revista bula
POR EM 06/06/2009 ÀS 04:20 PM

15 perfis interessantes para seguir no Twitter

publicado em

Twitter é uma rede social que permite aos usuários que enviem e leiam atualizações pessoais de outros contatos (em textos de até 140 caracteres). As atualizações são exibidas no perfil do usuário em tempo real e também enviadas a outros usuários que tenham assinado para recebê-las. Virou febre no Brasil.  Aproveitando meu espírito de listas — fiz uma pequena relação de 15 perfis interessantes — para se seguir no Twitter. 

 
 
@Alessandro_M
 
Alessandro Martins, jornalista.
 
@veramartins
 
Vera Martins, jornalista e professora da Universidade Federal da Bahia.
 
@cronai
 
Cora Rónai, jornalista e escritora.
 
@veja
 
Revista Veja.
 
@aomirante
 
Nelson Moraes, publicitário, escreve o blog “Ao, Mirante Nelson”.
 
@languidamente
 
Marina Lang, jornalista.
 
@FabioRex
 
Fábio Rex, ilustrador.
 
@JorgePontual
 
Jorge Pontual, jornalista, correspondente da "Rede Globo" em Nova Iorque.
 
@biajoni 
 
Luiz Biajoni, escritor.
 
@AlexCastroLLL
 
Alex Castro, escritor e professor universitário.
 
@el_pais
 
Jornal espanhol El País.
 
@elesbao
 
Elesbão, designer e escritor.
 
@catarroverde
 
“Sérgio Faria”, uma incógnita, escreve o blog “Catarro Verde”.
 
@yurivs
 
Yuri Vieira, roteirista e escritor.
 
@PauloQuerido
 
Paulo Querido, jornalista português.

 

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POR EM 05/06/2009 ÀS 04:25 PM

19 endereços essenciais da internet brasileira

publicado em

Como em qualquer lista, foi uma escolha subjetiva. O gosto pessoal pesou mais do que um suposto valor objetivo ou crítico de cada um dos escolhidos. Levantei, num período de seis meses, as leituras de 51 colaboradores da Revista Bula e do Jornal Opção, compartilhadas pelo Google Reader. O resultado contempla uma série de 19 sites/blogs, de díspares perfis e tendências, mas que se tornaram referências por seus conteúdos, espécies de pérolas, em meio ao lixão da internet brasileira. Resenhas, ensaios, textos críticos e literários, sugestões de leituras, filmes, música, vídeos, links, humor, tecnologia. Em comum: o poder de manter-nos grudados numa tela de computador.


Blog do Marcelo Coelho
Textos polêmicos e críticas contundentes.

Blog do Marcelo Coelho


Racunho
O principal jornal brasileiro dedicado à literatura. Editado por Rogério Pereira.

Racunho


Desculpe a Poeira
Sugestões de leituras e outros achados. Escrito pelo jornalista Ricardo Lombardi.

Desculpe a Poeira


Digestivo Cultural
O pioneiro e o mais importante site de jornalismo cultural do Brasil. Editado por Júlio Daio.

Digestivo Cultural


Releituras
Um dos maiores projetos de resgate da memória literária mundial, com ênfase na américa - latina. Editado por Arnaldo Nogueira Jr.

Releituras


Trópico
Uma das publicações virtuais pioneiras do jornalismo cultural brasileiro. Editada por Alcino Leite Neto.

Trópico


Todo Prosa
Blog do escritor e jornalista Sérgio Rodrigues. Tudo sobre livros e autores.

Todo Prosa


Scream e Yell
Um dos primeiros zines brasileiros. Músicas, filmes e livros. Editado pelo jornalista Marcelo Costa.

Scream e Yell


Gymnopedies
Blog do jornalista e crítico literário Jonas Lopes. Músicas, filmes, mas, sobretudo, leituras e livros.

Gymnopedies


Milton Ribeiro
Literatura, música e cinema.

Milton Ribeiro


Ao, Mirante Nelson
Um dos blogs pioneiros do Brasil. Sátiras, paródias e ficção. Escrito por Nelson Morais.

Ao, Mirante Nelson


Favoritos
Web Stuff: talvez seja a palavra que melhor defina esse blog. Escrito por Luiza Voll.

Favoritos


Livros e Afins
Blog do jornalista Alessandro Martins, enfatiza o prazer da leitura, dos livros e do mundo dos escritores e leitores.

Livros e Afins
 

Marconi Leal
A frase de cabeçalho diz tudo: Faça uma boa ação. Ensine um crítico literário a ler.

Marconi Leal


Coluna Imprensa
Uma espécie de avant-première dos livros. Assinada pelo jornalista Euler de França Belém.

Coluna Imprensa



Luiz Zanin
Cinema, cultura e afins.

Luiz Zanin


O Biscoito Fino e a Massa
Política, literatura e música. Escrito por Idelber Avelar.

O Biscoito Fino e a Massa


Catarro Verde
Escrito por “Sérgio Faria”, que ninguém sabe ao certo quem é ou se realmente existe. Crítica corrosiva e humor. É um dos primeiros blogs brasileiros.

Catarro Verde


Repórter Net
Notícias sobre o mundo on-line, tecnologia, internet e curiosidades. Escrito por João Magalhães.

Repórter Net

 


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POR EM 15/05/2009 ÀS 02:55 PM

Dez filmes subestimados

publicado em

As­sim co­mo exis­tem fil­mes su­pe­res­ti­ma­dos, que ga­nham prê­mios, ar­re­ba­nham gran­des au­diên­cias e de­pois de­sa­pa­re­cem sem dei­xar si­nal, há tam­bém aque­les que não re­ce­bem a aten­ção que me­re­cem. Pes­qui­san­do-se com boa von­ta­de, en­con­tram-se de­ze­nas de fil­mes in­jus­ta­men­te es­que­ci­dos, prin­ci­pal­men­te en­tre as pro­du­ções de Hollywo­od.  Em ge­ral, te­mos a pre­dis­po­si­ção pa­ra va­lo­ri­zar tu­do, ou qua­se tu­do, que vem da Eu­ro­pa e me­nos­pre­zar o que vem dos Es­ta­dos Uni­dos. Os ci­ne­as­tas eu­ro­peus se­ri­am ar­tis­tas; os de Hollywo­od, me­ros co­mer­cian­tes. Des­tes, só se sal­va­ri­am os au­to­res ba­fe­ja­dos pe­la crí­ti­ca fran­ce­sa. A re­a­li­da­de, po­rém, não é tão sim­ples.  Os dez fil­mes co­men­ta­dos a se­guir são, por su­as qua­li­da­des éti­cas e es­té­ti­cas, pre­ci­o­si­da­des que não me­re­cem a ob­scu­ri­da­de a que fo­ram re­le­ga­dos. 
 



