revista bula
POR EM 09/05/2012 ÀS 09:47 PM

Eveline, de James Joyce

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Publicado no livro “Dublinenses”, usando a técnica conhecida como fluxo de consciência, o conto “Eveline” é considerado uma das obras-primas de James Joyce

James Joyce

Ela sentou-se à janela para ver a noite invadir a avenida. Encostou a cabeça na cortina e o odor de cretone empoeirado encheu-lhe as narinas. Sentia-se cansada.

Poucas pessoas por ali passavam. O sujeito que morava no fim da rua passou a caminho de casa; ela ouviu seus passos estalando na calçada de concreto e em seguida rangendo sobre o caminho coberto com cascalho em frente às casas vermelhas. Tempos atrás havia ali um terreno baldio onde eles brincavam toda noite com os filhos dos vizinhos. Mais tarde um indivíduo de Belfast comprara o terreno e construíra casas — mas não eram casas pequenas e escuras como aquelas em que eles moravam; eram casas vistosas de tijolo e com telhados luzidios. As crianças que moravam na avenida costumavam reunir-se para brincar naquele terreno — crianças das famílias Devine, Water, Dunns, o pequeno Keogh, que era manco, ela e seus irmãos e irmãs. Ernest, no entanto, nunca brincava: já estava crescido. O pai dela muitas vezes enxotava-os do terreno com sua bengala de madeira preta; mas geralmente o pequeno Keogh montava guarda e dava o alarme quando avistava o homem se aproximando. Apesar de tudo consideravam-se bastante felizes naquela época. Seu pai ainda não estava tão mal e, além disso, a mãe ainda estava viva. Isso tudo acontecera há muito tempo; ela, seus irmãos e irmãs tinham crescido; a mãe estava morta. Tizzie Dunn também morrera e a família Water havia retornado à Inglaterra. Tudo se modifica. Agora era a vez dela ir embora, como os outros, ia sair de casa.


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POR EM 09/05/2012 ÀS 09:30 PM

300 livros de ciências humanas para download legal

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Liderado pelas Editoras da Fio cruz (Fundação Oswaldo Cruz), UFBA (Uni­versidade Federal da Bahia), Unesp (Universidade Es­tadual Paulista), e Fapesp (Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo) o projeto “SciELO Livros”, lançado no mês de março, disponibilizou aproximadamente 300 livros, científicos e técnicos, para download. O projeto visa à publicação on-line de coleções de livros de caráter científico, editados, prioritariamente, por instituições acadêmicas. A previsão para 2012 é que o acervo ultrapasse 500 títulos. Os livros, que estão disponíveis nos formatos ePUB e PDF, são formatados de acordo com padrões internacionais e podem ser lidos no próprio site ou baixados integralmente sem nenhum custo.

Para integrar o projeto SciELO Livros, editoras e obras são selecionadas de acordo com padrões de controle de qualidade aplicados por um comitê científico. “Uma porcentagem significativa de citações que os periódicos SciELO fazem, principalmente na área de humanas, está em livros. E como um dos objetivos da coleção SciELO é interligar as citações entre periódicos, a ideia é também fazer isso com livros”, disse Abel Packer, membro da coordenação do programa SciELO, à Agência Fapesp “A ideia é contribuir para desenvolver infraestrutura e capacidade nacional na produção de livros em formato digital e on-line”, acrescenta.


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POR EM 20/04/2012 ÀS 06:10 PM

