revista bula
POR EM 06/02/2013 ÀS 12:44 PM

Hermann Hesse: o guru dos hippies

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A Floresta Negra, no Sudoeste da Alemanha, é uma das mais belas regiões do país. A área abrange quase a metade do Estado de Baden-Württemberg — que, ao Sul, faz limite com a Suíça e, a Oeste, com a França. A topografia é acidentada com vales, colinas e montanhas cobertas de densa mata de pinheiros que, ao sol do verão, assumem uma cor verde-escuro quase beirando ao preto, daí o nome de Floresta Negra. A Oeste, formando a divisa com a França, serpenteia languidamente o Reno, a mais importante veia aquática europeia, cujas nascentes têm suas origens nos Alpes suíços; em seu percurso penetra o território alemão do Sul ao Norte, onde faz um desvio em direção à Holanda e lá desemboca no rio Maas — formando um intrincado delta cujos braços espraiam-se no Mar do Norte. A Floresta Negra estende-se além do Reno, em território francês, onde as árvores são da mesma família e a cor verde-escuro viceja. O que muda é apenas o nome: os franceses chamam-na de Floresta dos Vosgues.


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POR EM 09/07/2012 ÀS 11:16 PM

Sobre livros, autores e um leitor

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Uma reflexão crítica sobre a história da literatura, as grandes façanhas editoriais e as dúvidas suscitadas sobre a autoria de textos e livros precursores

Deparei-me com um pequeno ar­­tigo que despertou o meu interesse. Ao lê-lo, vieram-me à mente títulos de livros, nomes de  autores e algumas reminiscências de longa data. Resolvi trazê-las à luz. Mas antes, comecemos com o artigo que, para os  aficionados por livros antigos, poderá ser de bom paladar.

Foi vendido o mais antigo livro da Europa. Foi este o título do pequeno texto que, resumidamente, dizia:  a Biblioteca Nacional da Grã-Bretanha comprou, por 11 milhões de euros (cerca de 27,5 milhões de reais), o  “São Cuthbert Gospel”, o livro mais antigo da Europa. Trata-se do Evangelho de São João, um manuscrito em latim,  que encontrava-se em poder da Ordem Jesuíta Bri­tânica. A obra, com 9,6 x 13,6 cm, é encadernada em couro vermelho e data da época de Cuthbert de Lin­disfarne (Cutberto, mon­ge e  bispo inglês) que morreu em 687. O livro foi en­contrado em seu sarcófago no ano de 1104. Segundo a British Library “trata-se de um dos livros mais importantes da bibliografia mundial”.

Da cultura egípcia, conservaram-se documentos feitos em papiro que da­tam de 4 mil anos a.C., isso graças ao clima seco e propício da região do Nilo. O que impressiona no “São Cuthbert Gos­pel” é o fato da obra ter sido conservada 417 anos num sarcófago da Europa Central, com um clima bem adverso ao do Egito.


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POR EM 21/06/2012 ÀS 05:08 PM

Meu encontro com Bud Spencer

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Colunista  relata seu encontro com o ator Bud Spencer, famoso pelos filmes de faroeste ao lado de Terence Hill

Encontrei-o apenas uma vez. Foi em San José, Costa Rica. Eu acabara de regressar ao hotel. Tinha passado a noite com amigos ao pé do vulcão Arenal para ver, na escuridão, o espetáculo do magma incandescente deslizando pela encosta da montanha.

Era no meio da tarde. Sob San José, apesar da altura, pairava um mormaço. Estávamos sedentos e ansiávamos por um copo d’água. Ninguém na recepção. Nenhuma viva alma no enorme hall. O bar, oposto à recepção, fechado. De um dos corredores ouço um murmúrio, vozes, pessoas falando. Vejo uma porta aberta que dava para um enorme salão. Aproximo-me. Muita gente. Garçons portando bandejas com bebidas, sucos, vinhos, uísque e água. Uma recepção, pensei. Ouvi alguns conversando em espanhol, outros em inglês e, ainda outros, em italiano. Num grupo de homens, no meio do salão, vejo um deles de costas para mim, baixo, gordo, pescoço curto, nuca de touro e um copo d’água na mão esquerda. Com a mão direita gesticulava à italiana. Conheço este camarada de algum lugar, pensei. Nesse momento o homem gira o seu pesado corpanzil de forma que me foi possível vê-lo de perfil. Reconheci-o.

