revista bula
POR EM 09/03/2008 ÀS 07:41 PM

Sobre conhaques, filmes B e dores umbilicais

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Eu fiquei impressionado com a reação dos meninos do cinema goiano causada por um texto que publiquei no Jornal Opção. Parece que todo mundo ficou emburrado comigo. O mais hilário é que todos os comentários sobre o texto — nas listas de discussões e no orkut — são contraditórios. Começam fazendo meã culpa, se justificando, para em seguida me dar razão. Alguns concordam pelo que escrevi sobre a falta de qualidade dos filmes, outros pela falta de talento dos cineastas goianos, outros pelo jeito autista calcificado no umbigo dos gênios locais. Ou seja: se juntarmos tudo que foi escrito sobre o meu texto — vamos todos chegar à mesma conclusão: eu estava certo. 

Parece que a turma que faz cinema em Goiás sofre de narcisismo ressentido e tem dificuldades de compreensão. É preciso contar a piada três vezes. Não perceberam que meu texto não era analítico, mas sim de opinião. Logo, para dar opinião e fazer filmes, não é preciso ser cineasta. Aliás, não é preciso ser nada. Não é verdade Robney Bruno? Mas não quero discutir isso com você.

Só uma pergunta Robney? Se não me conhece (se diz que nunca leu uma linha escrita por mim) como pode afirmar que eu sou medíocre?

Mas não tem problema. É a sua opinião. Eu aceito e te perdôo. Não deve estar muito acostumado com divergências de idéias, deve estar mais acostumado com grunhidos.  Além do que: opinião por opinião eu fico com a minha: por sugestão de uma aluna do curso de áudiovisual da UEG eu vi um de seus filmes — posso te assegurar meu caro: está na hora de repensar sua carreira como cineasta e procurar um emprego.

A cada ano, nasce em Goiânia, uma dúzia gênios. O termômetro são os festivais. Os mesmos que imbecilizam as pessoas e matam as promessas. Quase todo o garoto de classe média de Goiânia já fez ou atuou em algum filme. O espírito é gregário e farrista. Embora o meio seja recheado de igrejinhas, conluios e substâncias mágicas.

Outra coisa que envergonha é essa coisa de cinema por decreto. (E olha eu me repetindo). Mas eu fico emputecido com isso. Se eu fosse cineasta eu não gostaria de ver meu filme passar na televisão na base da caneta. É como se a TBC, que já é uma bomba, tivesse a obrigação de emitir atestado de qualidade para o lixo que é obrigada a veicular.

Já tentaram fazer isso com a literatura goiana. Se dependesse da fantasmagórica Academia Goiana de Letras, todo o aluno da 4º série seria obrigado a ler autores goianos. Ou seja, aquela oportunidade de ler os clássicos da infância, as fábulas, vitais para a formação do leitor, seria substituída pelos clássicos vivos goianos. Diga-se: Bariani Hortêncio, José Mendonça Teles e companhia... As instituições culturais de Goiás lembram museus. Se fosse somada a idade de seus representantes chegaríamos facilmente a uns cinco mil anos. São espécies de múmias. Apossam das instituições culturais e só saem dali para o cemitério.

Ademais. Repito. E isso não é opinião, é informação. Se na literatura, temos Gilberto Mendonça Teles, nas artes plásticas, Siron Franco, na dança, a Quasar, no teatro, Marcos Fayad, no glorioso cinema goiano nos temos o Piolho. O Piolho é a grande personalidade viva do cinema goiano, já participou de quase uma centena de filmes. Deveria ser coroado como patrono do cinema em Goiás. Inclusive, fica a sugestão para Linda Monteiro: que tal uma homenagem ao Piolho no próximo Fica.  Poderia ser a comenda ABD. Se não der para ser no Fica, pelo excesso de gênios, que tal uma estátua na praça cívica, ao lado da estátua de cavalo que a senhora quer instalar para enfeitar a praça e dar provas de seu refinamento cultural ! Fica minha sugestão. 


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