1. “O In­do­má­vel” (1994), de Ro­bert Ben­ton —
Pa­ul Newman faz um ses­sen­tão rus­guen­to às vol­tas com pro­ble­mas que cri­ou pa­ra si mes­mo ao lon­go da vi­da, por cau­sa do tem­pe­ra­men­to di­fí­cil. É a úl­ti­ma va­ri­a­ção do ti­po ina­de­qua­do sim­pá­ti­co que o ator en­car­nou vez por ou­tra des­de a ju­ven­tu­de. Em con­ta­to com o fi­lho, que aban­do­nou cri­an­ça, e com um ne­to da ida­de que o fi­lho ti­nha en­tão, ele to­ma con­sci­ên­cia dos er­ros e de­ci­de en­fren­tar os fan­tas­mas de seus an­te­pas­sa­dos. Só as­sim po­de­rá aju­dar o fi­lho, que vi­ve um mo­men­to di­fí­cil, e con­tri­bu­ir pa­ra a for­ma­ção do ne­to. Na ci­da­de­zi­nha co­ber­ta de ne­ve, com pou­cas opor­tu­ni­da­des de tra­ba­lho, so­bre­vi­ver exi­ge he­ro­ís­mo. Ele se de­fen­de co­mo po­de e aca­len­ta pe­que­nos so­nhos. Quan­do não tem tra­ba­lho, ga­nha uns tro­ca­dos apos­tan­do no car­te­a­do ou em dis­pu­tas a pro­pó­si­to de qual­quer as­sun­to.  O que acon­te­ce de mais in­te­res­san­te no fil­me se pas­sa no in­te­ri­or da per­so­na­gem — e não é ver­ba­li­za­do. Don­de só um ator ex­pe­ri­en­te e ta­len­to­so co­mo Newman po­de­ria dar vi­da a tal fi­gu­ra. O re­sul­ta­do é um dra­ma in­ti­mis­ta pa­ra co­ra­ções sen­sí­veis. 
 

2. “Rio Gran­de” (1950), de John Ford — Mais que su­bes­ti­ma­do, es­te fil­me foi re­ne­ga­do em seu tem­po pe­lo crí­ti­co Vi­ní­ci­us de Mo­ra­es, que es­cre­veu um obi­tu­á­rio ar­tís­ti­co de John Ford, a quem ta­chou in­jus­ta­men­te de “mu­mi­fi­ca­do”. Na ver­da­de é um be­lo fa­ro­es­te, o úl­ti­mo da Tri­lo­gia da Ca­va­la­ria, for­ma­da com “San­gue de He­rói” (1948) e “Le­gi­ão In­ven­cí­vel” (1949). John Wayne co­man­da um for­te em cam­pa­nha con­tra os ín­di­os e en­fren­ta ao mes­mo tem­po uma guer­ra par­ti­cu­lar.  Há 15 anos, du­ran­te a Guer­ra Ci­vil, ele era ofi­ci­al das tro­pas nor­tis­tas e cum­priu or­dem de quei­mar a plan­ta­ção da su­lis­ta Mau­re­en O’Ha­ra, sua mu­lher. Des­de en­tão não se fa­lam. Ago­ra têm uma re­a­pro­xi­ma­ção pro­vo­ca­da pe­lo fi­lho, que se alis­tou na ca­va­la­ria e foi de­sig­na­do pa­ra re­for­çar o efe­ti­vo do for­te.  O com­po­nen­te in­ti­mis­ta abre es­pa­ço pa­ra a mú­si­ca, que as­su­me um pa­pel sem pre­ce­den­te na fil­mo­gra­fia do di­re­tor co­mo le­ni­ti­vo pa­ra as fe­ri­das da guer­ra. Ao fi­nal, após a ce­ri­mô­nia de con­de­co­ra­ções, ou­ve-se “Di­xie”, um hi­no su­lis­ta. É uma ho­me­na­gem a Mau­re­en, or­de­na­da pe­lo ge­ne­ral She­ri­dan, o ho­mem que man­dou quei­mar sua plan­ta­ção.  John Ford usa a guer­ra con­tra os ín­di­os co­mo mol­du­ra pa­ra um pai­nel mi­nu­ci­o­so so­bre a vi­da dos ca­va­la­ri­a­nos na fron­tei­ra.



3. “A Pri­mei­ra Noi­te de Tran­qui­li­da­de” (1972), de Va­le­rio Zur­li­ni — O me­lhor mo­men­to, tal­vez, do exis­ten­ci­a­lis­mo no ci­ne­ma. Alain De­lon en­car­na um ho­mem ma­du­ro des­ti­tu­í­do de vín­cu­los e ob­ce­ca­do pe­la pu­re­za des­de a mor­te de seu amor da ju­ven­tu­de. A li­ga­ção que lhe res­ta é uma aman­te pe­la qual já per­deu o in­te­res­se.  À de­ri­va, des­lei­xa­do, ele ar­ran­ja tra­ba­lho tem­po­rá­rio co­mo pro­fes­sor de li­te­ra­tu­ra, nu­ma ci­da­de li­to­râ­nea, e se apai­xo­na por uma alu­na. Na be­la jo­vem ele vê re­pre­sen­ta­do o seu ide­al de pu­re­za.  Seu es­ca­pe se frus­tra, po­rém, quan­do vem à to­na a ver­da­de de ca­da um. A alu­na, que dis­pu­ta com um com­pa­nhei­ro de jo­ga­ti­na, é fi­lha da cor­rup­ção, com mui­to pas­sa­do, pou­co pre­sen­te e ne­nhum fu­tu­ro.  A de­ci­são de­ses­pe­ra­da de lar­gar tu­do pa­ra sal­var-se do té­dio es­bar­ra no seu úl­ti­mo ves­tí­gio de hu­ma­ni­da­de, quan­do se pre­o­cu­pa com o des­ti­no da aman­te. O tê­nue fio que os une se trans­for­ma no li­a­me que o con­du­zi­rá à per­di­ção.  Zur­li­ni, que ti­nha al­ma de po­e­ta, sa­bia re­tra­tar per­so­na­gens exis­ten­ci­al­men­te va­zi­as sem ser cha­to: o fil­me é pu­ro en­can­ta­men­to. Pe­na que foi eclip­sa­do por Vis­con­ti, Fel­li­ni, An­to­nio­ni e “tut­ti quan­ti”.



