o que custar. E para que seja criada uma dinâmica de roda-viva no mundo, uma engrenagem que triture a tudo e a todos, o deus Mercado determinou a seu profeta Marketing que promova em nossos corações o nascimento de desejos, numa espiral infinita. E a vida entrou em redemoinho, em desabalada correria, atrás da realização de necessidades que supostamente temos e precisamos atender.          


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POR EM 07/04/2010 ÀS 10:42 AM

O óvulo estelar e o esperma cósmico

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O acelerador de partículas, um túnel subterrâneo de 27 km, entre a França e a Suíça, acaba de realizar um feito científico extraordinário. Algo que beira a magia e a superstição. Os cientistas puseram feixes de prótons para entrar em choque entre si a uma velocidade de 300 mil km por segundo (bem próximo da velocidade da luz) e criaram em laboratório o que já estão chamando de mini bigue-bangue, numa referência à explosão ancestral, que teria dado corpo ao universo. Os pesquisadores estão à cata de uma suposta partícula, que não tem existência comprovada, mas já foi batizada de Bóson de Higgs.

A hipotética partícula teria a nobre função de conferir massa à matéria. Ou seja, no momento em que esse misterioso fermento se achegou à matéria contida num núcleo infinitamente pequeno (pois não continha massa) o universo eclodiu numa reação química bombástica. Eclosão que ainda não terminou, pois há estudos que comprovam que o universo ainda está em expansão.

Já tem gente pensando que, com o conhecimento dessa particular elementar, a origem do universo estará definitivamente desvendada. Que poderão até ser feitos em laboratório arremedos de universo, com sua matéria, com seu espaço, com seu tempo. Ou quem sabe um buraco negro, com fome suficiente para engolir o universo real com tudo que nele se encontra. Outros ainda acreditam que o surgimento da vida será finalmente esclarecido e com esse esclarecimento, uma porção de perguntas até agora sem respostas poderão ser finalmente respondidas. Do tipo quem somos? De onde viemos? Para aonde vamos? Estamos na Terra obedecendo a quais propósitos?


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POR EM 24/03/2010 ÀS 09:37 AM

A vala comum dos deuses vencidos

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Contava eu lá com meus 8, 9 anos. A gente morava no sertão. Sertão como não se vê mais no Centro-Oeste de hoje em dia. Era um sertão profundo, praticamente sem estradas, vizinhança escassa, onde Deus ficava muito alto e o governo distante demais. 

Como o suprassumo da invenção humana, o rádio já existia. Não em nossa casa. Mas na casa do senhor da terra, onde a gente ia de vez em quando, no início da noite, para ouvir músicas. Não raras vezes fiquei olhando ao redor do rádio para ver por onde os cantores entravam e ali espremidos conseguiam cantar e ainda davam boa-noite com tanta alegria. Já existiam também os almanaques Capivarol e Biotônico Fontoura mas, a não ser pelas figuras, restavam inúteis, porque ler a gente não sabia. Meu pai soletrava alguma coisa, que não dava para entender nada. Parecia mais gagueira do mesmo a expressão de alguma ideia.           

Nessa época era atribuída a mim a tarefa de levar a comida acondicionada em cuias e a água numa cabaça para meu pai que cuidava de um pequeno roçado. Certo dia, ele trabalhava com mais dois vizinhos, limpando a roça de milho. Levei a comida e a cabaça d’água, como sempre fazia. O pessoal almoçou sentado em troncos de árvores, abrigados em alguma sombra de árvores remanescentes. Depois comeu um naco de rapadura a título de sobremesa. Meu pai foi à cabaça, apoiada no chão, tirou a tampa e a entornou sobre o copo, que estava num declive. Deixou a água derramando enquanto observava atento um gavião enorme que passava, compenetrado em seu voo de viagem. 


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POR EM 15/03/2010 ÀS 11:37 AM

Nossa compulsão pela certeza e a loteria secreta

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Sem muita certeza eu arriscaria a afirmar que as maiores necessidades humanas são a manutenção de sua integridade biológica, a geração de descendentes e a redução, se possível a zero, das incertezas. Assim nesta ordem. Aliás, o instinto de manutenção parece ser uma pulsão que permeia a toda a natureza.

Spinoza intuiu que uma pedra quer ser uma pedra, um rio quer ser um rio, uma árvore quer ser uma árvore, um vírus quer ser um vírus, uma barata quer ser uma barata, um canário quer ser um canário, um crocodilo quer ser um crocodilo, um jumento quer ser um jumento, um homo sapiens quer ser hum homo sapiens, embora este último, em sua complexidade neural, às vezes vacile: às vezes quer ser um deus, às vezes quer ser um verme. Mas são apenas exceções que confirmam a regra. Cada ser quer ser a si mesmo e ponto final. Isso a todos compraz.

Por falar em regra e que toda regra tem exceção; e tem mesmo, inclusive esta. E a exceção da exceção da regra é que todo ser vivo morrerá um dia, muito antes do que se possa esperar. É uma regra absoluta. Mas esta gostaríamos de relativizar, de estabelecer exceções. E assim a maioria de nós vive numa perspectiva ilusória e ao mesmo tempo iludida de que vamos viver para sempre. Quando não por nós mesmos, mas pelo menos por meio das gerações, dos genes que vamos como uns danados atirando futuro afora.


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POR EM 03/03/2010 ÀS 12:07 PM

Nada de novo debaixo do sol

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Certas pessoas que ouço dizem que já não aguentam mais as infinitas correntes de mensagens, da mais fina sabedoria de para-choque de caminhão, que circulam pela internet. No entanto, elas não param de circular, cada vez em torrentes mais acachapantes.  São em geral textos adornados por músicas new age ou outro estilo que o autor julga capaz de comover seus destinatários. Tudo muito bem desenhado, animado, colorido, compondo uma obra de mau gosto sem tamanho, mas esteticamente ofuscante para os menos avisados, de tal sorte que não conseguem se desvencilhar dessas armadilhas para alcançarem leituras que realmente importam.

Parece que os autores das benditas mensagens não confiam em si mesmos, como emissores de tais sapiências. São dotados de uma cabotinice às avessas e atribuem suas sabedorias a nomes amplamente consagrados. Os alvos dessas atribuições são em geral escritores do porte de Shakespeare, Jorge Luís Borges, Camões, Vitor Hugo, Carlos Drummond de Andrade e até alguns menos aventados como Luiz Fernando Veríssimo e Mário Quintana. O pior de tudo é que há muita gente boa que nem suspeita dessas bobagens, daí advém o seu sucesso. Vi recentemente até um professor universitário (de presumida distinção) recitar um texto como sendo de Borges. O texto era tão meloso e tão bobinho que eu tenho comigo que Borges não o assinaria nem sob tortura do regime do General Jorge Rafael Videla. Mas é como disse o maior sábio da antiguidade, o rei Salomão, em seu livro Eclesiastes: “O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer: de modo que nada novo há debaixo do sol”. E parece que, pelo menos sob os aspectos mais conotativos, não há mesmo nada genuinamente novo debaixo do sol. O próprio texto do Eclesiastes, de onde retiramos esta citação, não passa de uma atribuição sete séculos depois de morto, ao mais afamado rei de Israel, aquele que tinha em seu plantel feminino 300 esposas, 700 concubinas, e ainda teve inspiração para escrever Cantares, um dos mais belos poemas de amor, à pastora Sulamita, com quem se encontrava casualmente nos pastoreios, sobre o feno dos prados.


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