revista bula
POR EM 07/12/2011 ÀS 11:29 PM

Miles Davis: Deus era negro

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Escuro. Denso. Lisérgico. Esquisito. Complexo. Caleidoscópico. Desconexo. Cacofônico. Anárquico. Belo, muito belo... Todos esses adjetivos servem para classificar o álbum “Bitches Brew”, da lenda do jazz Miles Davis, mas talvez o que mais abranja a totalidade do que ele provoca no ouvinte seja hipnótico.

“Bitches Brew” não é fácil de ouvir. Como tudo o que é radical, pode provocar repulsa. Já ouvi mais de uma pessoa dizer que aquilo não é música. Já me perguntaram como alguém (eu) pode gostar daquilo. É uma música que vai a áreas pouco exploradas do aparelho auditivo. Potencializa os efeitos do som nos centros auditivos do tronco encefálico e do córtex cerebral.

Já na época de seu lançamento, em 1970, o vinil duplo sofreu reparos até mesmo de críticos especializados. Miles foi chamado de “traidor”, aquilo não era jazz. A dose é mesmo meio amarga. São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo em músicas complexas e longas — a que dá nome ao álbum tem 27 minutos; outra tem mais de 20 minutos. O resultado é desafiador mesmo para muitos que acham que conhecem o gênero. Miles, habilíssimo arregimentador de talentos — o que se comprovou mais uma vez —, botou alguns dos melhores jazzistas jovens na época — gente como Wayne Shorter, Chick Corea, Joe Zawinul, Dave Holland, Jack DeJohnette, entre outros — para experimentar em cima de seus temas. Cada um foi testado ao limite de sua habilidade. Em cima disso — às vezes ao lado, às vezes embaixo —, o trompete maravilhoso de Miles Davis.


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