4. “Ma­ta Ha­ri” (1931), de Ge­or­ge Fitzmau­ri­ce — Fei­to an­tes do có­di­go Hays — có­di­go de cen­su­ra ado­ta­do por Hol­lywo­od em 1934 —, o fil­me con­tém ou­sa­di­as eró­ti­cas e di­á­lo­gos in­ci­si­vos que ain­da sur­pre­en­dem, além de nar­rar "vi­su­al­men­te" uma his­tó­ria com­ple­xa. As in­ter­pre­ta­ções im­pres­sio­nam pe­la le­ve­za, con­si­de­ra­da a pro­xi­mi­da­de do ci­ne­ma mu­do, quan­do pri­ma­vam pe­lo exa­ge­ro. Gre­ta Gar­bo é Ma­ta Ha­ri. Em Pa­ris, du­ran­te a I Guer­ra Mun­di­al, a exó­ti­ca dan­ça­ri­na ho­lan­de­sa, de as­cen­dên­cia ja­va­ne­sa pe­lo la­do ma­ter­no, usa seus en­can­tos a fim de es­pi­o­nar pa­ra os ale­mã­es e con­se­gue en­ga­nar meio mun­do. O par ro­mân­ti­co de Gar­bo, Ra­mon No­var­ro, 3 cm mais bai­xo que ela, usou en­chi­men­to no sa­pa­to pa­ra pa­re­cer mais al­to. Mas es­te era um pro­ble­ma in­so­lú­vel: os ato­res sem­pre fi­ca­vam pe­que­nos di­an­te da­que­le mo­nu­men­to de ta­len­to e be­le­za.  De pro­du­ção mo­des­ta — até on­de is­so era pos­sí­vel nos es­tú­di­os MGM e com a su­per­vi­são de Ir­ving Thal­berg —, o fil­me é um de­lei­te, gra­ças à com­pe­tên­cia do pro­du­tor-di­re­tor Fitzmau­ri­ce. Em­bo­ra fos­se um mes­tre, ele nem re­ce­beu cré­di­to pe­la di­re­ção, ofí­cio ain­da pou­co va­lo­ri­za­do.  Des­de en­tão o ci­ne­ma não evo­lu­iu tan­to, mas a es­pi­o­na­gem...



5. “Do­mi­na­dos Pe­lo Ter­ror” (1954), de Wil­li­am A. Wellman —
Fil­me que ex­põe uma te­o­ria so­bre a me­lhor ma­nei­ra de re­la­ci­o­nar-se com a na­tu­re­za, ilus­tra­da pe­lo com­por­ta­men­to de três ir­mãos e mo­de­la­da se­gun­do a di­a­lé­ti­ca, com te­se, an­tí­te­se e sín­te­se. No fi­nal do sé­cu­lo 19, no oes­te dos Es­ta­dos Uni­dos, uma fa­mí­lia de co­lo­nos tem pro­ble­mas com uma pan­te­ra que ata­ca seu ga­do. Co­mo é in­ver­no, a si­tu­a­ção se com­pli­ca por cau­sa da ne­ve. A pan­te­ra, re­pre­sen­tan­te ale­gó­ri­ca da na­tu­re­za, nun­ca é mos­tra­da.  Ar­thur é a ex­pres­são da te­se: sen­sí­vel, es­ta­be­le­ce uma re­la­ção mís­ti­ca com a pan­te­ra, ao mo­do in­dí­ge­na. Cur­tis é a an­tí­te­se: agres­si­vo, vê ne­la um ini­mi­go a ser com­ba­ti­do por to­dos os mei­os. Ha­rold é a sín­te­se: equi­li­bra­do, li­da bem com os ex­tre­mos e é o úni­co bem-su­ce­di­do.  Em in­te­res­san­te ex­pe­ri­men­to com as co­res, es­ta­be­le­ceu-se uma re­la­ção de opo­si­ção e si­mi­li­tu­de en­tre as per­so­na­gens e a na­tu­re­za. O ca­rá­ter dos ir­mãos re­fle­te-se nas co­res de seus ca­sa­cos. O de Ar­thur, de pe­le em pre­to e bran­co, con­fun­de-se com os tons da na­tu­re­za, de­sa­pa­re­ce ne­la. O de Cur­tis, ver­me­lho vi­vo, agri­de-a. E o de Ha­rold, em co­res neu­tras har­mo­ni­o­sa­men­te com­bi­na­das, so­bres­sai sem agre­di-la.



6. “An­jos da Bro­adway” (1940), de Ben Hecht e Lee Gar­mes — Nu­ma noi­te chu­vo­sa, os des­ti­nos de qua­tro per­so­na­gens se cru­zam: um vi­ga­ris­ta ma­tan­do ca­chor­ro a gri­to (Dou­glas Fair­banks Jr.), uma ga­ro­ta de pro­gra­ma (Ri­ta Hayworth), um dra­ma­tur­go fra­cas­sa­do e um fun­cio­ná­rio que co­me­teu des­fal­que de­ci­di­do a se su­i­ci­dar. Jun­tos, em­bar­cam nu­ma ar­ris­ca­da aven­tu­ra pa­ra sal­var o su­i­ci­da.  O dra­ma­tur­go bo­la um gol­pe con­tra uma gan­gue de ma­fio­sos, em que to­dos te­rão um pa­pel a de­sem­pe­nhar, co­mo no te­a­tro. O mais di­fí­cil é o do su­i­ci­da, que pre­ci­sa pas­sar por mi­li­o­ná­rio pa­ra lu­di­bri­ar os gâng­ste­res e apli­car o gol­pe. Iro­ni­ca­men­te, ele é um ama­dor en­fren­tan­do pro­fis­si­o­nais.  No fi­nal, quan­do o tem­po fe­cha, os po­bres di­a­bos su­pe­ram a má ín­do­le e re­ve­lam sua fa­ce hu­ma­na. A ca­pa da ve­lha­ca­ria en­co­bria an­jos.  Tam­bém ro­tei­ris­ta, e um dos mais bri­lhan­tes de Hollywo­od, Ben Hecht deu ao dra­ma­tur­go fa­las me­mo­rá­veis, que vão do mais agu­do ci­nis­mo (“A dor de on­tem é a pia­da de ama­nhã”) à mais de­ses­pe­ra­da de­cla­ra­ção de amor (“O úni­co lu­gar quen­te em que es­ti­ve foi no seu co­ra­ção”).



