revista bula
POR EM 10/10/2011 ÀS 08:14 PM

O que você faria se fosse imortal?

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Já imaginou o que faria se descobrisse que por alguma razão você tivesse se tornado imortal? Ter consciência de que o tempo continuará passando irremediavelmente para os outros, mas para você ele estará para sempre estancado?

O fato por certo traria grandes alterações de perspectivas em sua vida. Poderia levá-lo a percorrer novos e diversos caminhos, dependendo obviamente de seu temperamento e de suas escolhas.

Poderia, já que é imortal, cair num hedonismo aventureiro e doidivanas, curtindo cada momento de sua vida com toda intensidade, colhendo orgasmos pela vida, que nem borboleta que oscula flores.

Poderia, já que é imortal, dar início a projetos grandiosos, desses que não cabem no manequim de uma vida singela. Poderia edificar bibliotecas circulares, escadas infinitas, ou qualquer obra que pudesse trazer redenção para a humanidade. Escrever uma nova “Odisseia”, uma nova “Comédia Humana” ou um novo “Em Busca do Tempo Perdido”. Poderia até empreender viagens interestelares, dessas em que se gastam milhares de anos-luz para percorrer. Mas um dia, quando a vida na Terra já tivesse ido pro beleléu, você chegaria ao destino, são e salvo, com os genes humanos ainda intactos, pronto para multiplicá-los, num planeta distante e seguro. Afinal, você tem consciência de que jamais será alcançado pela ceifa da morte. As possibilidades são infinitas. Vão depender unicamente de sua imaginação. E você terá, não o tempo, mas a eternidade inteira para imaginar o que quiser.


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POR EM 07/10/2011 ÀS 01:58 PM

O medo de morrer nos mata por antecipação

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Sketch for The Death of Sardanapalus, de Eugene Delacroix

Toda atividade humana tem como função básica livrar-se das garras da morte. É para não morrer que a gente dorme, que a gente se levanta, que a gente ama, que a gente estuda, trabalha, xinga, blasfema, reza ladainhas, faz discurso na praça, arruma um ponto de mínimo conforto nas engrenagens da sociedade e acaba por constituir um diferencial, uma persona, uma identidade única no meio de tantas criaturas semelhantes. A morte é a alavanca propulsora de toda energia vital.  
 
Para não morrer, você se converte a uma fé supostamente redentora e se dobra diante de um Deus furtivo. Passa a agir, não por si mesmo, mas pelo índex do que pode e do que não pode, segundo os dogmas de sua seita, na fervorosa ilusão de que morrendo fisicamente na fé haverá de ressurgir eternamente na graça do Deus glorificado. Em outras palavras: por medo de morrer, você acaba morrendo um pouco por antecipação.

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POR EM 29/09/2011 ÀS 07:36 PM

A indigestão de Gaia

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Com o aquecimento global, os furos na camada de ozônio e outros quizilas do planeta, a Teoria de Gaia de James Lovelock vem ganhando credibilidade junto à comunidade científica. Vamos aproveitar então admiti-la como válida.

Segundo essa corrente de ideias, a Terra seria um sistema auto-regulável de interações complexas entre organismos vivos e não-vivos. Assim como nosso corpo que tem parte orgânica e mineral, trocando figurinhas o tempo todo. É bom lembrar que a quase totalidade do planeta é constituída de material não-vivo e só uma pequena crosta, a biosfera, tem o dom especial de abrigar a vida. Para Lovelock a terra seria um bicho vivo, como um boi, um coral, um jumento ou um cupim.

Lembre-se,pesquisas asseguram que o planeta Marte já teve fartura de água e presença de vida, pelo menos microscópica. No entanto, por alguma avaria climática, cuja causa ainda não se conhece, a água evadiu-se para local incerto e não sabido e a vida desapareceu por completo. Portanto não é alarme de ecologista sem noção de que a vida na Terra possa a qualquer instante entrar em declínio, por causas naturais ou por ação e mérito de seu habitante mais interventor: o homo Sapiens (eu, você, o Bill Gates, a Gisele Bündchen, o doidinho da carrocinha). Um bicho bruto como nós, é bem provável que habitamos o centro fabril do animal planetário: o sistema digestivo. Somos uma lombriga. Uma lombriga anfíbia que oscila entre as relações cooperativas e parasitárias.