50 frases célebres de escritores clássicos

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Seguindo a ideia de um ensaio com frases de personalidades históricas, publicado pelo jornal inglês “The Observer”, do grupo The Guardian, reuni para esta edição 50 frases célebres de escritores de díspares perfis, nacionalidades e épocas — de Shakespeare a Guimarães Rosa.  Chequei a autenticidade de cada uma delas para não incorrer nos risco das falsas atribuições, já que a profusão de textos apócrifos e equívocos relativos à autoria faz da internet uma fonte pouco segura. Diferentemente da lista publicada pelo “The Observer”, não selecionei apenas frases ditas textualmente, mas também aquelas fictícias, que foram emprestadas às personagens e obras por intermédio de seus criadores, como os casos de “O horror! O horror!”, últimas palavras do capitão Kurtz antes de morrer, do livro “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad; ou “Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, trecho inicial de “Anna Kariênina”, de Liev Tolstói; ou ainda, “Viver é negócio muito perigoso”, dita por Riobaldo, narrador-protagonista do romance “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa. Além de frases fictícias, há também frases retiradas de entrevistas, textos ensaísticos e biografias, como a célebre “Luz, mais luz” que teria sido as últimas palavras do poeta alemão Johann Wolfgang Goethe. 
 

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POR EM 18/04/2012 ÀS 10:55 PM

De Kafka a Hemingway: 30 microcontos de até 100 caracteres

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Embora não seja reconhecido como um gênero literário — sendo associado às tendências de vanguarda e ao minimalismo —, os “microcontos” ganharam um grande número de adeptos nas duas últimas décadas. A partir do início dos anos 1990, estudos e antologias começaram a abordar o tema de forma enfática, resultando em centenas de publicações em todo o mundo.

Ainda que pareça, as micronarrativas de ficção não são algo recente. Grandes nomes da literatura mundial como Tolstói, Jorge Luis Borges, Bioy Casares, Julio Cortázar e Ernest Hemingway já incursionaram pelo tema. O escritor guatemalteco Augusto Monterroso, que morreu em 2003, é tido como um dos fundadores do “gênero” com o conto “O Dinossauro”, escrito com apenas trinta e sete letras e considerado o menor da literatura mundial, na época: “Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.” O norte-americano Ernest Hemingway também é o autor de outro famoso microconto, com apenas vinte e seis letras: “Vende-se: sapatinhos de bebê nunca usados.” No Brasil, o pioneiro foi o escritor Dalton Trevisan, com o livro “Ah, é?”, de 1994. Mesmo não havendo nenhuma regra clara, uma das definições para o microconto seria o limite de 150 caracteres, incluindo espaços.

Reuni 30 microntos de autores brasileiros e estrangeiros, extraídos dos livros “Not Quite What I Was Planning”, “It All Changed in an Instant” e “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século”, além do jornal “Observer”, e do suplemento literário “Babelia”, do jornal “El País”. 


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POR EM 16/04/2012 ÀS 08:23 PM

Aí está Minas: a mineiridade

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Num texto publicado em agosto de 1957, o escritor João Guimarães Rosa faz uma declaração de amor ao Estado de Minas Gerais, palco principal de sua obra mais importante: o romance “Grande Sertão: Veredas”
 

João Guimarães Rosa

Minas é a montanha, montanhas, o espaço erguido, a constante emergência, a verticalidade esconsa, o esforço estático; a suspensa região — que se escala. Atrás de muralhas, caminhos retorcidos, ela começa, como um desafio de serenidade. Aguarda-nos amparada, dada em neblinas, coroada de frimas, aspada de epítetos: Alterosas, Estado montanhês, Estado mediterrâneo, Centro, Chave da Abóbada, Suíça brasileira, Co­ração do Brasil, Capitania do Ouro, a Heróica Província, Formosa Província. O quanto que envaidece e intranquiliza, entidade tão vasta, feita de celebridade e lucidez, de cordilheira e História. De que jeito dizê-la? MINAS: patriazinha. Minas — a gente olha, se lembra, sente, pensa. Minas — a gente não sabe.

Sei, um pouco, seu facies, a natureza física — muros montes e ultramontes, vales escorregados, os andantes belos rios, as linhas de cumeeiras, a aeroplanície ou cimos profundamente altos, azuis que já estão nos sonhos — a teoria dessa paisagem. Saberia aquelas cidades de esplêndidos nomes, que de algumas já roubaram: Maria da Fé, Sêrro Frio, Brejo das Almas, Dores do Indaiá, Três Co­rações do Rio Verde, São João del Rei, Mar de Espanha, Tremendal, Coromandel, Grão Mogol, Juiz de Fora, Borda da Mata, Abre Campo, Passa Tem­po, Buriti da Estrada, Tiros, Pequi, Pomba, Formiga,  São Manuel do Mutum, Caracol, Varginha, Sete Lagoas, Sole­dade, Pouso Alegre, Dores da Boa Esperança... Saberei que é muito Brasil, em ponto de dentro, Brasil conteúdo, a raiz do assunto. Soubesse-a, mais.