Me lembrei-me que há anos havia lido ou alguém me falara, que o homem, além de sua atual profissão, estudara Direito. Que era poliglota e que falava inclusive português. Queria testá-lo, queria saber se o homem realmente dominava o idioma de Camões. A­proximei-me dele. Dei-lhe uma palmada nas costas. O copo de água em sua mão estremeceu. Virou-se para mim.  


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POR EM 22/05/2012 ÀS 08:29 PM

A morte do tradutor de Guimarães Rosa para o alemão

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Curt Meyer-Clason, o grande divulgador da literatura brasileira, latino-americana e portuguesa na Europa no pós-Segunda Guerra Mundial, morreu em Munique, sul da Ale­ma­nha, em janeiro, aos 101 anos.

Meyer-Clason, tradutor, escritor, editor, ensaísta e crítico, deixou uma obra incomparável — cujo volume e conteúdo só aos poucos é conhecida em sua profundidade. Seu nome não constava nas manchetes de primeira página — só nos círculos editoriais, entre autores e leitores. Os estudiosos do ramo terão décadas de trabalho para pesquisar, analisar e interpretar a enorme quantidade de documentos, registros, apontamentos que Curt Meyer-Clason produziu e deixou para a posteridade. Em seu acervo encontram-se, além disso, milhares de cartas de autores que traduziu.

Sua biografia é tão diversificada como os livros que traduziu. Por uma invulgar casualidade do destino, sua vida enveredou por um caminho que jamais planejara.

Curt Meyer-Cla­son nasceu em 1910 em Ludwigsburgo, cidade próxima à Stuttgart, no sudoeste da A­le­manha. Seus ancestrais eram da nobreza; seu pai era oficial no exército prussiano. Frequentou o ginásio em Stuttgart e, em seguida, matriculou-se numa escola de co­mércio. Era a carreira que pretendera seguir. Partiu para o norte da Alemanha. Em Bremen encontrou trabalho numa firma americana que atuava no ramo de importação de algodão e tinha filial em Le Havre. O jovem empregado aprendera, segundo suas próprias palavras, a “classificar algodão”. Do­minava o inglês e o francês e por isso foi incumbido de tratar da correspondência da empresa, trabalho este que tornava necessário seu constante deslocamento entre Bremen e Le Havre.


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POR EM 13/03/2011 ÀS 11:40 AM

“Goethe, o Brasileiro”

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O escritor e pesquisador alemão Sylk Schneider, autor de “Viagem de Goethe ao Brasil”, fala da relação, quase obsessão, entre o canônico poeta alemão e o “país grandioso” 

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) é visto como o maior poeta da língua alemã. Stefan Zweig, que viveu 100 anos mais tarde, assim o definiu: “Goethe... o homem que a Alemanha, que a Europa vê como o mais sábio dos sábios, o mais maduro e esclarecido espírito do século 19...”. Goethe não foi só poeta, dramaturgo, diretor de teatro, ministro e homem de Estado. Goethe atuou em várias áreas do saber humano. Ao lado de suas poesias, dramas e prosa, é autor de tratados tão distintos como arte, mineralogia, botânica, ótica, granito, Aristóteles, Júlio César, arquitetura alemã, arte da Antiguidade. Sua biografia é amplamente conhecida graças aos seus minuciosos diários e milhares de documentos particulares arquivados na Anna-Amalia-Bibliothek de Weimar, cidade onde viveu a maior parte de sua vida. Há porém um detalhe na vida deste homem que, mesmo entre os seus admiradores alemães, é pouco conhecido. Goethe foi um grande admirador do Brasil. O primeiro registro em seu diário sobre o Brasil encontra-se no dia 8 de dezembro de 1802 e o último em 31 de setembro de 1831. São pequenas anotações mas que dão ao estudioso informações sobre o vasto campo de interesse de Goethe sobre o Brasil bem como o seu diversificado contato com outros cientistas e naturalistas que, na época, estudavam a flora, a fauna e as riquezas geológicas do país que na Europa, na época de Goethe, ainda eram desconhecidas. Tão acentuado foi o interesse de Goethe pelo Brasil que outros naturalistas, referindo-se a ele, chamavam-no de “Goethe, o Brasileiro”.


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