 


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POR EM 25/08/2011 ÀS 07:51 PM

A lista da Forbes e minha mãe

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Saiu a lista Anual da “Forbes” das mulheres mais poderosas do mundo.  Não pergunte a mim nem ao editor de tal lista qual o critério para se chegar a estes nomes e a esta classificação. O negócio é muito crazy. O Samba do Crioulo Doido é uma lição de serenidade e bom senso diante dos critérios para a formação da lista. Ela mistura Beyoncé com Hillary Clinton , Lady Gaga com Dilma Rousseff, Gisele Bündchen com Ângela Merkel e assim vai.  É nonsense puro.

Em que a Hillary Clinton poderia interferir no mundo e a Beyoncé pudesse competir com ela?  A cantora popozuda pode com seus requebros fechar uma rua, parar uma cidade e até um país, dependendo do seu esforço de mídia e de qual país esteja se referindo. A dona Hillary com seus conselhos pode convencer Obama embargar um país, ou detonar outro. Pode até convencê-lo a soltar uma gigabomba atônica  e esfarelar o planeta. Mas aí já é tanto poder cujo exercício não convém. Numa explosão dessa não escapa ninguém. Nem a dona Hillary e seu Obama. Situação comparável àquela quando a dona Hillary era primeira dama e seu marido tinha o estranho hábito de fumar charuto nas vias de regra de Monica Lewinsky. Ela tinha o poder de detonar seu marido, só que ela mesma iria de roldão. É muito poder para não ser exercido.


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POR EM 22/08/2011 ÀS 11:43 AM

Porte de armas para os gays

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Pode parecer maluquice, mas acho que pelo princípio da igualdade social, gay deveria ter licença para andar armado. Transportador de numerário não tem porte de armas para se defender da sanha dos meliantes? Pois então. Por que os gays não poderiam andar armados para se defender dos homofóbicos pitibuls neonazistas?  De que adianta dizer que o gay pode casar, andar agarradinho, beijar em público, adotar criança, herdar um do outro, essas coisas que constitui o princípio da dignidade humana, se ele na prática não pode sair à rua que logo vem um bando de celerados que lhe dá nos costados até matar? Para permitir, de fato, é preciso proporcionar os meios.

Divaguemos um pouco. Um dos princípios mais estimados da democracia é que todos sejam contemplados pela igualdade. A constituição em seu artigo 5º garante que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Esta é uma das cláusulas pétreas mais paparicada e ao mesmo tempo mais desobedecida, porque para proporcioná-la, o estado de direito (aquele em que estado promulga a lei e a ela se submete, segundo a vontade da população livre e esclarecida) precisa fazer cumprir um princípio auxiliar igualmente importante: o da isonomia. Que consiste em “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida de suas desigualdades”. Isso é aristotélico, mas não perdeu a atualidade, nem alcançou sua plenitude. Estado nenhum conseguiu até hoje proporcionar essa igualdade tão plena.


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POR EM 03/08/2011 ÀS 01:47 PM

As crianças da Somália e os hipopótamos do Okavango

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As imagens são de arrepiar. De cortar o coração. Isto é, para quem ainda tem pele que arrepia e coração para ser cortado num golpe de indignação diluída em elétrons de misericórdia.   As crianças dilaceradas pela fome no Chifre da África, região nordeste que abrange os países da Somália, Etiópia, Djibouti e Eritreia, chegam a 10 milhões. 29 mil já apagaram por absoluta carência de proteína nos últimos 90 dias, só na Somália, segundo um levantamento do Centro de Controle de Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. E este número pode explodir nos próximos dias, pois a ONU afirma que pelo menos 640 mil crianças somalis se encontram no estado extremo da fome absoluta.