7. “O Ho­mem Que Odia­va as Mu­lhe­res” (1968), de Ri­chard Fleis­cher — Es­te fil­me des­fez du­as cren­ças: que Hollywo­od não ad­mi­tia ex­pe­ri­men­tos, e que Tony Cur­tis era ape­nas um ga­lã. Ele apre­sen­tou uma in­ter­pre­ta­ção ma­gis­tral, na pe­le de um as­sas­si­no se­ri­al de mu­lhe­res, e a his­tó­ria aga­sa­lhou ex­pe­ri­men­ta­ções bas­tan­te ou­sa­das.  Até a me­ta­de do fil­me, vê-se, de um la­do, uma su­ces­são de cri­mes bru­tais e, de ou­tro, a in­ves­ti­ga­ção po­li­ci­al. Com ba­se em pre­mis­sa equi­vo­ca­da, são in­ves­ti­ga­dos in­di­ví­duos cu­jas con­du­tas ex­tra­va­gan­tes são es­can­ca­ra­da­men­te sus­pei­tas. Mas o as­sas­si­no, ao con­trá­rio, apa­ren­ta ser o ho­mem mais equi­li­bra­do do mun­do.  Não se faz alu­são à sua vi­da pre­gres­sa, nem se eri­ge te­o­ria so­bre a mo­ti­va­ção dos cri­mes. O ob­je­to em ques­tão é a al­ma do as­sas­si­no, o qual con­ci­lia uma vi­da de pai de fa­mí­lia afe­tuo­so e tra­ba­lha­dor com uma car­rei­ra de cri­mes atro­zes.  Fre­quen­te­men­te a te­la se di­vi­de em múl­ti­plos qua­dros, pa­ra mos­trar tan­to a mes­ma ce­na de ou­tro ân­gu­lo, ao es­ti­lo cu­bis­ta, co­mo ce­nas si­mul­tâ­ne­as em es­pa­ços di­ver­sos. E, no clí­max, quan­do se ex­põe a fra­tu­ra na al­ma do as­sas­si­no, há um “clo­se-up” de Tony Cur­tis que du­ra qua­tro mi­nu­tos — um pos­sí­vel re­cor­de do ci­ne­ma mun­di­al.  Tal­vez o fil­me mais ex­pe­ri­men­tal de Hollywo­od nos anos 1960.



8. “Du­as Vi­das” ou “Po­e­ma de Amor” (1939), de Leo McCarey — Todo mundo conhece o filme "Tarde Demais Para Esquecer" (1957), a segunda versão, mas de "Duas Vidas" ninguém jamais ouviu falar. No entanto, McCarey, o diretor de ambos, praticamente limitou-se a refilmar o roteiro deste, com alguns acréscimos e raras supressões.  É a his­tó­ria de um ca­sal que se co­nhe­ce e se apai­xo­na du­ran­te uma vi­a­gem de na­vio en­tre a Fran­ça e os Es­ta­dos Uni­dos. Pa­ra ter tem­po de pôr su­as vi­das em or­dem, com­bi­nam um en­con­tro seis mes­es de­pois, no to­po do Em­pi­re Sta­te Buil­ding, mas o en­con­tro não acon­te­ce por­que a mo­ça so­fre um aci­den­te e fi­ca pa­ra­plé­gi­ca.  McCa­rey sa­bia mis­tu­rar hu­mor e “pa­thos”, com­bi­na­ção di­fí­cil e ra­ra­men­te bem-su­ce­di­da co­mo aqui. Quan­do Ire­ne Dun­ne diz a Char­les Boyer: “Se vo­cê po­de pin­tar, eu pos­so an­dar”, a fra­se soa de fa­to co­mo pia­da. E, ao in­vés de cho­rar, eles ri­em, tor­nan­do a ce­na ain­da mais co­mo­ven­te.  O fil­me tem um la­do mu­si­cal, sus­ten­ta­do por Ire­ne Dun­ne, do­na de be­la voz. É ela quem diz uma fra­se mui­to re­pe­ti­da dé­ca­das mais tar­de: “As coi­sas de que mais gos­ta­mos são ile­gais, imo­ra­is ou en­gor­dam”.



9. “Ho­mem do Ter­no Cin­zen­to” (1956), de Nun­nally Johnson — Abor­da pro­ble­mas da so­ci­e­da­de nor­te-ame­ri­ca­na no pós-guer­ra, tra­tan­do-os com a de­li­ca­de­za de quem li­da com cris­tais. Tu­do se pas­sa num mi­cro­cos­mo fa­mi­liar.  Gre­gory Peck é um ve­te­ra­no da II Guer­ra Mun­di­al em di­fi­cul­da­de pa­ra ad­mi­nis­trar a pró­pria vi­da. Pai de três cri­an­ças, ele se des­do­bra pa­ra su­pe­rar os trau­mas da guer­ra, ten­do de li­dar com a am­bi­ção da mu­lher, que o co­a­ge a ga­nhar mais di­nhei­ro, e com as de­man­das do em­pre­ga­dor, que ten­ta fa­zê-lo de­di­car mais tem­po ao tra­ba­lho.  Se não evi­tar as ar­ma­di­lhas pos­tas no seu ca­mi­nho, ele te­rá o mes­mo des­ti­no do che­fe. Es­te, já di­vor­ci­a­do, en­fren­ta pro­ble­mas com a fi­lha mi­ma­da, cri­a­da na abun­dân­cia sem sa­ber o re­al sig­ni­fi­ca­do do di­nhei­ro e as res­pon­sa­bi­li­da­des que a pos­se des­te im­pli­ca.  Res­sal­ta-se, ain­da que de for­ma im­plí­ci­ta, a ques­tão da edu­ca­ção dos fi­lhos do pós-guer­ra. En­tre­gues a uma ba­bá de es­tra­nhos va­lo­res, as cri­an­ças fi­cam ex­pos­tas à in­flu­ên­cia di­re­ta da te­le­vi­são e seus pro­gra­mas pre­nhes de vi­o­lên­cia. Seu aban­do­no, sim­bo­li­za­do nu­ma bo­ne­ca "es­que­ci­da" so­bre o cor­ri­mão da es­ca­da, pai­ra co­mo uma gran­de in­ter­ro­ga­ção.



