revista bula
POR EM 23/06/2011 ÀS 03:50 PM

Prólogo para "Pergunte ao Pó"

publicado em

Um texto de John Fante, do livro póstumo "The Big Hunger", ainda inédito no Brasil. Traduzido por Clara Averbuck

É uma enorme responsabilidade traduzir John Fante. Especialmente porque decidi fazê-lo por conta quando descobri um livro com contos inéditos até então, escritos entre 1932 e 59 e selecionados por seu biógrafo Stephen Cooper depois que sua mulher Joyce Fante liberou os originais. Tentei preservar a pontuação dele, que destoa totalmente do nosso português. Eu é que não vou meter os dedos na pontuação do Fante, ou ele vai puxar meu pé de noite. Prefiro quebrar regras de português em nome do ritmo, porque o texto é todo muito poético e a pontuação é a respiração dele. Alguns trocadilhos foram perdidos, mas ei, fiz o meu melhor. Espero que vocês leitores fiquem tão satisfeitos quanto eu. (Clara Averbuck)

Pergunte ao pó na estrada! Pergunte às árvores solitárias onde o Mojave começa. Pergunte a elas sobre Camilla Lopez, e elas sussurrarão seu nome. Sim, pois o último a ver minha garota Camilla Lopez foi um tuberculoso vivendo à beira do Mojave, e ela se dirigia ao Leste com um cachorro que dei a ela, e o cachorro chamava-se Pancho, e nunca ninguém viu Pancho de novo também. Você não acreditará nisso. Você não acreditará que uma garota se aventuraria no deserto do Mojave em Outubro sem nenhuma companhia exceto um cachorrinho policial chamado Pancho, mas aconteceu. Eu vi as pegadas do cachorro na areia, e vi as pegadas de Camilla ao lado das do cachorro, e ela nunca voltou para Los Angeles, sua mãe nunca a viu de novo e a não ser que um milagre tenha acontecido, ela está morta lá no Mojave hoje, e Pancho também. Não preciso criar um enredo para isso, meu segundo livro. Aconteceu comigo. Eu estava apaixonado por ela e ela me odiava, e essa é a minha história.


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