O grupo fundamentalista Al Shabab, que se diz aliado da rede Al Qaeda, é quem atualmente domina as partes mais afetadas da região. O grupo alega que tudo não passa de mentiras do Ocidente. Que tudo vai muito bem, obrigado, que não há surto de fome coisa nenhuma. E assim, O Al Shabab não permite a entrada dos socorristas das organizações de ações humanitárias. O Ocidente (ou comunidade Internacional?) faz corpo mole, cara de paisagem. Alega que não é possível fazer muita coisa para tirar as crianças da garra da morte, de serem usadas como combustível de uma estratégia odiosa e infernal de dominação política. Afinal, não é de bom alvitre intervir nas questões internas dos países, é preciso respeitar a autonomia e o destino das nações, o livre-arbítrio dos povos, blábláblá-blábláblá.


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POR EM 21/07/2011 ÀS 05:36 PM

Contar uma piada pode ser mais perigoso do que cometer um assassinato

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O respeito é bom, conserva os dentes e eu gosto! 
Se nunca ouviu este bordão de bazófia e advertência, talvez porque você já seja de uma geração mais nova em que o respeito foi substituído por outra coisa chamada “comportamento politicamente correto”. 
O respeito era uma coisa vetusta, arcaica (como também são essas palavras) da sociedade patriarcal, em que crianças “naturalmente” respeitavam os pais, tios e avós, em que os moços respeitavam os velhos, em que a professora não era tia e o aluno respeitava, tanto porque era mais velha como porque havia uma diferença hierárquica a manter um distanciamento reverencial.
O respeito não vinha por determinação legal. Era algo ecológico, nascido dos costumes, vindo de dentro da sociedade, de baixo para cima, feito umidade. Mas o respeito não era politicamente correto. Você podia contar piada de negro ou de viado. De loira ainda pode? Para o bem ou para o mal estamos nos tornando um povo macambúzio e sem graça. Você podia chamar um portador de necessidades especiais de aleijado, sem lhe tirar pedaços. Tive um amigo apelidado de Tião Muletas. Mais do que qualquer outra pessoa o que portava mesmo uma alegria enorme de viver e chegou a se eleger a vereador, sem cotas. Os meninos mais velhos podiam dar cascudos nos mais novos. Os que levavam cascudos hoje eram os que davam cascudos amanhã, sem traumas, como num rito de passagem, no suceder das gerações. Sem constituir bullying. Como os macaquinhos (cuidado com esta palavra) mais fortes que judiam (essa pode ser é ofensiva aos judeus) dos mais fracos, num rito de aquisição de habilidades essenciais e fortalecimento muscular. 
Dentro de uma sociedade complexa, como ficou a nossa, a cultura do respeito ficou traumogênica e já não dava conta do recado. Não era é mais eficiente para azeitar as relações sociais. Quem garante são os psicopedagogos, psiquiatras, psicólogos e psiblablablás em geral. Daí veio o tal de politicamente correto. A ideia chegou não pela marcha lenta dos costumes, mas pelo torque bruto da lei, pela imposição. Nem é preciso dilatar sobre seus exageros. Basta sabermos que hoje contar uma piada pode ser mais perigoso do que cometer um assassinato. O assassino pode aguardar o julgamento em liberdade. Já o piadista politicamente incorreto aguarda o julgamento na gaiola, sem direitos a fiança. 
Essa mesma linha de pensamento gerou a noção de que não se deve ensinar ao aluno a língua culta, sob pena de se estar cometendo preconceito linguístico. O sujeito vai para a escola, mas não pode sofrer nenhum tipo de “repressão pedagógica”. Vai para a escola talvez para comer a merenda. O craqueiro só pode ser internado para tratamento se ele quiser, quando a ciência já provou que a primeira coisa que droga provoca no usuário é a suspensão de sua capacidade volitiva. Gerou o garantismo legal em que uma das ideias básicas é a noção do crime conglobante. Ou seja, o delinquente não comete um crime sozinho. Quem comete o crime é a sociedade através do delinquente. Logo o delinquente não pode ser penalizado por um crime que não é seu, mas da sociedade. É a barbárie em termos pós-históricos.
Mas qual é a matriz ideológica desse tal de “comportamento politicamente correto”? De onde veio essa coisa?
Temos que adentrar o veio da ideia em algum ponto. Fazer o nosso in medias res. Essa noção chegou até nós pelos americanos. Pelo mesmo grupo que desaguou no movimento Tea Party (movimento social e político populista, conservador, de ultradireita) que adota a tortura aos prisioneiros de guerra como meio legítimo para a consecução de provas. 
Por incrível que pareça, não há nada mais parecido com a ultra-esquerda do que a ultradireita. O espectro ideológico é esférico e, no deslocamento máximo das posições, a direita e a esquerda se tocam e trocam figurinhas por osmose. Quando não se tornam exatamente iguais, tornam-se no mínimo muito parecidas. 
Foi nessa troca por osmose que e ultradireita americana bebeu na ultra-esquerda soviética os conceitos do “politicamente correto” e traçou os alicerces de uma política moral de exportação, com propensões imperialistas. 
Numa mistura de quiliasmo (noção apocalíptica de que depois do Anticristo os inocentados do juízo final usufruirão mil anos de prazeres sobre a Terra) e realismo alucinado, Francis Fukuyama (1952) escreveu “O Fim da História e o Último Homem” inspirado principalmente em “Guerra, Progresso e o Fim da História” do russo Vladimir Soloviev (1853-1900), que juntamente com seus discípulos, foi um dos inspiradores da utopia Bolchevique. 
Os mil anos de sossego gozoso (sem conflitos sociais, ou seja, o fim da História) de Fukuyama seriam possibilitados pelo Capitalismo Global. Esse entendimento permeia a sociedade americana. O livre mercado como ideia única em parceria com uma confissão de fé escatológica. Como efeito colateral dessa alucinação teo-filosófica cambiante esquerda/direita é que nasceu o “politicamente correto” com seus vários vieses de esquisitices.
O velho respeito da sociedade patriarcal é certamente um produto vencido, sem qualquer emprego nos dias de hoje. Mas o seu sucedâneo, o tal do politicamente correto não seria ainda pior? 
E nós, pobres colonizados, povo de cultura débil, entusiasmado pela condição de tubo digestivo do capital que a globalização dos impõe, vamos seguindo religiosamente os mandamentos dogmáticos dessa nova religião, sem ao menos questionar se é isso mesmo que queremos para nós. 
Como diria o bêbado Lilico, personagem de um antigo humorístico de televisão: 
- É bonito isso?! 