10. “Obri­ga­do a Ma­tar” (1955), de Jo­seph H. Lewis — Ran­dolph Scott é um xe­ri­fe às vol­tas com fa­cí­no­ras em bus­ca de vin­gan­ça, por con­ta de seu tra­ba­lho na úl­ti­ma ci­da­de por que pas­sou. Ele li­qui­da um e sur­ge ou­tro ain­da mais pe­ri­go­so.  A mu­lher, que o dei­xa­ra na oca­si­ão por não su­por­tar o es­tres­se da sua pro­fis­são, re­a­pa­re­ce e vê que a si­tu­a­ção não mu­dou. E ele, en­tre o de­ver e a mu­lher ama­da, fi­ca com o de­ver. Pa­ra pi­o­rar as coi­sas, ele se fe­re em du­e­lo e os mal­fei­to­res as­sal­tam a ci­da­de.  A or­dem só se res­tau­ra quan­do ele re­as­su­me a fun­ção e com­ple­ta a ta­re­fa. Os ci­da­dã­os com­pre­en­dem, en­fim, que a se­gu­ran­ça é uma ques­tão mui­to im­por­tan­te pa­ra fi­car a car­go de um só ho­mem, e o pro­cu­ram pa­ra ofe­re­cer aju­da. E ele, con­clu­in­do que se tor­nou dis­pen­sá­vel, de­mi­te-se e par­te com a mu­lher pa­ra uma vi­da sos­se­ga­da.  A tra­ma, co­mo se vê, é pa­re­ci­dís­si­ma com a do fil­me “Ma­tar ou Mor­rer” (1952), com uma di­fe­ren­ça fun­da­men­tal. Lá, após men­di­gar aju­da em vão, o xe­ri­fe en­fren­ta os ban­di­dos so­zi­nho e vi­ra um po­ço de má­go­as. Ao par­tir, ati­ra a in­síg­nia no chão, em si­nal de des­pre­zo pe­la ci­da­de que lhe deu as cos­tas.  Aqui, ao con­trá­rio, o xe­ri­fe age sem pe­dir aju­da e par­te apa­zi­gua­do com a ci­da­de, ago­ra de­fen­di­da por seus ci­da­dã­os. So­lu­ção que é uma cla­ra res­pos­ta aos va­lo­res ames­qui­nha­dos de “Ma­tar ou Mor­rer”.
 

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POR EM 23/04/2009 ÀS 05:53 PM

Uma lista de faroestes subestimados

publicado em

John Ford também tem seus faroestes subestimados: “Sangue de Heróis”, “Caravana de Bravos”, “O Céu Mandou Alguém”, “Crepúsculo de uma Raça”. “No Tempo das Diligências” não é subestimado claro, porque é a matriz de muitos filmes de faroeste, mas não é citado na lista de Ademir Luiz.

Provocado pelo médico e escritor Eberth Vencio, o historiador e crítico Ademir Luiz elaborou uma lista dos melhores filmes de faroeste e provocou polêmicas. Esqueceu de citar “Shane” (“Os Brutos Também Amam”), como notou (com acerto) Irapuan Costa Junior. Há também outros excelentes diretores que são subestimados, não por Ademir, mas pelos críticos que só percebem os chamados “clássicos dos clássicos”.

Entre os subestimados podem ser citados: Henry King (“Jesse James”, “O Matador”), Fritz Lang (“A Volta de Frank James”, “O Diabo Feito Mulher”), Joseph L. Mankiewicz (“Ninho de Cobras”. “Cada homem traz em si um pouco de Mal”, acreditava Mankiewicz), Delmer Daves (“A Árvore dos Enforcados”, “Flechas de Fogo”), Raoul Walsh (“Sua Única Saída”. O crítico Gomes de Mattos diz que o filme “introduz a psicanálise no western”), William Wellman (“Consciências Mortas”), Howard Hawks (“Rio Vermelho”, “Onde Começa o Inferno”), King Vidor (“Duelo ao Sol”. “Apresentou o sexo em doses tão elevadas que foi logo impugnado pela censura.” Talvez seja o faroeste mais sensual da história do cinema, com Jennifer Jones e Gregory Peck como protagonistas de um romance tórrido e destrutivo), Howard Hughes (“O Proscrito”), “Anthony Mann” (“Almas em Fúria”, “O Caminho do Diabo”, “Winchester 73”, “O Preço de um Homem”, “O Homem do Oeste”), Budd Boetticher (“O Resgate do Bandoleiro”, “Entardecer Sangrento”, “Fibra de Herói”, “O Homem Que Luta Só”, “Cavalgada Trágica”, “Sete Homens Sem Destino”. Este, elogiado por André Bazin), John Sturges (“Sem Lei e Sem Alma”, a mesma história de “Paixão dos Fortes”, de John Ford), André De Toth (“Terra do Inferno”, “Quadrilha Maldita”), Arthur Penn (“Um de Nós Morrerá”), Marlon Brando (“A Face Oculta”. Como diretor, Brando quase faliu o estúdio e quase enlouqueceu os produtores), Gordon Douglas (“Ouro Que o Destino Carrega”, “Rio Conchos”. Este, sem dúvida, um belíssimo faroeste), Sam Peckinpah (“Meu Ódio Será Tua Herança”, “Pistoleiros ao Entardecer” e “Juramento de Vingança”).

John Ford também tem seus faroestes subestimados: “Sangue de Heróis”, “Legião Invencível” e “Rio Bravo” (trata-se da “trilogia militar” ou “trilogia da Cavalaria”), “Caravana de Bravos” (“O western mais puro e mais simples que já fiz”, disse Ford), “O Céu Mandou Alguém”, “Crepúsculo de uma Raça”. “No Tempo das Diligências” não é subestimado claro, porque é a matriz de muitos filmes de faroeste, mas não é citado na lista de Ademir Luiz.

O livro “Publique-se a Lenda: A História do Western” (Editora Rocco), do crítico e professor da PUC A. C. Gomes de Mattos, contém ótimas sínteses sobre os melhores faroestes. O título tem a ver com o dito mais famoso do filme “O Homem Que Matou o Facínora”, de John Ford: “No Oeste, quando a realidade se converte em lenda, publicamos a lenda”.

O crítico Herondes Cezar tem uma coleção interessante sobre filmes de faroeste da época do cinema mudo (parecia mais teatro do que cinema). O professor e crítico Lisandro Nogueira tem cópia de um ensaio magistral de Davi Arrigucci, um dos mais qualificados críticos literários do país, sobre “O Homem Que Matou o Facínora”, de John Ford. Arrigucci continua estudando a obra de Ford. Parece que analisando-a em comparação com textos de Jorge Luis Borges e Guimarães Rosa.
 


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POR EM 07/04/2009 ÀS 09:48 AM

Os 10 maiores westerns de todos os tempos

publicado em

Seguindo uma discussão sobre filmes de western nos comentários da Bula, resolvi fazer a minha própria lista com os 10, 12 maiores filmes de western de todos os tempos. Como cheguei à conclusão que não tinha visto muitos dos filmes apontados na discussão, mudei de ideia e fiz uma lista baseada nas dezenas de listas já existentes e publicadas na internet. No meu levantamento, considerei apenas sites e revistas especializadas em listas de cinema e publicações impressas, tais como: “Premiere”, “Empire” e “Variety”. Não levei em consideração opiniões publicadas em blogs e listas individuais. Depois de passar uma tarde inteira garimpando informações, eis o resultado.

