É mentira que a morte não vem nos dias de sol
Aí que dia 23 de abril é aniversário de morte do meu pai.
Anos atrás, meu pai morreu no domingo de páscoa. No meio da madrugada do sábado para o domingo, na verdade. Eu não estava em casa. Minha mãe me ligou e eu voltei de viagem com meu irmão.
Tínhamos um acordo, consequência dos anos de saúde frágil dele: caso ele morresse no meio da noite, ela só nos acordaria (eu e meu irmão) na manhã seguinte com a notícia. A tese é que não fazia diferença e a noite bem dormida faria falta nos dias pesados que se seguiriam.
Última noite de sono, quando eu ainda tinha pai. Às oito da manhã o telefone da casa de campo tocou, minha mãe muito calma disse que meu pai tinha passado mal e que estavam indo para o hospital. Era melhor então, eu e meu irmão, voltarmos mais cedo para São Paulo. Não pedi para falar com ele. Eu sabia. Fz em pouco mais de 40 minutos uma viagem que normalmente levaria 1 hora e 15 minutos, parando para trocar um pneu que furou. Cheguei e ainda na garagem do prédio vi meu tio parando o carro. Sentei no chão e chorei. Fiquei ali quase uma hora, sem deixar ninguém falar comigo ou encostar em mim.
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Pra explicar a importância que a MPB teve na minha infância, basta dizer que eu me chamo Carolina, e que é sim por causa da música do Chico. Por isso, embora seja relativamente jovem, me incomoda ouvir gente usando Jorge Aragão como exemplo de "samba de raiz". Oi?
Ninguém estava vigiando e o mundo virou na última semana, uma imensa sauna mista. Homens e mulheres de todas as idades, sofrendo com o calor. Como se São Paulo tivesse virado uma axila: quente e úmida. Aconchegante até o limite da sudorese.
Quando eu era pequena, bem pequena, e a cozinheira de casa fazia brigadeiros, eu ficava infernizando a pobre, até que ela me deixasse ajudar a enrolar a massa de chocolate. Evidente que eu não queria esperar estar suficientemente fria. Evidente que a manteiga que passavam nas minhas mãos para não grudar a massa na pele, somada à temperatura ainda alta da massa, tornava a moldagem das bolinhas dificílima. Mas eu insistia, e ficava com as unhas meladas de chocolate. 