O respeito é bom, conserva os dentes e eu gosto! Se nunca ouviu este bordão de bazófia e advertência, talvez porque você já seja de uma geração mais nova em que o respeito foi substituído por outra coisa chamada “comportamento politicamente correto”. 

O respeito era uma coisa vetusta, arcaica (como também são essas palavras) da sociedade patriarcal, em que crianças “naturalmente” respeitavam os pais, tios e avós, em que os moços respeitavam os velhos, em que a professora não era tia e o aluno respeitava, tanto porque era mais velha como porque havia uma diferença hierárquica a manter um distanciamento reverencial.

O respeito não vinha por determinação legal. Era algo ecológico, nascido dos costumes, vindo de dentro da sociedade, de baixo para cima, feito umidade. Mas o respeito não era politicamente correto. Você podia contar piada de negro ou de viado. De loira ainda pode? Para o bem ou para o mal estamos nos tornando um povo macambúzio e sem graça. Você podia chamar um portador de necessidades especiais de aleijado, sem lhe tirar pedaços. Tive um amigo apelidado de Tião Muletas. Mais do que qualquer outra pessoa o que portava mesmo uma alegria enorme de viver e chegou a se eleger a vereador, sem cotas. Os meninos mais velhos podiam dar cascudos nos mais novos. Os que levavam cascudos hoje eram os que davam cascudos amanhã, sem traumas, como num rito de passagem, no suceder das gerações. Sem constituir bullying. Como os macaquinhos (cuidado com esta palavra) mais fortes que judiam (essa pode ser é ofensiva aos judeus) dos mais fracos, num rito de aquisição de habilidades essenciais e fortalecimento muscular. 


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POR EM 01/07/2011 ÀS 02:02 PM

O gás já está aberto. Vamos riscar o fósforo?!