 
 

1º Rastros de Ódio (John Ford) 1956 
 
 

2º Era uma Vez no Oeste (Sergio Leone) 1968       
   
 

3º O Homem Que Matou o Facínora (John Ford) 1962
 
 

4º Os Imperdoáveis (Clint Eastwood) 1992  
  
 

5º Por Uns Dólares a Mais (Sergio Leone) 1965
 
 

6º Sete Homens e um Destino (John Sturges) 1960
 
 

7º Jogos e Trapaças - Quando os Homens São Homens (Robert Altman) 1971
 
 

8º Butch Cassidy (George Roy Hill) 1969 
 
 

9º Os Brutos Também Amam (George Stevens) 1953 
           
 

10º Meu Ódio Será Sua Herança (Sam Peckinpah) 1969
 
 

11º No Tempo Das Diligências (John Ford) 1939
 
 

12º 8º Três Homens em Conflito (Sergio Leone) 1966  

                         

 


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POR EM 20/02/2009 ÀS 10:01 AM

Quais os dez melhores livros que você leu?

publicado em

(Abaixo o resultado final, um trecho de cada livro e a lista de todos os votantes)

 

Listas  não são novidades. Quase todo caderno literário traz algo parecido de vez em quando. A escolha é sempre subjetiva. Afinal, não se trata de uma eleição. Mas sim, de uma indicação que envolve critérios emocionais na maioria das vezes. Diante desse dilema, e sabendo que termos como: mais importantes, indispensáveis ou imprescindíveis, podem ser avaliados de formas diferentes, tentamos nos centrar em uma pergunta que mais se aproximasse  "do gosto pessoal". Afinal, um livro pode ter sido muito importante em nossa vida, mas não fazer parte da lista dos 10 melhores que lemos. Diante disso, fizemos a seguinte pergunta para 49 convidados: Quais os dez melhores livros que você leu?.  Entre os participantes da enquete, estão editores, jornalistas, escritores, professores, críticos literários, médicos,  publicitários, sociólogos... No resultado geral, ganharam os clássicos. Na votação individual, clássicos e catastróficos se misturam. Entretanto, todos, clássicos ou catastróficos, trazem um fato em comum: o poder de inspirar as pessoas.

Carlos Willian Leite
Editor

 

Resultado final



(19 votos) Grande Sertão: Veredas — Guimarães Rosa

"NONADA. TIROS QUE O SENHOR ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser – se viu –; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram – era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente – depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucuia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá – fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda a parte."

 



(16 votos) D. Quixote —  Miguel de Cervantes

"Com a alegria, contentamento e ufania que se disse, seguiu D. Quixote a sua jornada, imaginando, pela passada vitória, ser o cavaleiro andante mais valente que tinha o mundo naquele tempo; dava por acabadas e levadas a bom termo quantas aventuras lhe pudessem suceder daí por diante; tinha em pouco os encantamentos e nigromantes, não se recordava das inumeráveis pauladas, que no decurso das suas cavalarias lhe tinham dado, nem da pedrada que lhe deitou abaixo metade dos dentes, nem do desagradecimento dos galeotes, nem do atrevimento e chuva de bordoadas dos arrieiros; finalmente, dizia entre si que, se achasse arte, modo ou maneira de desencantar a senhora Dulcinéia, não teria inveja à maior ventura que alcançou ou pôde alcançar o mais venturoso cavaleiro andante dos séculos passados."

 

(15 votos) Dom Casmurro — Machado de Assis

“Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios.”

 

(14 votos) Cem Anos de Solidão — Gabriel García Márquez

"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo. Todos os anos, pelo mês de março, uma família de ciganos esfarrapados plantava a sua tenda perto da aldeia e, com um grande alvoroço de apitos e tambores, dava a conhecer os novos inventos."

 

(13 votos) Memórias Póstumas de Brás Cubas — Machado de Assis

“Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia – algumas vezes gemendo –, mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia: – “Cala a boca, besta!”

 


(12 votos) Os Irmãos Karamazov — Fiódor Dostoiévski

"Nós temos o nosso prazer histórico, natural e imediato com a tortura do espancamento. Niekrássov tem um poema em que um mujique açoita com um chicote os "dóceis olhos" de um cavalo. Isso é corriqueiro, é o russismo. O poeta descreve como um cavalinho fraco, que recebeu uma carga excessiva, atolou com ela e não consegue arrancá-la do atoleiro. O mujique bate nele, bate com fúria, bate, por fim, sem entender o que faz, na embriaguez de bater açoita-o de forma dolorosa um sem-número de vezes: "Mesmo que estejas sem forças, arrasta, morre, mas arrasta!". O rocim tenta arrancar, e eis que ele começa a açoitar o indefeso, e açoitar seus "dóceis olhos" chorosos."

 

(9 votos) Ulisses — James Joyce

"Stephen, com o cotovelo repousando no granito pontudo, encostou a palma abaixo da sobrancelha e olhou para a extremidade da manga de seu casaco preto lustroso que começava a puir. Uma dor, que ainda não era a dor do amor, agitou seu coração. Silenciosamente, em sonho, ela viera até ele após a sua morte, seu corpo gasto dentro de largas roupas tumulares marrons, exalando um odor de cera e pau-rosa, seu sopro, que se curvara sobre ele, mudo, reprovador, um fraco odor de cinzas molhadas. Através do punho puído ele viu o mar saudado como uma grande e doce mãe pela voz bem alimentada ao seu lado. A orla da baía e o horizonte continham uma massa líquida verde opaca. Uma tigela de porcelana ficara ao lado do leito de morte dela contendo a bile que parecia uma lesma verde arrancada de seu fígado apodrecido em seus ataques de vômito e de altos gemidos."

 

(9 votos) O Apanhador no Campo de Centeio — J.D. Salinger

"Se querem mesmo ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é onde nasci, como passei a porcaria da minha infância, o que os meus pais faziam antes que eu nascesse, e toda essa lenga-lenga tipo David Copperfield, mas, para dizer a verdade, não estou com vontade de falar sobre isso. Em primeiro lugar, esse negócio me chateia e, além disso, meus pais teriam um troço se contasse qualquer coisa íntima sobre eles. São um bocado sensíveis a esse tipo de coisa, principalmente meu pai. Não é que eles sejam ruins - não é isso que estou dizendo - mas são sensíveis pra burro. E, afinal de contas, não vou contar toda a droga da minha autobiografia sem nada. Só vou contar esse negócio de doido que me aconteceu no último Natal, pouco antes de sofrer um esgotamento e me mandarem para aqui, onde estou me recuperando."