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POR EM 14/04/2012 ÀS 07:29 PM

Os Assassinos, de Ernest Hemingway

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A simplicidade dos recursos estético-literários e o talento narrativo e conciso de Ernest Hemingway fazem do conto “Os Assassinos” uma das obras-primas do conto moderno

A porta do restaurante “do Henry” se abriu e entraram dois homens que se sentaram ao balcão.

— O que vão pedir? — perguntou-lhes George.
— Não sei. — disse um deles —. O que você quer comer, Al?
— Como vou saber? — respondeu Al — Não sei.

Lá fora estava escurecendo. As luzes da rua entravam pela janela. Os dois homens liam o menu. Do outro extremo do balcão, Nick Adams, que tinha estado conversando com George quando eles entraram, observava-os.

— Eu vou pedir costeletas de porco com molho de maçãs e purê de batatas. — disse o primeiro.
— Ainda não está preparado.
— Então por que diabos o põem no cardápio?
— Esse é o jantar. — explicou-lhe George — Pode-se pedir a partir das seis.

George olhou o relógio na parede detrás do balcão.


— São cinco horas.

— O relógio marca cinco e vinte. — disse o segundo homem.
— Adianta vinte minutos.
— Ora, dane-se o relógio. — exclamou o primeiro — O que tem para comer?
— Posso lhes oferecer qualquer variedade de sanduíche, — disse George — presunto com ovos, toucinho com ovos, fígado e toucinho, ou um bife.


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POR EM 08/04/2012 ÀS 06:11 PM

Uma carta de João Cabral de Melo Neto a Manuel Bandeira

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Numa carta ao poeta Manuel Bandeira, o poeta João Cabral de Melo Neto reflete sobre a acomodação da crítica literária, fala de uma intriga com Carlos Drummond e revela-se comprador de desenhos de Picasso e Van Gogh 

Meu caro Manuel,

Muito obrigado pelas suas palavras sobre o meu livro. E pelas do Vinícius [de Morais], transcritas por você. Ainda não recebi carta dele, nem o texto de Cordélia e o peregrino que lhe havia pedido — para imprimir.

Infelizmente muito poucos parecem ter gostado do livro. Como, aliás, dos meus anteriores. Tanto que, não fosse minha resolução de me calar em poesia, estaria disposto a fazer Odorico Tavares, Alphonsus de Guimaraens Filho, J.G. de Araújo Jorge...

Nossa crítica é um caso impressionante de “sensibilidade habituada”. Você já reparou na maneira como cada geração, no Brasil, ao se impor, traz seu crítico e abandona o anterior? O caso de Tristão de Ataíde, por exemplo, que nunca percebeu os nossos romancistas, é típico. O que vale é que esses críticos posteriores não negam a sensibilidade anterior; pelo contrário, incorporam-na a uma região nova, que eles trazem e que termina sendo hábito também. Isso, por exemplo, é que permite um Álvaro Lins  topar sua (de você) poesia. Talvez v. me pergunte o que eu chamo de sensibilidade habituada. Começo definindo negativamente: quando v. sentiu no primeiro livro do Mário de Andrade um “ruim diferente”, havia um caso de sensibilidade não-habituada; e positivamente: quando certo crítico de muitas campanillas (que é como se diz aqui dos toureiros da moda) aconselhou a Clarice Lispector que não publicasse seu primeiro livro, do qual, depois da aceitação dos não-habituados, acabou por escrever grandes elogios — se dava um caso de hábito de sensibilidade  (como podia o crítico gostar de um romance “psicológico” se não estava dentro das conhecidas maneiras de Lúcio Cardoso ou Graciliano.