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Ainda na passagem do século 18 para o 19, o economista britânico Thomas Malthus (1766-1834) alertou o mundo sobre um horizonte sombrio à espreita do Homo sapiens. Bradava ele sobre os riscos de um crescimento exponencial da população diante de um crescimento apenas linear da produção de alimentos.  Sua hipótese se assentou sobre o fato de que, diante de situações mais favoráveis que as da Idade Média, a população do planeta saltou de 500 milhões para um bilhão de habitantes em 200 anos, já àquela época comprometendo a segurança alimentar. Com a demanda maior que a oferta.

Mal sabia ele que nas décadas seguintes sua engenhosa hipótese cairia em descrédito, pelo fato de que a Revolução Industrial traria em sua esteira a redentora revolução verde, ou a segunda revolução agrícola. Com a adubação massiva, os defensivos, os equipamentos tecnologicamente avançados, a irrigação em larga escala e as novas cultivares mais resistentes, a lavoura foi avançando sobre campos áridos até então, e assim a agricultura de subsistência se transformou no que hoje se conhece como agronegócio. O mundo, confiante e extasiado, assistiu a produtividade se multiplicar por dez nas terras férteis e a produção em terras ácidas se igualar à das terras de cultura. Exemplo bem próximo de nós são os cerrados, que “não serviam nem para criar calangos”, no dizer dos fazendeiros. De repente, pelas suas safras-monstro, passaram e reivindicar o título portentoso de “o celeiro do mundo”.


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POR EM 23/06/2011 ÀS 03:03 PM

100 desculpas ou mentiras triviais

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1 — estou aguardando o parecer jurídico

2 — vai depender da safra da flórida

3 — vou estar providenciando

4 — vou estar passando ao setor competente

5 — se não chegar em 72 horas o senhor volte a nos ligar

6 — o contêiner está retido no porto

7 — sua encomenda estava naquele avião que caiu

8 — vou pagar com o dinheiro da emenda parlamentar

9 — os operários chineses estão em greve

10 — extraviou no correio

11— a artesã que dá o acabamento está de TPM

12 — estou dependendo da nomeação do governo


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POR EM 13/06/2011 ÀS 10:34 AM

Traga seu lixo para Goiás

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O título acima é uma paráfrase do slogan de uma campanha institucional de certo Governo de Goiás, da época da Ditadura Militar. O slogan era exatamente: “Traga sua poluição para Goiás”. Com tantas obrigações e afazeres, é bem possível que a pessoa do governador nem tivesse tomado conhecimento da frase infeliz antes de ser espalhada. Mas no mínimo ela traduz o grau de ignorância ecológica e o baixo nível cultural da sociedade goiana àquela época.

Talvez essa malfadada campanha tenha encorajado os constituintes alguns anos depois a incluir de fora da Constituição Brasileira de 1988 o cerrado como bioma com interesses para preservação, vez que Goiás é o Estado mais predominantemente constituído por essa vegetação delicada.

Trata-se de um descuido fatal e sem reparação. 23 anos depois de promulgada a “Constituição Cidadã”, no dizer eufórico de Ulisses Guimarães, o cerrado segue o seu triste destino de órfão da lei maior.  Aliás, isso já foi tempo bastante para que nossos chapadões, planícies, morros e várzeas fossem maltratados até não poder mais. Até que o cerrado perdesse a coesão interna e ficasse impedido de sustentar minimamente o equilíbrio de sua flora e de sua fauna. Inclusive com grandes áreas já tendendo a virar deserto. 23 anos já era tempo suficiente para que nossas lideranças tivessem entabulado uma proposta de emenda à Constituição para incluir o cerrado no rol dos biomas a serem protegidos. No entanto, ao invés disso, os parlamentares da zona do cerrado se uniram mais no sentido de aprovar o novo código florestal, cujo maior mérito é anistiar os crimes perpetrados contra o meio ambiente. O velho código, mal e mal, queria proteger nascentes, beiras de córregos, encostas e morros etc. Quem desobedeceu teria que restaurar, ou pagar multas. Mas com o código já aprovado pela Câmara, agora tudo será crime sem castigo. Evoé!


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