 

(8 votos) A Divina Comédia — Dante Alighieri

Por mim vai-se à cidade que é dolente,
por mim se vai até à eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.
Moveu justiça o meu supremo autor.
divina potestade fez-me e tais
a suma sapiência, o primo amor.
Antes de mim não houve cousas mais
do que as eternas e eu eterna duro.
Deixai toda a esperança, vós que entrais.
Estas palavras em letreiro escuro
escritas vi por cima de uma porta;
e disse: ''Mestre, o seu sentido é duro''.­
Então ele, avisado, me conforta:
Convém deixar aqui temor secreto;
convém toda a vileza seja morta.
Viemos ao lugar onde o aspecto
verás, to disse, à gente dolorosa
que já perdeu o bem do intelecto.­
E quando a sua mão nas minhas pousa
com ledo rosto, e assim me confortei,
me descobriu tanta secreta cousa.
Suspiros, choros, gritos escutei
ressoando no ar baço de estrelas,
de quanto ao começar também chorei ­
Línguas várias, horríveis falas delas,
e palavras de dor, acentos de ira,
vozes altas e roucas, batedelas
de mãos com mãos, tudo em tumulto gira,
naquela aura sem tempo destingida,
como areal que um turbilhão aspira." 

 


(8 votos) Hamlet — William Shakespeare

"Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer.., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal?"

 


(8 votos) O Processo — Franz Kafka

"Alguém certamente havia caluniado Josef K. pois uma manhã ele foi detido sem ter feito mal algum. A cozinheira da senhora Grubach, sua locadora, era a pessoa que lhe trazia o café todos os dias por volta de oito horas, mas dessa vez ela não veio. Isso nunca tinha acontecido antes. K. esperou mais um pouquinho, olhou de seu travesseiro a velha senhora que morava em frente e que o observava com uma curiosidade nela inteiramente incomum, mas depois, sentindo estranheza e fome ao mesmo tempo, tocou a campainha. Imediatamente bateram à porta e entrou um homem que ele nunca tinha visto antes naquela casa. Era esbelto e no entanto de constituição sólida, vestia uma roupa preta justa que, como os trajes de viagem, era provida de diversas pregas, bolsos, fivelas, botões e um cinto, razão pela qual parecia particularmente prática, sem que se soubesse ao certo para o que ela servia."

 

(8 votos) O Homem Sem Qualidades — Robert Musil

"Idéias que antes possuíam magro valor engordavam. Pessoas antigamente ignoradas tornavam-se famosas. O grosseiro se suavizava, o separado se reunia, independentes faziam concessões, o gosto já formado sofria de inseguranças. As fronteiras nítidas se borravam, e uma nova capacidade indescritível de se agrupar produziu novas pessoas e novas concepções. Não eram ruins, certamente não; havia apenas um pouco de ruindade demais misturada ao que era bom, engano demais na verdade, flexibilidade demais nos significados. Parecia haver realmente uma porcentagem específica daquela mistura, à qual o mundo dava preferência; uma pequena, apenas suficiente dose de sucedâneo fazia o gênio ser genial e o talento ser uma esperança, assim como um pouco de café, e de repente todos os lugares privilegiados e importantes do espírito estavam ocupados por esse tipo de gente, e todas as decisões eram tomadas em seu sentido. "

Voto a voto

Ademir Luiz

professor

Alaor Barbosa 

escritor

Álvaro Mendonça 

sociólogo

Anderson Braga Horta 

escritor

André Gomes 

publicitário

Augusto Sérgio Bastos

professor

Brasigois Felício

escritor

Carlos Augusto Silva 

professor

Carlos Willian Leite 

editor da Revista Bula

Eberth Vêncio

médico

Edival Lourenço

 escritor

Edmar Guimarães

poeta

Enio Vieira

 jornalista

Euler de França Belém 

editor do Jornal Opção

Flávio Carneiro

escritor

Flávio Paranhos

escritor

Frederico Carvalho Felipe

músico

Gilberto Mendonça Teles 

escritor

Goiandira Ortiz 

professora

Hélverton Baiano 

escritor

Jonas Lopes 

crítico literário

José Carlos Guimarães 

professor

José Leandro Bezerra 

escritor

José Nêumanne Pinto 

jornalista

Lauro Marques 

semioticista

Leonardo Carmo 

crítico de cinema

Luciano Sampaio 

 professor

Marcela Borela 

cineasta

Marcello Rollemberg 

 jornalista 

Marcelo Costa 

editor do Scream & Yell

Marcelo Tavares  

 jornalista

Maria Clara Dunck  

estudante

Maria Virginia de Mattos 

professora

Mauro Leslie 

poeta

Menalton Braff 

 escritor

Nicolas Behr 

poeta

Paulo de Toledo 

 poeta

Paulo Sérgio Abreu 

poeta

Renata Andrada 

 publicitária

Renato Silva Schaiblich 

jornalista

Ricardo Tacioli 

editor do Gafieiras

Roberson Guimarães 

médico

Rodrigo Petrônio 

escritor

Rogério Pereira 

editor do Jornal Rascunho

Rogers Silva 

 publicitário

Salomão Sousa 

 escritor

Silvino Barros 

sociólogo 

Tainá Corrêa 

 publicitária

Valdivino Braz 

escritor 

 
 


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POR EM 27/01/2009 ÀS 09:52 PM

100 coisas para fazer em 2009

publicado em

O Opção Cultural e a Revista Bula me pedem para fazer uma lista de leituras pretendidas para 2009. Fiz algo diferente. Vejam aí algumas sugestões. Vejam se combinam. Se não combinarem, desacatem-nas, mudem a ordem, eliminem, acrescentem, enfim...

Veja: Laranja Mecânica (Kubrick).
Ouça: A nona e a quinta sinfonias de Beethoven.
Leia: Laranja Mecânica (Burgess, de preferência a versão americana, sem o último capítulo, ou leia a britânica, mas não leia o último capítulo, ou leia o diabo do último capítulo por sua conta e risco).
Beba: Baden-baden vermelha.
Coma: Não coma.
Fume: Robusto Le Cigar.