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POR EM 07/04/2012 ÀS 08:40 PM

Os mandamentos do escritor

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15 ensinamentos, segundo Nietzsche, Hemingway, Onetti e García Márquez

Os chamados mandamentos literários existem desde o surgimento da escrita. Aristóteles e Shakespeare foram pródigos em ensinar, por meio de conselhos, como se tornar um grande escritor. Gustave Flaubert, James Joyce, Henry Miller e Anaïs Nin também deixaram suas versões. Neste post, publico uma compilação de conselhos literários (ou mandamentos literários) de quatro nomes fundamentais da literatura mundial dos últimos 150 anos: Friedrich Nietzsche, Ernest Hemingway, Juan Carlos Onetti e Gabriel García Már­quez.  


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POR EM 20/03/2012 ÀS 09:04 PM

Um dia ideal para os peixes-banana

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Publicado originalmente na revista “The New Yorker”, em 1948, “Um dia ideal para os peixes-banana” é considerado uma das obras-primas do conto mundial

J. D. SalingerJ. D. SALINGER

Noventa e sete agentes de publicidade de Nova York estavam hospedados no hotel e, do jeito que vinham monopolizando as linhas interurbanas, a moça do 507 teve de esperar do meio-dia até quase às duas e meia para completar sua ligação. Mas ela tratou de aproveitar bem o tempo. Leu um artigo numa revista feminina, intitulado "O Sexo é Divertido... ou um Inferno". Lavou o pente e a escova. Tirou uma mancha da saia do conjunto bege. Mudou de lugar um botão da blusa que comprara nas Lojas Saks. Arrancou dois cabelinhos que haviam acabado de aflorar numa verruga. Quando a telefonista afinal ligou para seu quarto, estava sentada no sofá ao lado da janela e quase terminado de pintar as unhas da mão esquerda.

Era uma dessas moças que não se afobam nem um pouquinho porque o telefone está tocando. Dava a impressão de que seu telefone estava chamando desde o dia em que atingira a puberdade.

Com o pincelzinho de esmalte — enquanto o telefone tocava — retocou a unha do dedo mínimo, acentuando a meia-lua. Feito isso, tampou o vidro de esmalte e, levantando-se, ficou abanando a mão esquerda para fazer o esmalte secar mais depressa. Com a outra mão apanhou de cima do sofá um cinzeiro cheio até a borda e o levou até a mesinha de cabeceira, onde estava o telefone. Sentou numa das camas-gêmeas, que a essa hora já estavam arrumadas, e — era a quinta ou sexta vez que o telefone tocava — levantou o fone do gancho.


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POR EM 15/03/2012 ÀS 08:12 PM

Os livros favoritos de Ernest Hemingway

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Na edição de fevereiro de 1935, a revista “Esquire” publicou uma lista do escritor norte-americano Ernest Hemingway enumerando 17 livros que ele julgava seminais. Passados quase 80 anos, os livros apontados por ele, em sua maioria, continuam essenciais. Ganhador do Prêmio Pulitzer e do Nobel de Literatura, Hemingway se matou em 1961. A lista, publicada abaixo, foi compilada pelo blog Lists of Note. Ei-los:

Anna Kariênina — Liev Tolstói
Longe e há Muito Tempo — W. H. Hudson
Os Buddenbrooks — Thomas Mann
O Morro dos Ventos Uivantes — Emily Brontë
Madame Bovary — Gustave Flaubert
Guerra e Paz — Liev Tolstói
A Sportsman's Sketches — Ivan Turgenev
Os Irmãos Karamazov — Fiódor Dostoiévski
Hail and Farewell — George Moore
Aventuras de Huckleberry Finn — M. Twain
Winesburg, Ohio — Sherwood Anderson
A Rainha Margot — Alexandre Dumas
A Casa Tellier — Guy de Maupassant
O Vermelho e o Negro — Stendhal
A Cartuxa de Parma — Stendhal
Dubliners — James Joyce
Autobiografias — WB Yeats


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