Veja: Crimes e Pecados (Woody Allen).
Leia: A genealogia da moral (Nietzsche).
Ouça: Quarteto de cordas No. 15 (Schubert).
Beba: Cabernet Sauvignon.
Coma: Torrada com gorgonzola e geléia de damasco.
Fume: Não fume.
Variação1:
Leia: Projeto de ética negativa (Julio Cabrera).
Ouça: Thelonius Monk.
Beba: Baden-baden vermelha.
Coma: não coma.
Fume: Robusto Dona Flor.
Variação 2:
Leia: Fundamentação da metafísica dos costumes (Kant) e Do cidadão (Hobbes).
Não coma, não beba, não fume.

Veja: Sócrates (Rossellini)
Leia: O conceito de ironia constantemente referido a Sócrates (Kierkegaard).
Ouça: Não ouça.
Beba: Pinot Noir.
Coma: Qualquer queijo.
Fume:Não fume.

Veja: A morte e a donzela (Polanski).
Leia: A morte e a donzela (Ariel Dorfman).
Ouça: A morte e a donzela (Schubert, o quinteto e o Lied)
Beba: Baden-baden 1999.
Coma: Qualquer queijo.
Fume: Alonzo Menendez No.10

Veja: O sétimo selo (Bergman).
Leia: O mito de Sísifo (Camus).
Ouça: Qualquer violoncelo de Bach.
Beba: Chadornay.
Coma: Torrada com requeijão e ovas (não caviar, evidentemente, mas as ovas mais baratas).
Fume: Não fume.
Variação:
Leia: Do sentimento trágico da vida (Unamuno).
Não coma, não ouça, não fume.

Veja: Sonhos (Kurosawa).
Leia: Não leia.
Ouça: Chopin.
Beba: Pinot Noir ou Chadornay.
Coma: Queijos.
Fume: Não fume.

Veja: Zelig (Woody Allen).
Leia: Origens do totalitarismo (Arendt).
Ouça: Benny Goodman.
Beba: Merlot.
Coma: Queijos .
Fume: Não fume.

Veja: As horas (Daldry).
Leia: As horas (Michael Cunningham).
Ouça: O adágio do Albinoni (mas cuidado!).
Beba: melhor não.
Coma: qualquer coisa.
Fume: melhor não.
Variação:
Ouça: O Réquiem do Mozart (muitíssimo cuidado!).
Leia: Mrs. Dalloway (Virginia Wolf).

Veja: Pulp Fuction (Tarantino, o homem de um filme só).
Leia: Qualquer coisa do Dashiell Hammet.
Ouça: a trilha sonora do filme (coloque o volume no bigode, principalmente no início do CD).
Beba: Jack Daniels.
Coma: Amendoim.
Fume: Cigarrilha (qualquer).

Veja: Ricardo III. Um ensaio (Al Pacino).
Leia: A vida e a morte do rei Ricardo III (Shakespeare).
Ouça: Otelo (Verdi) (ouça e veja, se possível).
Beba: Espumante.
Coma: Sushis e sashimis.
Fume: não fume.

Veja: A doce vida (Fellini).
Leia: Angústia (Graciliano Ramos).
Ouça: Miles Davis.
Beba: Um toscano qualquer.
Coma: Espaguete (não se atreva a comer pizza!).
Fume: Não fume.

Veja: O anjo exterminador (Buñuel).
Leia: Bestiário (Cortázar).
Ouça: Dave Brubeck.
Beba: Vodka com alguma fruta.
Coma: Sushis, sashimis.
Fume: Não fume.

Veja: Short Cuts (Altman).
Leia: Do que falamos quando conversamos sobre sexo (Carver).
Ouça: Blue Trane (Coltrane).
Beba: Cabernet Sauvignon.
Coma: Queijos.
Fume: Não fume.

Veja e ouça: Boris Godunov (Mussorgsky).
Leia: Boris Godunov (Pushkin).
Beba: Vodka pura gelada (com moderação).
Coma: Suhis, sashimis.
Fume: Robusto Dona Flor.


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POR EM 12/12/2008 ÀS 12:33 PM

Os blogs mais populares do Brasil

publicado em
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Entre os dias 22 e 26 de setembro de 2008 foi perguntado a 278 estudantes universitários brasileiros:  Quais eram seus blogs favoritos?  Foram somados apenas os questionários que obtiveram resposta — com a indicação de pelo menos um blog. Como nas pesquisas anteriores, como regra, um único critério: cada participante poderia indicar um número máximo de cinco blogs. Participaram da pesquisa estudantes de 10 universidades brasileiras, são elas: UNOCHAPECÓ, PUC SP, PUC MINAS, UFMG, PUC PARANÁ, UNB, UCG, UEG, UFRJ, MACKENZIE. A pesquisa foi feita pelo Laboratório de Pesquisas de Opinião Pública e de Mercado e não tem valor científico.
 
 1º —  69 citações
Blog do Noblat

 

 2º — 62 citações
Jacaré Banguela

 
 3º — 57 citações
Kibe Loco

 
 4º — 53 citações
Contraditorium

 

 5º —  46 citações
Meio Bit


 
 6º — 42 citações
Pensar Enlouquece
 

 7º — 37 citações
Sedentário & Hiperativo


 
 8º — 31 citações
O Biscoito Fino e a Massa

 

 9º — 26 citações
Brainstorm

 

 10º — 22 citações
Marconi Leal


 
 

 


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POR EM 12/12/2008 ÀS 12:32 PM

Os blogs mais populares do Brasil

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Entre os dias 10 e 21 de março de 2008 foi perguntado a 300 estudantes universitários: 1º — se tinham o hábito de ler blogs na Internet; 2º — sendo a primeira resposta afirmativa, quais eram seus blogs favoritos. Assim como nas pesquisas anteriores, como regra, um único critério: cada participante poderia indicar um número máximo de cinco blogs. Participaram da pesquisa estudantes de 10 universidades brasileiras, são elas:
UNIP, UESPI, PUC MINAS, UFMG, UFG, UNB, UCG, UEG, UFRJ, USP. A pesquisa foi feita pelo Laboratório de Pesquisas de Opinião Pública e de Mercado e não tem valor científico. 79 participantes disseram que não são leitores de blogs.

 
 1º —  78 citações
Kibe Loco

 

 2º — 57 citações
Noblat
 
 3º — 53 citações
Sedentário e Hiperativo
 
 4º — 51 citações
Pensar Enlouquece
 

 5º —  43 citações
Ueba

 
 6º — 36 citações
Favoritos
 

 7º — 28 citações
Reinaldo Azevedo

 
 8º — 24 citações
Jacaré Banguela
 

 9º — 23 citações
Brainstorm

 

 10º — 21 citações
Revolucao

 
 

 


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